quinta-feira, 31 de março de 2016

A Estante está mais cheia [Março 2016]

Ooopsss... I did it again! Aquisições novas e confesso que arrumar estes livros deu uma certa trabalheira, tendo implicado arrumações em segunda fila e que tais. Muitos dos livros este mês foram ofertados, como estes:


E vocês perguntam: "Oh Vera! Tantos livros ofertados desta vez?" É que houve uma iniciativa fantástica por parte do Bibliotecário de Babel/ Biblioteca de Bolso em que foram ofertados milhares de livros no Miradouro de Monte Agudo. Cada pessoa podia levar cerca de 5 livros. Então eu e o Ricardo trouxemos alguns desta pilha. Juntaram-se a estes outras doações e ao final da manhã, regressámos a casa carregadíssimos mas felizes! Estou particularmente curiosa com os livros do David Soares, um autor que tenho visto muitas vezes numa iniciativa chamada Sustos às Sestas na minha terrinha.


Mas as ofertas não ficaram por aqui. Em Fevereiro fiz anos mas neste mês que termina hoje recebi uma prendinha da minha querida Ana Bernardes, que me ofereceu O Suspeito e Ondas de Calor (já tinha o segundo do Richard Castle para ler, pelo que fiquei mesmo contente!).
Ofereci a mim própria o Plano Perfeito de Lisa Gardner. O Cell do Stephen King foi ofertado pelo Ricardo (estou já com uma colecção composta do autor mas ainda me faltam alguns...)
Chegou-me de surpresa cá a casa Velhas Traições de Olen Steinhauer. Obrigada, Bertrand, pela atenção. Já li, tenho uns rabiscos sobre o livro, vou fundamentar melhor e postar. Da Porto Editora, o muito desejado Stalker de Lars Kepler. Adorei! Um outro livro que marcou o mês que está prestes a terminar foi O Discípulo de Hjorth & Rosenfeldt. Fantástico!
O Pai e Ligação Explosiva vieram da Planeta e finalmente, Private Las Vegas e A Vingança Serve-se Quente (mais um livro espectacular!) da TopSeller. Obrigada às editoras parceiras que tanto me mimam!
Março foi, indubitavelmente, um mês rico em livros! E que tal foi o vosso Março literário? 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Ruth Ware - Numa Floresta Muito Escura [Divulgação Clube do Autor]


Data de publicação: 5 Abril 2016

               Título Original: In a Dark, Dark Wood 
               Preço com IVA: 17,00€
               Páginas: 328
               ISBN: 9789897242779

Sinopse: Uma mulher solitária recebe um convite inesperado para a despedida de solteira de uma amiga que não via há muito tempo. Relutantemente, ela aceita participar na reunião de amigas, algures numa casa isolada na floresta.
Quarenta e oito horas depois, Nora acorda numa cama do hospital. Está ferida mas não se recorda exatamente do que se passou. Sabe, no entanto, que alguém morreu. O que fiz eu?, pergunta-se ela, consciente de que algo muito grave aconteceu naquela casa na floresta escura, muito escura…

Sobre a autora:  Ruth Ware cresceu em Sussex, Inglaterra. Depois de se formar na Universidade de Manchester, mudou-se para Paris antes de assentar em Londres. Trabalhou como empregada de mesa, foi livreira e professora de Inglês para estrangeiros. É casada e tem dois filhos pequenos. Numa Floresta Muito Escura é o seu thriller de estreia.  

Imprensa 
«Não vai largar o livro até chegar à última página. A atmosfera densa e as revelações surpreendentes vão deixá-lo sem fôlego.»
Entertainment Weekly

Lars Kepler - Stalker [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Stalker era um livro muito aguardado. Sou uma fã acérrima de Lars Kepler e já li toda a bibliografia publicada em português. Aguardo sempre, com grande expectativa, pelas publicações seguintes, que costumam ser anuais (na realidade, este veio um pouco atrasado já que O Homem da Areia remota a finais de 2014). De qualquer das formas, tinha presente um sentimento de incerteza quanto ao destino de Joona Linna, que tivera um desfecho dúbio no livro antecessor.

O aspecto mais marcante de Stalker é, sem dúvida, o regresso do hipnotista, Erik Maria Bark. Ele e Jonna Linna foram os protagonistas do romance de estreia de Kepler. Apesar de ter lido o Hipnotista em 2010, curiosamente ainda tenho muito fresca na memória a história e o papel de Erik Maria Bark que teve um papel activo na investigação.

