terça-feira, 30 de julho de 2019

JP Delaney - Acredita em Mim [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O segundo livro de JP Delaney, autor da obra A Rapariga de Antes assenta sobre uma situação insólita: a protagonista, Claire Wright, tem como actividade profissional seduzir homens com a finalidade de desmascarar situações de infidelidade, o que, a meu ver, é deveras inverossímil. Parti, portanto, pouco convencida para esta leitura não obstante ter apreciado a forma como a história começa, logo com um brutal homicídio em circunstâncias duvidosas, tendo captado de imediato a minha atenção.
A vítima é Stella Fogler, esposa do aparente fidelíssimo Patrick Fogler que, por não se deixar seduzir por Claire, o vi como uma das suas "missões falhadas".

Apesar da profissão de Claire não me ter convencido, fiquei irremediavelmente intrigada com a autoria do crime. Senti-me céptica pois ao longo da leitura não conseguia atribuir a culpa a nenhum dos protagonistas. Tanto Patrick como Claire são personagens não confiáveis e, apesar da complexidade da personagem feminina e da aparente falta de moral que ela apresenta na sua actividade profissional, questionava-me se seria capaz de cometer um homicídio. 

Por estar tão curiosa com os contornos deste crime, considerei Acredita em Mim como uma obra de leitura ávida, percepção que atribuo também à estrutura da história, organizada em capítulos curtos, muitos deles sob a forma de diálogos intensos, o que, a meu ver, agilizou a trama.

A história é enriquecida pelos trechos da obra do controverso poeta Baudelaire. Assumo que sou imberbe no que concerne aos trabalhos deste, mas não pude deixar de me sentir atraída pelos excertos e, a partir dos mesmos, tecer algumas teorias para o desenvolvimento da história pois fazem um paralelismo, ainda que metafórico, entre a acção e os poemas.

Gostei da forma como a acção se desenvolve, alicerçada pelas ilusões e revelações em catadupa, tendo-me surpreendido por diversas vezes. Considero que esta falta de discernimento em averiguar os factos reais dos fictícios é o que mais impressiona nesta história.

À semelhança do livro antecessor, Acredita em Mim apresenta uma forte conotação sexual, o que, a meu ver, confere um toque ousado e invulgar à narrativa. 

Em suma, esta é uma história que, embora se alicerce numa situação altamente improvável, se desenvolve sobre enganos. Com contornos sensuais, é uma trama que alicia, vicia e surpreende o leitor.


Alex North - O Homem dos Sussurros [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Estava deveras expectante com este lançamento uma vez que o título em apreço está extremamente bem cotado no Goodreads.

Apesar de ser um thriller bem construído e multidimensional que prende, logo nas primeiras páginas, sinto necessidade em fazer uma ressalva relativamente ao género da obra pois, na realidade, categorizá-la como thriller parece-me um pouco redutor: estamos perante um livro de elevada carga dramática e com uns laivos de sobrenatural.

Aponto como um dos elementos mais bem conseguidos da história, uma redefinição do papão, a entidade que assusta as crianças associando-lhe uma catchphrase verdadeiramente arrepiante: "Se deixares a porta entreaberta, ouvirás os sussurros na certa", E, de facto, reconheço que inúmeras passagens são dignas de filmes de terror, tendo-me deixado um pouco apreensiva.

Contudo, não é de terror que vive a obra. Esta trata, inicialmente, de um rapto de uma criança e, à medida que a investigação prossegue, vão sendo encontradas algumas semelhanças entre este caso e um que ocorreu há 20 anos. Há um senão: este serial killer está preso, deixando-me na dúvida se estaríamos perante um discípulo ou apenas um copycat que admira o modus operandi de Frank Carter.

O outro elemento de destaque na trama é, sem dúvida, o pequeno Jake. Ele e o seu pai, Tom, mudaram-se recentemente para a cidade onde ocorre a acção após o falecimento da mãe.
Senti uma afinidade desmesurada pela criança, percepção que talvez atribua ao facto de ser órfão ou pela sensibilidade que vai demonstrando, muito incomum se tivermos em conta a sua tenra idade, fruto talvez da morte precoce da mãe.
Ainda que aprecie o sobredesenvolvimento das personagens, creio que este é um dos factores que explica o ritmo moroso da narrativa. O pai, Tom, tece inúmeras considerações sobre os desafios da paternidade, convidando-nos a um exercício de reflexão sobre esta na condição de viuvez e Pete, o polícia destacado na investigação, também tem fantasmas no passado. Creio que sobre esta caracterização expansiva das personagens possa eventualmente assentar uma continuação ou uma série protagonizada por estas personagens (irei atentar os trabalhos futuros do autor, sem dúvida).

