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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A.N. Roquelaure - O Despertar da Bela Adormecida [Opinião]


Sinopse: No conto popular da Bela Adormecida, o feitiço da jovem princesa apenas pode ser quebrado pelo beijo de um Príncipe. Anne Rice reconta esta história, sondando as implicações deste conto sugestivo e sensual ao explorar a sua ligação inegável ao desejo sexual. O Príncipe desperta a Bela Adormecida não com um beijo mas com a iniciação sexual e a sua recompensa é a submissão completa da Princesa. A jovem é levada para o castelo do Príncipe, onde terá de se submeter a provações inimagináveis para demonstrar a sua total entrega e dedicação.
A história conduz o leitor a um mundo sensual de sonhos proibidos e desejos obscuros... um mundo no qual as ideias tradicionais de submissão e preferência sexual são menosprezadas... um mundo que se torna irresistivelmente convidativo pelo espírito aventureiro e a imaginação inigualável de Anne Rice. Uma experiência envolvente.

Opinião: Apesar de Anne Rice ser um nome conhecido no que concerne à literatura do Fantástico (quem é que não se recorda de Entrevista com O Vampiro?), reconheço que nunca li nenhuma obra da sua autoria até agora.
A. N. Roquelaure é um pseudónimo da autora, que escreveu no ano em que eu nasci, 1983, uma trilogia erótica. Não esquecendo que nos anos 80, ainda estávamos longe de imaginar que a década de 2010 seria assinalada por um boom de livros eróticos. Acredito piamente que a trilogia em questão fosse quase inovadora pois entre os autores mais influentes do género até então, destacava-se o Marquês de Sade.
E porque é que aponto apenas este nome? Porque O Despertar da Bela Adormecida rege-se muito pelas práticas de BDSM. Penso que já abordei a prática na opinião do livro As Cinquenta Sombras, não me vou alargar sobre o tema. 

Em relação ao livro, como o título sugere, tem alicerces sobre a idílica história da Bela Adormecida. A Bela desperta não através de um beijo, como na história da Disney mas sim através do coito, extremamente invulgar, sugerindo até uma parafilia, a sonofilia. Daí que todo o livro está repleto de fetiches. Demasiado erótico, sem pudor nas descrições das mais práticas sexuais dentro do BDSM, a história que de início prometia uma história de amor entre a Bela e o Príncipe, rapidamente desvanece, dando primazia a uma relação de submissão entre Bela e os demais da corte. Um forte conteúdo que me chocou por diversas vezes. 

Portanto, acho que vós podéis depreender quem é nesta relação, o dominador e a submissa. Ele, uma vez mais na literatura erótica, é o dominador. Embora saiba que nesta relação, raras são as vezes que há uma inversão de papéis, gostaria de ter visto a personagem Bela mais insubordinada. Ela é demasiado submissa, permitindo-lhe passar por provações, que a meu ver se prendem mais com a humilhação do que propriamente com a valorização sexual. Daí que não há grande carácter na personagem feminina. Da forma como está descrita, o leitor concebe-a como uma escrava.
A personagem dispersa-se no meio de tantas outras, homens e mulheres, que servem à Rainha e ao príncipe. Essencialmente actos de cariz sexual. E estas são repetidas, como um loop de fetichismo se tratasse, por todo o livro. A história, que poderia ter uns laivos de romantismo tal como a original, esfuma-se por entre tantos fetiches. 

Por esta razão (e pelo facto de não ter sentido qualquer empatia com as personagens, em especial Bela) não foi um livro que apreciasse na sua totalidade, embora não tenha dado por mal empregue o tempo em que me dediquei a esta leitura. Já há muito que me interessava em ler um clássico erótico.
Aconselho particularmente aos leitores que se sintam mais curiosos pelo mundo do fetiche e do BDSM.
Ainda assim, irei ler os dois outros livros da trilogia, para conhecer o desfecho desta história alternativa da Bela Adormecida.