sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Andrew Michael Hurley - Santuário [Divulgação Bertrand]


Data de publicação: 2 Setembro 2016
  
               Título Original: The Loney
               Tradução: Ana Falcão Bastos
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789722532433

«Uma obra-prima gótica». Assim é considerado o Santuário – The Loney pelo jornal britânico The Guardian. A crítica internacional tem sido unânime ao tecer as melhores apreciações sobre o livro de estreia de Andrew Michael Hurley, que foi vencedor do Costa Award 2015, na categoria de romance de estreia, e do British Book Award 2016, dois prémios literários de grande prestígio e que confirmam a qualidade da sua escrita. A atestá-lo temos ainda autores tão distintos como Stephen King, Adam Thorpe e Jeff VanderMeer a tecerem rasgados elogios a esta obra de ficção.
Brilhantemente escrito, os direitos de Santuário – The Loney foram vendidos para 16 países e ainda à DNA filmes, produtora de Ex Machina e Longe da Multidão.
Tendo como cenário as paisagens da costa do noroeste inglês, terras que o autor bem conhece desde a sua juventude, a obra conduz-nos a uma atmosfera envolvente e espiritualmente aterrorizante onde uma família procura uma solução que lhes permita reencontrar a esperança. Uma história sobre medos e crenças numa estranha associação às dinâmicas familiares.

Sinopse: Dois irmãos. Um, mudo; o outro, o seu protetor.
Todos os anos, a família visita o santuário que fica na desolada faixa de costa conhecida apenas como «Loney», desesperadamente à espera de uma cura.
Durante as longas horas de espera, os rapazes são deixados sozinhos. E não conseguem resistir à passagem que se vislumbra a cada mudança da maré, à velha casa que se ergue ao longe…
Muitos anos mais tarde, Hanny é um homem feito e já não precisa dos cuidados do irmão. Mas depois descobre-se o cadáver de uma criança, morta há muito.
O Loney acaba sempre por dar à costa os seus segredos.

Sobre o autor: Andrew Michael Hurley nasceu em Inglaterra em 1975 e Santuário é o seu livro de estreia. Publicado originalmente em 2014 numa edição limitada de 300 exemplares, os leitores e a crítica fizeram dele um enorme sucesso comercial. Foi-lhe atribuído o Costa Book Award 2015 na categoria de romance de estreia e o British Book Award 2016 nas categorias de melhor livro de estreia e melhor livro do ano.
O autor tinha publicado anteriormente dois livros de contos. Vive no norte de Inglaterra, em Lancashire, onde é professor de Literatura Inglesa e Escrita Criativa.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Rex Stout - Picada Mortal [Divulgação Colecção Vampiro]


Data de publicação: 8 Setembro 2016
  
               Título Original: Fer-De-Lance
               Tradução: Eduardo Saló
               Preço com IVA: 7,70€
               Páginas: 296
               ISBN: 9789723829631

A Livros do Brasil publica, a 8 de setembro, Picada Mortal, de Rex Stout, o quinto título da renovada coleção Vampiro. Narrando o primeiro caso da longa carreira detetivesca da dupla Wolfe e Goodwin, Picada Mortal foi lançado em 1934 com um êxito estrondoso e afirmou desde logo Rex Stout como um dos nomes mais originais do romance policial americano, permanecendo ainda hoje como obra de referência na história da literatura de mistério.  

Sinopse: Neste livro, tudo começa com um desaparecimento e a principal pista parece estar num recorte de jornal. Barstow, de cinquenta e oito anos, reitor da Holland University, jogava golfe domingo à tarde no campo do Green Meadow Club e de súbito caiu morto, vítima de ataque cardíaco: terá sido esta a notícia que Carlo Maffei guardou do jornal do dia em que foi visto pela última vez. O detetive privado Nero Wolfe é contratado para o encontrar, mas não tarda muito até que seja a polícia a descobri-lo – morto, apunhalado. E quando Wolfe é presenteado no seu escritório com uma das mais temidas víboras conhecidas pelo homem, a fer-de-lance, o seu jovem assistente Archie Goodwin percebe que estão perto de desvendar dois crimes diabolicamente inteligentes.

