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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Marie Lu - Legend [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Rendida às distopias, foi com grande entusiasmo que aguardei pela publicação de Legend, um livro para os fãs d´Os Jogos da Fome. Um livro que, finda a leitura, superou as minhas expectativas. 
Ao contrário de certas distopias em que durante a sua leitura era inevitável tecer semelhanças com o afamado Jogos de Fome, em Legend posso já garantir que o mesmo não acontece. À medida que percorria as páginas de Legend afigurou-se-me sim, uma semelhança com a bela história de amor Romeu e Julieta, embora passado em cenário futurista.  
O que dificulta o romance entre Day e June são as diferenças sociais, sendo que June pertence a uma classe mais alta. Day é o criminoso mais procurado na República.

Apesar das diferenças vertiginosas das duas personagens, é certo que o leitor facilmente nutre empatia por ambas. Legend é narrado sob a perspectiva das duas personagens, em capítulos curtos, mantendo o leitor informado sob os dois (diferentes) pontos de vista.
Uma outra particularidade do género é a forma como a distopia expõe as vulnerabilidades do sistema social e o mais desprotegido. Em Legend, a autora debruça-se de igual forma sobre ambas as personagens. Um outro ponto forte reside precisamente na concepção das mesmas. A autora soube diferenciar os seus carácteres praticamente antagónicos bem como as suas percepções perante a realidade. Day é um criminoso que luta pela sociedade renegada. Representa uma parte muito humanitária, contrastando com a personalidade de June, inicialmente autoritária, característica mais usual na prática militar. 
Embora com características tão díspares, juntos têm uma química, facilmente transponível para o leitor.

Em linhas gerais, a concepção da sociedade distópica em Los Angeles tem alicerces sobre uma organização diferente: as pessoas vivem na República que corresponde à actual Costa Leste dos EUA. São explorados os extremos da sociedade: as pessoas em que vivem nos bairros tipo favelas, em situação de grande pobreza e expostos a pestes ou as pessoas que usufruem de melhor qualidade de vida, servindo serviço militar à República. O alcance de uma melhor condição de vida é feito através de um exame escrito, como se faz na faculdade. 

Este é um romance que contempla poucas personagens, o que permite um elevado nível de detalhe em torno de Day e June. Além disso, o enredo é relativamente linear e previsível. 
Ainda assim gostei muito. Na minha opinião, esta história proporcionará um excelente momento de leitura. Mistura uma história de amor quase proibida, com muita acção e uns laivos de thriller, não deixando de contemplar uma lição sobre vingança.
Finda a leitura chego à conclusão que poderia haver uma continuação. Espero que assim seja, este livro deixou-me a desejar por mais!


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Marie Lu - Legend [Divulgação Editorial 1001 Mundos]


Data de publicação: 4 Fevereiro 2014

               Titulo Original: Legend
               Preço com IVA: 16,90€
               Páginas: 296
               ISBN: 9789892325415

Sinopse: Outrora conhecida como a costa ocidental dos Estados Unidos, a República é agora uma nação em guerra permanente com as vizinhas, as Colónias. Nascida numa família de elite num dos distritos mais abastados da República, June, aos quinze anos, é um prodígio militar. Obediente, entusiasmada e dedicada ao seu país, está a ser aperfeiçoada para fazer parte dos círculos mais elevados da República. 
Nascido num dos bairros de lata do Setor Lake da República, Day, também com quinze anos, é o criminoso mais procurado da República. Mas talvez os seus motivos não sejam tão maliciosos quanto parecem. Pertencendo a mundos muito diferentes, não há motivo algum para que os caminhos de June e Day se cruzem - até ao dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado, e Day se torna o principal suspeito. 
Agora, apanhado no derradeiro jogo do gato e do rato, Day corre pela sobrevivência da sua família, enquanto June tenta desesperadamente vingar a morte do irmão. Contudo, numa reviravolta chocante, os dois descobrem a verdade daquilo que verdadeiramente os levou a encontrarem-se, e a que ponto a nação de ambos está disposta a chegar para manter os seus segredos. Repleto de ação imparável, suspense e romance, o fascinante primeiro romance de Marie Lu irá certamente comover e arrebatar os leitores.
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Joe Hill - Cornos [Opinião]


