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terça-feira, 31 de julho de 2012

Mary Higgins Clark - O Berço da Morte [Opinião]

Sou fã de Mary Higgins Clark e cada vez mais me sinto fascinada pelas suas obras. Este ano já li da autora Gosta de Música, Gosta de Dançar, Enquanto o meu Amor Dorme, este e desconfio que não ficarei por aqui. As suas tramas prendem verdadeiramente o leitor em histórias misteriosas e cativantes.
Este livro está publicado em português sob dois títulos: O Berço da Morte (das Publicações Europa América) ou a Clínica do Terror (da colecção Mestres policiais da Visão ou anteriormente publicado também pela PEA na colecção de bolso Pêndulo).

Particularizando para este livro: a promotora de justiça Katie DeMaio chega ao hospital após um acidente de carro. Ainda sonolenta, ela vê pela janela um homem a carregar um cadáver para a bagageira da sua viatura.
Paralela (e aparentemente) uma mulher comete suicídio. Ela chama-se Vangie Lewis e está grávida, embora o seu casamento com Chris esteja à beira do abismo.
A polícia inicia uma investigação e potenciais suspeitos começam a aparecer mortos, tornando-se uma corrida contra o tempo para apanhar o verdadeiro culpado.

Como já é costume, a autora encaixa estas subtramas numa convergência para um ponto comum. Desde cedo o leitor percebe qual será uma vez que a autora imediatamente desvenda o autor do crime.
Os leitores mais cépticos poderão equacionar se o livro tem o tal factor surpresa que é já quase a fórmula da leitura policial. E na minha opinião, sim, o livro consegue surpreender pelo suspense e entusiasmo que a autora induz na história e por algumas reviravoltas. Afinal de contas o homicida tem um estatuto social que à partida exclui características psicopatas.
Diria que o objectivo da trama é saber apenas como esta é deslindada, embora a autora coloque sempre a dúvida no marido de Vangie nos olhos da polícia, o que é perfeitamente dispensável pois o leitor sabe quem é na verdade o autor da sua sentença de morte.

Nesta novela, ao contrário de tantas outras, é quase impossível definir um protagonista. Ora oscilamos entre o "mau da fita", que desfruta das suas refeições como do ávido prazer de matar e Katie DeMaio, a nossa infeliz vítima viúva que ainda hoje sofre por não ter tido um filho do juiz John DeMaio.
Um outro ingrediente já conhecido nas histórias de Higgins Clark é o romance, discreto, sob a trama misteriosa. Por isso a autora emparelha esta personagem vulnerável ao dr. Richard Carroll, uma outra personagem com grande peso na resolução do caso.

Outro aspecto que condicionou a minha ávida leitura foi o facto da autora ter conciliado (e muito bem, devo desde já dizer) elementos como a medicina e a psicopatia. Este livro vai além do mero thriller ou policial, estando quase à altura do autor Robin Cook e as suas arrepiantes narrativas de natureza médica. Em particular, a trama debruça-se sobre as temáticas de infertilidade e experiências médicas em prole de uma gravidez bem sucedida.
Note-se que este livro data de 1980 e incide em temáticas que, nos nossos dias, continuam a ser assuntos actuais, como gravidezes não desejadas, paternidade, fertilizações in vitro ou negligência médica.
Este conto pode ser aclamado como do género de terror na medida em que a autora explicita várias experiências com fetos abortados, claramente de índole mais fantasiosa mas que impõe grande respeito dado que o cenário abrange pouco mais do que um hospital.
Tal como no clássico policial, a autora recorre a descrições de mortes mais subtis, que não chocam o leitor, numa trama até bastante simples mas igualmente cativante.

Em suma, O Berço da Morte é uma novela extremamente bem construída e que me deixou em suspense até finalizar a sua leitura. Esta é, decididamente, uma das histórias da autora que mais gostei, embora me seja muito difícil eleger a preferida.
Mary Higgins Clark uma vez mais demonstra o porquê de se ter consagrado numa das minhas autoras preferidas. Gostei muito e recomendo, principalmente aos fãs de thrillers médicos.






Mais informações sobre o livro aqui.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mary Higgins Clark - Enquanto o Meu Amor Dorme [Opinião]

Estou cada vez mais fã de Mary Higgins Clark, devo dizer. Este foi-me recomendado por uma amiga e mal o livro chegou a casa, foi directamente para a pilha dos "ler em breve".