Num momento avançado da leitura, considerei que a trama perdeu o fulgor embora me sentisse intrigada com a identidade do perpetrador, contudo, no que concerne a este elemento, não me senti surpreendida, factor que dever-se-á ao reduzido número de personagens. Considerei, portanto, relativamente fácil deslindar a identidade do antagonista.

Finda a leitura, e no seu cômputo, ainda que identifique alguns pontos menos positivos como os que acabei de mencionar, o ambiente tenso e sombrio da narrativa foi flagrante para que tenha apreciado esta obra.
Além disso, ter uma criança tão especial como o Jake como protagonista fará com que a obra não me saia da retina durante muito tempo.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Yrsa Sigurdardóttir - Abismo [Divulgação Quetzal]


Data de publicação: 2 Agosto 2019

               Título Original: Sogið
               Tradução: José Vieira Lima
               Preço com IVA: 18,80€
               Páginas: 448
               ISBN: 9789897224560

Agosto é sinónimo de Yrsa Sigurdardóttir. O novo policial da rainha do suspense islandês chega às livrarias nacionais a 2 de agosto, com tradução de José Vieira Lima.
Abismo é o segundo volume da série DNA, iniciada no ano passado com O Legado, que consagrou a dupla formada pelo detetive Huldar e a psicóloga infantil Freyja.
Um regresso que impressionou críticos e leitores e logo atingiu o primeiro lugar de vendas na Islândia

Sinopse: Abismo conta a história do aparecimento de uma cápsula do tempo, doze anos após a violação e o assassínio de uma rapariga em Hafnarfjördur. Dentro da cápsula são encontradas cartas escritas por crianças que, em idade escolar, imaginam como será a Islândia em 2016, e o que acontecerá nesse ano.
Mas, no meio delas, é encontrada uma mensagem anónima, com uma lista de iniciais das pessoas que virão a ser assassinadas no mesmo ano.
Só quando partes de corpos recentemente decepados começam a ser descobertas nos sítios mais insólitos é que surge a hipótese de que estas possam estar relacionadas com os nomes da lista e com um crime antigo a que se seguiu outro crime – um processo corrupto.

Sobre a autora: Yrsa Sigurdardóttir vive com a família em Reiquejavique. É diretora de uma das maiores empresas de engenharia da Islândia. Os seus livros estão nos topos das listas de bestsellers em todo o Mundo. Muitos deles estão a ser adaptados ao cinema e à televisão.

Imprensa
«Uma história muito bem escrita. Uma intriga excitante, com grandes volte-faces.»
Fréttabladid (Islândia)

«Yrsa no seu melhor.»
Morgunbladid (Islândia)

«Este  romance  vai  gelar-lhe  o  sangue,  da  primeira  à  última  página.  Uma  vez  que se tenha  começado  [a  ler],  será  impossível largá-lo.»
Le Parisien (França)

«Com este romance, que vicia e arrepia, e que tem uma intriga surpreendente, Yrsa Sigurdardóttir confirma o seu estatuto de rainha da ficção policial islandesa.»
La Gazette (França)


quinta-feira, 18 de julho de 2019

Martin Amis - O Comboio da Noite [Divulgação Quetzal]


Data de publicação: 19 Julho 2019

               Título Original: Night Train
               Tradução: Telma Costa
               Preço com IVA: 16,60€
               Páginas: 160
               ISBN: 9789897225529

Mesmo a tempo das férias de verão, a Quetzal publica O Comboio da Noite, de Martin Amis. Traduzido por Telma Costa, este thriller de 1997 tem como protagonista Mike
Hoolihan, uma mulher polícia de uma cidade americana, que investiga a morte de Jennifer Rockwell, a bonita e jovem filha do seu antigo chefe, Tom Rockwell. 

