terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Retrospectiva de 2019 [Livros]

Comecei 2019 com uma meta de 75 livros, tendo lido apenas 53. 
Nos últimos dois anos, tenho abraçado desafios novos no trabalho, dedicando-me mais ao mesmo e, por conseguinte, o ritmo de leituras tem vindo a descer significativamente. Honestamente, nos últimos meses senti-me tão cansada que passaram semanas sem que lesse uma página, imagine-se! Nessa altura notei que o desinteresse pela leitura pareceu ter alastrado também à compra de livros, durante algumas semanas não estive a par das novidades que saíram e mal actualizei o blogue. Todos os anos, desde que me lembre, sou uma entusiasta com as eleições para os melhores livros no Goodreads (voto apenas nas categorias de terror e thriller). Este ano falhei redondamente com esse dever eleitoral de livrólica. 
Desafiei-me a ler 12 livros de um autor que tanto admiro, Stephen King, contudo mal começou o ano lectivo corrente, tive consciência de que não iria conseguir. Ainda assim, acho que vou continuar a ler um livro deste autor por mês.


Em 2020 pretendo, claro, reverter esta tendência e disciplinar-me mais no que concerne aos meus hábitos de leitura bem como as actualizações do blogue. Afinal de contas, é neste ano que comemoro 10 anos de opiniões e partilhas literárias!
Baixei a minha fasquia para os 60 livros e estou esperançosa de conseguir pois outrora li muito mais mas ao mesmo tempo tenho consciência dos meus limites e tenho que ser mais moderada com os meus objectivos de leitura. 

Para terminar 2019, quero destacar os títulos que mais me marcaram:


Segundo me apercebi, avaliei estes cinco livros com 5 estrelas no Goodreads. As razões prendem-se sobretudo com o ritmo de leitura galopante ou uma história que me deixou deslumbrada. Ressalvo que o último livro, Uma Família Quase Normal, vai ser publicado em breve e merece ser atentado pelas razões que mencionei na minha recensão crítica. Aliás, todas as obras acima mencionadas têm opinião aqui no blogue.

Mais uma vez quero agradecer-vos por estarem aí desse lado! Até 2020! 

Retrospectiva 2019 [Filmes]

Como sabem, sou fascinada pelo género de terror. Este ano, como é habitual, vi uns quantos filmes e também eu quero deixar a minha lista dos best-of 2019.

As maiores surpresas:




As minhas desilusões:
  • It - Chapter 2 (achei-o muito repetitivo e similar ao primeiro filme. Não creio que tenha evoluído)
  • The Curse of La Llorona (a lenda poderia ter sido mais bem explorada e o filme resume-se a uma sucessão desconexa de jump scares)
  • Suspiria (o remake do clássico de Dario Argento ficou muito aquém das minhas expectativas)
E vocês? São fãs do género? Viram algum bom filme que me queiram recomendar? Que este ano de 2020 seja repleto de bom cinema de terror!

sábado, 28 de dezembro de 2019

Mattias Edvardsson - Uma Família Quase Normal [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Como ter-se-ão certamente apercebido, grande parte dos meus livros preferidos são oriundos da Escandinávia e tenho frequentemente constatado que existe um denominador comum entre todos eles: o crime e posterior investigação. Contudo, este título que será lançado já em Janeiro pela editora Suma de Letras afigura-se como extremamente original.
Mais do que um thriller psicológico, este título é, acima de tudo, um poderoso drama familiar.
Já sabem que me encontro numa fase de algum desinteresse pelos livros e, por conseguinte, parca em leituras mas devo dizer que li esta obra praticamente toda hoje e não consigo parar de pensar na história desde que terminei. Vou já explicar-vos, sem desvendar nada sobre a trama, para que percebam este meu entusiasmo.

Uma Família Quase Normal relata a história da família Sandall. Adam, o pai, é pastor numa igreja em Lund. É casado com Ulrika e têm uma filha, Stella, que é acusada de homicídio, abalando desta maneira, toda a estrutura familiar.

O que mais me agradou, numa primeira análise, foi a forma como o autor me embrenhou na narrativa. Rapidamente tive uma sensação de estar em Lund, e acompanhar a história da família Sandall. A obra é estruturada em três partes, sob três pontos de vista: o pai, a filha e a mãe. 

