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terça-feira, 15 de outubro de 2013

James Thompson - As Lágrimas de Lúcifer [Opinião]


Sinopse: AQUI                                      

Opinião: O sucessor de Anjos na Neve esteve à altura do que esperava. Desde Janeiro do ano passado que impacientemente aguardava pela continuação de um dos melhores policiais que alguma vez li. 
Estou neste momento a equacionar a nota a atribuir no Goodreads. Esta foi uma leitura recém concluída e ainda agora penso nas questões que foram tão bem trabalhadas ao longo do livro. Falo não só dos casos de rumos diferentes, a história do casal protagonista e a acentuada diferença cultural que existe na Europa, nomeadamente entre nós mediterrânicos e nórdicos.

Embora completamente independente do primeiro livro, a nível de acção, recomendo a leitura prévia de Anjos na Neve, visto que a sua trama serve frequentemente como muleta, afim de explicar certos acontecimentos que influenciaram de forma directa, o inspector Kari Vaara. Já em Anjos da Neve, tinha percepcionado uma infância dura, em As Lágrimas de Lúcifer, breves mas objectivos e dolorosos testemunhos sobre esta fase, não deixam qualquer dúvida sobre o quão complicada foi a infância de Kari. Por outro lado, são notórios os efeitos colaterais da investigação do caso de Sufia Elmi, desenvolvida no primeiro livro. A gravidez da sua mulher, Kate, é o factor que influencia a inquietação constante por parte de Kari, que receia a todo o custo, uma situação de aborto espontâneo.
O autor atribui uma importância à vida pessoal das personagens, equiparável aos casos criminais que apresenta, aspecto tão evidente na interacção Kate e Kari, o casal com algumas discrepâncias culturais (não esqueçamos que ela é americana e ele finlandês).

Em relação aos casos criminais contemplados no presente livro, como afirmei, são dois e de naturezas completamente diferentes. Se por um lado Kari investiga o brutal homicídio da esposa de um homem de nacionalidade russa, enveredando assim pelo sórdido mundo dos fetiches e um mundo sexual diferente daquele que a generalidade conhece, por outro Kari tem em mãos um caso mais sóbrio, envolvendo um nonagenário ligado à Segunda Guerra Mundial. 
E porquê estas distinções? Vou falar primeiro do caso de Arvid. Um homem com noventa anos, casado com uma septuagenária de seu nome Ritva, doente oncológica. O autor elabora alguns factos históricos do país. Desconhecia-os por completo, sou mais entusiasta da história portuguesa do que propriamente a escandinava, pelo que se tornou, em vários momentos, uma leitura bastante didáctica. Não desconfio da veracidade dos factos relatados, pois no final Thompson endereça alguns agradecimentos a historiadores.
No que diz respeito ao primeiro caso, o do homicídio de Iisa Filippov, o autor optou por explorar o mundo do sexo. Apesar de chocante, agradou-me muito ver esta exploração do mundo fetichista por parte do autor. Sim, à semelhança de Anjos na Neve, James Thompson envereda pelo teor gráfico das descrições, quer seja referentes à violência ou sexuais. No entanto, penso que esta tendência era sobretudo mais perceptível no romance de estreia. Também por ter lido Anjos na Neve, sabia que, se o autor mantivesse o seu estilo, que estas seriam uma constante na presente obra. 

O que mais me impressionou na trama, além dos casos e do envolvimento com as personagens, foi sem dúvida a relevância da cultura nórdica. Bem, até particularizo a finlandesa pois percebi que a Finlândia está mais em sintonia com a Estónia e os restantes países escandinavos estão agrupados por afinidades linguísticas. Toda uma cultura que me fascina, talvez à excepção do tempo frio, (e partindo do pressuposto que as informações são verdadeiras) sobretudo as medidas governamentais de apoio à população e que nada têm a ver com a política portuguesa.

Simplesmente adorei este livro. Tem todos os ingredientes dos meus policiais preferidos: uma pormenorização chocante, um desfecho imprevisível e umas personagens envolventes. As caracterizações do país lembram-me constantemente da admiração que sinto pela Escandinávia. Sei que me tornei seguidora desta saga. E com isto vou aguardar impacientemente que a Porto Editora publique o seguinte livro, o mais breve possível. Depois da reflexão que se traduziu nesta opinião, já me decidi: vou já cotar o livro com a mesma classificação merecedora de Anjos na Neve, 5 estrelas.

