quarta-feira, 19 de setembro de 2018

C.L. Taylor - O Medo [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O Medo é o mais recente thriller psicológico da autora britânica C.L. Taylor, conhecida por cá pelas suas obras Desaparecido e Em Fuga. Embora tivesse ficado impressionada com estes dois livros, devo dizer que O Medo me agradou ainda mais.

A trama centra-se em Lou Wandsworth, uma mulher que se encontra incapacitada de ter um relacionamento amoroso com o actual pretendente Ben devido a um trauma: quando esta tinha 14 anos, foi levada para França pelo seu professor de karaté Mike Hughes, com quem, alegadamente, mantinha um romance.
Passados 18 anos, Lou descobre que Mike está a aliciar uma outra adolescente e decide actuar.

Estamos perante uma história que, como terão depreendido, aborda o tema da pedofilia e das relações tóxicas, temáticas que, inevitavelmente, apresentam um cariz perturbador. Creio que a autora conseguiu traçar um retrato bastante fidedigno de um pedófilo e a forma de pensar e de agir de Mike Hughes chocou-me genuinamente. Este é, claramente, o vilão da trama, diferenciando-se dos vulgares antagonistas deste sub-género literário, que na grande maioria dos casos se caracterizam como sociopatas ou mesmo assassinos. No caso em apreço Mike encontra-se nessa categoria devido à sua perversa parafilia. Não me recordo de ter lido uma trama em que um pedófilo assuma um papel assim tão preponderante.

A trama é narrada sob a perspectiva das três personagens femininas: a protagonista Lou, Chloe - a menina de 13 anos que está enamorada, actualmente, por Mike - e Wendy - uma mulher que, inicialmente, não sabemos muito bem qual é o seu papel na trama embora ela apresente uma estranha obsessão por Lou.
Apenas os capítulos referentes a Lou são narrados na primeira pessoa, o que nos oferece uma maior percepção sobre o quão traumatizada estava a personagem com o que lhe acontecera, há 18 anos atrás. 

Embora a narrativa se situe na actualidade, existem flashbacks, na forma de entradas de diário, que permitem o leitor acompanhar a experiência de Lou na adolescência, relatos estes que me deixaram extremamente angustiada.
Portanto, esta foi uma leitura bastante intensa e surpreendente devido às suas constantes reviravoltas que não me permitiram, de forma alguma, antever o rumo da narrativa.

Em suma, estamos perante uma obra que, de certa forma, nos permite "entrar" na mente de um predador sexual e, simultaneamente, na das suas vítimas, tratando-se, portanto, de uma história intrigante e de contornos chocantes. Uma leitura que, por esta percepção, me entusiasmou de sobremaneira.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Olivier Truc - Quarenta Dias Sem Sombra [Divulgação Planeta]



Data de publicação: 18 Setembro 2018

               Título Original: Le Dernier Lapon
               Preço com IVA: 19,95€ 
               Páginas: 440
               ISBN: 9789897770180

Numa paisagem incrível, personagens cativantes e fortes levam-nos aos limites da hiper-modernidade e da tradição de um povo que luta pela sua sobrevivência cultural.
Um policial magnífico e intenso, escrito por um autor de estilo directo e vigoroso que conhece bem a região de que fala.

Olivier Truc é jornalista e correspondente do Le Monde e do Le Point, em Estocolmo.
Especialista nos países nórdicos e bálticos, o autor conhece bem a região que tem como pano fundo este policial magnífico e intenso, escrito num estilo directo e vigoroso

A crítica internacional aclamou este policial e chega a referir-se a ele como um fascinante estudo antropológico com um procedimento policial convincente, que leva o leitor a mergulhar no estilo de vida dos pastores de renas sami no Norte da Lapónia, uma cultura antiga sob a pressão do mundo moderno. 