O livro tem um rápido arranque na medida em que se inicia com um homicídio. Não se sabe a identidade do executante, é certo, mas a forma como é levado a cabo, é extremamente arrepiante, tornando o primeiro capítulo como promissor. E de facto é! Rico em detalhes sobre a morte da senhora e posteriormente a ocultação do seu cadáver, mal comecemos a ler esta simples história, não conseguimos parar. Eu que o diga, li este livro num dia!

Ethel Lambston, uma autora de colunas sociais, não era uma pessoa fácil de tolerar. Por isso a primeira "aparição" da personagem é precisamente a sua morte. Dada a sua personalidade, o leitor vai apercebendo-se que a lista dos suspeitos poderia ser longa.
Seamus é o ex-marido, de quem Ethel continua a abusar financeiramente, privando-o de ajudar monetariamente a sua actual família; o sobrinho, Doug, que serve a sua tia com esperança de herdar o seu espólio e um designer de moda que enriqueceu graças à prática de actividades ilegais.
Todos os três homens tinham o motivo, a oportunidade e os meios para silenciar Ethel Lambston para sempre.A única pessoa que se preocupa com a invulgar ausência de Ethel foi a sua consultora de moda, Neeve Kearny. Esta é filha de um ex polícia e atormentada pelo assassínio da sua mãe à dezassete anos atrás.

Intrigas secundárias compõem uma história repleta de emoções fortes. Por um lado temos Seamus que é manipulado pela ex mulher. Este homem mete dó, completamente! Por isso esta personagem está envolta por uma subtrama quase tão importante como a história principal, dotando-a também de vários aspectos que poderiam ter levado a matar Ethel. O sobrinho ostenta grandezas e teme que venha ao de cima o seu segredo para com a tia. E finalmente qual é o fio condutor entre os homicídios de Ethel e da mãe de Neeve?
A protagonista é corajosa e independente e junto com o pai, Myles, que vive amedrontado agora que o assassino da esposa saiu da prisão, espelham os sentimentos de perda.
Assim, este ponto intensifica as saudosas recordações através de flashbacks em que relatam momentos de Renata com Myles ou com a filha ainda em tenra idade.

Agora o que é de louvar é o facto de Clark contar estas histórias de forma tão humana mas ao fim e ao cabo, tão sucinta e completa (até porque o livro tem cerca de 200 páginas e aborda uma diversidade de intrigas), sendo um livro que não é parado, tem uma base de mistério que culmina na resolução do crime, que, para não variar, é quem menos se espera. Mas o que me surpreendeu verdadeiramente nem foi a identidade do homicida (até porque a lista dos suspeitos era bastante reduzida) mas sim o que motivou um homem a praticar tal acto.

Sendo um livro dos anos 80s, segue aquela fórmula do clássico policial que cai sempre bem: uma descrição aprimorada do homicídio, sem elementos gráficos de violência e sobretudo muita tensão psicológica.

Em suma, Enquanto o meu Amor Dorme é um cativante policial. Embora date de 1989 é bastante actual, abordando não só o mundo do glamour da alta costura enfatizando as intrigas e invejas que naturalmente desabrocham neste meio como o perigoso submundo da máfia. É uma história relativamente simples mas a forma como Clark a conta, fez com que a obra me proporcionasse uma excelente leitura. Recomendo!

domingo, 22 de abril de 2012

Mary Higgins Clark - Gosta de Música, Gosta de Dançar [Opinião]

O livro que vos apresento hoje foi escrito por uma das rainhas do thriller. Mary Higgins Clark conta já com uma vasta carreira, publicando a solo ou com a colaboração da sua filha, Carol Higgins Clark, inúmeros romances de suspense.

Já adaptada em filme, inquestionavelmente, esta é uma boa história de suspense, embora não se foque propriamente no crime. O início da trama apresenta-nos o psicopata com uns contornos na sua personalidade extremamente macabros, que quer-me fazer parecer, se relacionam com um exacerbado fetiche de pés e sapatos. As vítimas são encontradas com calçado diferente em cada pé: um sapato da própria num pé e o outro, um sapatinho adequado para dançar.
O que este homem tem de doentio, tem também de determinação: ele definiu um plano, que tenciona seguir à risca. Por isso ele estrangula Nan Sheridan sem remorsos para grande consternação do irmão gémeo Chris e da mãe. Quinze anos depois, a proeza repete-se, ficando o leitor na dúvida: será que Charley voltou ou terá sido um outro homem que copia o seu modus operandi?

