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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Leila Slimani - Canção Doce [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: A obra Canção Doce é marcada pela primeira frase: "O bebé morreu". Poder-se-ia, desde logo, pensar que sabendo de antemão o desfecho da história, a mesma seria previsível e, por conseguinte, desinteressante. Antes pelo contrário. Devo dizer que tentar desvendar uma trama que originou um infanticídio, bem como ferimentos graves numa criança mais velha, sabendo atempadamente o clímax, afigura-se como uma leitura desafiante. Como de facto, Canção Doce, livro que venceu o prémio Concourt em 2016, se revelou.

Começo por realçar o ínfimo número de páginas da obra em apreço que acaba por ser inversamente proporcional à tensão criada pela história, que se desenvolve a partir da necessidade de Myriam e Paul contratarem uma ama para os seus filhos, uma situação tão banal nos tempos actuais. Pegando nessa mesma premissa como ponto de partida da presente recensão, é notório que Canção Doce questiona alguns aspectos referentes à sociedade moderna, mais concretamente à maternidade, adiantando que a autora não mostrou apenas o lado idílico desse estágio da vida, optando por traçar um retrato mais cru e realista da dicotomia entre os progenitores e a sua prole. Conjugar a maternidade com a necessidade de uma realização profissional parece um exercício hercúleo com as pressões da sociedade actual. 
Assim, um dos elementos que apreciei na obra foi, portanto, a reflexão sobre o tema, algo que somos impelidos a fazer pelo presente título. 
Registei igualmente, se bem que de forma mais secundária, uma subtil crítica à comunidade parisiense, na forma como esta lida com o racismo, um fenómeno que, deduzo eu, surja em resposta ao número cada vez maior de emigrantes na capital francesa.

Ainda que, na minha opinião, Canção Doce não seja uma trama completamente original (reconheci algumas similaridades com o filme A Mão Que Embala O Berço realizado por Curtis Hanson em 1992), é impossível não nos rendermos a esta obra, ainda para mais, quando encontrarmos também semelhanças com episódios verídicos entre amas e os seus alegados protegidos. Talvez seja este o factor mais chocante da narrativa, quando observamos que a figura que devia cuidar, acarinhar e guardar as crianças torna-se simultaneamente a vilã da obra. Acima da exímia construção das personagens, fascinaram-me as interacções da ama com o núcleo familiar, conduzindo a leitura a um crescendo de emoções. 
Ao contrário da grande maioria dos títulos do mesmo género, constatei que Canção Doce  não apresenta um grande twist final. Todavia não me importei com tal facto pois, afinal de contas, todo o desenvolvimento da trama é muito intenso.

Em suma, Canção Doce é um livro intenso e que espicaça algumas questões actuais relativas à sociedade moderna, conduzindo-me a um exercício de introspecção. Ainda hoje penso nos contornos desta obra visceral. Gostei mesmo muito!


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Joël Dicker - O Desaparecimento de Stephanie Mailer [Divulgação Alfaguara]


Data de publicação: 3 Julho 2018

               Título Original: La Disparition de Stephanie Mailer
               Preço com IVA: 22,00€ 
               Páginas: 672
               ISBN: 9789896655884

Sinopse: Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só pára quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta. A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado. Dias depois, Stephanie desaparece. Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace.O que aconteceu a Stephanie Mailer? E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

Sobre o autor: Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. Estreou-se na literatura com Os últimos dias dos nossos pais (Alfaguara, 2014). Mas foi a publicação do segundo romance que fez dele um fenómeno literário global: A verdade sobre o caso Harry Quebert (Alfaguara, 2013) foi publicado em trinta e três países, vendeu mais de três milhões de exemplares e venceu o prémio de melhor romance da Academia Francesa de Letras, o Prix Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para melhor romance em língua francesa. Seguiu-se, em 2016, O Livro dos Baltimore. O desaparecimento de Stephanie Mailer é o seu quarto romance e confirma a mestria de Dicker no género do mistério literário. www.joeldicker.com

Imprensa
«Stephanie Mailer, tal como Harry Quebert antes dela, mantém-nos agarrados. Felizmente, escrever não é meramente “juntar palavras que formam frases”. Escrever também é construir, e nisso Dicker é excelente.» 
La Liberté 