Este lugar aparentemente tranquilo perto do Ártico irá revelar-se uma terra de conflitos, mistérios e ódios ancestrais.
Um mistério intenso que o autor vai revelando, lentamente, ao longo das mais de 400 páginas, ao mesmo tempo que revela o papel que países como a Noruega e a Suécia tiveram durante o nazismo, com numerosos colaboradores infiltrados.

Sinopse: Kautokeino, Lapónia Central, 10 de Janeiro. Noite polar, frio glacial.
Amanhã o Sol, desaparecido há quarenta dias, vai renascer.
Amanhã, entre as 11 h 14 m e 11 h 41 m, Klemet voltará a ser um homem, com uma sombra. Amanhã, o Centro Cultural vai expor um tambor de xamã oferecido por um companheiro de Paul-Émile Victor. Mas o tambor é roubado durante a noite. As suspeitas irão desde os fundamentalistas protestantes aos independentistas samis. A morte de um criador de renas não contribui para melhorar a situação.
A Lapónia vai revelar-se uma terra de conflitos, de cóleras e de mistérios. Klemet, o lapão, e Nina, a jovem colega de equipa, agentes da polícia das renas, lançam-se numa investigação frustrante.
Mas, em Kautokeino, ninguém gosta de quem faz ondas. Ordenam-lhes que voltem às patrulhas de motoneve pela tundra e à pacificação das eternas querelas entre criadores de renas.
Os mistérios do 72.o tambor vão alcançá-los. Porque confiou, em 1939, um dos guias samis à expedição francesa aquele tambor? De que mensagem era portador? Que contam os joïks tradicionais que o velho tio de Klemet canta? Que vem fazer à aldeia aquele francês que gosta demasiado de raparigas muito novas e que parece conhecer tão bem a geologia da região? A quem se dirigem as orações da piedosa Berit? Que esconde a beleza selvagem de Aslak, que vive à margem do mundo moderno com a sua mulher meio louca?

Sobre o autor: Olivier Truc é jornalista desde 1986, vive desde 1994 em Estocolmo, onde é correspondente do Le Monde e do Le Point. Especialista nos países nórdicos e bálticos, é também documentarista. Autor da biografia L'Imposteur (Calmann- Lévy), este é o seu primeiro romance.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Ragnar Jónasson - Silêncio de Gelo [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 17 Setembro 2018

               Título Original: Rof
               Preço com IVA: 17,69€ 
               Páginas: 288
               ISBN: 9789898917256

Sinopse: Um policial nórdico complexo, arrepiante e sombrio que faz lembrar as melhores histórias de suspense e mistério de Agatha Christie
Em 1955, dois jovens casais mudam-se para o fiorde desabitado e isolado de Hedinsfjördur, na Islândia. A sua estadia termina quando uma das mulheres morre de forma misteriosa. O caso nunca é resolvido. Cinquenta anos mais tarde, surge uma fotografia antiga que mostra que, afinal, os dois casais não se encontravam sozinhos no fiorde.
Em Siglufjördur, uma pequena cidade próxima, o jovem polícia Ari Thór tenta perceber o que realmente aconteceu naquela noite fatídica, após ter sido procurado por um familiar da vítima. Numa altura em que a cidade se encontra de quarentena devido a um vírus mortal, Ari conta apenas com a ajuda de Ísrún, uma jornalista de Reiquiavique, para desvendar o caso. Porém, Ísrún encontra-se também a investigar um outro caso sinistro, que envolve o rapto de um bebé e o atropelamento mortal do filho de um ex-político.
Conseguirão eles resolver dois casos que só encontram explicação num passado mergulhado no silêncio?