Sinopse: Ignatius Perrish passou a noite embriagado e a fazer coisas terríveis. Na manhã seguinte acordou com uma ressaca tremenda, uma dor de cabeça violenta... e um par de cornos a sair-lhe das têmporas.No início Ig pensou que os cornos eram uma alucinação, fruto de uma mente danificada pela fúria e pelo desgosto. Passara um ano inteiro num purgatório solitário e privado depois da morte da sua amada, Merrin Williams, violada e assassinada em circunstâncias inexplicáveis. Um colapso mental teria sido a coisa mais natural do mundo. Mas nada havia de natural nos cornos, que eram bem reais.Em tempos, o íntegro Ig usufruíra da vida dos bem-aventurados, Ig tinha estabilidade, dinheiro e um lugar na comunidade. O único suspeito do crime, Ig nunca foi acusado ou julgado. Mas também nunca foi ilibado. No tribunal da opinião pública de Gideon, New Hampshire, Ig é e será sempre culpado. Nada que ele possa dizer ou fazer importa. Todos o abandonaram e parece que o próprio Deus também. Todos com excepção do demónio que está dentro de si... E, agora, Ig está possuído por um poder novo e terrível que condiz com o seu novo look assustador - um talento macabro que tenciona usar para descobrir o monstro que matou Merrin e que destruiu a sua vida.

Opinião: Joe Hill é filho do mestre de terror Stephen King. E filho de peixe sabe nadar. 
Inicialmente fiquei presa na história do livro. Inexplicavelmente nascem uns cornos ao pobre do Ig, que ressacado nem sequer se lembra da noite anterior. Associado ao par de cornos, manifesta-se um poder sobrenatural quase demoníaco em sentir todas os desejos e pecados de cada pessoa que toque desencadeando um punhado de situações rocambolescas, dotadas de um particular humor negro. No entanto, a situação complica-se quando Ig se depara com este dom na sua própria família. Joe Hill explora assim um dos medos mais profundos do ser humano: imagine caro(a) leitor(a) que as pessoas que mais amamos nos viram as costas e por detrás dos falsos sorrisos, nutrem sentimentos assombrosos por nós. Por isso posso afirmar que este conto de terror tem implicações mais profundas que eu imaginava, dissecando o pior que pode existir em cada um de nós.

Sem sombra de dúvidas, o que me atraiu imediatamente em Cornos foi a forma como a estranha metamorfose de Ig retrata um peculiar e sombrio humor.
A estrutura do livro é maioritariamente por flashbacks e rapidamente aquela que era a situação actual, regride até à infância de Ig, explorando os primórdios das relações deste com o estranho e maldoso Lee Tourneau e Merrin Wiliams, aquela que viria a ser mais tarde a sua namorada. Hill disseca as relações complexas infanto-juvenis que em certos casos são caracterizadas pela mais pura das crueldades.

Para mim, a par da justificação de ter nascido os cornos ao protagonista, o principal mistério que se afigura é a identidade do assassino de Merrin. Este facto é revelado precocemente mas Hill, ousadamente envereda pelo explorar das inúmeras situações que caracterizaram o crescimento de Ig e as relações com as demais personagens, permitindo conhecê-las melhor.
Apesar da metamorfose que lhe confere um ar demoníaco, Ig é bem intencionado ainda que debilitado devido à violação e morte de Merrin, refugiando-se na bebida. E acabamos por simpatizar com o pobre diabo (literalmente), devido à profundidade da sua dor e dos seus sentimentos que facilmente são transponíveis ao leitor.
No entanto, as personagens são muito supérfluas e caracterizadas pela ruindade embora mostrem algum sinceridade e audácia na demonstração forçada dos seus sentimentos.

Desde o início que coexiste a componente religiosa (e por consequente moralista) por intermédio de vários símbolos religiosos que contrastam assim com a componente sobrenatural associada à presença de Lúcifer reforçando a ideia subtil que é a constante luta entre o bem e o mal.

Embora globalmente ache que a história é muito boa, infelizmente certas passagens não me cativaram. Digamos que esta leitura oscilou entre momentos de leitura ávida e outros de mais desinteresse. O autor perde-se nos demais pormenores que assombram o crescimento de Ig, alguns que pouco contribuem para a história. Não obstante, à medida que desfolhei o livro, notei um crescendo de emoções e algumas reviravoltas, fazendo-me admitir que estamos perante uma trama de grande qualidade embora falhe pois o ritmo é quebrado pela informação contida em alguns dos flashbacks.

Embora com contornos moralistas, é uma história onde a fantasia contemporânea, o humor e o crime andam harmoniosamente de mãos dadas. Possivelmente, Cornos foi, que me lembre, o único livro até hoje que me fez encarar algo tão ruim como pensamentos nefastos e atitudes grotescas com um sorriso e tudo graças à escrita de Hill. Gostei bastante do estilo do autor e quero ler quanto antes o seu livro de estreia. Na fase final está o filme baseado no livro pelas mãos de Alexandre Aja, o realizador de Haute Tension, um dos meus filmes preferidos. Vejam então o booktrailer: