domingo, 31 de julho de 2016

A Estante está mais cheia [Julho 2016]


Este mês foi o descalabro e a estante conta agora com mais 23 livros (ainda nem os livros de Junho li... nem os do ano passado, nem os de 2014, nem... enfim não falemos sobre isso).
Recentemente ouvi falar sobre o livro Tampa e asseguraram-me que ia ficar chocada com a história: comprei-o por apenas 1€ na Cash Converters. Chegou cá a casa Uma Terra Chamada Liberdade do meu caríssimo Ken Follett num leilão que decorria pelo Facebook, tendo-me custado 7,50€.
O meu marido ofereceu-me A Ilha de Entrada de Peter May e num alfarrabista encontrámos um livro que há muito tinha na minha wishlist: O Segredo dos Seus Olhos de Eduardo Sacheri a 5€. Ele acabou por me ofertar também. Adoro os filmes baseados na obra, creio que a mesma será melhor ainda que as adaptações cinematográficas.
Uma querida amiga livrólica ofereceu-me Os Caçadores de Livros. Obrigada, Luísa :)

Das minhas estimadas editoras chegaram cá a casa: 
- A Rapariga do Calendário 2 e O Segredo de João das Regras de Frederico Duarte Carvalho (e como fui ao lançamento do livro, ainda tive direito a um autógrafo) da Planeta. 
- Nunca Perdoar, Nunca Esquecer de Chelsea Cain. da Saída de Emergência 
- A Quinta Estação de Mons Kallentoft (que terminei recentemente e estou KO) e Fechada Para O Inverno (opinião já no blogue) provenientes da Dom Quixote; 
- O Segredo do Mar de Yrsa Sigurdardóttir da Quetzal; 
- Deixei-te Ir de Clare Mackintosh (que livro brutal!) da Marcador; 
- O Diário Secreto de Laura Palmer, Confissões, O Homem Que Matou Sherlock Holmes, A Factura e Casa de Férias com Piscina da Penguin Random House; (por acaso já vos disse que achei Confissões brilhante? Ide ler a minha opinião)
- Verdade Escondida da TopSeller;
- Prazer Absoluto da Quinta Essência (adoro estes eróticos de época mas reparei, ao colocar o livro no Goodreads, que não li o livro da autora que saiu o ano passado);
- Quero-te Morta, O Lobo e Uma Boa Mulher chegaram do Clube do Autor;
- Moonlight Mile veio da Porto Editora.

Supostamente Agosto é o mês de isenção de livros mas já reparei que este ano ainda vão sair alguns... rsrsrs
Estou convencida da minha condição mental: 


E vocês? Como foi o vosso Julho literário?

sábado, 30 de julho de 2016

Kanae Minato - Confissões [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Li Confissões ontem, em pouquíssimas horas. Terminei já era de madrugada e a história entranhou-se de tal forma que me impediu de adormecer de imediato. Hoje tenho tido a trama muito presente no pensamento. Muito dificilmente um livro tem este efeito em mim mas sinto-me mesmo impressionada. Vou explicar-vos porquê, sem desvendar nada da história.

Como a sinopse explicita, Confissões fala sobre uma professora cuja filha de quatro anos foi morta por um dos seus alunos. Ela agora pretende vingar-se. 
A vingança é um tema até recorrente na literatura mas a forma como esta é levada a cabo nesta trama é inqualificável. Não há como definir tamanha atrocidade e que ao mesmo tempo, nos impele a pensar no valor da vida.

A autora começa por explicar, logo no primeiro capítulo narrado pela professora, como é o sistema educativo no Japão, cujas responsabilidades dos professores pareceram-me mais acrescidas que por cá. Para quem trabalha na área da educação como eu, reconhece aqui alguns tópicos interessantes nomeadamente a desresponsabilização de crimes quando se é menor. É polémico e precisava de ser seriamente pensada a forma como são penalizados os jovens que incorrem em delitos, sejam eles de que natureza for.
Segue-se uma explicação detalhada do crime, o qual me sensibilizou pois estamos a falar de um homicídio qualificado de uma menina de apenas quatro anos. Impressionaram-me os contornos deste assassínio, demonstrando um calculismo desmesurado para um jovem que está no 7º ano (presumo que o nível de escolaridade japonês seja equivalente ao de cá).

A forma como o livro está estruturado é bastante interessante. Cada capítulo é narrado por uma personagem diferente. Assim, o leitor acompanha as diferentes perspectivas de cinco personagens: a professora, a mãe de um aluno e três alunos. Achei particularmente interessantes os testemunhos da professora e da mãe embora me tivessem impressionado muito aqueles alunos sociopatas, demonstrando consequências avassaladoras da minuciosa vingança da professora. O culminar da mesma, na última página, é simplesmente sem palavras.

Foi com Confissões que me estreei na literatura japonesa (não, eu nunca li nada de Haruki Murakami, provavelmente o autor japonês com maior destaque no nosso país). Achei que, associado a este facto, a retenção dos nomes das personagens foi de uma dificuldade acrescida.

Não sou grande fã de cinema asiático (já tinha tentado até ver este filme), mas denoto que há uma tendência bastante particular no terror oriental (a minha parca experiência resume-se aos Ringu, Ju-On e Águas Passadas) e que se reflecte também neste livro, um cenário pesado, sombrio de contornos psicologicamente perturbadores. À medida que entrava na história mais a repulsa tomava conta de mim. Um sentimento que teima em não sair assim que penso na trama.

Em suma, Confissões são 200 páginas de puro terror. Dos livros que se tornaram inesquecíveis, tenho a certeza!


quinta-feira, 28 de julho de 2016

T. R. Richmond - O Que Ela Deixou [Divulgação Editorial Presença]


Data de publicação: 3 Agosto 2016
  
               Título Original: What She Left
               Tradução: Maria Eduarda Colares
               Colecção: Grandes Narrativas #640 
               Preço com IVA: 17,90
               Páginas: 384
               ISBN: 9789722357982

Sinopse: ACLAMADO THRILLER DE JORNALISTA BRITÂNICO PREMIADO
Numa manhã gelada, o corpo de Alice Salmon é encontrado a boiar num rio. Cedo se levantam suspeitas sobre a causa da morte. Os exames forenses mostram sinais claros de luta. A notícia da sua morte espalha -se nos meios de comunicação e em comentários nas redes sociais. Todos querem saber o que realmente aconteceu à divertida e inteligente Alice, uma jovem jornalista com sucesso na Internet. Jeremy Cooke, um antigo professor obcecado por Alice, enceta uma investigação particular. Para isso, recorre ao diário de Alice, à sua correspondência, posts em blogues, no Facebook, no Twitter e nas SMS. Com ele, somos levados numa espiral de eventos em que todos, incluindo ele próprio, têm algo a esconder.
Este romance de estreia, um dos mais aclamados thrillers dos últimos tempos, leva-nos ao âmago do amor, da obsessão e da perda.

Sobre o autor: T.R. Richmond é um jornalista britânico que já arrecadou vários prémios. Escreve para diversos jornais locais, regionais e nacionais, revistas e websites. O Que Ela Deixou é o seu romance de estreia, cujos direitos estão vendidos para mais de 20 países

Imprensa
«Viciante.» 
Sunday Express

«Extraordinário.»
Guardian

«Inteligente e imaginativo.»
The Times

«Surpreendentemente moderno.»
Sunday Times

«Há muitos thrillers psicológicos, mas este destaca-se. T.R. Richmond agarra o leitor até às últimas páginas.»
Glamour


terça-feira, 26 de julho de 2016

Mary Kubica - Verdade Escondida [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: Julho 2016
  
               Título Original: Don´t You Cry
               Preço com IVA: 18,79
               Páginas: 336
               ISBN: 9789898843784

Sinopse: Não importa o quão rápido conseguimos correr… O passado acaba sempre por nos alcançar.
Quinn Collins acorda e não encontra a amiga com quem partilha a casa na cidade de Chicago. O quarto dela tem a cama vazia e a janela aberta, e Quinn recorda-se vagamente de ter ouvido um rangido durante a noite. Esther Vaughan desapareceu sem deixar rasto. Entre os pertences da amiga encontra uma carta enigmática, assim como outros objetos que colocam em dúvida se Esther será a pessoa que Quinn julgava ser.
Entretanto, numa pequena cidade perto de Chicago, uma rapariga misteriosa aparece num café onde um jovem chamado Alex Gallo trabalha. Alex sente-se desde logo atraído por ela, mas acaba por descobrir algo obscuro e sinistro que porá em causa os seus sentimentos. 
Enquanto Quinn continua em busca de respostas para o desaparecimento de Esther, e Alex tenta saber mais sobre a rapariga desconhecida, forma-se um enredo de ilusões que ameaça esconder uma dura e chocante verdade. Quem será aquela estranha rapariga?

Sobre a autora: Mary Kubica tem um Bacharelato em História e Literatura Americana pela Universidade de Miami (Ohio). Vive nos arredores de Chicago com o marido e os dois filhos e gosta de fotografia, de jardinagem e de cuidar de animais abandonados num abrigo local. 
É autora de dois bestsellers, Não Digas Nada e Vidas Roubadas (publicados pela Topseller). O primeiro valeu-lhe uma nomeação para o Strand Magazine Critics Award como Melhor Romance de Estreia, e outra para o Goodreads Choice Award na categoria de novos autores de thriller e mistério de 2014.
Saiba mais sobre a autora em www.marykubica.com

Imprensa
«Um thriller cheio de suspense que deixará o leitor na expetativa até ao final.»
Booklist

«Arrebatador e luminoso… sobe a fasquia neste género literário.» 
LA Times

«Tão arrepiante que deixa a sua marca. Uma leitura extraordinária.» 
The Sun

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Roman Polanski adapta ao cinema «A Partir de Uma História Verdadeira», de Delphine de Vigan

O realizador Roman Polanski vai adaptar ao cinema o mais recente romance da escritora francesa — e também realizadora — Delphine de Vigan, A Partir de Uma História Verdadeira, publicado em Portugal pela Quetzal Editores, em maio de 2016. Olivier Assayas será o argumentista e estima-se que o filme chegue às salas de cinema em 2018. 

Esta não é a primeira obra de Delphine de Vigan a ser adaptada ao grande ecrã. Obras anteriores como No et Moi ou À Coup Sûr são exemplo disso. 

A Partir de Uma História Verdadeira conta a inquietante história – que se suspeita que seja autobiográfica – da luta de uma escritora em começar um novo livro e a relação perigosa que mantém com uma fã obcecada. 

“Sim L. entrou na minha vida e perturbou-a profunda, lenta, segura e insidiosamente. L. entrou na minha vida como num palco de teatro, a meio da representação, como se um encenador se tivesse esforçado por esbater tudo à sua volta para lhe dar destaque, como se L. fosse planeada para revelar a sua importância, para que naquele preciso momento o espectador e as outras personagens presentes na cena (eu, neste caso) só tivessem olhos para ela, para que tudo, à nossa volta, ficasse em suspenso, e que a voz dela se ouvisse no fundo da sala, enfim para que ela pudesse sobressair.» 

A Partir de Uma História Verdadeira foi galardoado com os prémios Renaudot 2015 e Goncourt des Lycéens 2015 e encontra-se disponível para compra nas livrarias portuguesas bem como online.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Peter James - Quero-te Morta [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Assim que soube que iria ser publicado um livro de Peter James, fiquei em êxtase! Vós não sabeis mas foi este autor que teve um peso quase decisivo no aparecimento da menina dos policiais. Foi através de uma obra sua, publicada pela extinta editora Gótica, que fiquei viciada no género do thriller numas férias em 2008. E desde então que vivo fascinada pelo género, como se vê.

Quero-te Morta é o 10º livro da série protagonizada por Roy Grace. É a principal crítica que tenho a apontar: após quatro livros lidos da editora Gótica, fica um hiato de 6 livros na publicação de livros do autor em Portugal. Este parece ser um problema secundário se tivermos em conta que os primeiros 4 foram publicados pela Gótica sendo, actualmente, livros muito difíceis de encontrar.

Uma vez que li o último há tanto tempo, muito sinceramente, não me apercebi bem do que perdi entre o último livro publicado e este. A série terá estagnado no que concerne à vida pessoal de Roy Grace?
O detective refez a sua vida amorosa mas ainda está assombrado pelo desaparecimento da sua mulher Sandy, que entretanto foi dada como morta. E ao reler a minha opinião do 4º livro, apercebi-me que a situação já estava assim, embora não me recorde se Cleo já existia. Não me recordo de todo de Noah, querendo-me fazer parecer que esta será o elemento novidade que perdi no intervalo dos seis livros.

Em relação à trama propriamente dita, devo confessar que me envolveu pela temática. Ora como explicita a sinopse, é sobre um homem obcecado por uma relação que terminou. Todos os desenvolvimentos acabam por ser previsíveis e não houve nenhum twist que me surpreendesse. Desde cedo que se conhece a identidade do vilão e, como refere o título, ele quer matar a mulher, de seu nome Red, que o rejeitou outrora. 
O que torna a trama interessante é a forma como psicologicamente está afectado o antagonista pelo término da relação e a maneira como leva a cabo os seus principais objectivos: prejudicar as pessoas próximas de Red e a própria.

Posto isto há também o desenvolvimento pessoal de Roy Grace, um personagem que se tornou distante talvez pelo esquecimento da personagem, consequência dos anos em que não li nada do autor. Espero que a editora insista em mais obras de James. Não obstante, há um desenvolvimento que diz respeito ao seu passado que me pareceu fulcral neste livro. Decididamente, a continuar a publicação das obras do autor (espero que sim!), a vida pessoal de Grace terá uma surpresa doravante.

Ponto positivo número dois: os capítulos curtos. Cada capítulo tem uma ou duas páginas e esta estrutura acelera, indubitavelmente, o ritmo de leitura. É um livro que se lê num ápice também devido ao ritmo frenético da acção.

Em suma, Quero-te Morta peca apenas pela previsibilidade da história, embora seja uma abordagem realista das relações obsessivas.


Heather Gudenkauf - Teia de Mentiras [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Fiquei agradavelmente surpreendida com este Teia de Mentiras logo nas primeiras páginas. Adoro o género thriller psicológico e foi um prazer ter lido esta obra, apesar de não conhecer a autora. Ficou, naturalmente, aprovada!

O título do livro não podia ser mais adequado. A trama, denominada originalmente por Missing Pieces, trata de um enigmático quebra cabeças cujas peças são, nada mais, nada menos, que mentiras atrás de mentiras.
Assim, ao longo da leitura senti-me constantemente ludibriada embora bastante interessada pelo desenvolvimento da história. Com tantas falsas pistas, desconhecia qual a versão verdadeira dos factos. Uma história com este calibre tem aliados inúmeros twists, sendo um livro pouco previsível.

Logo no prólogo, o leitor apercebe-se que algo de muito errado aconteceu a Lydia, perpetrado por alguém que ela conhecia. Um prólogo que considerei bastante inquietante e que suscita, logo à partida, bastante interesse. Note-se que o rápido arranque da história é um ponto positivo.
Vinte anos depois do homicídio de Lydia, a sua irmã Julia tem um acidente com contornos bastante duvidosos. São essas circunstâncias que levam Jack a revisitar a terra natal, após vinte anos, acompanhado da esposa Sarah.

A pouco a pouco Sarah vai descobrindo aspectos sobre o marido que lhe eram desconhecidos e a dúvida instala-se. É o livro perfeito para deixar o leitor ludibriado!
À medida que ia folheando as páginas, formulava inúmeras teorias, embora algumas descabidas, pois o intervalo de tempo que separavam os momentos trágicos era de duas décadas. Esta componente de mistério, aliadas às inúmeras reviravoltas foram aliciantes para continuar avidamente a leitura.
Como tal, esta obra lê-se num ápice, tal é o interesse que desperta.

Portanto, se há característica que define a trama é o seu carácter ambíguo: a linha que separa o antagonista e o herói é muito difusa, graças à formulação das personagens. Sempre achei que era demasiado óbvio o culpado ser Jack mas ele não estava completamente isento de culpas porque afinal este tinha alguns esqueletos no armário.

O desfecho foi bastante satisfatório. O leque de suspeitos é restrito, daí não ser propriamente surpreendente a identidade do vilão. Todavia, o móbil dos crimes é bastante interessante e convincente.

Em suma, Teia de Mentiras é uma trama habilmente engenhosa que leva ao extremo o tema da desconfiança conjugal. Surpreendeu-me muito!


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Yrsa Sigurdardóttir - O Silêncio do Mar [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: A trama de O Silêncio do Mar foi baseada em factos verídicos de grandes embarcações que apareceram no destino desprovidas de vida como o caso Mary Celeste ou o navio Angoche.
A minha formação académica é na área das ciências e como tal, procuro um lado racional e lógico em todas as situações, daí estes casos me suscitarem bastante interesse. Pessoalmente ainda não tinha visto retratado na literatura um acontecimento tão peculiar como este. Aliado a ser uma história de uma das minhas autoras preferidas, Yrsa Sigurdardóttir, sabendo de antemão que esta seria uma excelente leitura.