Sobre o autor: Ragnar Jónasson nasceu na Islândia e é um autor bestseller internacional publicado em 10 países, com amplo sucesso junto da crítica. Trabalhou em televisão e em rádio, inclusive como jornalista da Radiotelevisão Nacional da Islândia. Atualmente é advogado e professor na Faculdade de Direito da Universidade de Reiquiavique.
Autor em ascensão na literatura policial internacional, Jónasson traduziu 14 livros de Agatha Christie para islandês e viu já vários dos seus contos serem publicados em revistas literárias alemãs, inglesas e islandesas.
A série Dark Iceland, de extraordinário sucesso em todo o mundo, e com direitos televisivos vendidos, está editada em Portugal pela Topseller. Neve Cega, Noite Cega, Nuvem de Cinzas e Silêncio de Gelo constituem uma tetralogia de extraordinário sucesso.
Saiba mais sobre o autor em: www.ragnarjonasson.com

Imprensa
«Um policial tradicional e refinado, moralmente mais ambíguo do que os típicos do mesmo género literário, oferecendo-nos ambientes sombrios e infinitamente mais ameaçadores.»
The Independent


K. L. Slater - Profunda Obsessão [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 17 Setembro 2018

               Título Original: Liar
               Preço com IVA: 17,69€ 
               Páginas: 320
               ISBN: 9789898917317

Sinopse: Uma mãe dedicada
Ben é um pai viúvo que dá o seu melhor para criar os filhos pequenos com a ajuda de Judi, a sua mãe dedicada. Para Judi, nada é mais importante do que a família, e estar perto do seu filho e dos seus netos é a única coisa que lhe dá alento na vida.
Um novo membro da família
Mas Ben apaixona-se por Amber, que parece ter tudo para ser a madrasta perfeita para as crianças. Só que Judi não gosta de Amber, e está certa de que esta esconde alguma coisa. A verdade é que Amber também não gosta de Judi, e tudo fará para a afastar do seu caminho.
Uma perigosa obsessão
Tanto Judi como Amber querem Ben e as crianças só para si, e ambas acabam por revelar um comportamento perigosamente obsessivo, que poderá pôr em risco a vida de todos. Incluindo a das crianças.

Sobre a autora: K. L. Slater é uma nova voz do thriller psicológico que em poucos meses viu o seu romance de estreia, A Salvo Comigo, alcançar o topo das tabelas de vendas internacionais.
Também escreve livros de ficção YA, multipremiados, com o nome Kim Slater. Mora em Nottingham, no Reino Unido, com o marido e os três filhos.
Saiba mais sobre a autora em www.klslaterauthor.com.

Imprensa
«Um excelente thriller psicológico, repleto de surpresas.» 
Me Loves Books


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Jeff Abbott - Culpa [Divulgação Porto Editora]


Data de publicação: 20 Setembro 2018

               Título Original: Blame
               Tradução: Dinis Pires
               Preço com IVA: 17,70€ 
               Páginas: 392
               ISBN: 9789720031181

Quem, afinal, sabe toda a verdade?
«Um sério candidato a thriller psicológico do ano» é Culpa, o novo livro de Jeff Abbott
Depois de Beijo Fatal, Queda e A Primeira Regra, a Porto Editora publica o livro Culpa, novo thriller do mestre do suspense contemporâneo Jeff Abbott, que chega às livrarias a 20 de setembro, e por muitos considerado o melhor livro do autor.
O passado assombra a protagonista desta história, Jane Norton, um passado enigmático até para ela própria: há dois anos, um acidente de automóvel vitimou o seu amigo David e deixou-a com amnésia. Agora, Jane é perseguida por alguém que supostamente sabe o que aconteceu e, desesperada, obriga-se a descobrir a verdade para além dos limites da sua memória. Um enredo original e de grande profundidade psicológica, repleto de
mistério e surpresas.
 
