sábado, 14 de abril de 2012

Patrícia Melo - Ladrão de Cadáveres [Opinião]

A sinopse aliciante juntamente com uma capa extremamente apelativa (pormenor já habitual da editora Quetzal, que aposta no grafismo das capas, muitíssimo bem conseguido, devo já dizer), fez com que tivesse vontade de ler Ladrão de Cadáveres. Apesar de Patrícia Melo ser já conhecida nas lides literárias, foi com este livro que me estreei com a autora.

Ladrão de Cadáveres tem um rápido arranque. No Pantanal, um homem assiste à queda de um pequeno avião. O piloto definha sob o olhar do protagonista, que encontra na mochila, um quilo de cocaína. Rapidamente a personagem principal se apercebe que o piloto pertencia a uma família abastada. Sob ambição desmedida de rápido enriquecimento, a personagem principal desenvolve um esquema macabro...

Sendo Patrícia Melo de naturalidade brasileira, é expectável que faça desde já, um reparo em relação à linguagem que Ladrão de Cadáveres apresenta. Antes de mais, eu adoro a cultura jovial e alegre brasileira, e foi para mim estranho adaptar-me a um registo mais sério e sóbrio. Numa altura em que a nossa gramática foi alterada, através do acordo ortográfico, de forma a uniformizar a língua nos países de expressão portuguesa, há palavras escritas que aproximam o português de Portugal ao português do Brasil. No entanto, este livro, sendo escrito por uma autora brasileira, contém muitos outros termos brasileiros, com os quais não estou familiarizada e que dificultou um pouco a sua leitura.
Depois a própria estrutura é diferente. Ao invés dos convencionados travessões, que indicam os discursos das personagens, a autora faz uma narrativa mais condensada. A meu ver, torna a leitura mais cansativa.
Mas a forma como o protagonista narra a sua história, usando frequentemente expressões como "você sabe", dá uma sensação que ele está diante do leitor, narrando para o mesmo, como se de uma simples conversa se tratasse.

Pois a história que Melo nos apresenta aqui, não é propriamente um policial, nem um thriller embora a morte seja um factor preponderante na trama. A morte do jovem piloto é fulcral para o desencadeamento na vida do protagonista (na realidade, não sabemos o seu nome, uma vez que a acção é narrada na primeira pessoa). Apenas se sabe que ele é ex-gerente de uma empresa de telemarketing em S. Paulo, sendo indirectamente implicado no suicídio de uma funcionária. O perfil desta personagem é feito com base nos juízos do leitor, já que o mesmo não tece considerações sobre si próprio, cingindo-se apenas ao relato da história e relações com as restantes personagens do livro.

Sulamita, a rapariga com quem o protagonista desenvolve uma relação amorosa trabalha numa morgue, consciencializando sobre factos fisiológicos de um cadáver, evidenciando ainda o quão é importante a temática da morte.
O que acontece é que as personagens têm um ponto em comum: podem aparentemente transmitir alguma inocência ou bondade numa etapa inicial, mas com o evoluir da trama transparecem o pior que há em si.

A trama tem como alicerce o drama e explora os limites éticos, debruçando-se essencialmente sobre a ambição desmesurada pelo dinheiro. O enredo explora ao limite, as consequências da ganância, traição, conspiração e por fim, a redenção. É um livro que acima de tudo, lida com a gestão dos piores sentimentos que possam surgir dentro de cada um de nós e sobre a imoralidade das nossas acções.

A sinopse insinuava uma trama de cariz mais chocante, no entanto de violência pouco oferece Patrícia Melo, que em troca conta uma história de traição e ganância, verdadeiramente plausível.
Um livro que após ser fechado, irá certamente lembrar-se dele, pois como nos é dito na capa "Patrícia Melo disseca implacavelmente os caminhos da corrupção da alma". Penso que nesta frase, está expressa a verdadeira essência que é esta história.
Apesar de não corresponder aos padrões das minhas preferências literárias, foi uma obra que me interessou desde o início, tornando de algum modo, numa leitura compulsiva. Aliado ao facto do seu reduzido número de páginas, é um livro que se lê muitíssimo bem numa tarde de ócio.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Alan Bradley - A Talentosa Flavia de Luce [Opinião]


Já há muito que este livro estava na estante e foi preciso o autor, Alan Bradley, ser consagrado por Oprah Winfrey, numa lista de 9 autores de novelas de mistério, para que eu ingressasse na aventura de Flavia de Luce.