«Como é o novo Dicker? Podemos responder, sem hesitação: extraordinário!» 
Le Point 

«Cinco temporadas de uma série de televisão viciante num só livro. O desaparecimento de Stephanie Mailer mostra em pleno o talento do escritor: uma teia de intrigas que mantém o leitor preso por um fio.» 
Le Temps 

«O autor redescobre a sua força sedutora: a combinação de eficácia visual à americana com a elegância do detalhe à europeia.» 
24 Heures 

«Dicker não larga a mão do leitor que, apesar da variedade de personagens, da avalanche de pistas falsas, nunca perde o fio à meada. A cada cinquenta páginas, o leitor pensa ter encontrado o verdadeiro assassino. Mas para isso terá de esperar: o autor é muito hábil e diverte-se como um louco a induzir o leitor em erro.» 
Le Figaro Littéraire 

«Romance após romance, Joël Dicker impõe-se como um mestre de ilusionismo.» 
Elle 

«Preciso, denso, dinâmico, rápido, divertido, atravessado por uma ironia refrescante. Mas a sua maior qualidade, e a sua evolução em relação aos livros anteriores, é que esta complexidade, esta rapidez de acção, não impede o romance de ser comovente e poético ao mesmo tempo. É um livro com alma.» 
Matin Dimanche 

«Enquanto Agatha Christie punha em cena “apenas” dez suspeitos, Joël Dicker joga com dezenas de personagens a um ritmo inacreditável. De tirar o fôlego!» 
Madame Figaro 

«Conhece aquele sentimento terrível de se sentir sozinho depois de acabar um romance incrível? Foi o que me aconteceu com este livro. Joël Dicker vai ainda mais longe do que antes com este livro.» 
Cosmopolitan

 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Ross Macdonald - Dinheiro Negro [Divulgação Alfaguara]


Data de publicação: 19 Julho 2017

               Título Original: Black Money
               Preço com IVA: 16,90€
               Páginas: 336
               ISBN: 9789896652838

Um clássico de literatura policial noir-hardboiled daquele que foi, por muitos, considerado melhor que Raymond Chandler.

Sinopse: Lew Archer é o detective privado mais carismático de Los Angeles. Quando é contratado por Peter Jamieson Jr. para investigar a fuga da sua noiva, dona de uma beleza intoxicante, com um misterioso professor francês, Archer convence-se de que se trata de um simples e banal caso de alienação de afectos. Este caso, porém, nada tem de simples e tudo muda de figura quando o astuto detective descobre ligações deste esquivo francês a um antigo caso de suposto suicídio e a incomensuráveis dívidas de jogo. Ninguém é quem parece ser nesta incrível trama conduzida pelo poder da paixão e do dinheiro.
Dívidas de jogo, cobiça, homicídio, sexo e chantagem são os ingredientes principais de um clássico policial confirmado por leitores e pela crítica, de um realismo, ironia e envolvência de que apenas o grande mestre Ross Macdonald é capaz. Originalmente publicado em 1966, Dinheiro Negro revela-nos o verniz estalado da sociedade sul-californiana dos anos 60 através de uma linguagem cativante e de personagens eximiamente criados.
Um clássico imperdível.

Sobre o autor: O verdadeiro nome de Ross Macdonald era Kenneth Millar. Nascido perto de São Francisco em 1915 e criado em Vancouver, na Columbia Britânica, Millar regressou aos Estados Unidos ainda jovem e publicou o seu primeiro romance em 1944.
Desempenhou funções como presidente dos Escritores de Mistério da América e foi laureado com o Prémio Grão-Mestre desta associação, bem como com a Adaga de Prata dos Escritores de Mistério da Grã-Bretanha. Faleceu em 1983.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Leila Slimani - Canção Doce [Divulgação Alfaguara]


Data de publicação: 19 Abril 2017

               Título Original: Chanson douce
               Tradução: Tânia Ganho
               Preço com IVA: 16,90€ 
               Páginas: 216
               ISBN: 9789896652234