Para mais informações sobre o livro As Lágrimas de Lúcifer, clique aqui.


domingo, 7 de outubro de 2012

John Verdon - Não Abras os Olhos [Divulgação Editorial Porto Editora]



Sinopse: David Gurney sentia-se quase invencível... até que esbarrou com o assassino mais inteligente que alguma vez teve de enfrentar.

Duas semanas é o prazo que Dave Gurney - inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e protagonista do primeiro romance de John Verdon, Pensa Num Número - se impõe para resolver um caso intrigante que lhe chega às mãos: uma jovem noiva é decapitada durante o copo-d'água, rodeada por centenas de convidados. Não há testemunhas, arma do crime ou qualquer pista do assassino. Um desafio ao qual é impossível resistir. Mas a que custo?

Todos os indícios apontam para o novo jardineiro, um homem misterioso e conturbado, mas nada se encaixa - nem o motivo, nem a ausência da arma do crime e, acima de tudo, o cruel modus operandi. Deixando de lado o óbvio, Gurney começa a ligar os pontos longe de imaginar que está prestes a travar uma batalha épica com o pior dos inimigos, um sádico implacável, que não hesitará em arrastá-lo para a beira do precipício e, pior... à sua mulher, Madeleine.

Nas livrarias a 18 de Outubro.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Don Winslow - Selvagens [Opinião]

Selvagens de Don Winslow é o novíssimo livro a integrar a colecção Alta Tensão da Porto Editora. A sua adaptação cinematográfica estreia agora dia 6 de Setembro nas salas de cinema portuguesas.

Mais uma vez o livro alia-se ao marketing alusivo ao filme e "veste" a capa com o cartaz do mesmo. Apesar de ser grande fã do actor Benicio Del Toro, e consequentemente estar satisfeita que este esteja presente na capa, não posso deixar de confessar que, ao tirar a sobrecapa, encontrei uma muito mais apelativa!

Esta foi a minha estreia nos romances de Don Winslow e se há algo que estes devem ter é realismo. Winslow foi um detective e há de ter astúcia e conhecimento sobre o submundo do tráfico de droga. Daí que esta trama, embora fictícia, poderá ser similar à realidade que circunscrita o mundo dos cartéis de droga, onde impera a ilegalidade e imoralidade.

A trama gira sobre as personagens Ben e Chon, dois amigos que dirigem um negócio de plantação de marijuana, e Ophelia, mais conhecida por O, amante dos dois. Dada a rentabilidade deste negócio, Ben e Chon são chantageados pelo Cartel de droga de Baja, o núcleo do narcotráfico mexicano e para os pressionar, os responsáveis do Cartel raptam O. Caberá aos amigos a decisão de ceder à chantagem resgatar O ou pagar vinte milhões de dólares.

Embora me dedique à leitura de policiais mais convencionais estou consciente que a gama deste estilo ainda é extensa e vai desde as tramas com investigações criminais, até às de conspiração, não deixando de abordar aquelas que são mais originais incidindo em temáticas de substâncias ilícitas que culminam nos mais vários crimes, desde a rapto até à agravante de homicídio.
É precisamente sobre esta última a que o livro se insere.

Penso que a apresentação das personagens está um pouco confusa, desrespeitando qualquer linha cronológica. O autor menciona episódios aleatórios, incidindo sobre aqueles em que as personagens tiveram uma prestação pouco ética. Diga-se episódios relacionados maioritariamente com sexo, experiências com droga ou relações com os demais.
Uma dos assuntos que o autor explora é a relação de O com a mãe, fora dos contornos usuais. Para terem uma noção, a senhora tem uma alcunha, Paqu (cujo sinónimo podeis encontrar no livro) e tem uma relação distante com a filha, assimilando-se a uma relação de amigas talvez na idade da adolescência. A própria da O também é uma personagem invulgar. Ninfomaníaca e viciada em compras, nutre um amor muito próprio por Chon e por Ben, apoiando a ideia de promiscuidade, ainda que dentro de um triângulo amoroso.