A autora escreve de uma forma soberba, atenuando todos e quaisquer eventuais elementos violentos, lançando suspeitas sobre todas as personagens masculinas: claro que, ainda assim, a identidade do psicopata constituirá uma surpresa. Está eminente a dualidade que coexiste dentro de um homem entre o mal e a aparente harmonia que ele demonstra para com outros.
Penso que facilmente o leitor terá afinidade com Darcy. Gostei desta personagem apesar de achar que há algures uma contradição: Darcy está consciente que a sua amiga Erin foi morta por um homem num encontro com um desconhecido, porque é que a mesma não tem medo e pára com estas saídas? No entanto, este comportamento assumidamente de risco, será fulcral para que a narrativa tenha corpo.

A autora desenvolve o enredo dentro destes contornos, e explorando ao limite cada saída com um desconhecido, mesmo sendo este apresentável e aparentemente digno de confiança. Assim, estamos perante um famigerado médico, um homem casado e pai de família que quer fugir à rotina, uma pessoa com problemas mentais, sendo estes uma amostra de um vasto role de indivíduos, que aparentemente apresentáveis, mas descritos pela autora como não sendo de confiança. Desta forma, a autora estabelece e assegura uma sensação genuína de desconfiança e temor por Darcy face aos seus encontros. É desta forma que o suspense, o thriller e o mistério toma forma, numa linha psicológica.
À medida que vamos conhecendo os vários homens, vamos estabelecendo um inevitável paralelismo, de forma a tentar deslindar se a identidade verdadeira será Charley. Sem grande sucesso devo dizer!
Trata-se de uma trama, cuja acção é dita lenta, por não ter picos de adrenalina no seu desenvolvimento. Há um ênfase numa componente comportamental das demais personagens. Quando Erin morre há um pesar que facilmente é transmitido ao leitor. A parte da investigação policial poderia estar mais intensa, a meu ver. No entanto, o clímax está repleto de emoções fortes. É revelada finalmente a identidade de Charley e é aqui que torcemos para que Darcy se consiga salvar. No entanto, e apresento como maior fragilidade do enredo, gostaria que tivessem sido mais aprofundadas as justificações para a tão íntima sociopatia de Charley. Apenas nos é revelado, sob o relato do nosso psicopata, a estranha interacção familiar dele, que certamente contribuiu para o seu retrato psicológico sombrio.

Um livro que alerta, ainda que da forma arcaica em jornal, os perigos que ainda existem actualmente (mais comuns em Internet), dos blind dates, explorando os seus limites. Não sou experimente em encontros desta natureza, mas uma coisa é certa: doravante vou considerar estas situações como assustadoras!
E Mary Higgins Clark é, sem qualquer sombra de dúvidas, uma autora que vou querer conhecer melhor. Recomendo.

sábado, 21 de abril de 2012

Divulgação Editorial (Bertrand): Mary Higgins Clark - Eu Sei Que Voltarás

Já está nas livrarias.

Sinopse: Alexandra, uma bela designer de interiores com uma carreira de sucesso, fica aterrorizada ao descobrir que alguém anda não só a usar os seus cartões de crédito e a movimentar as suas contas para a levar à miséria, como também a tomar a sua identidade para cometer crimes violentos, de rapto e homicídio. Logo ela, que já vivia assombrada pelo desaparecimento do próprio filho, raptado à luz do dia em Central Park há dois anos. Agora que o filho faria cinco anos, começam a surgir fotografias que sugerem que foi ela que raptou o próprio filho, seguidas de uma série de acontecimentos que indicam que, de alguma maneira, alguém conseguiu roubar-lhe a identidade. Mas quem? E porquê?
Perseguida pela imprensa, sob investigação policial, atacada pelo ex-marido e por um rival nos negócios, a única coisa que lhe dá esperança é a fé de que o filho continua vivo. Só não percebe que, cada passo seu em direção à verdade, a põe a si e aqueles que ama em grande perigo.
Até as pessoas que a apoiam acreditam que foi ela a raptar o filho e a própria Alexandra começa a duvidar da sua sanidade mental. Mas num final explosivo, característico da Mary Higgins Clark, as peças do puzzle encaixam finalmente numa revelação inesperada e chocante.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Divulgação Bertrand - Mary Higgins Clark: A Sombra do Teu Sorriso