Sinopse: Mãe de duas crianças pequenas, Myriam decide retomar a actividade profissional num escritório de advogados, apesar das reticências do marido. Depois de um minucioso processo de selecção de uma ama, o casal escolhe Louise. A ama rapidamente conquista o coração dos pequenos Adam e Mila e a admiração dos pais, tornando-se uma figura imprescindível na casa da jovem família.
O que Myriam e Paul não suspeitam - ou não querem ver - é que a sua pequena família é o único vínculo de Louise à normalidade. Pouco a pouco, o afecto e a atenção vão dando lugar a uma interdependência sufocante, com o cerco a apertar a cada dia, até desembocar num drama irremediável.
Com um olhar incisivo sobre esta pequena família, Leila Slimani aponta o foco para um palco maior: a sociedade moderna, com as suas concepções de amor, educação e família, das relações de poder e dos preconceitos de classe. Com uma escrita cirúrgica e tensa, eivada de um lirismo enigmático, o mistério instala-se desde a primeira página, um mistério que é tanto sobre as razões do drama como o das profundezas insondáveis da alma humana.

PRÉMIO GONCOURT 2016, o mais importante prémio literário francês. 

Sobre a autora: Leila Slimani nasceu em 1981, em Rabat, Marrocos, numa família de expressão francófona. Aos 17 anos partiu para Paris, onde estudou Ciências Políticas. Antes de se dedicar à escrita, trabalhou como jornalista. Publicou o primeiro romance - Dans le Jardin de l'Ogre - em 2014 e obteve imediato reconhecimento da crítica e dos leitores. Canção Doce reconfirmou o seu papel nas letras francesas e valeu-lhe a atribuição do prestigiado Prémio Goncourt.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Joël Dicker - O Livro dos Baltimore [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O Livro dos Baltimore é uma obra grandiosa! Ao ponto de ter um hiato, uma incapacidade de escrever sobre o mesmo que tem durado algumas semanas (ou será meses?). E vou tentar explicar a razão nesta opinião.
Há uns anos li A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert e fiquei fã do autor. Embora tenha discordado com algumas repetições de informação na trama, em grosso modo, foi um livro que me cativou. Este ano tive oportunidade de conhecer o autor na Feira do Livro de Lisboa, tendo trocado algumas impressões com o mesmo. A minha admiração por Dicker aumentou exponencialmente nesse dia e quis ler esta obra que chegara à minha casa dias antes. Ainda nesse dia, acabei por comprar Os Últimos Dias dos Nossos Pais para que ele mo autografasse também, pelo que ainda tenho mais uma obra por ler guardada, como se um guilty pleasure se tratasse.

Não obstante a ligação entre as personagens Marcus Goldman e Harry Quebert do livro antecessor, uma relação que se pautava por aluno/mentor, a acção de O Livro dos Baltimore tem lugar muito antes, podendo considerar-se esta obra como uma prequela. Creio que o objectivo desta trama é dar a conhecer um pouco mais do passado de Marcus, o  escritor que escreve um livro para defender o seu mentor Harry Quebert. Se bem se recordam, a trama de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert versava sobre o passado de Nola, personagem esta intrinsecamente ligada a Quebert e Marcus tinha um papel digamos que quase fugaz.

Assim, o livro dos Baltimore visa dar a conhecer a família dos primos de Marcus antes do que ele designa o Drama. Desde logo, surge um alerta ao leitor: este chamado 'Drama' será certamente um acontecimento trágico. O leitor deambula entre os momentos mais tristes da família Baltimore aos mais felizes. Um acontecimento chave é sem duvida o acolhimento de Woody, um menino que protege o primo de Marcus, Hillel, dos mais actos vis de bullying. Uma amizade que oscila pelos sentimentos mais nobres e felizes aos mais dramáticos e comoventes. 
Porque para mim, esta obra é isto: uma ode aos sentimentos e afectou-me tanto que ainda hoje (mais de um mês, certamente, que a terminei) penso na história. Este livro não é um thriller embora a história tenha sempre presente um elemento de mistério. O leitor deseja arduamente saber o que terá acontecido no dito dia do Drama. Falando nisso, era o acontecimento que eu estava a prever, embora não soubesse exactamente as circunstâncias de ocorrência do mesmo. E sim é emotivo e muito intenso.