Em relação a Ben (ambientalista) e a Chon (ex marcenário), dois personagens de carácter quase oposto, têm como paixão a menina O, bem como as suas plantinhas.
Penso que neste ponto o autor esteve muito bem, pois capta a essência de personagens que enveredam pela toxicodependência, embora de um modo pouco assumido (acima de tudo estas dedicam-se à plantação de marijuana, consumindo de vez em quando pois claro, para efeitos de teste do produto).
Por outro lado, para melhor descrever a atitude destas, a narrativa torna-se muito morosa, sendo que começa a surtir efeitos mais emocionantes lá para a página 120 (altura em que O é raptada).

Se existe uma abordagem a temas tão polémicos, o autor adaptou a linguagem para tal. Há um sobre-uso de calão, aliado a um humor negro ou uma ironia muito acentuada, que se reflectem nos episódios sarcásticos sobre a sociedade americana (achei brilhante a forma como o autor encara talkshows como o da Oprah, Ellen deGeneres ou Dr Phil).
Posto isto, há quem se possa sentir desconfortável pelo teor descrito em certas passagens. Quase que me sinto à vontade para dar um requisito fundamental para esta leitura: seja open-minded e não censure as sensações do amor livre entre Chon, Ben e O sob o efeito de drogas ou não.

No entanto os capítulos são muito pequenos, e para dar o exemplo, o primeiro é apenas uma frase. Há desta forma uma dicotomia: a dificuldade em assimilar a temática e a rudeza da linguagem face à facilidade de leitura dado a extensão dos capítulos.

Em suma, Selvagens é uma trama que recomendo aos amantes de temáticas pesadas. É um livro, acima de tudo diferente.
Apesar de Selvagens não se inserir no meu género favorito, não posso deixar de reconhecer o talento do autor face à escrita e a produção de uma trama obscura dentro de um mote até bastante simples. No entanto, estou curiosa em saber como Oliver Stone adaptou este enredo à tela cinematográfica.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

John Connolly - Os Amantes [Opinião]


Os Amantes é o mais recente livro a integrar a colecção Alta Tensão da Porto Editora, exclusivamente dedicada ao género policial e thriller. Ao iniciar a minha leitura deste livro, constatei no Goodreads que este é o oitavo de uma saga protagonizada por Charlie Parker.
Para os mais curiosos, o primeiro está publicado sob o título de O Viajante Assassino, no entanto, sob a chancela da Presença.

Charlie Parker perdeu a licença e a arma como detective particular (provavelmente consequência de acções expressas no livro anterior). Assim, ele irá ocupar-se da investigação sobre o suicídio do pai, que terá ocorrido muitos anos anos em circunstâncias um tanto ou quanto estranhas: depois de ter morto um casal de namorados sem que estes, aparentemente, tenham mostrado ameaças.
Este é o mote para um enredo cheio de mistério, acção, simbologia e um toque de sobrenatural.

Embora tenha gostado da personagem principal, Charlie Parker, pensando nela como um justiceiro (afinal de contas ele terá vingado a morte da esposa e filha) sinto que muito me escapou sobre a mesma. Tive necessidade de perceber porquê terem morto a sua família e como fez ele para punir os culpados (do contexto da narrativa, o leitor apercebe-se que isto terá acontecido).
Neste livro é importante a colaboração do antigo amigo do pai de Charlie, Jimmy Gallagher, que será o mensageiro das revelações de Charlie, provavelmente também terá tido algum destaque nas anteriores narrativas.

Connolly constrói desta forma, personagens complexas e enigmáticas mas altamente realistas, reflectindo instintos tão naturais como o desejo de vingança ou sentimentos que circundam a capacidade de perdoar.

No entanto, este livro foca-se na descodificação de segredos mantidos por parte do pai, desencadeando uma série de revelações importantes não só sobre o progenitor de Charlie como também da sua mãe. Pode dizer-se que este livro, neste aspecto, distancia-se do que terão sido os casos anteriores de Charlie Parker, tornando-se pouco importante a leitura prévia dos livros anteriores.
A justificação de um acto tão vil por parte do pai e a quase negligência da mãe são explorados num contexto dramático intenso, num cenário sombrio apropriado de um filme de terror, provando que o passado nem sempre é tão linear quanto se julga.