Expectativas altas e correspondidas. A história compreende dois momentos de acção: a da embarcação em Lisboa e desenvolvimento dentro do iate aquando a viagem para  Reiquejavique e, mais tarde já na Islândia, a investigação por parte de Thóra Gudmundsdóttir, uma personagem já familiar de quem segue de perto esta série.
As duas subnarrativas compreendem também, a meu ver, duas percepções por parte do leitor: se por um lado a viagem desperta alguma inquietação devido aos momentos tensos que  Ægir (e alguns elementos da tripulação, nomeadamente a sua família) experienciam, por outro, a investigação de Thora proporciona uma sensação de mistério/suspense que culmina na revelação final. Devo afiançar que na subtrama passada no iate, no meio do mar, há uma sensação esmagadora de claustrofobia e isolamento que torna a história ainda mais tensa. Além disso, Ægir leva as duas filhas gémeas de quatro anos e a meu ver, duas meninas tão pequeninas naquele ambiente causam alguma desconforto ao leitor.

Apesar de, aparentemente, nas primeiras páginas pensar-se que a explicação para este desaparecimento em massa ter contornos sobrenaturais (ou serão apenas meras alucinações devidas ao isolamento?), tal como desejava, há uma explicação realista e bastante convincente. 
Recordo-me agora de repente que a autora tem uma outra obra, Lembro-me de Ti, alicerçada sobre o paranormal, no entanto, afianço que não é o caso deste livro.

Estamos perante, portanto, de um livro bastante envolvente quer pela temática, quer pelo cenário. Pessoalmente, gostei muito de ver Lisboa como ponto de partida para a viagem, embora tivesse gostado de ver mais aprofundada a minha cidade. E claro, todo o ambiente islandês me fascina, tendência que penso ser mais global agora com a participação do país no Campeonato Europeu de Futebol (quem é que não gostou de ver aquela solidariedade do povo e a selecção islandesa no ritual Haka Viking?).

O último aspecto intrínseco à trama que devo realçar é a forma como a última página do livro me fez sentir: simultaneamente arrebatada e triste. Depois de destrinçar o desfecho de grande parte dos tripulantes, ficam as duas últimas, curiosamente as que despertaram mais empatia.

À semelhança dos livros antecessores, a investigação intercala com a vida pessoal da protagonista. Thora tem uma vida familiar adorável, muito embora o filho Gylfi tenha agora um novo desafio. É uma questão de esperar pelo novo livro da autora para se perceber qual o caminho do rapaz. A secretária Bella continua a protagonizar momentos engraçados.

Muito sinceramente, não consigo eleger o meu livro preferido de Yrsa Sigurdardóttir, no entanto, O Silêncio do Mar oferece uma experiência de leitura de suspense ao mais alto nível: o ambiente é sombrio, a investigação é interessante e o desfecho arrebatador.

Liz Nugent - O Segredo do Escritor [Divulgação Marcador]


Data de publicação: 20 Julho 2016
  
               Título Original: Unravelling Oliver
               Preço com IVA: 17,50
               Páginas: 240
               ISBN: 9789897541599

Sinopse: O atraente e carismático Oliver Ryan é a imagem do sucesso. Ele e a mulher, Alice, levam uma vida invejável de privilégio e bem-estar. Invejável até que, certa noite,
depois do jantar, Oliver agride Alice com tal violência que a deixa em coma.

O próprio Oliver fica aturdido com o seu gesto. No período que se segue, enquanto todos tentam perceber o que terá motivado esse surpreendente ato de selvajaria, Oliver conta a sua história. E o mesmo fazem aqueles com quem a sua vida se cruzou ao longo de cinco décadas. A verdade é ao mesmo tempo trágica e monstruosa, uma história de vergonha, inveja, fraude e manipulação.
Só Oliver sabe o que teve de fazer para alcançar a vida que ambicionava e a que sentia ter direito. Mas nem mesmo ele está preparado para o choque que a revelação do passado lhe reserva. O Segredo do Escritor é uma história invulgar de tensão psicológica, um retrato complexo e empolgante sobre a génese de um sociopata, na tradição de Barbara Vine e de Patricia Highsmith.