Sinopse: Há dois anos, Jane Norton esteve envolvida num acidente de automóvel que vitimou o seu amigo David e a deixou com amnésia. Ao início, todos são compreensivos em relação ao sucedido, mas o aparecimento de um bilhete de suicídio assinado por Jane no local do acidente gera a desconfiança, o ressentimento e o afastamento de todos aqueles que os conheciam.
Para além de continuar a enfrentar a suspeita e a hostilidade da cidade onde vive, o aniversário do acidente traz novos problemas: a campa de David é vandalizada e Jane começa a receber mensagens anónimas através das redes sociais. Alguém com um nome falso diz saber o que verdadeiramente aconteceu na noite fatídica de que ela não se lembra. Jane, desesperada por obter respostas a todas as questões que a atormentam, lança-se numa investigação frenética que pode, mais uma vez, colocá-la perante um destino mortífero.
Com uma escrita ágil, viciante e atual, Jeff Abbott reafirma o seu talento como um dos mestres mundiais do suspense, construindo um thriller cujo enredo original, as surpresas constantes e, acima de tudo, a profundidade psicológica das personagens são marcas de um romance negro de primeira ordem. 


Sobre o autor: Escritor norte-americano, Jeff Abbott é licenciado em História e Inglês pela Universidade de Rice e trabalhou como diretor criativo numa agência de publicidade antes de se dedicar à escrita. Autor de vários livros de suspense e mistério, já esteve nomeado três vezes para o Mystery Writers of America's Edgar Allan Poe Award e duas vezes para o Anthony Award, atribuído pela World Mystery Conference. Atualmente vive em Austin com a mulher e os dois filhos. Obras como Pânico, Medo, Colisão ou Adrenalina tornaram-no famoso em todo o mundo. 

Imprensa
«Para ler de uma assentada e deixar os leitores acordados muito para lá da hora de dormir, Culpa é o romance mais bem conseguido de Jeff Abbott – e um sério candidato a melhor thriller psicológico do ano.»
The Real Book Spy

«Não percam o thriller mais arrepiante de Jeff Abbott – perfeito para os leitores de A Rapariga no Comboio, Em Parte Incerta ou A Mulher do Camarote 10.»
Indiebound


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Camilla Läckberg - A Menina na Floresta [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de publicação: 18 Setembro 2018

               Título Original: Häxan
               Preço com IVA: 24,90€ 
               Páginas: 712
               ISBN: 9789722065672
 
Sinopse: Quando Nea, uma menina de quatro anos, desaparece, a comunidade fica em choque. Trinta anos antes, Stella, também de quatro anos, que vivia com os pais na mesma quinta, desaparecera e viria a ser encontrada morta na floresta que rodeia Fjällbacka. Nessa altura a culpa foi atribuída a duas adolescentes, Marie e Helen, hoje mulheres.
Poderá ser um acaso o desaparecimento de Nea ter coincidido com o regresso a Fjällbacka de Marie, agora uma famosa atriz de cinema,, para interpretar o papel de Ingrid Bergman? Patrik Hedström começa a investigar e, como sempre, conta com a ajuda de Erica, que pretende escrever um livro inspirado na morte da pequena Stella. Mas à medida que vão desfiando os intricados fios da meada, tudo se torna mais confuso. Como se tal não bastasse, têm ainda de lidar com a perturbação que a presença de refugiados sírios causa na pequena comunidade e com as consequências de um fogo posto no centro comunitário que os acolhe.
Uma sucessão de acontecimentos que abala os habitantes da pacata vila, e acabará por levar o nome de Fjällbacka aos quatro cantos do mundo… sem ser pelas melhores razões. 


Sobre a autora: Nascida em 1974, Camilla Läckberg licenciou-se na Universidade de Economia de Gotemburgo antes de se mudar para Estocolmo, onde foi economista durante alguns anos. Um curso de escrita criativa de policiais levou-a a uma mudança drástica de carreira.
Foi considerada a escritora sueca do ano em 2004 e 2005, e os seus quatro primeiros livros atingiram o primeiro lugar no top de vendas da Suécia. Foi a sexta autora mais lida na Europa em 2009, e a partir daí manteve-se nos lugares cimeiros nos tops internacionais. Os seus livros estão publicados em 55 países – incluindo os EUA – onde já vendeu mais de 15 milhões de exemplares.




segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Especial MOTELx 2018: A Filha de Solveig Nordlund

Não conhecia este filme nem a realizadora de nacionalidade sueca que fez alguns trabalhos cinematográficos em Portugal por isso congratulo a equipa do MOTELx por revisitar as suas obras mais conhecidas. Não tive oportunidade de ver aquela que me parece ser a mais afamada, Aparelho Voador a Baixa Altitude que me ficou debaixo de olho. Fica também, em jeito de apelo, uma sugestão de filme para os nossos canais nacionais (seria ideal para ser transmitido pela RTP2).