Uma arrebatadora história em que nada é o que parece, que chega na sexta-feira, 19 de julho, às livrarias.

Sinopse: Mike conhecera Jennifer Rockwell: era muito bela, inteligente, uma criatura extraordinariamente adorada por toda a comunidade. Encontrá-la com um tiro na cabeça foi um choque tremendo, e maior ainda foi a perplexidade quando todos os indícios apontaram para o suicídio. Tom Rockwell não iria descansar enquanto não encontrasse uma explicação satisfatória. Porém, à medida que Mike vai investigando, a possibilidade de encontrar uma motivação linear vai-se tornando cada vez mais remota, e a verdade por trás daquela morte voluntária é cada vez mais perturbadora.

Sobre o autor: Martin Amis é um dos autores de língua inglesa mais importantes e controversos da atualidade. Nasceu no País de Gales e é filho do escritor Kingsley Amis.
A  matéria-prima  dos  seus  romances  radica  no  absurdo  da  condição  pós-moderna  e nos  excessos do capitalismo tardio das sociedades ocidentais; e o seu inconfundível estilo é compulsivo e terrivelmente vívido.
Saul Bellow, Vladimir Nabokov e James Joyce são  as suas grandes referências literárias. Por seu turno, influenciou uma nova geração de romancistas, como Will Self ou Zadie Smith.


Imprensa
«Amis retoma um curioso paradoxo da vida contemporânea: quanto mais sabemos, mais nos sentimos aprisionados nas nossas vidas.»
London Review of Books


«O Comboio da Noite é, no seu âmago, um trabalho de sombrio romantismo. Jennifer Rockwell, alma do Mundo, já não consegue  contemplar  o  Mundo.  Mike,  o  sal  da  Terra, acaba  por  entender  porquê.  Como  é  que  ela  lidará  com  esta  informação?
A morte é o derradeiro brutamontes na obra de Martin Amis.»
The New York Times 


«Pela primeira vez [Martin Amis] criou heroínas que se definem não pela roupa interior ou pelo tamanho do peito, mas pelo seu trabalho, relações e desapontamentos humanos.»
The Guardian



Christoffer Petersen - Um Inverno Sete Sepulturas [Divulgação Quetzal]


Data de publicação: 19 Julho 2019

               Título Original: Seven Graves One Winter
               Tradução: Vasco Teles Menezes
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 288
               ISBN: 9789897225789

A maior e mais glaciar ilha do mundo tem apenas 56 mil habitantes, poucas vias de comunicação e é o cenário ideal para os crimes policiais nórdicos. Assim acredita o escritor que dá pelo pseudónimo de Christoffer Petersen, que se mudou durante sete anos para a Gronelândia, e se estreia agora em Portugal com o livro Um Inverno, Sete Sepulturas, o romance que nos introduz ao agente David Maratse enquanto personagem principal de uma série destas histórias. Afinal, como diz Chistoffer Petersen, «quando a noite do Ártico dura  quatro meses, o crime não conhece a sombra»

Sinopse: Na remota comunidade de Inussuk, no final de cada verão, são cavadas sete sepulturas antes que o solo congele. À medida que o inverno se aproxima, a questão que se coloca é se serão em número suficiente.
Neste primeiro livro, David Maratse, prematuramente reformado, pretende levar uma vida calma, enquanto caça, pesca e observa as baleias e os icebergs no fiorde.
Mas quando, durante a pesca, encontra o corpo da filha desaparecida da primeira-ministra Nivi Winther, torna-se o principal suspeito e, em simultâneo, o investigador do homicídio mais célebre da Gronelândia.


Sobre o autor: Christoffer Petersen é o pseudónimo de um autor que vive no sul da Dinamarca. Chris cresceu a ler as histórias de Jack London e a devorar qualquer livro que tivesse o Ártico e trenós de cães. Em 2006, convenceu a mulher, dinamarquesa, a mudarem-se para a Gronelândia.  Chris  deu  aulas  e  começou  a  escrever  histórias ambientadas  nessas  paragens remotas. Ao todo passou sete anos nesta região do Ártico, a aprender tudo sobre a cultura gronelandesa, que considera uma das mais interessantes do Mundo.


quarta-feira, 17 de julho de 2019

Especial MOTELx 2019: O Boneco Diabólico de Lars Klevberg


A sessão de apresentação da 13ª edição do Festival de Cinema de Terror de Lisboa, MOTELx, contou com a exibição do remake do filme homónimo de 1988. O mesmo estreará nos cinemas nacionais amanhã, dia 18 de Julho.