O quinto livro de Lars Kepler tem como premissa o envio de vídeos caseiros para a polícia. Neles são mostradas mulheres indefesas que fazem tarefas quotidianas mas que são encontradas sem vida posteriormente. Numa fase inicial da investigação é a grávida Margot Silverman quem toma as rédeas mas confesso que ansiava saber de Joona Linna. Durante grande parte da trama, paira no ar a incerteza se o investigador finlandês volta à cena e verifica-se que sim e mais, que este passou por uma grande provação, entretanto.

Podemos esperar de Stalker uma história complexa, ao jeito de Lars Kepler, organizada em capítulos pequenos e convidativos a ler sempre mais um pouco. Muitas das passagens são altamente sensoriais, conferindo uma sensação palpável de tensão. Posso exemplificar-vos que, a intensificar este efeito, surge uma personagem com um papel activo na história e que é cega. 
Os vídeos são perturbadores e a descrição destes deixa uma sensação de que algo muito estranho irá acontecer. E de facto os homicídios estão tão bem caracterizados que são arrepiantes.

A trama incomodou-me por diversas vezes, não só devido à temática do stalker (afinal de contas, todos nós zelamos pela nossa privacidade) como também outros temas mais difíceis de digerir. A história relembrou-me muito a do Hipnotista, pois a situação do stalker diverge para outras situações relacionadas, voltando ao ponto de partida e explicando-a convenientemente. Sempre com um tom sombrio, como o autor já nos habituou nos livros anteriores.

Intrincado mas viciante, posso afiançar-vos que li Stalker em pouquíssimos dias. E não querendo soar um cliché, já estou expectante para o próximo livro da série. É que Jonna Linna depara-se doravante com uma situação muito diferente da que conhece até então. Estou curiosa para saber como este se vai desenvencilhar.

Apesar de me ter envolvido completamente neste livro e reforçar novamente que Lars Kepler é dos meus autores preferidos em matéria policial escandinava, Stalker não destronou a minha preferência pelo antecessor, O Homem da Areia.

Um suma, Stalker é um thriller electrizante. Gostei mesmo muito. 


segunda-feira, 28 de março de 2016

Francisco Salgueiro - O Fim da Inocência I e II [Opinião]

Sinopse O Fim da Inocência I: Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional.
Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas.

Sinopse O Fim da Inocência II:  Com boas notas, e a estudar num dos melhores colégios de Lisboa, Gonçalo é o filho que todos os pais gostariam de ter. Desde cedo, ele e o grupo de amigos são bombardeados com imagens sexuais em filmes, séries, videoclips, anúncios e celebridades levando a uma erotização precoce. A ausência de educação sexual por parte dos pais e colégio leva-os a investigar o extenso mundo da pornografia na internet. 
Em simultâneo, a sua impreparação para lidarem com as redes sociais leva-os a serem participantes e vítimas na busca vertiginosa de likes para ultrapassarem a mítica marca dos 1000 amigos. Eles apenas pensam nos desafios e nunca nas consequências. As drogas legais, o sexting, a masturbação online com estranhos, serem paparazzi da vida uns dos outros e a prostituição com mulheres mais velhas fazem parte do seu estilo de vida, onde o futuro não existe, apenas o logo à noite.

Opinião: Saí da minha zona de conforto para ler dois livros que, sendo similares, vão constar aqui na mesma opinião. Ler O Fim da Inocência I e II, relembrou-me os meus tempos de adolescente, altura em que li A Lua de Joana e Os Filhos da Droga, livros que no meu tempo eram um alerta para os adolescentes, abordando sem qualquer tabu, o mundo do sexo e drogas nesta faixa etária.

Segundo ouvi dizer, estes livros do Francisco Salgueiro eram recomendados a pais, professores e educadores, por isso, trabalhando eu com jovens, quis tentar perceber as razões desta recomendação. E por ter visto uma aluna do 9º ano a ler este livro, no local onde trabalho, fiquei ainda mais curiosa. Por isso, experimentei ler as primeiras páginas e não descansei enquanto não terminei.

Li os dois livros no feriado, ambos lêem-se num ápice.
Devo começar dizendo que nenhuma das realidades me foram familiares. A minha adolescência incidiu no final dos anos 90, início dos anos 2000 e sempre fui uma miúda pacata que não gostava muito de sair à noite. Além disso, vivi durante muitos anos num bairro social, e tive desde muito cedo, a percepção de que as drogas eram catalisadoras de uma vida degradante. Por isso, o mundo dos estupefacientes, pessoalmente, nunca me fascinou. Mas compreendo que, quem tenha essa informação mais distante (estranhamente pois hoje em dia, com o acesso à internet, a informação abunda), as drogas sejam alvo de muita curiosidade. Daí que considero ambos os livros muito verosímeis. Vejo hoje em dia, uma invulgar permissividade por parte dos pais e por conseguinte, os jovens querem crescer mais rapidamente, factores que eram raros no meu tempo.