Confesso que comecei a ver este filme sem grandes informações sobre o mesmo. Apenas sabia que a história se debruça sobre a relação entre um pai e a sua filha, como o título sugere. Ricardo Monteiro, uma personalidade bastante conhecida no meio televisivo, é pai de Leonor, uma jovem de 18 anos. A pressão profissional obriga a que Ricardo se dedique incondicionalmente ao trabalho ao ponto de descuidar a sua relação com a filha. No dia em que este está na Madeira, a receber um prémio, no dia do aniversário de Leonor, este recebe um estranho SMS da filha e, ao chegar a casa, repara que a adolescente, bem como todos os seus pertences, desapareceram.

Tive sentimentos algo contraditórios no que concerne a esta película: na primeira parte senti-me deveras curiosa sobre o desaparecimento de Leonor, à medida que me ia questionando sobre o relacionamento entre este pai e filha. O que não deixa de ser irónico pois actualmente observamos uma tendência dos pais em, naturalmente, se dedicarem em demasiado ao trabalho e secundarizar a família (note-se que este filme remota a 2003).

Sensivelmente a meio do filme há uma reviravolta que não me convenceu de todo embora tivesse feito um profundo exercício de introspecção, pensando nos mecanismos de Psicologia que pudessem justificar aquele twist. Sem grande sucesso, confesso, pois levei o resto do filme a matutar como é que tal situação seria possível. Hoje reconheço que este acontecimento deu um fôlego à história e um rumo inesperado, funcionando como um marco que faz uma transição da história, passando de um registo mais melodramático, para o género de terror propriamente dito.

Não é uma película que se caracterize pelas cenas de violência explícita não obstante ter sentido que esta estava lá, latente, sob a forma psicológica. A segunda parte é marcada por um crescendo de emoções que culminam num acontecimento que achei que seria expectável. Lamento, no entanto, que não tenha havido uma resposta concreta para a questão que, para mim, era a fulcral da trama. 
O filme, a meu ver, não é explícito e todas as ilações que possamos tirar são a partir do poder da sugestão. 

Confesso que nunca fui fã do falecido actor Nuno Melo (para mim, ele será o eterno filho do Camilo), embora este tenha uma actuação bastante convincente neste trabalho como o pai desesperado em busca da filha. No entanto, aponto o papel da Joana Bárcia como impressionante. Desconhecia esta actriz e fiquei abismada com o seu papel.

Ainda que não tenha apreciado a reviravolta da trama - o único caminho possível para direccionar o rumo da história e esse sim, agradou-me muito - creio que vale a pena dar uma oportunidade nem que seja para apreciar um filme português, com uma temática bastante actual.

Especial MOTELx 2018: The Cleaning Lady de Jon Knautz


Que surpresa este filme!
Catalogado no festival como terror extra forte, é consensual afirmar que é, de facto, um filme que não deixa ninguém indiferente. Não falo especificamente do gore (ainda que comece com uma estranha cena de ratos num liquidificador - isto há cá com cada smoothie...) pois nem achei excessivo, mas pela carga sentimental que a história acarreta. Pessoalmente não esperava que me tocasse tanto ainda que reconheça que The Cleaning Lady não é, de todo, uma trama original. A meu ver tem uns laivos de Mientras Duermes, The Resident e White Single Female por se debruçar sobre o tema da obsessão e relações tóxicas.