A nível de estrutura, devo referir que existe uma semelhança entre esta obra e a antecessora na medida em que existe a acção propriamente dita e o livro escrito por Goldman. A minha percepção foi, uma vez mais, que li um livro dentro de um livro, o que não deixa de ser original.
Pessoalmente, só conheço as obras de Dicker com esta estrutura. 
Claro que, para quem leu A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, há um desejo de conhecer Marcus, o homem que ilibou o seu mentor através de uma longa investigação. Ora nesta obra, o leitor depara-se não só com a intensidade da história dos primos Baltimore como a evolução da relação com Alexandra, o amor da sua vida, desde tenra idade até à fase adulta.

Termino frisando que este é um livro rico em ensinamentos e convidativo a uma reflexão sobre os valores morais e a família, enaltecendo o quão fortes são os laços de uma amizade. Mesmo distanciando-se do género thriller e, numa primeira análise, de ritmo lento, gostei muito deste livro. Senti-me pequenina perante a grandiosidade da obra, uma sensação pouco comum nas minhas leituras.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Herman Koch - Casa de Férias com Piscina [Divulgação Alfaguara]


Data de publicação: 13 Julho 2016
  
               Título Original: Zomerhuis met zwembad
               Preço com IVA: 19,90
               Páginas: 400
               ISBN: 9789896651114

Sinopse: Numa extravagante casa de férias com piscina no Mediterrâneo, a convite do célebre actor e amigo Marc Meier, o reputado e cínico cirurgião do famoso doutor Marc Schloss passa férias com a sua família. Entre dias de sol, idas à praia e provas de vinho, algo de terrível acontece e o idílio das férias depressa se transforma num pesadelo que marcará para sempre as vidas de todos os hóspedes.
Antes de o bronze dos protagonistas desaparecer, Marc Meier morre na sequência de uma intervenção cirúrgica executada pelo doutor Marc Schloss. Apesar de não estar particularmente incomodado com a morte do amigo e actor, o cirurgião vê-se obrigado a defender a sua reputação perante a Ordem dos Médicos, que o acusa de negligência médica e o questiona sobre o que realmente aconteceu na sala de operações - e naquelas férias. Terá Marc Meier sido vítima de erro médico? Ou terá sido assassinado?
Marcado por uma ironia desarmante, o enredo negro e fortemente psicológico de Casa de férias com piscina proporciona uma leitura ávida, controversa e intrigante que confirma o incrível talento literário de Herman Koch no dissecar da farsa amoral de uma sociedade à deriva.

Sobre o autor: Herman Koch nasceu em 1953 em Arnhem, na Holanda. Estudou Russo e viveu na Finlândia durante alguns anos, até se mudar para Amsterdão, onde é produtor de televisão e escritor. O Jantar, bestseller mundial publicado em 40 países e com mais de 700.000 exemplares vendidos na Holanda, recebeu o Prémio Publieksprijs de 2009 e é parcialmente baseado na história verídica de uma mulher sem-abrigo, María del Rosario Endrinal Petit, queimada viva no interior de um ATM em Barcelona, em 2005. É autor de O Jantar, publicado pela Alfaguara no ano passado.

Imprensa
«Um romance inquietante onde o sexo, a fama e a ética médica se entrelaçam num cenário idílico de férias de verão.» 
Kirkus Reviews

«Um romance mais expansivo e ainda mais venenoso que O jantar, sobre dois rivais de férias no Mediterrâneo.» 
The Washington Post

«A grande arte de Herman Koch consiste em arrepiar o leitor com personagens cuja crueldade se esconde atrás de um fino verniz de decência e boas-maneiras.» 
Der Spiegel

«Alucinante, perturbador e inesperado. Koch não poupa ninguém, muito menos os leitores.» 
Herald Sun  

Anteriormente publicado
 

Jonas Karlsson - A Factura [Divulgação Alfaguara]


Data de publicação: 6 Julho 2016
  
               Título Original: Fakturan
               Preço com IVA: 14,90
               Páginas: 166
               ISBN: 9789896651084

Sinopse: 5.700.000 Coroas suecas. 600.000 Euros. Era esse o valor da factura que o nosso narrador recebeu um dia na caixa de correio. O nome na factura era o dele. A morada também.
Mas o que poderia justificar uma soma tão astronómica? Bom… a vida. A vida de um homem modesto, cinéfilo, trabalhador em part-time num clube de vídeo, com um punhado de amigos, um pequeno apartamento soalheiro em Estocolmo e um coração partido, que se contenta com pouco e que tira grande prazer dos pequenos nadas que a vida lhe vai… oferecendo? Bem, aparentemente, nada é de borla. Tudo tem um preço, e o nosso narrador vai descobri-lo da pior forma possível.
Minimalista, surreal e original, o romance de Jonas Karlsson explora o absurdo da vida e questiona a grande meca dos tempos modernos: numa sociedade em que só o dinheiro conta, o que é, afinal, a felicidade e como a medimos?