No entanto, não fui capaz de ficar indiferente a estas duas histórias que me dilaceraram por completo. Tanto na história de Inês, como a do Gonçalo. Sou rapariga, talvez me tenha identificado mais com a história do primeiro livro, no entanto, creio que a do Gonçalo foi ainda mais chocante. 
Custa a acreditar que estas são histórias reais, mas agora que penso nisso, estou convicta que estas personagens/pessoas tiveram uma adolescência atribulada devido às conjunturas actuais: cada vez mais somos escravos do trabalho e o tempo para estar com os filhos é, por conseguinte, cada vez mais escasso.

Ambas as histórias têm um grande cariz sexual, não se coibindo em práticas de todo o tipo, inadequadas se tivermos em conta que são histórias de adolescente. Ora também não reconheço esta componente. Sempre cresci a pensar que sexo era sinónimo de amor e estes jovens vêm provar que as relações sexuais podem acontecer sem o mínimo de afecto, apenas pelo prazer da descoberta. 

Estes livros têm, assim, um grande impacto devido à crueza com que se narram os vários acontecimentos na vida de Inês e de Gonçalo. Atenção que os livros são independentes e poderão ser lidos sem qualquer ordem, apenas os menciono na mesma opinião por achar que uma segunda crítica seria repetitiva.

Apesar de considerar que a maioria dos jovens são atinados tal como eu na minha adolescência, é inquietante pensar que existem muitos outros que levam uma vida de excessos. Será ânsia de crescer? Ou apenas uma (alarmante) chamada de atenção?Por isso não consegui identificar-me com nenhum dos protagonistas, nem com o núcleo de amigos e familiares dos mesmos. 
Ainda assim, foram dois livros que me chocaram. Muito. Tratam-se de duas obras controversas que apelam a uma reflexão sobre os valores que estão a ser transmitidos às gerações futuras.

segunda-feira, 21 de março de 2016

David Baldacci - A Memória [Divulgação Clube do Autor]


Data de publicação: 22 Março 2016

               Título Original: 
               Preço com IVA: 17,00€
               Páginas: 424
               ISBN: 9789897242809

Sinopse: A Memória é um livro poderoso e surpreendente: a história de um homem dotado de uma memória perfeita e perseguido por um crime sangrento. Ele não se consegue esquecer de nada - mas há uma noite que ele gostaria de apagar para sempre da sua mente… Ou então descobrir finalmente quem destruiu o seu mundo.

Sobre o autor: David Baldacci nasceu em 1960, na Virgínia, onde reside atualmente. Exerceu advocacia durante nove anos em Washington, dedicando-se depois à escrita. Do seu currículo faz parte um impressionante número de bestsellers, entrando frequentemente no primeiro lugar da lista dos mais vendidos do New York Times.

Imprensa
«Uma obra magistral devido à velocidade da narrativa, à originalidade do herói e ao enredo empolgante. (…) Irresistível.» 
Washington Post 

«Uma obra intensa que mostra um escritor no auge da sua maturidade.»
Richmond Times


Karin Slaughter - Arrancada [Opinião]


Sinopse: Uma bonita jovem caminhava pela rua quando de repente...
Julia Carroll sabe que muitas histórias começam assim. Bela e inteligente, com os seus dezanove anos, recém chegada à universidade, deveria viver despreocupadamente. Mas tem medo. Porque na sua cidade estão a desaparecer raparigas muito jovens. Primeiro foi Beatrice Oliver, uma estudante. Em seguida, Mona Sem Sobrenome, uma jovem sem abrigo. Ambas desaparecidas em plena rua. Ambas sem deixar rasto.
Julia está decidida a averiguar os motivos por trás destes desaparecimentos. E não quer ser a próxima...