Sobre o autor: Rex Stout nasceu a 1 de dezembro de 1886 na cidade americana de Noblesville, Indiana. Após uma breve passagem pela Universidade do Kansas, alista-se na Marinha em 1906 e durante dois anos serve a bordo do iate Mayflower, do Presidente Roosevelt, como subtenente.
Em 1916 cria um sistema bancário escolar que seria implementado em mais de quatrocentos estabelecimentos de ensino e que lhe garantiu lucros confortáveis, mas em 1927 abandona os negócios e passa a dedicar-se inteiramente à escrita. Publica três romances, que obtiveram críticas favoráveis, mas é com a sua primeira obra policial que alcança o reconhecimento do grande público: Picada Mortal surgiu em 1934 e com ela surgiu a personagem de Nero Wolfe, detetive excêntrico, amante de boa comida e de belas orquídeas, que, juntamente com o jovem assistente Archie Goodwin, viria a protagonizar dezenas de histórias. 
Em 1959, Rex Stout recebeu a distinção de Grande Mestre pela Mystery Writers of America. Morreu a 27 de outubro de 1975, em Danbury, no Connecticut, cerca de um mês após a publicação do seu último romance, Um Caso Familiar.

Já na coleção Vampiro:
No. 1: Os Crimes do Bispo, de S.S. Van Dine
No. 2: Vivenda Calamidade, de Ellery Queen
No. 3: O Falcão de Malta, de Dashiell Hammett
No. 4: O Imenso Adeus, de Raymond Chandler

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Estante está mais cheia [Agosto 2016]




Um Agosto bastante atípico. Não me coibi de encher mais as estantes, o que é raro neste mês. Comecemos: 3 Vampiros ofertados pela cara metade que me ofereceu também os dois clássicos de capa vermelha e preta bem como um livro da Ruth Rendell. Sou uma sortuda! Num sábado em passeio, comprei Tarântula a 3€, Segredo Fatal a 5€ e Ripley Debaixo de Água por apenas 1€. 

Numa ida a uma feira cá das minhas comprei As Duas Faces de Janeiro e Morte em Ordens Sagradas, ambos por 5€. Tenho-me interessado ultimamente pela extinta colecção Noites Brancas da ASA e como tal, comprei O Comissário Bordelli a 2€ e A Morte da Branca de Neve foi 3€. Da mesma colecção veio A Embaixadora de Dick Haskins, ofertado pela minha sogra. Resta-me agradecer às editoras parceiras pelos excelentes livros: Quetzal, Editorial Presença, Clube do Autor e Marcador! O meu muito obrigada!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

David Soares - Batalha [Opinião]


Sinopse: Em Batalha, David Soares apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor.

Opinião: Encontrei o autor David Soares várias vezes numa iniciativa perto de casa chamada Sustos às Sextas na localidade onde vivo. Desde então que a curiosidade em ler uma obra da sua autoria aumentou exponencialmente e fui conseguindo alguns dos seus livros. Ouvi falar tão bem do "livro da ratazana" que optei por me estrear nas obras do autor justamente com Batalha.

Inicialmente pensei que Batalha seria uma fábula. A história sobre a ratazana abandonada, acolhida por uma família de ratos fez-me pensar que provavelmente esta obra não se ajustava aos meus (mórbidos) gostos. Não obstante saber de antemão que David Soares prima precisamente pelo Romance Gótico/ Terror/ Fantasia. 
E de facto, à medida que me embrenhava nas páginas, me ia sentindo cada vez mais curiosa pela peculiaridade da obra. Vai muito além de uma fábula. Há que valorizar a riquíssima perspectiva histórica, grande parte aquando a construção de um dos monumentos mais emblemáticos da nossa História. E a trama propriamente dita? Tantos ensinamentos sobre a morte e os valores mais preciosos da vida. O livro está repleto de passagens enternecedoras, grande parte devido aos diálogos. Apesar destes tomarem forma a partir de animais, há uma grande seriedade na forma como os temas são introduzidos.

Embora seja uma obra de cariz claramente fantasioso, consigo reconhecer alguns elementos que identifiquei assistindo às palestras e breves comunicações do autor nos Sustos Às Sextas: um ambiente obscuro que equilibra de feição tantas lições de natureza mais comovente. A ratazana Batalha ficará, por essa razão, na minha memória durante muito, muito tempo. 