Sobre o autor: Jonas Karlsson, nascido a 11 de Março de 1971 em Salem, na Suécia, é um reconhecido actor e escritor sueco. Depois de vários anos a interpretar diversas personagens no palco, no cinema e na televisão, Karlsson deu o salto para a criação literária em 2007. A factura, traduzido para mais de 25 línguas, é o seu sexto livro.

Imprensa
«Um olhar irónico e orwelliano sobre o materialismo, o endividamento e a felicidade.»
The Guardian 

«Esta fábula dos tempos modernos é divertida, intrigante e muito bem-humorada.»
The Observer 

«Um livro incrível (…) uma pérola cheia de humor.» 
Livres Hebdo

«Contada através de uma voz peculiar, A factura é uma história diferente e refrescante, com uma resistência ao conformismo arreigada no seu coração.»
The Independent

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Joël Dicker - O Livro dos Baltimore [Divulgação Alfaguara]


Data de publicação: 18 Maio 2016

               Título Original: Le Livre des Baltimore
               Preço com IVA: 21,90
               Páginas: 552
               ISBN: 9789896650674

Sinopse: Até ao dia do Drama, existiam dois ramos da família Goldman: os de Baltimore e os de Montclair. O ramo de Baltimore, próspero e bafejado pela sorte, mora numa luxuosa mansão e encarna a imagem da elite americana. Já os Goldman de Montclair são uma típica família de classe média e vivem numa casa banal em Nova Jérsia. Tudo isto se transforma com o Drama. Movido pelas memórias felizes dos tempos áureos de Baltimore, Marcus Goldman procura descobrir o que se passou no dia do Drama, que mudaria para sempre o destino da família. O que aconteceu realmente aos Goldman de Baltimore?

Sobre o autor: Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. A verdade sobre o caso Harry Quebert é o seu segundo romance, com o qual arrecadou vários prémios: Prix de la Vocation Bleustein-Blanchet, o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa, o Prémio Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para Melhor Romance em língua francesa. O seu primeiro romance, Les derniers jours de nos pères, venceu o Prémio dos Escritores de Genève. 

Anteriormente publicado 
Opinião AQUI


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Herman Koch - O Jantar [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O Jantar é um livro interessante e organizado sob uma estrutura bastante original, desenrolando-se sobre as vertentes que constituem uma refeição: aperitivo, entradas, prato principal, sobremesa e digestivo.

Como a sinopse indica, a história cinge-se a uma reunião entre dois irmãos que decorre durante um jantar e que tem como objectivo tomar uma decisão sobre o que fazer perante uma situação provocada pelos filhos de ambos. Apesar da trama se passar no tempo em que decorre a refeição, o autor refere, por intermédio de flashbacks, algumas situações passadas que tornam consistente esta ocorrência. Contudo, o cerne da história que é, na minha opinião, a situação que despoletou esta reunião, não é imediata. O arranque é moroso e dispersa-se por entre inúmeras alusões gastronómicas.

Eis que chega a revelação da situação grave que os jovens protagonizaram. Devo fazer uma advertência aos leitores para que esta revelação seja de facto chocante: não leiam a badana do livro. Nesta consta uma breve alusão ao autor e na inspiração deste num caso verídico para O Jantar. Ainda assim, fico estupefacta com a maldade infligida no caso. E nesta obra, sendo uma situação provocada por jovens, assume proporções mais graves.

E a partir daí o caso muda de figura: as personagens deixam cair as máscaras e nada é o que parece. Acho que me vou privar de falar sobre estas pois acabam por constituir o segundo factor surpresa da trama. 

O Jantar é uma trama complexa e sombria e explora uma questão muito pertinente mas também já abordada noutras obras de literatura: "Até onde vamos para proteger um filho?" No entanto poder-se-á dizer que a originalidade da obra reside no facto de haver demasiadas revelações que dispersam os nossos juízos de valor sobre as personagens.