Opinião: Arrancada é um pequeno conto, de apenas 73 páginas, que serve de prequela à história de Flores Cortadas. No livro físico, o conto encontra-se nas páginas finais. Eu li em e-book, durante o dia de hoje. Sendo um conto de poucas páginas, lê-se de uma assentada.
Este conto serve, portanto, para contextualizar o leitor dos desaparecimentos e violações de algumas jovens ainda Julia era adolescente e vivia com as irmãs. A história debruça-se precisamente sobre os últimos momentos dela com a família, amigos e pseudo-namorado.
Desde que terminei o livro Flores Cortadas, que estava curiosa em ler mais sobre o universo de Julia Carroll, ainda esta era adolescente e as irmãs, Lydia e Claire eram crianças. 

Por ser uma prequela, creio ser indiferente a ordem da leitura do conto. Como afirmei, li-o depois de Flores Cortadas mas conheço quem tenha optado por ler primeiro e ter disfrutado de ambas as leituras.

Dei apenas 3 estrelas no Goodreads a este livro (arrecadando assim, a pontuação mais baixa que alguma vez dei a uma obra de Karin Slaughter) pelas razões que irei enunciando. Sei perfeitamente que este é um conto, e como tal, há um subdesenvolvimento das personagens a não ser sobre Julia que tem os seus típicos dilemas de adolescente. Sobre as personagens que participam mais activamente em Flores Cortadas, Lydia e Claire, pouco é desenvolvido. Eram ainda umas crianças traquinas.

Estamos perante um cenário de várias raparigas desaparecidas mas é apenas isto. Falta aquela escrita típica de Karin Slaughter que se debruça sobre os detalhes mais mórbidos. E é precisamente esse tom tão negro que aprecio nas histórias de Slaughter.
Por fim, creio que este conto pouco acrescentou à história que não o desaparecimento de Julia. Até o final de Arrancada é dúbio, e, caso o leitor não tenha lido Flores Cortadas, vai instalar a dúvida sobre o que terá acontecido a Julia. Eu, que li antes, sei o que aconteceu à jovem.

Não me querendo alongar mais ainda sobre o conto, este é apenas uma pequena história sobre Julia e a sua família, ainda a tragédia não se tinha abatido sobre eles e eram felizes. Uma trama curta que revela pouco mais que um role de dilemas de uma jovem numa sociedade em que as raparigas adolescentes estão na mira de um violador. Como tal, queria mais. 

domingo, 20 de março de 2016

Hjorth & Rosenfeldt - O Discípulo [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Depois de ter lido Segredos Obscuros no Verão passado, ansiava pela publicação de mais um livro desta dupla sueca. A série, protagonizada por Sebastian Bergman, reúne todos os requisitos para vingar em terras lusas. Sou suspeita pois, como sabem, sou grande fã dos policiais escandinavos.

Não obstante o livro ascender a quase 700 páginas, não me deixei intimidar pelo tamanho do mesmo. A história é viciante e mais de metade do livro foi lido ontem, sábado. Terminei-o à noite mas hoje ainda estou a matutar sobre a história.

Tenho a declarar que gostei ainda mais deste título que do antecessor. Na minha opinião, não será obrigatória a leitura prévia de Segredos Obscuros uma vez que os autores fazem uma contextualização das personagens que transitaram da obra anterior para esta. Além disso, o caso que nos é apresentado é completamente independente.
Gostei bastante do mesmo. Se na primeira trama, a investigação recaía sobre o homicídio de um adolescente, no presente livro a mesma foca-se num serial killer que assassinou três mulheres com um modus operandi muito semelhante ao de Edward Hinde, um homem que se encontra preso e, aparentemente, com sólido álibi.

Um dos factores que mais apreciei na narrativa foi decididamente a caracterização de Edward Hinde, um homem que, apesar de psicopata, é bastante inteligente. Gostei muito do jogo do gato e do rato que se instalou entre esta e outras personagens, lembrando-me determinados excertos de O Silêncio dos Inocentes.
Além disso, os autores ampliaram o espectro de homicídios na presente obra, conferindo-lhes um carácter algo gráfico, factor que aprecio bastante nas minhas leituras. Sensivelmente a meio da história conseguimos visualizar a identidade do vilão, tal como o nome refere, um discípulo de Hinde, mas não é isso que tira o gozo de ler a presente obra.

O que distingue esta série das demais é sem dúvida o seu protagonista, Sebastian Bergman. Com uma postura moral duvidosa, fruto da sua perda no tsunami de 2004, que ceifou as vidas da mulher e filha, fica uma sensação dúbia na definição dos sentimentos do leitor para com este personagem. Sim, este indivíduo é promíscuo e irritou-me solenemente, no entanto, há uma evolução nesta história, que se prende com uma necessidade de consolidar a sua relação com Vanja. 
Se houve outra personagem que mexeu comigo foi Haraldsson. Rira-me dele em Segredos Obscuros pelo sexo desenfreado que tinha com a esposa numa tentativa obsessiva de a engravidar. No entanto, ele comete erros muito graves na presente narrativa.