É uma obra que se distancia do thriller, tratando-se de uma trama cativante e madura que visa a reflexão de temáticas que mencionei anteriormente. É, portanto, uma obra a que não estou nada habituada mas que ainda assim gostei da experiência. Achei enriquecedor ser em jeito de fábula, um género que associei até então (e de forma errada) às crianças. Gostei e irei, certamente, ler as demais obras do autor.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Kate Hamer - Inseparável [Divulgação Clube do Autor]


Data de publicação: 25 Agosto 2016
  
               Título Original: The Girl in The Red Coat
               Preço com IVA: 17€
               Páginas: 392
               ISBN: 9789897243028 

Sinopse: Carmel é uma menina que está desaparecida. Mas não sabe que está perdida.
Depois do divórcio, Beth vive um medo constante. Acima de tudo, receia que a filha de oito anos, Carmel, com tendência para se furtar à vigilância maternal, possa desaparecer. Um dia, com efeito, o seu pior receio concretiza-se. Um sábado, numa manhã de nevoeiro, Beth leva a filha a um festival infantil ao ar livre, separam-se por breves instantes e Carmel nunca mais torna a ser vista. Vestindo o casaco vermelho de que tanto gosta e que a transforma ao mesmo tempo numa mancha reconhecível e num alvo fácil de identificar, Carmel acaba por cair nas mãos de um homem que lhe diz ser o avô há muito desaparecido. Não tendo outro remédio senão ficar entregue à sua nova família, a menina apercebe-se, à medida que os dias se transformam em semanas e meses, de que o avô possui um dom muito especial... Destroçada, Beth empreende uma busca desesperada e solitária, nunca perdendo a fé no reencontro. Carmel, por seu turno, empreende também uma estranha e angustiante viagem, que a obriga a recorrer a todo o engenho que a caracteriza desde pequena, a fim de manter sempre na sua mente (e na memória) a imagem da mãe.
Alternando entre a história de Beth e o relato de Carmel, numa prosa apaixonante e que nos deixa em suspenso até ao fim, Inseparável é um romance inesquecível.

Sobre a autora: Kate Hamer nasceu em Inglaterra e cresceu no País de Gales. Trabalhou durante dez anos na rádio e na televisão, a fazer documentários. Em 2011, a sua história "One Summer" conquistou o prémio Rhys Davies para o melhor conto. Inseparável, o romance de estreia, fez parte dos finalistas dos prémios Dagger Award e Costa Book Award, ambos na categoria de primeira obra, e foi traduzido para dezasseis línguas. Actualmente, a escritora vive e trabalha no País de Gales.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Liz Nugent - O Segredo do Escritor [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O romance de estreia de Liz Nugent, O Segredo do Escritor debruça-se sobre Oliver, um homem que agride violentamente a sua esposa. Parece-me que é desvendado, logo à partida, um elemento que me parece fundamental e conduz o leitor a caracterizar o protagonista imediatamente no primeiro capítulo. Devido a este acto hediondo, Oliver aparenta ser um psicopata.
Talvez este episódio pudesse ser o clímax do livro (parece-me bastante angustiante uma situação de violência doméstica a ponto de deixar a vítima hospitalizada), no entanto, o suspense da trama advém precisamente da reunião das conjunturas da vida de Oliver e que desencadearam este lado psicopata na sua personalidade.

Assim, regredimos à adolescência do escritor e, de acordo com as perspectivas de outras personagens de forma a corroborar os factos que tiveram acontecimento na vida do protagonista. De facto, há inúmeros pontos de vista (não os contei mas devem rondar os seis) de modo a que há um amplo conhecimento sobre a sucessão de situações que Oliver vivenciou. Os POVs (point of view) são devidamente identificados e existe uma teia que interliga as personagens pelo que nem considerei confusa a forma como a história está narrada. Antes pelo contrário, creio que a tornou ainda mais intrigante.

Portanto contem com pequenos segredos e intrigas, omissões de factos e uma tragédia em que Oliver esteve envolvido. Talvez estes (pequenos) actos maquiavélicos preparem (ou não) o leitor para aquela que é a maior revelação no que respeita a Oliver. Tal como o título da obra nos prometera. 

O Segredo do Escritor é um livro que se lê muitíssimo bem. Li-o avidamente em dois dias numa altura em que a leitura me maçava (há alturas assim em que a paixão pelos livros parece desvanecer).

Pessoalmente considero que o crescendo da intensidade dos acontecimentos resultou e, apesar da agressão logo nas páginas iniciais, a trama nunca perdeu interesse, antes pelo contrário, manteve-me em suspense até ao final. E dá que pensar que, por muito devastador que seja o fenómeno da violência doméstica, há situações tão complicadas quanto esta. Deixam outro tipo de marcas, as psicológicas, as que os hospitais não resolvem por meio de curativos.