Apesar de me ter mantido na expectativa durante a trama toda, fiquei algo desapontada com o clímax. Esperava um desfecho mais surpreendente do que o autor nos apresentou. Todavia este é coerente que lera até então.
Um livro que, por ser assente nos mecanismos psicológicos, mexeu comigo em certos momentos da narrativa. Constitui também uma importante advertência aos pais em como a desresponsabilização dos actos dos filhos é considerada um sinónimo de os amar incondicionalmente.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Herman Koch - O Jantar [Divulgação Editorial Alfaguara]


Data de publicação: 3 Junho 2015 
  
               Título Original: Het diner
               Preço com IVA: 16,90€
               Páginas: 304
               ISBN: 9789898775511

Sinopse:  Noite de Verão em Amsterdão: dois casais encontram-se para jantar num restaurante sofisticado. A trivialidade da conversa, sobre férias e trabalho, entre garfadas satisfeitas e sorrisos educados, deixa adivinhar um jantar aparentemente normal. Aparentemente.
É quando chega o prato principal que descobrimos que os casais não se juntaram para jantar pelo prazer da refeição e da companhia, mas para discutir um acto de violência ignóbil cometido pelos filhos de ambos. Aliás, não para discutir o acto em si, mas para decidir como deverão as famílias agir face ao crime.
Entre status e família, vamos descobrindo até onde estão as pessoas dispostas a ir para defender o que é seu e impedir o seu pequeno mundo de cair por terra.
À medida que a refeição avança e se precipita a revelação de segredos e traições, a tensão crescente entre os casais encaminha-se para um final dramático.
Todos têm algo a perder e ninguém pode clamar inocência.
A natureza do mal exposta à mesa de jantar e a subtileza (i)moral da narrativa fazem desta uma história provocadora, controversa, tensa e brilhante. Um romance que conquistou a crítica e arrasou as tabelas de livros mais vendidos, com perto de um milhão de exemplares em todo o mundo.

Sobre o autor: Herman Koch nasceu em 1953 em Arnhem, na Holanda. Estudou Russo e viveu na Finlândia durante alguns anos, até se mudar para Amsterdão, onde é produtor de televisão e escritor. O Jantar, bestseller mundial publicado em 40 países e com mais de 700.000 exemplares vendidos na Holanda, recebeu o Prémio Publieksprijs de 2009 e é parcialmente baseado na história verídica de uma mulher sem-abrigo, María del Rosario Endrinal Petit, queimada viva no interior de um ATM em Barcelona, em 2005.

Imprensa
 «Deliciosamente negro. Uma leitura imprescindível para o Verão.» 
Independent 

«Apaixonante. Vai ser o assunto do verão.» 
Sunday Times
 

«Uma Gone Girl europeia. O Jantar é um thriller psicológico astuto em torno de um crime horrendo e das suas consequências para duas famílias. (…) Um dos romances mais aguardados do Verão.» 
The Wall Street Journal 

«Quanto mais lia e me embrenhava neste negro e perturbante enredo familiar, mais me arrepiava… À medida que o jantar se transforma num autêntico pesadelo, percebemos até onde a classe média está disposta a ir para proteger a sua prole de monstrinhos.» 
Daily Mail 

«Uma refeição da classe média alta transforma-se numa janela improvável para o privilégio, a violência e a loucura. Koch (…) levanta uma questão pertinente: que dívida é a dos pais em relação aos seus filhos e quanto do carácter destes é herdado dos pais… Uma visão arrepiante do abjecto manter de aparências.» 
Kirkus Reviews 

«Um livro que interessará muitíssimo a todos aqueles que gostam de ver o que acontece quando determinadas convicções confortáveis das famílias da classe média se estilhaçam, quando o finíssimo verniz da decência e das boas maneiras estala de vez e deixa a descoberto as violentas criaturas que espreitam à superfície.» 
The Guardian 

«O Jantar demonstra o quão poderosa pode ser a ficção no desmascarar do mundo moderno (…) Farto de As Cinquenta Sombras de Grey? Então leia O Jantar – e veja o que é ficar chocado.»
The Economist 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Joël Dicker - A Verdade sobre o Caso Harry Quebert [Opinião]