Apesar de não ser propriamente fã de filmes de terror protagonizados por bonecos, confesso que simpatizo com o Chucky, razão que dever-se-á ao facto de ser grande fã de cinema de terror dos anos 80. Além disso, recordo-me de ver este filme no início da década de 90, na altura sendo eu ainda uma criança, fiquei algo apreensiva com o boneco. Por estes motivos e para mim, Chucky tornou-se um símbolo icónico, daí estar extremamente expectante com este remake.

Este Child´s Play é um filme que segue as tendências actuais da sociedade, nomeadamente o novo paradigma de família, neste caso monoparental com uma situação cliché - a não aceitação do namorado da mãe pelo filho, Andy. Também Chucky já não é o convencional boneco de brinquedo, é um equipamento tecnológico, com aplicações fazendo-me inevitavelmente reflectir sobre a constante evolução da tecnologia, explorando, portanto, o lado mais perverso deste fenómeno.

Ao contrário do filme original em que sabíamos que o boneco estava possuído pela alma do serial killer, Charles Lee Ray, dando a sensação que Chucky era, de facto, muito perigoso, no remake, a origem do mal deve-se unicamente à incapacidade de discernir o bem e o mal. Por este motivo, o espectador dá por si a tentar desculpabilizar a conduta do vilão, uma percepção quase antagónica se fizer o exercício de comparar ambos os filmes.

Este é claramente um filme que não deve ser levado a sério. Foram mais os momentos em que soltei umas valentes e genuínas gargalhadas do que me assustei, e esse será sempre o grande propósito de um filme do género de terror. Tal dever-se-á maioritariamente às tiradas de Chucky, mostrando que, tal como Brad Douriff, actor que deu a voz ao boneco nos vários filmes do franchise, Mark Hamill mostra ter um igual talento. A título de curiosidade, devo mencionar que o slogan dos bonecos Buddi cantada pelo actor é simplesmente hilariante!

Ainda que o humor tenha um papel preponderante na película, não nos esqueçamos que este é um filme de terror e, como tal, tenho que tecer algumas considerações sobre os homicídios. Considerei que os mesmos foram violentos e bastante gore, ainda que não comprometam a leveza que o filme transmite.

Em suma, recomendo este filme aos que pretendem ver uma nova versão de Chucky. Apesar de ser um filme extremamente actual, tem uma vibe muito revivalista, o que muito me agradou. Divertida, esta abordagem ao Child´s Play garante 1h30 de entretenimento ao mais alto nível.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Lina Bengtsdotter - Annabelle: Os Crimes de Gullspång [Divulgação Planeta]


Data de publicação: 16 Julho 2019

               Título Original: Annabelle
               Tradução: Jorge Pereirinha Pires
               Preço com IVA: 18,85€
               Páginas: 328
               ISBN: 9789897772221

Chega a Portugal Annabelle, da sueca Lina Bengtsdotter, o romance mais vendido em 2017 na Suécia, ambientado em Gullspång, a cidade natal da autora.

Sinopse: Charlie Lager é detective em Estocolmo quando chega um pedido de ajuda para investigar uma adolescente desaparecida em Gullspång. O problema é que ela é dessa localidade, de onde saiu aos catorze anos e não quer regressar.
À medida que tenta descobrir quem era Annabelle e o que lhe aconteceu, acabará por fazer descobertas surpreendentes sobre o seu passado, um caso que tomará proporções drásticas e que levará Charlie ao limite. A filha de Nora, Annabelle, desapareceu, vista pela última vez a caminho de casa após uma festa.
A inexperiente polícia de Gullspång está sob a mira da imprensa nacional e os moradores desesperados por respostas.
A detective Charlie Lager é persuadida a voltar à aldeia natal para encontrar Annabelle. Lugar a que jurara nunca mais voltar. Quer encontrar Annabelle, mas também quer sair de lá o mais rapidamente possível. Antes que descubram a verdade sobre o seu passado.