A minha percepção é que este livro acaba por se diferenciar dos demais thrillers por desvendar de imediato a natureza do protagonista, bem como incluir os pontos de vista de imensas personagens. Não obstante, é um complexo thriller psicológico, subgénero que aprecio. Muito bem escrito e repleto de episódios transgressores protagonizados por Oliver.

Um livro que gostei muito embora tivesse lido da mesma editora recentemente Deixei-te Ir, que deixou a fasquia demasiado alta.  Sabia de antemão que qualquer thriller psicológico que lesse posteriormente não traria o mesmo impacto que a história anterior. Contudo, pelo nível de suspense e pela construção repleta de suspense, O Segredo do Escritor é um livro que recomendo sem reservas.


Jill Alexander Essbaum - Uma Boa Mulher [Opinião]


Sinopse: O fascínio e a culpa de uma mulher dividida entre o amor e a luxúria. Complexo e íntimo, "Uma Boa Mulher" é a história de uma mulher que enfrenta o vazio no seu casamento e procura dar um novo sentido à sua vida. Este é um romance que explora a sensualidade e o desejo em toda a sua força libertadora e subversiva.Muito elogiado pela crítica internacional e pelos leitores, "Uma Boa Mulher" é um livro profundo e intenso sobre o casamento, a moralidade e o amor-próprio.

Opinião: Toda a gente falava maravilhas deste livro e saí da minha zona de conforto para enveredar por uma leitura diferente. Numa primeira análise achei que a trama se baseava exclusivamente numa mulher, Anna Benz, que mantém relações extraconjugais. Uma consideração que se revelou insuficiente: o tema é complexo e vai além dos deslizes de Anna no seu casamento.

Anna é casada com Bruno e tem três filhos. A família mudou-se para a Suiça e a mulher está a aprender alemão uma vez que ela é americana e ainda não fala a língua do país onde reside agora. Frequenta uma terapeuta a quem desabafa os seus pensamentos mais íntimos, conferindo uma ampla gama de sentimentos: solidão, necessidade de carinho, culpa, vergonha. 
Trata-se, portanto, de uma obra sensorial onde a ode aos sentimentos será até à última página. No entanto estes serão substituídos por outros, de natureza mais devastadora. À emoção de ter um amante (que, pessoalmente, creio não ser tão alta como o risco de ter uma vida dupla) segue-se algo de muito aterrador, curiosamente, um dos elementos que tanto aprecio nas minhas leituras. E tudo muda...

Não, a obra não é um thriller. É um romance contemporâneo que explora, sobretudo, as dimensões (irreflectidas ou não) do adultério. E nisto, devo dizer que é bastante frontal: as imagens sexuais desfilam por entre as páginas e há um crescendo correspondente à situação de Anna. Será ela descoberta?
Por mim falo, se por um lado condeno a traição, por outro não consigo deixar de pensar na comodidade e falta de comunicação que se instalou naquela relação e por consequente, na busca quase desenfreada por sexo. Há um segredo respeitante àquela família que me deixou apreensiva e, mais uma vez, levou-me a reflectir sobre a ausência do diálogo, algo que me parece tão simples e, ao mesmo tempo, tão difícil. Em suma, o estilo da obra é, assim, convidativo à ponderação sobre relações. 

Como referi, por intermédio das sessões de terapia, o leitor consegue conhecer muito bem a protagonista. Tem acesso não só às situações que protagoniza como os sentimentos que despertam. Confesso que a minha percepção é que a avidez por sexo com os amantes faz com que a família seja remetida para segundo plano. E isso vai trazer consequências penosas. Ao contrário de outras tramas que, provavelmente, iriam florear os acontecimentos finais, em Uma Boa Mulher, o desfecho é coerente e devastador, tal como foram as páginas anteriores. 

Termino a minha opinião dizendo novamente que este livro não é a minha praia. Prefiro sempre o género thriller e policial embora admita que tive prazer ao folhear esta obra. Não só pela diferença do estilo literário, como pela obrigação em reflectir sobre alguns temas abordados. 
Um livro interessante.