Nesta primeira aventura de Flavia (a Planeta Manuscrito tem já um outro livro de Bradley publicado), um pássaro morto é encontrado no degrau da porta com um selo de correio espetado no bico. Mais tarde, Flavia encontra um homem caído no meio da plantação de pepinos e vê-o definhar. Ao contrário do que seria expectável, e de acordo com a menina, esta foi a coisa mais interessante que aconteceu na sua vida...

Este é um policial que foge ao convencional. Olhem para a capa, por exemplo? Sugere uma leitura descontraída e quiçá divertida, embora dentro do romance mistério.
E a protagonista, Flavia de Luce, é uma menina de apenas 11 anos! Portanto é expectável que ao longo do livro haja um espírito muito juvenil que se traduz na forma como ela resolve o crime aqui apresentado. Assim, ela é quase um Poirot em tamanho pequeno pois todas as associações a pistas, ela fá-lo consoante mera dedução lógica e hipóteses que vai tecendo.
Ela tem uma paixão desmesurada pela Química, e tenta a todo o custo produzir venenos com várias utilizações, sendo que uma delas, tentar envenenar a irmã mais velha. É que Flavia tem duas irmãs, a quem surripia tudo que possa ser fundido, destilado, precipitado... etc etc para produzir as suas poções químicas.
As irmãs são mais velhas, o que não corresponde ao nível de maturidade que elas apresentam, e como tal, vão chocar muito contra Flavia. É como se esta fosse uma espécie de Branca de Neve detective, e as irmãs fossem as "más" (se bem que Ophelia e Daphne são supérfluas, tentando à sua maneira, arranjar formas de arreliar Flavia).

Sendo Flavia uma miúda, há um registo muito particular na sua linguagem que se traduz em várias passagens de humor mordaz. Aliás, todo o livro é bastante divertido, encaixando com a devida seriedade a temática do crime.

O enredo é, à sua maneira, intrincado, voltando a lembrar as tramas de Agatha Christie. O crime relaciona-se com o fantástico mundo da filatelia (embora eu não seja apreciadora da arte de coleccionar selos), tendo uma base interessante e plausível. Depois há uma componente que incide sobre a teia alargada de relações de Flavia com os caseiros, o pai, as irmãs e as demais personagens da trama, uma vez mais acentuando a graciosidade, inteligência, astucia e perspicácia da personagem principal.
A paixão pela ciência da Química está, na minha opinião, deveras interessante; Flavia fala dos compostos químicos com um estranho à vontade, tornando a personagem ainda mais rica. Para quem gosta desta ciência, sentir-se-á fascinado com as passagens que decorrem no seu pequeno e caseiro laboratório.

Tendo como cenário a Inglaterra dos anos 50, é expectável que nos deparemos com uma cultura diferente, à moda da cultura old fashioned way britânica.
O pai de Flavia, o coronel de Luce, é viúvo e caracteriza-se como um homem rígido e distante face às filhas que são educadas no seio de uma comunidade constituída pelos caseiros da mansão de Buckshaw.

Sendo um livro narrado sob o ponto de vista de Flavia, apresenta-se adequado para todos os públicos. Não existe qualquer registo de linguagem chocante e o enredo é relativamente semelhante às tramas de Agatha Christie, devido a primeiro, à descrição cuidada e subtil com que nos é apresentado o caso de homicídio a resolver, e segundo, pela metodologia que a protagonista desenvolve, assente no raciocínio e na lógica. E avaliando também o nível de acção, penso que esta se desenvolve constantemente, num ritmo lento, enfatizando mais do que os meros aspectos relativos ao crime, auferindo também a sociedade de época, e como já mencionado, uma componente mais pessoal das personagens.