A subtrama principal alicerça-se na possibilidade de Stella ter cometido um homicídio, contudo, a mesma vai alternando com flashbacks do passado nos quais o pai relata alguns episódios do quotidiano ou divergências fortuitas com a filha adolescente, fazendo-nos analisar o que seria a sua família até então.
Na qualidade de pastor da igreja protestante, a referida personagem do pai tece algumas introspecções de cariz religioso com as quais confesso não me identificar mas tenho para mim que estas se revestiram de alguma importância para dar um cunho mais pessoal à personagem de Adam. A angústia, assim como a vontade de ajudar a filha, ainda que para isso ele tenha que mentir, contradizendo os seus princípios e preceitos religiosos, acabam por consubstanciar sentimentos palpáveis para o leitor. 

Após muito interesse em ler a perspectiva do pai, é a vez da filha, a qual, numa linguagem e registo muito diferentes das do progenitor, intensifica a caracterização da personagem mais jovem e, por conseguinte, mais rebelde e sem filtros. A mesma história é relatada sob o ponto de vista da adolescente, aludindo a certos pormenores que me fizeram sentir deveras desconfortável. Embora não seja inteiramente explícita, a trama aborda situações intensas que certamente não deixarão os leitores indiferentes. 

A terceira e última parte é narrada pela mãe, uma advogada criminal e, nesta fase terminal, a trama desenrola-se como se de um thriller jurídico se tratasse. Também esta personagem materna apresenta alguns segredos e partilha algumas considerações com as quais não concordei uma vez que, pessoalmente, tenho uma visão diferente sobre o papel de mãe de acordo com os nossos padrões mais ibéricos ou latinos. Contudo, tive sempre presente que a educação escandinava difere consideravelmente da que é praticada por cá. 
Só nas páginas finais, no epílogo, é que é desvendado o verdadeiro mistério que a trama propõe: terá mesmo sido Stella a assassina? Todavia, já eu estava rendida à história em virtude desta me ter envolvido tanto com aquela família ao ponto de a revelação final já não configurar propriamente um clímax, mas tão somente um ponto final na narrativa.

Em suma, estamos perante um lançamento que será, certamente, um sucesso! Não promete ser um thriller convencional, alicerçado em serial killers, porém o que mais aterroriza é, certamente, um acontecimento que pode comprometer a paz do seio familiar algo que acaba por nos trasmitir algum incómodo ou desconforto visto que a família, nas suas mais variadas vertentes, continua a ser um dos pilares fundamentais da nossa sociedade.
Envolvente e intrigante, Uma Família Quase Normal vai convidar-vos a uma profunda reflexão sobre onde iriam para proteger um filho. 
Imperdível! É o tipo de história que, garantidamente, ficar-vos-á na retina por muito tempo.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Stephen Chbosky - Amigo Imaginário [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Não se deixem intimidar pelo tamanho da obra em epígrafe. O autor de As Vantagens de Ser Invisível está de volta com uma história que, pelo que pude apurar, se encontra num registo bastante diferente do título antecessor, alicerçando-se nos géneros de terror e fantasia.
Agradou-me, por isso, bastante. Como sabeis, o género de terror em particular sempre me fascinou e, nesta obra em concreto, há um ingrediente que me deixou rendida: o facto da trama ser protagonizada por uma criança, Christopher. Tenho para mim que ter uma personagem principal infantil confere, aparentemente, um cunho de maior inocência à história. Ainda para mais quando estamos perante uma narrativa de terror, esta percepção parece intensificar-se.

Apesar de grande parte da acção se centrar, de facto, neste menino, fomentando uma inegável empatia entre o leitor e o protagonista, o autor garante uma interessante multiplicidade de personagens.

O primeiro capítulo situa-nos 50 anos antes da acção e relata um estranho e intrigante evento que se afigura como uma das forças motrizes do mistério desta trama. É então na actualidade que o autor nos dá a conhecer Christopher e a sua mãe, que se mudaram recentemente para a pacata vila de Mill Grove, após passarem por uma traumático episódio familiar.
A trama toma fôlego quando Christopher desaparece misteriosamente e, uns dias mais tarde, reaparece, mostrando um comportamento estranho. Confesso que foi a partir deste momento que a trama se tornou viciante. Apesar do número extenso de páginas e, aparentemente, muita informação transmitida ao leitor que, a meu ver, poderia ser condensada, creio que a magia desta obra reside precisamente no nível de detalhe. Como referi anteriormente e como o próprio título deixa antever, esta é uma trama repleta de elementos do género fantástico e terror. Estamos, portanto, perante uma narrativa com contornos inverosímeis. Devo dizer que sou uma leitora que procura sempre uma explicação racional nas histórias, contudo deixei-me levar pela inquietante aventura de Christopher.

Não obstante ter-me rendido ao pequeno protagonista e ao desenvolvimento da história, creio que esta não é completamente original. Frequentemente dei por mim a pensar na história de Coraline, aliando-a à fértil imaginação das crianças que, imiúde, criam amigos que só existem nas suas mentes. E sem levantar grandes spoilers sobre a história, posso apenas referir que é uma história sobre a eterna luta entre o Bem e o Mal, bastante fantasiosa, mágica e, em certos momentos, tenebrosa.
Como também sabeis, sou uma leitora ávida pelos livros de acção pelo que, em certos momentos, senti que a história se desenvolvia a um ritmo mais moroso. No entanto, compreendo que o autor tenha apostado neste registo para consolidar as personagens e até mesmo a própria acção. 

Em jeito de conclusão, terei que reiterar os adjectivos que atribuí acima: este livro é mesmo para os leitores que procuram uma obra extremamente fantasiosa com momentos de terror.


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Chris Carter - Uma Mente Perversa [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Chris Carter é, sem sombra de dúvida, um dos meus autores de eleição! Cada novo livro seu que leio faz-me pensar que o autor se supera e, muito honestamente, tenho para mim que a série protagonizada por Robert Hunter está cada vez melhor.

Este título em particular é muito diferente dos demais. Nas páginas finais, o autor tece algumas considerações concernentes ao modo como a sua experiência como psicólogo criminal terá ajudado na escrita da presente obra. Deste modo, o autor transita de um estilo tipicamente policial para uma obra que equiparo a um thriller psicológico, embora de cariz mais pesado, cru e gráfico, como o autor já nos habituou.

Após uma terrível descoberta, um homem é detido e pretende falar especificamente com Robert Hunter, alegando que o conhece. Grande parte da trama debruça-se sobre os intensos diálogos entabulados entre o vilão e o protagonista, permitindo-nos não só conhecer os crimes perpretados pelo referido antagonista, como descobrir alguns elementos do passado de Hunter, que até então nos eram dados a conhecer com parcos detalhes. De certa forma, diria que é quase impossível não estabelecer uma comparação com a relação próxima entre Hannibal Lecter e Clarice Sterling. Creio pois que a interacção entre Hunter e Lucien é bastante similar à das carismáticas personagens criadas por Thomas Harris.

Os mais cépticos poderão alegar que se sente a falta da fórmula a que o autor nos habituou, basicamente alicerçada na investigação criminal e consequente caça ao criminoso, cuja identidade, no presente título, é desvendada desde o início. Tal facto inviabilizará, deste modo, a ocorrência do derradeiro twist que, tradicionalmente, se consubstancia na revelação do vilão. De facto, e por este motivo, não considerei que a obra fosse verdadeiramente surpreendente embora confesse não ter conseguido antecipar alguns momentos da trama.

Ainda assim, tenho para mim que esta obra é ainda superior na medida em que o perfil do antagonista, uma mente deveras perversa, como o próprio título da obra indica, é consolidada ao longo da história. Para quem se interessa por psicologia criminal, este é, sem dúvida o livro indicado.

Trata.se, sem dúvida, de uma trama que incomoda, dado que os pormenores dos feitos deste homem são explícitos. Mais uma vez, o nível de violência vai ao detalhe, o que faz deste título (além dos demais livros do autor) não serem recomendados aos leitores mais susceptíveis.

Em suma, estamos perante um excelente thriller! Que ficará, certamente, durante muito tempo, na minha retina e é mais uma constatação que Chris Carter é um dos autores contemporâneos que se afigura imperdível dentro do género! 