Patricia Highsmith - O Talentoso Mr. Ripley [Opinião]


Sinopse: Tom Ripley tenta estar sempre um passo à frente dos seus credores e da lei. Mas tudo muda quando, inesperadamente, lhe oferecem uma viagem à Europa, uma oportunidade de recomeçar a vida. Ripley ambiciona ter dinheiro, sucesso e uma boa vida, e está disposto a matar para o conseguir. Quando a sua nova felicidade é ameaçada, a sua reação é tão repentina como chocante. «Uma escritora que criou o seu mundo próprio… assustadoramente mais real do que a casa do nosso próprio vizinho.»Graham Greene «Um enredo preciso, uma escrita elegante, de uma inteligência ímpar. Muito à frente do thriller convencional: um clássico dentro do seu estilo.»Evening Standard «Um thriller espantoso que merecidamente se tornou um clássico.»Spectator «Por alguma razão obscura, uma das nossas maiores escritoras modernas — Patricia Highsmith — é vista, no seu próprio país, como uma autora de thrillers (…) É certamente uma das escritoras mais interessantes deste sombrio século.» Gore Vidal

Opinião: Finalmente li aquela que, provavelmente, é considerada a magnum opus de Patricia Highsmith. O Talentoso Mr. Ripley é o primeiro livro de uma série protagonizada por Tom Ripley, uma personagem muito peculiar se tivermos em conta que esta obra data de 1955. E porquê peculiar? Porque, meus caros leitores, Tom Ripley é psicopata. Sou relativamente leiga em literatura policial clássica mas sei que esta debruçava-se, grosso modo, sobre a investigação de um caso (um homicídio, um rapto ou um roubo) por parte de um detective ou um polícia.
Assim, esta obra distancia-se do género policial vulgarmente denominado de noir e aproxima-se, sem dúvida, do thriller psicológico. Um subgénero que me parece banal nos dias de hoje mas não me soa que fosse corriqueiro na década de 50.

Na presente obra, o protagonista é, simultaneamente, o antagonista. Tom Ripley é interesseiro, maldoso e manipulador mas desperta um sentimento que já sentira com a personagem Dexter (representado por Michael C. Hall na série homónima da produtora Showtime): passei o livro todo a torcer por ele. Mesmo quando ele orquestrou aqueles planos maquiavélicos e esteve prestes a ser apanhado! Creio que o ponto forte da obra é a forma como a mesma está narrada, sempre a favor de Tom Ripley, se bem que a maioria dos leitores repudiará os seus actos.
Numa segunda fase o livro é isto: uma caçada ao homem mas dispersa pelas falsas pistas plantadas por Ripley.

Numa primeira abordagem, o livro desenrola-se num ritmo lento porém fascinante devido à viagem de Ripley à Itália. Este tem como objectivo trazer Dickie Greenleaf de volta para os Estados Unidos, mas as coisas não vão correr como o seu mandatário desejava. Como afirmei, Ripley é uma personagem que não olha a meios para atingir os seus próprios objectivos. Podem deduzir como é que isto vai acabar, certo?

Adorei, principalmente, a personagem do Ripley. A caracterização dele está fantástica, é um psicopata adorável (ao nível do Dexter, claro está). A interacção entre ele e as demais personagens é bastante interessante e levanta uma questão pertinente (que terá uma ilação assaz pessoal também): estaria ele apenas com ciúmes do estilo de vida de Dickie ou apaixonado pelo mesmo? E esta última teoria acaba por explicar o relacionamento da amiga de Dickie, Marge, com Ripley, uma relação pautada por atritos e desconfiança.

Um outro pormenor que muito me agradou foi a sensação de glamour, percepcionada por aquela vida de hedonismo e os cenários italianos maravilhosos. 
A narrativa apresenta um crescendo de tensão bastante interessante, começando por apresentar-nos o estilo de vida de Dickie, o relacionamento cada vez mais íntimo entre este e Ripley até ao culminar dos crimes que o antagonista perpetrou. 

Devo dizer que após a leitura vi o filme realizado por Anthony Minghella e, creio que a adaptação está bastante fiel à obra. Ressalvo alguns pontos que não aconteceram como no livro, embora a mais flagrante seja a omissão da personagem representada por Cate Blanchett. Também a natureza da relação entre Marge e Dickie não corresponde à que é retratada na obra.

Para um livro da década de 50, creio que é bastante interessante e terá, certamente, sido inovadora.