Deveras o aspecto que achei curioso: nos agradecimentos (penso que a maior lista de agradecimentos de sempre), o autor dirige-se à também autora de policiais Ann Cleeves (que escreveu A Maldição do Corvo Negro e Noites Brancas, dois excelentes livros).

Os ávidos pelo crime, violência e acção sentir-se-ão desiludidos com este livro. No entanto, esta obra fará as delícias de quem é fã da Miss Marple, Poirot ou Sherlock Holmes.
A Talentosa Flavia de Luce é um divertido e light policial que a Oprah Winfrey e eu recomendamos vivamente. Ficou naturalmente a curiosidade em ler o segundo livro de Bradley. Gostei!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Divulgação Editorial (Bizâncio): Alastair Campbell - Maya


Pela capa não parece mas ontem vi este livro na secção dos Thrillers/Policiais :)

Sinopse: Maya Lowe é uma das actrizes mais famosas da actualidade e Steve Watkins o seu velho amigo dos tempos de escola. Ambos juram que nada mudou na sua amizade desde então. Mas pode uma amizade sobreviver à fama mundial? Pode um homem como Steve, que trabalha numa empresa de distribuição para as bandas de Heathrow, fazer parte da vida desta estrela? Ele está convencido disso… Mas, por entre as voltas e reviravoltas da vida pública e privada de Maya, a distância entre o que Steve pensa e a realidade é cada vez maior. No mundo em que a obsessão com a celebridade é uma constante, a descoberta da realidade pode ser dura.

Este novo romance de Alastair Campbell, em parte thriller, em parte uma análise da psicologia da fama, retrata-nos uma sociedade que se alimenta da vaidade, do êxito, e que sofre as perigosas consequências desta voragem.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Saldos Publicações Europa América


Já viram a nova campanha da Europa América? Com esta promoção nem vou esperar pela hora H da feira do livro! Compro já os livros da colecção Crime Perfeito que me faltam e nem preciso de sair de casa. E claro, os do Robin Cook.
Happy Hour das 21h às 22h nos livros com mais de 18 meses :))

Para mais informações, cliquem directamente na imagem.

domingo, 8 de abril de 2012

Robin Cook - Epidemia [Opinião]


Para quê introduções a Robin Cook? O homem que escreve romances interditos a hipocondríacos.
Este livro, o segundo publicado pela Europa América, apresenta uma nova personagem Marissa Blumenthal, uma epidemiologista do Centro de Controlo de Doença em Atlanta. Este Centro entra em alerta máximo quando o director de uma clínica em Los Angeles mostra sintomas de um vírus impossível de tratar. Mas este é apenas o primeiro caso... com contornos bizarros, começa uma série de surtos em vários pontos dos Estados Unidos tendo em comum alguns aspectos: as vítimas são médicos ou seus pacientes, e o vírus propaga-se em instalações de cuidados de saúde.

Tendo uma protagonista que não seja Laurie nem Cassie, este é um livro que poderá ler independentemente de outros do autor. Aliás, penso que este é o primeiro de uma saga protagonizada por Marissa e a avaliar por este primeiro volume, é um thriller que reúne conspiração e emoções fortes.

Num registo diferente do último livro que li de Robin Cook e que adorei, Anjo da Morte, este livro apresenta a parcela terrorífica associada a uma extensa componente de conspiração. Existe uma percepção que se intensifica ao longo da trama que representa abuso de poder, falta de ética e o ganho de certos benefícios em decaimento do mal que neste caso se faz através de uma propagação de um vírus, aparentemente intencionada. E falamos de um vírus mortal, que vitima um ser humano em dias!
E mais não digo pois não quero desvendar mais do que a conta e quero incentivar os meus seguidores a ler este fantástico autor.

E como não podia deixar de ser, a acção tem um aliado bastante comum nas tramas de Cook, a arte do thriller médico propriamente dita. Neste livro em concreto, que se debruça sobre a doença Ebola (sabendo-se de antemão que esta doença está circunscrita em África) há a percepção de que:
a) Ebola é facilmente transmissível;
b) Com o fenómeno da globalização, é mais fácil o veículo entre países, qualquer que seja a distância, podendo ser rápida a propagação de informação, e num caso mais drástico, uma doença!