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Stephen King & Owen King - Belas Adormecidas [Divulgação Bertrand]


Data de publicação: 15 Novembro 2019

               Título Original: Sleeping Beauties
               Tradução: Ana Lourenço e Maria João Lourenço
               Preço com IVA: 22,20€
               Páginas: 760
               ISBN: 9789722537889

Sinopse: Num futuro próximo, algo muito estranho começa a suceder. Quando as mulheres adormecem, dos seus corpos emerge uma espécie de casulo que as isola do mundo exterior. Enquanto dormem, são transportadas para um lugar onde não existe violência e onde tudo é harmonioso. Se, durante esse processo, forem incomodadas, acordadas ou se o invólucro for tocado, elas tornam-se extremamente violentas. Mas há uma mulher, Evie, que é imune a esse fenómeno. Tratar-se-á de uma singularidade médica que deve ser estudada ou de um demónio que deve ser exterminado?
Os homens, abandonados aos seus instintos mais primários e divididos em fações guerreiras, ou tentam destruí-la ou salvá-la.

Sobre o autor: Stephen  King,  apelidado  por  muitos  de  «mestre  do  terror»,  escreveu  mais  de  quarenta  livros,  incluindo  a  série  da Torre Negra e  clássicos  como Carrie, The  Shining ou Misery. Vencedor  do  prestigiado  National Book  Award  e  nomeado  Grande Mestre nos prémios Edgar Allan Poe de 2007, conta hoje com mais de trezentos milhões de exemplares vendidos em cerca de trinta e cinco países. Números e um currículo impressionantes a fazerem jus ao seu estatuto de escritor mais bem pago do mundo.
www.stephenking.com

Owen King é o filho mais novo de Stephen e Tabitha King. O seu primeiro livro, We’re All in This Together, uma colecção de três contos foi publicado em 2005. O seu trabalho de escrita mais recente é Belas Adormecidas, escrito em parceria com o seu pai.


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Thomas Harris - Cari Mora [Divulgação Porto Editora]


Data de publicação: 14 Novembro 2019

               Título Original: Cari Mora
               Tradução:
               Preço com IVA: 17,70€ 
               Páginas: 272
               ISBN: 9789720032249


13 anos depois de O Silêncio dos Inocentes, o criador de Hannibal Lecter prova que é mestre do grotesco em Cari Mora.     
      Se antes o palco foi dado ao vilão, desta vez Thomas Harris deu-o a Cari Mora, protagonista do livro que a Porto Editora publica a 14 de novembro. Depois de um interregno de 13 anos, é com Cari Mora que o autor regressa aos livros de suspense, onde faz parecer que o grotesco não tem limites.

Thomas Harris já nos havia habituado a fortes personagens femininas, e aqui apresenta-nos a história da jovem Cari Mora. Apesar de inicialmente parecer frágil, ela constituirá um entrave aos planos de Hans-Peter Schneider, o cabecilha de um grupo de ladrões que procura um tesouro escondido por Pablo Escobar e de uma rede de tráfico de mulheres que eleva a crueldade e a violência a níveis nunca antes vistos.

Sinopse: Sob uma luxuosa mansão na zona costeira de Miami Beach estão escondidos 25 milhões de dólares em ouro, o produto de anos de atividades criminosas de Pablo Escobar, anterior proprietário da casa.
Muitos tentaram encontrar esse bem protegido tesouro, mas sem o conseguirem; outros perderam a vida nessa demanda. Agora chegou a vez de o impiedoso Hans-Peter Schneider – um homem de aspeto peculiar que lidera um bando de criminosos sanguinários – ocupar a mansão e tentar chegar aos milhões escondidos.
Entre Hans-Peter e o ouro está Cari Mora, a responsável pela casa. Cari escapou da violência no seu país de origem, onde teve de aprender a defender-se. Vive em Miami com um periclitante estatuto conferido pelos Serviços de Imigração e mantém vários trabalhos para conseguir sobreviver.
Mas Cari Mora é muito mais do que uma jovem bonita e Hans-Peter Schneider vai ter a oportunidade de o descobrir à medida que a caça ao tesouro de Escobar avança.
Thomas Harris, o criador de um dos mais emblemáticos vilões da literatura contemporânea, e autor dos sucessos Dragão Vermelho e O Silêncio dos Inocentes, regressa à escrita com um romance cheio de ação em que as personagens não olham a meios para atingir os fins e no qual o medo e o suspense estão presentes em todas as páginas.

Sobre o autor: Nasceu em 1940, no Tennessee. Dedicou-se durante vários anos ao jornalismo, tendo acompanhado múltiplos casos criminais nos Estados Unidos e no México. Foi ainda repórter e editor da Associated Press.
Publicou o primeiro romance, Domingo Negro, em 1973. Mais tarde, em 1981, publica Dragão Vermelho, dando a conhecer o Dr. Hannibal Lecter, personagem emblemática que regressará nos romances seguintes: O Silêncio dos Inocentes (1988), Hannibal (1999) e Hannibal: A Origem do Mal (2006). Todos os seus livros foram adaptados ao grande ecrã.
Cari Mora é o seu mais recente romance e marca o fulgurante regresso de Thomas Harris à escrita. 


Imprensa
«Harris explora o lado negro da paixão humana neste romance de cortar a respiração. Não desapontará os fãs de thrillers tensos e inquietantes.» 
BookPage



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Ragnar Jónasson - Branco Puro [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 11 Novembro 2019

               Título Original: Andköf
               Tradução:
               Preço com IVA: 17,69€
               Páginas: 288
               ISBN: 9789896687373

Sinopse: Pela mão de um dos autores de maior sucesso do policial nórdico, Branco Puro transporta-nos para uma paisagem de neve única e arrepiante…
O corpo de uma jovem é encontrado no fundo de uma falésia, perto do farol de Kálfshamarsvík. Terá sido suicídio? Em pleno inverno, com a neve intensa e a violência das ondas no local, ela poderá simplesmente ter tropeçado e caído. 
Mas quando o inspetor Ari Thór descobre que, 25 anos antes, a mãe e a irmã mais nova da vítima haviam perdido a vida no mesmo local, logo surge a suspeita de que a causa da morte pode não ter uma explicação assim tão simples, e que algo mais sinistro poderá, afinal, ter acontecido. 

Sobre o autor: Ragnar Jónasson nasceu na Islândia e é um autor bestseller internacional publicado em 21 línguas espalhadas por 30 países, com amplo sucesso junto da crítica e dos seus pares. Trabalhou em televisão e em rádio, inclusive como jornalista da Radiotelevisão Nacional da Islândia. Atualmente, trabalha como banqueiro de investimentos e é professor na Faculdade de Direito da Universidade de Reiquiavique.
Autor em ascensão na literatura policial internacional, Jónasson traduziu 14 livros de Agatha Christie para islandês e viu já vários dos seus contos serem publicados em revistas literárias alemãs, inglesas e islandesas.
Saiba mais sobre o autor em: www.ragnarjonasson.com

Imprensa
«Um crime analisado com a mestria de uma lente islandesa. Soberbo… recomendo vivamente.»
Lee Child

«O noir nórdico assume o seu expoente máximo na Islândia, e nenhum outro escritor consegue retratar tão habilmente os elementos que compõem esse ambiente sombrio e gélido quanto Ragnar Jónasson.» 
The Times



terça-feira, 5 de novembro de 2019

João Tordo - O Dia em que o Verão Acabou [Divulgação Companhia das Letras]


Data de publicação: 5 Novembro 2019

               Preço com IVA: 22,00€
               Páginas: 672
               ISBN: 9789896659127 

Sinopse: 14 de Setembro de 1998. O dia em que Chatlam, uma pequena vila americana, acordou em choque com o homicídio de Noah Walsh. O principal suspeito: a sua filha de dezasseis anos.
No Verão de 1987, o adolescente Pedro Taborda apaixona-se por Laura Walsh, a filha mais velha de um magnata nova-iorquino. Ela e Levi - uma criança misteriosa - passam férias com os pais no Lagoeiro, uma pacata cidade algarvia. Rica e moderna, a família Walsh tem tudo para dar muito nas vistas no sul de Portugal. Inebriado pelas formas perfeitas e pelos modos ousados de Laura, Pedro encontra na rapariga americana o seu primeiro amor. Mas quando o Verão acaba, a família Walsh regressa aos Estados Unidos e o destino fica por cumprir.
Dez anos depois, Pedro, decidido a tornar-se escritor, vai estudar para Nova-Iorque. Fascinado com Gary List, antigo prodígio das letras americanas, chega aos Estados Unidos determinado a perseguir os sonhos da juventude. Ao reencontrar Laura, está longe de suspeitar que esse acaso o mergulhará no crime mais falado dos anos noventa, o homicídio do milionário Noah Walsh.
Com um segundo homicídio a atrapalhar a investigação e uma corrida para salvar Levi, de apenas dezasseis anos, acusada de matar o pai, Pedro e Laura enredam-se irremediavelmente na teia de segredos que envolve a família Walsh, desde os anos quarenta do século XX até ao impensável desfecho nas primeiras décadas do novo milénio.
Porque em Chatlam - e neste thriller imparável - nada é o que parece.
O QUE ESCONDE LEVI WALSH?

Sobre o autor: João Tordo nasceu em Lisboa em 1975.
Venceu o Prémio Literário José Saramago 2009 com As Três Vidas, tendo sido finalista, com o mesmo livro, do Prémio Portugal Telecom, em 2011. Publicou doze romances, entre eles O Livro dos Homens sem Luz (2004), Hotel Memória (2007), Anatomia dos Mártires (2011), O Ano Sabático (2013), Biografia Involuntária dos Amantes (2014), O Luto de Elias Gro (2015), O Paraíso Segundo Lars D. (2015), O Deslumbre de Cecilia Fluss (2017) e Ensina-me a Voar Sobre os Telhados (2018). Foi finalista do Prémio Melhor Livro de Ficção Narrativa da Sociedade Portuguesa de Autores (2011 e 2015), do Prémio Literário Fernando Namora (2011, 2012, 2015, 2016), e do Prémio Literário Europeu em 2012. Os seus livros estão publicados em vários países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, México, Argentina, Brasil, Uruguai, entre outros.



M. J. Arlidge - O Dom da Morte [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Sou uma fã inveterada do trabalho do autor britânico e já afiancei, por diversas vezes, que a série protagonizada por Helen Grace é uma das minhas favoritas no que concerne ao género policial. Daí ter ficado bastante expectante com a publicação deste título que é um stand-alone

Confesso que enveredei por esta leitura um pouco apreensiva, percepção que ter-se-á devido à alteração da fórmula usada pelo autor nesta história, alicerçada sobre um fenómeno paranormal que, no presente caso, é o dom da previsão da morte. Como sabeis, opto por, na grande maioria das vezes, histórias lógicas e que sejam devidamente explicadas no campo da racionalidade - ainda que grande parte dos modus operandi dos psicopatas esteja muito longe da minha compreensão. Ora, tinha consciência que à priori tal não aconteceria e parti para a leitura, num estado de espírito mais open minded.

A meu ver, esta característica de mediunidade de Kassie, a jovem protagonista de 15 anos, torna a trama ainda mais intrigante. Constantemente incrédula com o dom da personagem, num primeiro momento questionava-me se estas premonições seriam verdadeiras pois achei que o problema da adição da marijuana toldasse a percepção da rapariga. Contudo, rapidamente me deixei levar pelo ritmo da história que, a certo momento, me pareceu um pouco cíclica - jovem prevê a morte de alguém, tenta avisar e não tem sucesso, acabando por não conseguir evitar que os ditos homicídios ocorram. Mais uma vez, aponto a descrição exímia dos crimes, deixando-me angustiada como já sentira aquando a leitura de obras antecessoras do autor.

O psicólogo forense Adam Brandt assume um particular destaque na medida em que tenta ajudar a jovem Kassie. Como o autor já nos habituou, o background pessoal da personagem é deveras importante e há um esmero na caracterização do psicólogo, principalmente na sua vida familiar. Creio que o desenvolvimento desta acaba por ser tão importante quanto os contornos do caso de Kassie que estão além da compreensão da polícia.
Gostei da forma como o autor nos conecta às personagens e, acima de tudo, da escrita irrepreensível. A acção, de tão rica em pormenores, tem um ritmo cinematográfico repleto de acontecimentos fortes, sendo precisamente neste ponto onde assenta a minha maior crítica.

A trama deixou-me alguns dissabores. Em certos momentos, os acontecimentos foram tão intensos que me senti desolada e revoltada. Não creio que o sinónimo de um bom thriller seja dar um tom dramático como senti em certas passagens. Em várias alturas fechei o livro, completamente arrasada com o rumo de certas personagens, um estado de espírito que se intensificou no final. O desfecho é desvendado numa fase muito precoce do livro, pelo que esperava ser arrebatada por um twist, o que não acabou por acontecer. Para mim, a única surpresa foi, de facto, o desvendar da identidade do antagonista.

Posto isto e no seu cômputo, tenho para mim que este stand-alone ficou um pouco aquém do que Arlidge me habituou com a série anterior. Ainda assim, vale a pena ser esmiuçado para descobrir uma história completamente diferente das tramas que Helen Grace protagoniza.