Diria que a protagonista, Alice, é uma mulher independente se não fosse um aspecto: apesar de trabalhar por conta própria e ser bem sucedida a nível profissional, ela tem um caso com um homem casado. A sua consciência diz-lhe que deve deixá-lo pelo que a personagem procura manter-se ocupada com as banalidades do dia-a-dia. É neste plano de maior carência afectiva que começa a relacionar-se com a empregada doméstica, Shelly, uma mulher com uma deformidade física e de parcas palavras.

Não deixo de salientar a deformidade física da vilã que, obviamente, nos remete para clássicos como O Fantasma da Ópera ou o Freddy Krueger da saga Nightmare on Elm Street. Há algum tempo que não tínhamos uma antagonista que se destacava por alguma particularidade física, deitando por terra, neste específico caso, que o mal pode residir perto de nós sem que o percebamos.

A extensiva caracterização de Shelly, através de flashbacks, ajudam a construir a complexa personalidade que ela se tornou e, inevitavelmente, o telespectador é convidado a reflectir sobre a correlação entre uma infância feliz e uma saúde mental normal. Este desenvolvimento complexo poderá, eventualmente, ter como função a desresponsabilização dos seus actos em resposta ao sentimento de compaixão que nos vai apoderando de nós. 

Só lamento o desfecho. Pareceu-me bastante abrupto e não fechou a situação da forma como pessoalmente teria esperado. O filme carecia de mais uns minutos para resolver devidamente a situação criada por Shelley e, a meu ver, desta forma, teria tornado a história ainda mais sólida.

Não esperem um filme original, não obstante considerá-lo extremamente poderoso e intenso. Curioso que um filme que tenha passado mais despercebido no festival do que o da sessão de abertura, The Nun, seja bastante superior e tenha uma maior solidez a nível de história.
A Shelly ficar-me-á na retina por muito tempo. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Especial MOTELx 2018: The Nun de Corin Hardy

Desde que fui ver a estreia de The Nun, no dia 4 de Setembro na sessão de abertura da 12ª edição do MOTELx, muitas pessoas me têm questionado sobre o filme. Uma vez que assinei uma declaração de confidencialidade em que consistia em omitir qualquer opinião sobre o filme até ao dia da sua estreia mundial, não pude expressar-me devidamente sobre a película. Ontem, após ler um artigo de opinião do NiT, achei que também eu devia tecer algumas considerações sobre o filme, uma vez que, confrontada com a pergunta se tinha gostado do filme, fui parca em palavras.

Assim, gostaria de aprofundar as razões pelas quais não considerei este filme tão espectacular como todo o marketing o sugeria. 

Primeiro, escrevo sob a perspectiva de uma amante do género de terror, não obstante preferir os filmes que alicerçam sobre serial killers e mentes psicopatas. Decerto que o sobrenatural impõe respeito: é algo que não conseguimos controlar e é aí que recai o factor medo. No entanto, creio que a ideia do psicopata é muito mais real e comum, daí recear as tramas com esta temática. Sublinho que esta percepção é muito pessoal e, portanto, para mim James Wan é a saga do Saw (embora tenha consciência que esta perca qualidade de filme para filme). 
Nos últimos dias, revi o primeiro The Conjuring e vi o segundo e os spin-off Annabelle, sem ter ficado realmente rendida com os filmes, talvez pela razão que mencionei.

The Nun - A Freira Maldita é considerada uma prequela do universo The Conjuring por ocorrer 20 anos antes dos eventos do filme de James Wan. A acção passa-se numa abadia situada num local recôndito da Roménia, onde ocorrem fenómenos bizarros. Agora que reflicto sobre o filme, creio que a cena com mais impacto foi precisamente a inicial, em que retrata o episódio responsável pela investigação levada a cabo por um padre do Vaticano - Father Burke - e por uma noviça oriunda de Londres - Sister Irene. Ambos serão auxiliados por um local, apelidado por Frenchie. No meu ver, esta personagem era perfeitamente dispensável (embora no final do filme se perceba uma correlação entre esta e o casal Warren protagonista do The Conjuring) uma vez que as suas intervenções têm quase sempre um carácter cómico, distraindo a tensão do filme. Dei por mim, assim como a restante plateia, rir a bandeiras despregadas, o que não é nada comum em filmes de terror.
Logo, The Nun não foi altamente assustador devido às tiradas de Frenchie. Os únicos momentos que eventualmente poderiam assustar levam-me a fazer uma crítica, desta feita transversal, aos filmes de terror actuais: o aumento de volume, abrupto, nas cenas designadas jumpscares

Terá sido uma percepção minha certamente, mas achei a freira mais tenebrosa no The Conjuring do que no presente filme. Creio que a imagem dela não terá sido devidamente trabalhada pois, às páginas tantas, já pensava para mim que a freira era chata e impertinente, adjectivos que não significam necessariamente que ela fosse assustadora. A sua imagem acabou, de certa forma, por me cansar no decorrer da película.

Sendo um filme dedicado à figura mítica da freira, seria expectável que houvesse um desenvolvimento plausível sobre esta origem do mal. Contudo, esta mostrou-se francamente subdesenvolvida o que me remete, à semelhança de Annabelle, para um segundo filme que se debruce sobre a origem da protagonista.

Por último, considerei que a fotografia do filme era muito escura. Tive dificuldades, em vários momentos, em distinguir os vultos das personagens. A escuridão não é obrigatoriamente um elemento assustador.

Sei que levantei aqui muitas críticas a este filme. Como poderão perceber, esperava muito mais do mesmo, não fosse este uma história do imaginário de James Wan. O filme vale pelo desempenho de Taissa Farmiga que já mostrara um talento na área do terror na primeira temporada de American Horror Story e pelo início intenso para, posteriormente, perder o fôlego. Considerei que a história foi demasiado linear e sem surpresas e pessoalmente, senti falta de um twist ou uma reviravolta que me arrebatasse.
Na minha modesta opinião, a selecção deste ano do festival MOTELx apresenta títulos bem mais estimulantes do que esta freira.

Susi Fox - Meu [Divulgação Bertrand]

 

Data de publicação: 7 Setembro 2018

               Título Original: Mine
               Tradução: Sofia Gomes
               Preço com IVA: 17,70€ 
               Páginas: 296
               ISBN: 9789722535410

O lado angustiante da maternidade, a ansiedade sobre o nascimento de um bebé e o medo generalizado pelos hospitais e os seus procedimentos é explorado em «Meu», o romance de estreia de Susi Fox, que resultou de um sonho particularmente assombroso por parte da autora, como a mesma confessou em entrevista. 

A troca de bebés é um dos maiores pesadelos que qualquer mãe pode viver e neste thriller desconcertante é colocada em causa a racionalidade da protagonista. Mas… às vezes os erros acontecem.
 
Inquietação. Desconfiança. Medo. Desacreditação. Todas estas palavras têm lugar neste romance em que Sasha – que poderia ser uma qualquer mãe real – é internada na enfermaria psiquiátrica quando põe em causa que o bebé recém-nascido não é o seu, sendo-lhe diagosticada depressão pós-parto.

«Meu» é também um livro que aborda o sexismo na prática médica.

Sinopse: Sasha vê-se obrigada a um parto prematuro, por cesariana.
Mas quando o bebé nasce, ela diz que não é seu. Todos interpretam aquilo como um caso grave de depressão pós-parto, mas a situação piora. Sasha torna-se amiga de Brigitte e fica horrorizada ao descobrir que o filho dela é de facto o seu. O bebé acaba por morrer de uma infeção e Sasha dá tudo por tudo para ficar com o seu «filho» Toby.

Sobre a autora: Susi Fox é médica e escritora. Meu é o seu primeiro livro.