E agora? Mais assustados? Pois eis que à medida que a trama evolui temos cada vez mais a percepção dos dois pontos acima mencionados e sim, eu por mim falo, o livro pode ser terrorífico, embora o livro não explore na sua plenitude o último ponto. Cinge-se mais às origens da doença (tendo eu posteriormente confirmado na internet), os seus rápidos sintomas até à morte. Por várias vezes, inconscientemente, eu levei as mãos aos gânglios linfáticos tal como a protagonista, para me certificar que estaria tudo bem!

Mas não é só neste aspecto que o livro se torna diferente. Aqui temos uma personagem relativamente parecida com Laurie mas que contrasta com Cassi. Lembram-se da Cassi, a protagonista de Anjo da Morte? A submissa mulher, fraca personalidade? Pois eis que Marissa é determinada e aventureira, colocando a sua vida em risco vezes sem conta nesta conspiração. Não sabemos muito sobre a personagem, penso que o objectivo de Cook era cingir o máximo da trama à acção.

Gostei muito do enredo que Cook nos presenteia em Epidemia, no entanto, devo confessar que gostei mais de Anjo da Morte. Não sou grande fã dos thrillers que têm por base a conspiração, contudo tenho que reconhecer que estamos perante uma excelente trama, cheia de adrenalina, momentos arrepiantes e muita acção. É um livro que nos faz temer sobre o Ebola e inevitavelmente causa um efeito arrepiante hipocondríaco. Não deixando de mencionar sobre o desfecho, altamente inesperado!
E claro, mais do que aconselhar este livro, recomendo vivamente este autor!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alan Bradley e Asa Larsson na lista dos melhores policiais

Segundo o site de Oprah Winfrey, na página: http://www.oprah.com/book-list/9-mysteries-every-thinking-woman-should-read_1

Dois autores editados pela Planeta:

Alan Bradley
Autor do fenómeno mundial «Flavia de Luce», tendo a Planeta editado dois títulos:

. «A Talentosa Flavia de Luce»;

. «Flavia de Luce e o Mistério do Bosque de Gibbet»;

A personagem principal, Flavia, tem apenas 11 anos, um invulgar talento para fórmulas químicas e uma surpreendente capacidade de investigação.


Asa Larsson
Autora de dois romances premiados, editados pela Planeta e uma das escritoras mais importantes do policial escandinavo:

. «Aurora Boreal», Melhor Romance Policial, atribuido pela Associação de Escritores Suecos de Romance Policial;

. «Sangue Derramado», Melhor Romance Negro Sueco.

A protagonista em ambos os livros é uma mulher, Rebecka Martinsson, uma advogada que trabalha com a inspectora mais competente da polícia local. Um dos poucos casos na literatura policial onde os protagonistas são mulheres.

Nicci French - Segunda Feira Triste [Opinião]


Nicci French, o pseudónimo de Sean French e Nicci Gerard é um nome conhecido no thriller psicológico. Primeiro editados sob a chancela da Quetzal, li há uns bons tempos, todos os livros da dupla, sendo definitivamente o meu favorito Killing Me Softly.
Já há muito que ansiava por um novo romance que chegou sob a forma de Segunda Feira Triste, marcando o início de uma nova personagem, a dra Freida Klein, naquele que será um esforço de sete romances, remetendo-o a cada dia da semana.
Traduzido do inglês Blue Monday (homónimo da música alegre dos New Order), penso que o título português se adequa mais do que o original, pela sobriedade do nome (que traduzido à letra seria Segunda Feira Azul).

O prólogo é simplesmente angustiante na medida em que, retrocedendo até 1987, relata o estranho desaparecimento de Joanne Vine. A menina seguia a sua irmã mais velha até a uma loja de doces e quando Rosie olha para trás, apercebe-se que Joanne desaparecera e desde então nunca mais fora encontrada.
Já em 2009 conhecemos a dra. psicanalista Freida Klein. Com uma relação amorosa de cariz à partida indefinido com Sandy, é uma mulher com uma família destruturada. A irmã Olivia mal se relaciona com a própria filha Chloe e cabe a Freida ser mediadora desta relação. A terapeuta começa a acompanhar um paciente Alan Dekker, que tem frequentemente ataques de pânico. Numa das consultas ele revela o sonho de ter um filho... ruivo, praticamente igual a Matthew, um menino que agora desaparece e a dúvida surge: estará Alan implicado no desaparecimento de Matthew? E qual será a ligação deste rapto ao que ocorreu há duas dezenas de anos com Joanne?