Decididamente penso que teria lido, de imediato, o volume seguinte da série, caso o tivesse à mão. É que o final desta trama abre uma situação nova para uma personagem que parece conquistar um papel tão relevante quanto o de Sebastian e os elementos da equipa de Riksmord. O que irá acontecer a Ellinor no terceiro livro da saga?

Em jeito de conclusão, torno a enaltecer este livro, bem como o antecessor. Esta é uma série que dará cartas! Hjorth e Rosenfeldt: dois nomes a ter debaixo de mira.

quinta-feira, 17 de março de 2016

David Safier - Mais Maldito Karma [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Adoro o autor David Safier! É o autor perfeito para desanuviar do policial. Aliás, cá em casa há dois fãs pois até o meu marido aprecia o humor do autor. 

Quando vi que a mais recente obra do autor a ser publicada por cá era Mais Maldito Karma, fiquei algo reticente pois temia que fosse demasiado parecido à sua obra de estreia, Maldito Karma. No entanto, posso afiançar-vos que, embora a temática seja a mesma, os livros são completamente diferentes. Mais Maldito Karma não é uma continuação mas sim uma sequela: as personagens são diferentes, as situações também assim como os animais em que reencarnam (com excepção da formiga).
Entre estes títulos, não consigo eleger um favorito, são ambos extremamente engraçados.

Enquanto que no livro antecessor, o protagonismo recaía sobre uma única personagem, a Kim, em Mais Maldito Karma, temos duas personagens que morrem num acidente e renascem sempre juntas, com o mesmo objectivo de acumular bom karma. O que torna a situação verdadeiramente engraçada é que, numa fase inicial, Daisy e Marc não se toleram e até esta relação vai-se tornando mais harmoniosa à medida que renascem em diferentes animais, subindo na hierarquia dos mesmos.

As situações protagonizadas por Daisy e Marc tornam-se ainda mais hilariantes quando a eles se junta uma outra personagem, já nossa conhecida de Maldito Karma, Casanova. A complexidade do humor revela-se não só na interacção deste com os protagonistas, como nas notas de rodapé alusivas a Casanova em que revelam outras situações relativas a este.

Li Mais Maldito em dois dias, ou seja, teve o mesmo efeito viciante que os policiais têm sobre mim. Quanto mais páginas lia, mais me ria e fazia suposições sobre os próximos animais em quem os protagonistas iriam reencarnar.
Apesar de hilariante, este livro tem, à semelhança das obras que li de Safier, uma importante mensagem moral e convidativa à reflexão. Neste caso, sobre o sentimento poderoso que é o amor e nas várias formas que se manifesta. 

Devo reforçar que, embora o livro tenha fundamentos na religião budista, o autor não ofende a religião. O humor explícito nas situações recorrentes de reencarnação respeita a religião budista e seus fiéis. Ainda que as provações a que são submetidas as personagens sejam mirabolantes, o humor não é ordinário.

De leitura rápida, um livro que nos enche o coração pela bonita mensagem, depois de nos termos rido sem parar umas boas horas. Recomendo! Adorei!


quarta-feira, 16 de março de 2016

Michael Connelly - Os Deuses da Culpa [Divulgação Porto Editora]


Data de publicação: 17 Março 2016

               Título Original: The Gods of Guilt
               Colecção: Michael Haller #5 
               Tradução: José Vieira de Lima
               Preço com IVA: 16,60€
               Páginas: 392
               ISBN: 9789720048004

No dia 17 de março, a Porto Editora publica Os Deuses da Culpa, um novo thriller jurídico de Michael Connelly, unanimemente considerado pelos leitores e pela crítica um dos grandes nomes do policial contemporâneo, com livros traduzidos para 39 línguas e 60 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. De acordo com o Los Angeles Times, «Michael Connelly atinge a excelência, superando a mestria de John Grisham na construção de um ambiente de suspense numa sala de tribunal». Em Os Deuses da Culpa, o autor oferece-nos um thriller onde Mickey Haller, o protagonista advogado cujo escritório é o banco de trás do seu automóvel, tem agora em mãos um caso que, em última instância, o poderá redimir de todos os pecados ou provar a sua culpa. 