Tom Ripley é protagonista de uma série de cinco livros. A Máscara de Ripley (Ripley Under Ground) é a continuação da saga de peripécias ardilosas orquestradas por esta personagem peculiar. Tenciono, com certeza, acompanhá-lo na sua demanda.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Patricia Highsmith - O Amigo Americano [Divulgação Relógio D´Água]


Data de publicação: 24 Agosto 2016
  
               Título Original: Ripley´s Game
               Colecção: Crime Imperfeito
               Preço com IVA: 17
               Páginas: 270
               ISBN: 9789896416386

Sinopse: O terceiro romance da série é um dos mais matizados em termos psicológicos - particularmente memorável pelo seu humor negro -, tendo sido aclamado pela crítica pela sua capacidade de manipular as regras do género.

Sobre a autora: Patricia Highsmith (1921-1995) publicou cinco romances na série de Ripley entre 1955 e 1991. É também a autora de "O Desconhecido do Norte Expresso", "The Price of Salt" e "A Dog’s Ransom". «[Highsmith] obriga-nos a reconsiderar as linhas entre a razão e a loucura, normal e anormal, enquanto nos incita a partilhar o ponto de vista traiçoeiro do nosso herói.» Michiko Kakutani, New York Times «Patricia Highsmith é por vezes descrita como uma escritora de policiais ou livros de mistério, o que é um pouco como dizer que Picasso fazia desenhos.» Cleveland Plain Dealer «Não existe ninguém como Patricia Highsmith para evocar a ameaça que se esconde em lugares familiares.»Time «O génio de Highsmith ao criar Tom Ripley mostra-se na sua habilidade em equilibrar as facetas heróicas e demoníacas do típico sonhador americano na mesma personagem – mantendo-nos do seu lado muito depois do seu comportamento se tornar mais sociopata do que o de um charlatão como Gatsby.»Frank Rich, New York Times Magazine

Patricia Highsmith - A Máscara de Ripley [Divulgação Relógio d´Água]


Data de publicação: 8 Agosto 2016
  
               Título Original: Ripley Under Ground
               Colecção: Crime Imperfeito
               Preço com IVA: 16
               Páginas: 280
               ISBN: 9789896415624

Sinopse: Passaram-se seis anos desde que Ripley assassinou Dickie Greenleaf e herdou o seu dinheiro. Agora, vive numa bela casa de campo francesa, rodeado de uma magnífica colecção de arte e está casado com a herdeira de uma companhia farmacêutica. Tudo parece sereno no mundo de Ripley até um telefonema vindo de Londres destruir a sua paz. Um esquema de falsificação de obras de arte que montara há alguns anos ameaça desfazer-se: um americano metediço anda a fazer perguntas, e Ripley tem de viajar até Londres para o impedir de descobrir algo mais. 
Patricia Highsmith oferece-nos, no segundo romance da série protagonizada por Ripley, uma narrativa hipnotizante e perturbadora na qual Ripley fará de tudo para que o seu novelo de mentiras não seja desfeito. «Apesar de Highsmith não partilhar laços familiares com Jonathan Swift ou Evelyn Waugh, o seu melhor trabalho segue as suas pegadas. […] O humor negro, e por vezes quase selvagem, de Highsmith, e a inteligência que molda a sua prosa precisa e dura, fazem-nos pensar nestes autores.»Newsday  

Sobre a autora: Patricia Highsmith (1921-1995) publicou cinco romances na série de Ripley entre 1955 e 1991. É também a autora de "O Desconhecido do Norte Expresso", "The Price of Salt" e "A Dog’s Ransom". «[Highsmith] obriga-nos a reconsiderar as linhas entre a razão e a loucura, normal e anormal, enquanto nos incita a partilhar o ponto de vista traiçoeiro do nosso herói.» Michiko Kakutani, New York Times «Patricia Highsmith é por vezes descrita como uma escritora de policiais ou livros de mistério, o que é um pouco como dizer que Picasso fazia desenhos.» Cleveland Plain Dealer «Não existe ninguém como Patricia Highsmith para evocar a ameaça que se esconde em lugares familiares.»Time «O génio de Highsmith ao criar Tom Ripley mostra-se na sua habilidade em equilibrar as facetas heróicas e demoníacas do típico sonhador americano na mesma personagem – mantendo-nos do seu lado muito depois do seu comportamento se tornar mais sociopata do que o de um charlatão como Gatsby.»Frank Rich, New York Times Magazine