Sobre a autora: Lina Bengtsdotter cresceu em Gullspång e, após viver em Inglaterra e Itália, fixou-se em Estocolmo, onde vive com o marido e os filhos.
É professora de Sueco e de Psicologia e publicou artigos na imprensa.


Imprensa
«A nova sensação do policial sueco» 
Dagbladet

Lars Kepler - Lazarus [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: A minha primeira impressão sobre este título, mal me apercebi que iria ser publicado em Portugal, foi atentar que o nome, Lazarus, tem uma conotação bíblica. Lázaro foi a primeira pessoa ressuscitada por Jesus Cristo. 
Assim sendo, esperava, de certa forma, que a força motriz da narrativa estivesse relacionada, porventura, com algum vilão dos livros antecessores, relembrando que este título é o sétimo da série protagonizada pelo carismático Joona Linna.

Confesso que, uma vez que acompanho atentamente esta série e leio-a à medida que os títulos são publicados, acabei por não ter presente muitos pormenores sobre este "Lázaro". Lembrava-me vagamente dos contornos dos crimes perpetrados por este vilão bem como alguns traços da sua personalidade atroz, factores que, de certa forma, me instigaram a uma releitura da série, um dia mais tarde afim de relembrar todos os pormenores sórdidos.

À semelhança de livros antecessores, o autor preocupa-se com o nível de detalhe, o que, para mim, torna a acção mais palpável, justificando o avolumado número de páginas da obra em apreço.
Apesar de reconhecer que são inúmeras as passagens de descrições exaustivas, não perdi o interesse nesta história de contornos muito peculiares, afinal de contas Joona Linna está atrás de um vilão que, ao que tudo indica, já terá morrido. Por vezes senti que esta caça ao homem poderia ser encurtada, mas compreendo que Kepler queira ter ido mais longe e caracterizar este vilão como um dos mais impressionantes da literatura policial.

Devo referir que, por duas vezes, as passagens de cariz mais perturbador, deixaram-me tão desconfortável ao ponto de sentir necessidade de interromper a leitura para fazer uma actividade que me desanuviasse. 

Apesar de ser uma trama com um clima genuinamente tenso, repleto de cenas arrepiantes e incómodas, não considerei que fosse uma narrativa de violência gratuita. É certo que os homicídios são mórbidos e é preciso ter estômago para ler os detalhes dos vários crimes assim como os contextos de algumas novas personagens, contudo, achei inteligente a forma como o autor alicerçou alguns aspectos na mitologia grega. 

Continuo a ser fã de Joona Linna e, em variadas ocasiões, temi por ele e pelas personagens directamente ligadas ao inspector da polícia. Ainda assim, senti-me destroçada com os destinos trágicos de algumas personagens secundárias com as quais sentia empatia. 

Quanto ao final é, uma vez mais, deixado em aberto para que a saga possa prosseguir, o que me deixa um pouco ansiosa pela publicação do próximo livro. Infelizmente, deve tardar pois, pelo que pude apurar, este título foi o último a ser lançado lá fora.

Em suma, tenho para mim que os fãs do autor não ficarão decepcionados com este Lazarus. Vale pela reunião com um dos mais perturbadores homicidas da série e as sensações despertadas por este encontro. 
Lars Kepler é, indubitavelmente, um dos meus autores de eleição!


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Simone St. James - O Fantasma de Maddy Clare [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 8 Julho 2019

               Título Original: The Haunting of Maddy Clare
               Tradução: 
               Preço com IVA: 17,69€ 
               Páginas: 320
               ISBN: 9789896685256

Sinopse: Londres, 1922
Sarah Piper é uma jovem solitária que vê a sua vida mudar quando uma agência de trabalho temporário a contrata para ajudar Alistair Gellis, um caçador de fantasmas. Alistair é um veterano da Primeira Guerra Mundial, rico, atraente e com uma grande obsessão pelo sobrenatural. Foi convocado para investigar e expulsar o fantasma de Maddy Clare, uma criada de 19 anos que assombra o estábulo onde alegadamente se suicidou.