Sinopse: Aos oitenta e dois anos e com uma saúde frágil, Olivia sabe que não lhe resta muito tempo. É a última da sua descendência e enfrenta uma escolha colossal: expor um segredo familiar há muito escondido ou levá-lo consigo para o túmulo. Olivia tem na sua posse cartas da sua falecida prima Catherine, uma freira que está a ser considerada para beatificação pela Igreja Católica, o último passo antes de ser santificada. Ao longo da sua vida, a Irmã Catherine fundara sete hospitais para crianças carenciadas. Agora é-lhe atribuída a cura de um menino de quatro anos que se encontrava a morrer com um tumor cerebral. As cartas que se encontram na posse de Olivia provam que, aos dezassete anos, Catherine deu à luz um rapaz, que entregou para adoção. Olivia conhece a identidade do pai, Alexander Gannon, que acabou por se tornar um médico de renome a nível mundial, cientista e inventor, detentor de patentes médicas. Hoje, duas gerações mais tarde, Monica Farrell, uma pediatra de trinta e um anos, neta de Catherine, é a herdeira legítima do que resta da fortuna familiar. Mas, ao contar a Monica quem ela é na verdade, Olivia estaria a trair o desejo de Catherine, revelando a história por trás das origens dela. A fortuna dos Gannon está a ser esbanjada pelos sobrinhos de Alexe pelos restantes membros da Fundação Gannon, que camuflam o seu estilo de vida exuberante com filantropia. As únicas pessoas que conhecem a escolha iminente de Olivia são as mesma que exploram a herança. E algumas delas farão tudo para silenciar Olivia…

Nas livrarias a 23 de Setembro.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mary Higgins Clark - Do Fundo do Coração [Opinião]


Apesar de Mary Higgins Clark ser apontada como uma rainha do suspense e eu ter enveredado na leitura deste género há coisa de 3 anos, devo confessar que nunca tinha lido nada da autora, e está cá a parecer-me que a autora é inesquecível!

Ora nesta leitura denotei que Clark escreve de uma forma muito coerente e fluída, em capítulos pequenos, mantendo constante o nível de suspense e o desejo de ler mais e mais. A escrita é bastante acessível e a autora sabe prender e cativar o leitor.

Ao ler este livro, tive a sensação que estava a ver um episódio da série Lei & Ordem. Os pormenores ricos referentes ao mundo judicial faz-nos transportar para o tribunal onde assistimos ao julgamento de Gregg Aldrich, acusado de ter morto a sua esposa Natalie Maines.
O estranho da história é que ficamos em dúvida do porquê dessa morte, anos depois da melhor amiga de Natalie ter sido morta também, uma vez que ambas eram actrizes de sucesso.

Denotei uma apresentação bastante superficial das personagens, exceptuando a procuradora Emily Wallace. Praticamente não conhecemos nada da primeira rapariga morta e o que conhecemos da segunda é já post mortem. Os demais personagens, vulgo os intervenientes do julgamento ou mesmo a família da falecida, não me conquistaram em pleno, devo confessar.

Depois há um mistério em torno de Emily, uma vez que foi submetida a um transplante de coração e não se sabe a identidade do dador. Para complementar, existe uma história paralela do vizinho esquisito de Emily cujas intenções são descobertas ao longo da narrativa. Estes são então os dois elementos chave que o leitor está ávido de descobrir.

A história não deixa de ser interessante, todas as pontas soltas que são apresentadas durante a sua narrativa têm um elo comum que acaba por ser, de certa forma, surpreendente! Penso que deveria ter sido dado um ênfase, nomeadamente na questão do coração, pois o título (e o subtítulo) me induziram a fazer já um grande filme sobre isso, quando afinal nem o era...

O desfecho foi rápido de mais. Estava eu a 10 páginas do fim e todo aquele clímax deu-se como um raio, intenso mas demasiado acelerado, a autora podia ter debruçado em maiores pormenores e ter estendido a evolução dos acontecimentos. Também achei que as mortes de Natalie e Jamie poderiam ser explicadas de melhor forma afim de convencer totalmente o leitor.

Para finalizar, fico curiosa em conhecer as opiniões dos seguidores e fico satisfeita em conhecer os livros de MHC categorizados como os melhores, pois certamente que não vou perder a oportunidade de os ler.

Recomendo este livro sem reservas, constitui um bom momento de leitura.