Sinopse: Depois de ter perdido a corrida para o lugar de procurador distrital, Mickey Haller, advogado de defesa em Los Angeles, antevê o fim da sua carreira. 
A relação com a sua ex-mulher é cada vez mais distante e a filha de ambos recusa-se a falar com um pai que defende sempre o mau da fita. Mas quando recebe uma mensagem no telemóvel, «Liga-me depressa – 187», aludindo ao artigo do código penal da Califórnia que contém a definição de homicídio, Mickey não pensa duas vezes e aceita um caso que, espera, o trará de novo para os grandes palcos das salas de audiência. 
Rapidamente descobrirá que a vítima era uma antiga cliente sua, uma prostituta que em tempos defendera e julgara ter resgatado das ruas, naquele que será apenas o primeiro indício de um jogo de sombras entre a DEA e o mais temível dos cartéis mexicanos: o de Sinaloa.

Sobre o autor: Admirado por Stephen King e com 50 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, Michael Connelly é um dos nomes incontornáveis da literatura policial moderna e uma presença constante nos tops de vendas mundiais. Autor da série de livros protagonizados pelo detetive Harry Bosch, alguns dos quais já adaptados ao cinema, está traduzido em 36 línguas e recebeu alguns dos mais importantes prémios literários, quer nos Estados Unidos, quer em diversos países estrangeiros. No catálogo da Porto Editora figuram já os seus livros O Veredicto e A Reviravolta, também protagonizados pelo advogado Mickey Haller e o famoso detetive Bosch.

Página do autor: www.michaelconnelly.com 

Imprensa
«Connelly tem o dom de dar vida a uma sala de audiências.»
Booklist

«Connelly propôs-se um desafio tremendo. E mostrou-se à altura.»
New York Daily News

«Connelly é um dos maiores escritores de policiais, um romancista capaz de criar um mundo ficcional tão verdadeiro e de o habitar de forma tão indelével que o leitor fica convencido de que é real.»
Daily Mail

«Michael Connelly é um dos mais importantes escritores da atualidade. Um moderno Raymond Chandler para o que ele apelida de “o mundo sem verdade”.»
Carlos Ruiz Zafón



Rosamund Lupton - O Som do Silêncio [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Apesar de estar bastante expectante com a publicação de mais um livro de Rosamund Lupton, tenho uma opinião algo ambígua em relação a esta autora. Gostei imenso do livro Irmã, no entanto, o seu sucessor Depois deixou-me algo desapontada. A fasquia estava, portanto, muito elevada com o romance de estreia.

Dois anos depois, eis que O Som do Silêncio é publicado pela editora Jacarandá, a qual felicito. Estava extremamente ansiosa com esta obra!

O Som do Silêncio é um livro extremamente sensorial, percepção à custa da deficiência de Ruby, protagonista e filha de Yasmin. A menina é surda e, de certa forma, os cenários pareceram-me mais intensos, conferindo uma sensação pouco comum na literatura de claustrofobia, não há nada além da neve e o frio é praticamente palpável (ou terei sido eu a confundir com este frio atípico de Março?). Esta sensação gélida não dispersa o leitor do cerne do livro: terá Matt sido morto no incêndio que ceifou dezenas de vidas numa terreola no Alasca?

O cenário branco da região engole o leitor para lá. Como é de esperar, grande parte da narrativa foca-se no tempo que Yasmin e Ruby estão perdidas no meio de nenhures, combatendo o frio e agarrando-se à esperança que Matt está vivo. Este local existe na realidade e trata-se de uma estrada isolada onde circulam com bastante frequência uma série de camiões (creio que nunca até então vi uma tese tão elaborada sobre camiões na literatura). Foi talvez este o único ponto fraco que aponto na narrativa. Pessoalmente creio que pouco adianta à narrativa. 
Não obstante este pormenor, gostei da história, e acima de tudo da protagonista Ruby.

Ainda que a narrativa seja um crescendo de emoções até, finalmente, descobrir o destino de Matt, creio que o desfecho foi algo previsível. As pistas deixadas pela autora mostram-se válidas. Senti falta de uma reviravolta final que me surpreendesse.

Rosamund Lupton, um pouco à semelhança dos romances anteriores, tem um registo muito característico: melodramático, obscuro e quase filosófico nas palavras. Gosto muito da sua escrita! 

O Som do Silêncio não destronou Irmã do lugar cimeiro do meu livro preferido da autora, mas devo reconhecer que pelo facto da menina ser surda (sou sensível à temática de crianças pois trabalho com esta faixa etária), o livro cativou-me de uma maneira especial. Gostei.