Como Maddy se recusa a interagir com homens, caberá a Sarah a difícil tarefa de a enfrentar. Para isso, contará com o apoio de Alistair e do seu enigmático assistente, Matthew Ryder. Em pouco tempo, os três veem-se perante uma missão perigosa, pois o fantasma de Maddy é real, está zangado e tem poderes que desafiam toda a razão.
Conseguirão eles descobrir quem era Maddy, de onde veio e o que estará a impulsionar o seu desejo de vingança, antes que ela os destrua a todos?

Sobre a autora: Simone St. James é uma escritora canadiana, vencedora de dois prémios RITA e ainda o prémio Arthur Ellis para escrita de policiais. 
Antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro, trabalhou 20 anos em televisão. Vive nos arredores de Toronto com o marido e um gato mimado, que adotou. É viciada em sushi, romances góticos dos anos setenta, dias de chuva, café e na série Sherlock, da BBC.

Imprensa
«Um romance com uma atmosfera fantasmagórica e um cenário pós Primeira Guerra Mundial muito bem desenvolvidos. St. James é uma autora a ter debaixo de olho.»
RT Book Reviews

Malin Persson Giolito - Areias Movediças [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: A estreia da série baseada no livro homónimo no catálogo da Netflix foi determinante para que iniciasse a leitura desta obra que já habitava nas minhas estantes há cerca de um ano, quando foi publicada. Na altura, este título despertou-me muito interesse pois pensei que fosse uma abordagem aos massacres nas escolas, um tema que me impressiona muito.

Trata-se de um invulgar thriller que poderia muito bem ser catalogado como jurídico. Contudo, ainda que se passe maioritariamente entre julgamentos de uma jovem, Maja, acusada de ter morto o namorado, a amiga, alguns colegas e um professor, a história assume contornos ainda mais profundos, dando-me a sensação que estamos perante um poderoso thriller psicológico.

O que mais me agradou na história foi, sem dúvida, a minha percepção sobre a protagonista que mudou de forma drástica, atribuindo, evidentemente, esta sensação à profundidade dos acontecimentos descritos.
A minha primeira impressão sobre Maja situava-se algures entre a incredulidade e a incompreensão pelo que não gostei imediatamente da protagonista. Contudo, à medida que a trama se desenvolve, a autora recorre a flahsbacks para relatar alguns factos do passado de Maja e a pouco e pouco, as peças do puzzle começam a fazer sentido e os sentimentos que se instalaram nas primeiras páginas, modificaram-se.
É, portanto, uma obra com um grande enfoque na componente psicológica, apesar de, como referi anteriormente, me ter parecido um thriller jurídico. 

Confesso que a obra demorou a conquistar-me. Escrito num ritmo moroso e, por conseguinte, tendo levado algum tempo a cativar-me, este título prima pelo desconforto e inquietação que transmite. Por mim falo que me senti constantemente inquieta e questionava-me em que circunstâncias Maja teria morto o namorado e amiga, dúvidas estas que vão sendo respondidas através de pequenas pistas na interacção de Maja com o namorado, Sebastian, a amiga, Amanda e restante comunidade escolar.

Apesar da autora se debruçar sobre o quotidiano da juventude que, eventualmente, poderia ser um aspecto com o qual já não me identifico tanto, confesso que não me senti descontextualizada, antes pelo contrário, estava cada vez mais surpreendida com o crescendo de relações abusivas de Maja. Creio que a abordagem do tema de relações disfuncionais está bastante credível e, pessoalmente, deixou-me muito incomodada. Acredito que informação como a que está relatada na trama, ainda que esta seja ficcionada, possa servir de alerta aos jovens que sofrem subjugados a comportamentos de manipulação.
A narrativa é complementada com o trato de outros temas como, por exemplo, um bastante actual, a emigração crescente e consequente fenómeno de xenofobia. Consubstancia-se, portanto, como um livro propenso à reflexão sobre questões sociais na Europa.

Em suma, ainda que estejamos perante uma trama arrastada, Areias Movediças é um livro interessante na medida em que aborda uma série de temas sobre os quais devemos estar alerta. Fica, portanto, a vontade em ver a série e estabelecer um paralelismo entre a obra e sua adaptação. Estou curiosa!