Sinopse: Verão de 1975. Nola Kellergan, uma jovem de quinze anos, desaparece misteriosamente da pequena vila costeira de Nova Inglaterra. As investigações da polícia são inconclusivas. Primavera de 2008, Nova Iorque. Marcus Goldman, escritor, vive atormentado por uma crise da página em branco, depois de o seu primeiro romance ter tido um sucesso. Junho de 2008, Aurora. Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país, é preso e acusado de assassinar Nola, depois de o cadáver da rapariga ser descoberto no seu jardim. Meses antes, Marcus, discípulo de Harry, descobrira que o professor vivera um romance com Nola, pouco tempo antes do seu desaparecimento. Convencido da inocência de Harry, Marcus abandona tudo e parte para Aurora para conduzir a sua própria investigação.

Opinião: Tenho ouvido um pouco pela blogosfera que A Verdade sobre o Caso Harry Quebert é o fenómeno literário deste ano. Daí que iniciei esta leitura com grandes expectativas. No entanto, finda a leitura, não creio que o livro seja merecedor deste título. 
A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert apresenta uma estrutura interessante, enfatizando o mundo dos livros; desde a sua concepção que passa pelo processo da escrita criativa, a desmistificação o uso de escritores fantasmas até aos problemas acarretados pela escrita de um bestseller, onde a responsabilidade da escrita de mais um êxito assenta sobre os ombros do autor. Gostei deste ponto de vista praticamente exclusivo de quem escreve e faz disso vida, acabando inclusivé por ser um aspecto original e inovador comparando com os livros que li anteriormente.
Porém, não é sobre as problemáticas dos autores literários que o livro se debruça exclusivamente. Como a sinopse o refere, existe um assassinato, cometido há trinta anos antes.

Na minha opinião, o livro estaria mais bem conseguido se o autor se cingisse ao fundamental. São quase 700 páginas de uma história com várias reviravoltas, tantas quanto as inferências e as contradições no cruzamento dos vários testemunhos.
O livro, no entanto, distancia-se da criatividade expressa no ponto que acima descrevi pois de uma certa forma, a história faz lembrar The Killing ou Twin Peaks. Grande parte do elenco se constitui suspeito, pelas mais improváveis razões e pela forma como o aprofundar da história traz consigo uma série de revelações sobre a população de Aurora que lidou com Nola. 
A trama é quase toda uma investigação instaurada pelo autor Marcus Goldman, na tentativa de ilibar o seu mentor Harry Quebert da morte de Nola Kellergan, sendo esta baseada em diversos interrogatórios e fundamentada por reconstituições que remotam aos anos 70. Daí que, na minha opinião, o livro peca pela tendência na repetição de informação: se um novo facto é descoberto por Goldman, o mesmo volta a ser expresso quando a acção regride até ao passado. Os capítulos não são muito longos e em comum, têm como início uma troca de impressões entre Marcus e Harry sobre a industria dos livros, revelando alguns truques na sua escrita (bastante motivadores para quem ambiciona escrever um livro futuramente).

Há um aspecto pouco verossímil a apontar na formulação das personagens, em concreto na de Harry Quebert. Confesso que me faz alguma confusão o facto de um homem com trinta e quatro anos se apaixonar por uma rapariga de quinze. Embora esteja implícito um romance, o autor abstém-se das demais conotações pedófilas, portanto um romance todo ele dentro dos trâmites platónicos, expressos por cartas demasiado ingénuas. As próprias acções do casal também o são, parecendo que a sua actividade favorita é dar pão às gaivotas. 
A meu ver, factos estes inconcebíveis pois nunca me esqueci que ele com trinta e quatro anos teria certamente necessidades diferentes de uma moça de quinze anos. Quanto ao Marcus Goldman, até simpatizei com o autor e achei particularmente deliciosos os diálogos deste com a mãe ao telefone, auferindo à narrativa alguns momentos de humor. 

Apesar dos pontos negativos que salientei, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert é um bom livro, embora, na minha opinião, haja pormenores que considerei inconsistentes com a trama e que achei relevante salientá-los. Eu gostei do livro, embora o meu ponto de vista divirja dos vários que fui encontrando e que consideram este livro como uma obra prima.
Os fãs de Twin Peaks e The Killing irão certamente apreciar este volumoso policial com tantos ensinamentos sobre o mundo dos livros, fascinantes aos olhos de quem é fã destes objectos tão mágicos.