Os ávidos pelo crime que se desenganem. Neste enredo, os autores cingem-se aos desaparecimentos, relatando por dois prismas a influência do desaparecimento de um filho.
Por um lado, o cenário dos anos 80s, a forma como a polícia encarava um caso deste tipo e como facilmente este poderia transformar-se numa pária. Há uma componente emotiva muito intensa por parte dos pais de Joanne e a forma como estes encaram a vida após esse acontecimento traumático. Na actualidade damo-nos conta de um esforço policial mais insistente, liderado pelo Inspector Karlsson. No entanto, a vida pessoal dos progenitores, a meu ver, é pouco explorada o que condiciona o enredo, que a certo ponto, é claramente desenvolvido, relacionando-o com o facto passado há 22 anos atrás.
Como tem sido hábito, a dupla opta por um registo mais psicológico jogando com o mistério que caracterizam ambos os raptos. Tendo em conta este pormenor, não é expectável que o livro traga momentos de acção constantes, pelo contrário. A leitura flui agradavelmente num ritmo lento, trazendo alguns momentos inesperados a que Nicci French nos tem habituado nas suas anteriores tramas
E desta forma, como já anteriormente referi, não há registo de linguagem violenta nem os próprios acontecimentos são caracterizados desta forma. O interessante foi assistir às várias consultas da Dra. Freida e a forma como um simples desabafo sobre as várias situações infantis, a fazem deduzir sobre as características que dotam o ser humano como adulto. Falo por mim, que acho fascinante a área da Psicologia.

Killing Me Softly, o Jogo da Memória, À Flor da Pele, A Casa Secreta, o Quarto Vermelho e O Mundo dos Vivos representam novidades entre si se tivermos em conta o enredo e as personagens.
Este é o primeiro livro que leio de uma saga escrita por French, apontando até que ponto não seria importante uma maior abertura por parte da personagem principal. Sou da opinião que, indiscutivelmente a protagonista de uma saga deve dar-se a conhecer praticamente na sua totalidade ao leitor. Sabemos alguns factos mas até que ponto estes serão suficientes numa saga de sete volumes? Ou os planos dos autores serão expandir mais ainda a vida de Klein em romances futuros? O mesmo digo para o Inspector Karlsson, de quem ainda menos se sabe e muita foi a curiosidade e a expectativa sobre este.
Em relação às restantes personagens, julgo eu que sejam apenas intervenientes deste romance, estão plausíveis e muito humanas. A angústia de querer um filho, sem que o possamos, o poder do marido que subjuga a sua própria mulher e o retrato de perder o seu descendente num rapto desconhecendo o seu destino, são as temáticas debatidas neste romance de uma forma intensa e dramática.

Não querendo justificar como, chegar à resolução do mistério é fácil se tiver em conta as personagens. Basta ter em conta que o caso é resolúvel e que existe um número reduzido de intervenientes na trama. Uma pitadinha de Poirot por trazer por casa induz a que cheguemos à resolução deste caso sem que fujamos aos trâmites da lógica e do que seria expectável. Um final relativamente em aberto para Freida, quando lhe desejámos toda a sorte à medida que a fomos conhecendo.

Um livro que gostei, particularmente interessante aos ávidos da Psicologia. No entanto poderão desiludir aqueles que procurem um registo mais violento. Resta-me inevitavelmente aguardar que a Bertrand publique mais livros de Nicci French desta saga e em breve. Recomendo!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Divulgação Editorial Porto Editora: Jeffery Deaver - Carta Branca


O agente 007 está de volta, quase 60 anos depois de Casino Royale, de Ian Fleming: o americano Jeffery Deaver foi escolhido para dar continuidade às aventuras de James Bond e estreia-se com Carta Branca, que a Porto Editora publica no dia 12 de abril. Jeffery Deaver, autor galardoado de thrillers como O Coleccionador de Ossos, consegue não só captar na perfeição a essência do herói mas também manter o ritmo e a emoção a que Ian Fleming nos tinha habituado.
Alguns dos mitos criados pelas adaptações cinematográficas são quebrados neste novo livro, que recorda alguns dos pormenores dos primeiros livros de Fleming: em vez do Aston Martin, James Bond conduz um Bentley e não se limita ao Martini shaken, not stirred, optando por beber bourbon. Mas há outros detalhes que não serão de todo estranhos ao leitor: o cenário de Carta Branca é o exótico Dubai, as Bond girls são atraentes e perspicazes e os gadgets são os mais modernos, uma vez que James Bond possui um ainda mais inteligente smartphone, o iQPhone. O arqui-inimigo é o magnata Severan Hydt, um homem de negócios inteligente, cheio de recursos e com um plano perverso em mente.

Sobre o livro:
Com pouco mais de trinta anos, James Bond está agora ao serviço de uma nova organização - criada após os trágicos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 - que opera à margem do MI5, do MI6 e até do Ministério da Defesa, que aliás alega desconhecer a sua existência. O seu objetivo: proteger o Reino de Sua Majestade sem olhar a meios.
Quando está a jantar com uma belíssima mulher, James Bond é surpreendido com uma mensagem do quartel-general, que foi alertado para um terrível ataque a ter lugar dentro de dias no Afeganistão: Previsão de milhares de baixas, interesses britânicos seriamente comprometidos.
Bond recebe carta branca para fazer tudo o que for necessário para executar com sucesso a sua nova missão.

Sobre o autor:
Em 2004, Jeffery Deaver foi agraciado com o prémio Ian Fleming Steel Dagger da Crime Writers Association pelo seu livro Garden of Beasts. Mal podia então imaginar que o seu discurso de aceitação do prémio lhe proporcionaria um convite para dar continuidade à série James Bond.
Autor de 27 romances e duas coletâneas de contos, Jeffery Deaver é um dos escritores de thrillers mais bem-sucedidos. Com mais de 20 milhões de livros vendidos em todo o mundo e traduzido em 25 línguas, alcançou o estrelato com o livro O Colecionador de Ossos.
Nomeado seis vezes para o Edgar Award da Mystery Writers of America foi galardoado com prémios tão importantes como o Steel Dagger da British Crime Writers’ Association, o Novel of the Year da International Thriller Writers Association e o Nero Wolfe Award.

domingo, 1 de abril de 2012

Brian Freeman - Perseguida [Opinião]

Perseguida é o terceiro livro da autoria de Brian Freeman e protagonizado pelo já nosso carismático Jonathan Stride. Já li os outros livros do autor editados na nossa língua: Segredos Imorais, Cidade Inquieta e O Voyeur e desde já confesso que Freeman é um dos meus escritores preferidos. Freeman combina harmoniosamente o género policial com o thriller psicológico como poucos o sabem fazer.

Nesta terceira história, a história recai numa personagem que teve um papel demasiado subtil em Cidade Inquieta. Falo de Maggie Bei, a parceira de Stride. Uma personagem que tem grande destaque no romance de estreia de Freeman mas na sequela tem um papel muito reduzido, cingindo-se quase como uma mera figurante. Neste livro, ela vai ser incriminada pelo homicídio do seu marido Eric. Dada a ligação directa entre as personagens Bei e Stride, o responsável pela investigação será Abel Teitscher que aponta o dedo a Maggie. Ele próprio teve uma parceira, Nicole Castro, agora detida pelo homicídio do seu marido.
Entretanto Serena Dial lida com um caso de chantagem a Dan Erickson, um advogado com uma grande influência em Duluth. Ela será a mediadora entre o chantagista e Erickson, o que poderá ser um risco para Serena... Por sua vez, Stride é responsável pela investigação do desaparecimento de Tanjy Powell, uma mulher que é tão atraente como de estranha e que trabalha precisamente na boutique da esposa de Dan Erickson.
E nisto há um voyeur, com desejos reprimidos e que quer concretizá-los a todo o custo...

Um dos pontos interessantes do livro é a forma como a trama se inicia, enfatizando a fuga da prisão de um homem cuja identidade desconhecemos. Ora, dadas as três subtramas anteriormente mencionadas, o leitor não tem como cruzar os vários tipos de informação. Fica assente que, aparentemente estas acções independentes provavelmente têm um ponto em comum. E à medida que a acção se desenvolve, as várias questões deixadas como peças de puzzle sem explicação, serão devidamente fundamentadas à medida que caminhamos para o final do livro. Entretanto são muitas as reviravoltas no enredo e nada, mas nada está garantido!

Como já tem sido hábito, Brian Freeman escreve uma história que gira sobre a imoralidade. Esta é sobretudo devido à falta dos valores éticos que as personagens vão desfilando, bem como segredos obscuros que se relacionam com a sua sexualidade. Ora em Perseguida é notável esta fórmula que tão bem resulta em enredos de elevada tensão psicológica. Esta componente intensifica-se quando há momentos de grande acção, especialmente quando tememos pela vida de Stride.
No entanto, neste livro, a temática abordada por Freeman por ser demasiado sórdida. O tema da violação ultrapassa aqui todos os seus limites, onde orgias e clubes de sexo são o ponto forte da história. Se uma violação já é por norma, um relato angustiante, então acreditem que neste enredo muitas serão as passagens que vos deixarão chocados.

A frisar este aspecto, não nos esqueçamos que Freeman é um autor descritivo, sem qualquer pudor na descrição tanto de elementos violentos, bem como passagens sexuais explícitas, intensificando a sensação de desconforto perante determinadas cenas. Existe também alguma repulsa nos relatos do ex-presidiário na forma como a inibição da sexualidade o caracteriza doravante e como isso influenciará na definição dos seus maquiavélicos planos. Estas passagens são cruas e eventualmente de linguagem chocante.

Muita acção, adrenalina e momentos que literalmente tiram o fôlego tornam este livro como compulsivo. A juntar o ingrediente da imprevisibilidade que se abate sobre as personagens complexas, tão típicas do autor.
Neste enredo apenas há três personagens comuns aos restantes romances de Freeman: Jonathan Stride, Serena Dial e Maggue Bei, o que torna mais interessante a leitura dos livros do autor por ordem. É notória a evolução entre as duas primeiras personagens, que não estão tão presos aos seus fantasmas como outrora. As personagens estão mais evoluídas e maduras, e claro, a sensação de familiaridade e empatia estão asseguradas dos livros anteriores. Em geral as personagens femininas, novidade deste livro, são muito passivas. Um aspecto que me chocou particularmente foi a definição da rapariga alfa, uma mulher alvo de inúmeras práticas sexuais, por vezes descabidas. Basicamente a sensação que estas personagens nos transmitem é o facto de nós não as conhecermos tão profundamente como desejaríamos, e todas acabam por omitir algum segredo, mais normalmente ligado a desvios de sexualidade os fetiches menos comuns.
Não fosse este um livro cuja sexualidade está patente em toda a trama, as personagens são um pouco promíscuas. deixando antever que existe uma teia de ligações entre as mesmas. As constantes revelações deixarão o leitor ávido para descobrir a resolução dos três mistérios.
O desfecho foi até convincente mas relativamente ao desvendar a terceira da peça do puzzle (o autor do homicídio de Eric), achei-o muito rápido e quase como um cliché dado que é semelhante ao final de um mau da fita de um outro livro do autor.

Pessoalmente gostei mais de Segredos Imorais e Cidade Inquieta, em que existem de facto, crimes associados à sexualidade e violação desta, no entanto mais comedidos. Perseguida é além de um sórdido e extenso desfile de práticas sexuais, um enredo repleto de intrigas, segredos, mistério e crimes.
Mas devo dizer que este foi um livro que gostei e recomendo, aliás bem como os restantes do autor!





Mais informações sobre o livro aqui.

Aquisições de Março