Sobre a autora: LIZ NUGENT trabalhou durante a quase totalidade da sua vida adulta na televisão, no teatro e no cinema irlandeses. É autora premiada de teatro televisivo e radiofónico, e escreveu diversos contos para crianças e adultos. O Segredo do Escritor é o seu primeiro romance.

Imprensa
«Um thriller magistral com uma estrutura surpreendente» 
Daily mail

«Uma obra de leitura compulsiva, escrita por uma nova artífice da tensão psicológica»
Sunday Independent



segunda-feira, 18 de julho de 2016

Joël Dicker - O Livro dos Baltimore [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O Livro dos Baltimore é uma obra grandiosa! Ao ponto de ter um hiato, uma incapacidade de escrever sobre o mesmo que tem durado algumas semanas (ou será meses?). E vou tentar explicar a razão nesta opinião.
Há uns anos li A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert e fiquei fã do autor. Embora tenha discordado com algumas repetições de informação na trama, em grosso modo, foi um livro que me cativou. Este ano tive oportunidade de conhecer o autor na Feira do Livro de Lisboa, tendo trocado algumas impressões com o mesmo. A minha admiração por Dicker aumentou exponencialmente nesse dia e quis ler esta obra que chegara à minha casa dias antes. Ainda nesse dia, acabei por comprar Os Últimos Dias dos Nossos Pais para que ele mo autografasse também, pelo que ainda tenho mais uma obra por ler guardada, como se um guilty pleasure se tratasse.

Não obstante a ligação entre as personagens Marcus Goldman e Harry Quebert do livro antecessor, uma relação que se pautava por aluno/mentor, a acção de O Livro dos Baltimore tem lugar muito antes, podendo considerar-se esta obra como uma prequela. Creio que o objectivo desta trama é dar a conhecer um pouco mais do passado de Marcus, o  escritor que escreve um livro para defender o seu mentor Harry Quebert. Se bem se recordam, a trama de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert versava sobre o passado de Nola, personagem esta intrinsecamente ligada a Quebert e Marcus tinha um papel digamos que quase fugaz.

Assim, o livro dos Baltimore visa dar a conhecer a família dos primos de Marcus antes do que ele designa o Drama. Desde logo, surge um alerta ao leitor: este chamado 'Drama' será certamente um acontecimento trágico. O leitor deambula entre os momentos mais tristes da família Baltimore aos mais felizes. Um acontecimento chave é sem duvida o acolhimento de Woody, um menino que protege o primo de Marcus, Hillel, dos mais actos vis de bullying. Uma amizade que oscila pelos sentimentos mais nobres e felizes aos mais dramáticos e comoventes. 
Porque para mim, esta obra é isto: uma ode aos sentimentos e afectou-me tanto que ainda hoje (mais de um mês, certamente, que a terminei) penso na história. Este livro não é um thriller embora a história tenha sempre presente um elemento de mistério. O leitor deseja arduamente saber o que terá acontecido no dito dia do Drama. Falando nisso, era o acontecimento que eu estava a prever, embora não soubesse exactamente as circunstâncias de ocorrência do mesmo. E sim é emotivo e muito intenso.

A nível de estrutura, devo referir que existe uma semelhança entre esta obra e a antecessora na medida em que existe a acção propriamente dita e o livro escrito por Goldman. A minha percepção foi, uma vez mais, que li um livro dentro de um livro, o que não deixa de ser original.
Pessoalmente, só conheço as obras de Dicker com esta estrutura. 
Claro que, para quem leu A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, há um desejo de conhecer Marcus, o homem que ilibou o seu mentor através de uma longa investigação. Ora nesta obra, o leitor depara-se não só com a intensidade da história dos primos Baltimore como a evolução da relação com Alexandra, o amor da sua vida, desde tenra idade até à fase adulta.

Termino frisando que este é um livro rico em ensinamentos e convidativo a uma reflexão sobre os valores morais e a família, enaltecendo o quão fortes são os laços de uma amizade. Mesmo distanciando-se do género thriller e, numa primeira análise, de ritmo lento, gostei muito deste livro. Senti-me pequenina perante a grandiosidade da obra, uma sensação pouco comum nas minhas leituras.