Embora esta seja uma trama rica em homicídios, o autor utiliza uma linguagem que, embora seja altamente descritiva, não se encaixa dentro do chocante e do gráfico. Todos os pormenores que poderiam ser mais violentos são suavizados.

Dentro do género do thriller, e sendo este o livro com quem me estreei no autor, posso desde já dizer que John Connolly acaba por distinguir-se no género dada esta inclusão pouco vulgar, dos já referidos elementos sobrenaturais. A meu ver, estes os laivos de sobrenatural retiram um pouco do realismo da trama, mas estão muito bem conseguidos, tornando a intriga ainda mais assustadora. A intriga criminal existe e coaduna-se harmoniosamente com a vida pessoal de Charlie e as revelações tecidas sobre ele.

Os Amantes pode ser lido independentemente de se conhecer a prévia obra de Connolly (não interferindo a apreciação do livro) até porque este enredo visa dissecar os segredos do passado do pai de Charlie. No entanto, ao findar esta leitura, gerou-se uma vontade natural em ler os restantes livros do autor. O problema é que estes não estão publicados em português. Esta é, inevitavelmente, a minha maior crítica, mas também um incentivo à Porto Editora para continuar a publicar obras deste autor.

Atenção curiosos pelo sobrenatural, seitas e simbologia, este é o livro ideal para si!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Reedição de livros da colecção Alta Tensão (Porto Editora)

No Verão de 2010, a Porto Editora lançou o primeiro livro da colecção Alta Tensão, inteiramente dedicada a policiais e thrillers. Com uma capa amarela, relembrando as faixas nas várias cenas de crime, na minha opinião, estas capas não eram apelativas.
No entanto, os livros foram agora reeditados, com novas capas, na minha modesta opinião, soberbas. Ora vejam lá o antes... e o depois!

Alemanha, 1949. No rescaldo da guerra, por entre o caos da derrota, o país é palco de todo o tipo de negócios obscuros, fraudes e intrigas políticas. Para Bernie Gunther, Berlim tornou-se demasiado perigosa e decide partir para Munique, onde voltará a trabalhar como detective privado. No entanto, o negócio está fraco e os clientes são poucos. Quando a bela Britta Warzok o procura – o marido, responsável por um dos piores campos de concentração da Polónia, desapareceu -, Bernie está longe de imaginar a terrível conspiração que se esconde por detrás deste caso aparentemente simples. Na Alemanha do pós-guerra, nada é o que parece ser e, de um momento para o outro, Bernie ver-se-á envolvido numa intriga política que o ultrapassa. Quem ditará as regras do jogo serão antigos médicos do Terceiro Reich. Conseguirá Bernie Gunther enfrentar os fantasmas do seu passado e destruir o legado de Hitler?



Makedde Vanderwall é estudante de Psicologia Forense e, nas horas vagas, modelo internacional. Contactada pela agência para realizar alguns trabalhos de moda e relançar a sua carreira, viaja até Sydney, aproveitando a oportunidade para visitar a sua melhor amiga, Catherine Gerber. Mas as passarelas e as intrigas do mundo da moda depressa perdem importância quando Mak tropeça literalmente no corpo mutilado da amiga. Catherine é a mais recente vítima do «assassino dos stilettos», um homicida cruel que sequestra as suas presas e as tortura, para em seguida as matar. Incapaz de se afastar da investigação, Mak ver-se-á enredada num mortífero jogo do gato e do rato, longe de saber que ela própria se tornou na obsessão de um sádico psicopata…



Ninguém gosta do departamento de assuntos internos da polícia - o «Lado Negro», como é conhecido no meio -, onde polícias investigam outros polícias. É aí que trabalha o inspector Malcolm Fox, numa secção responsável pelos casos mais graves de racismo e corrupção. Enquanto a sua carreira vai de vento em popa, com mais uma investigação bem-sucedida e mais um polícia corrupto desmascarado, a sua vida pessoal deixa muito a desejar. Atormentado entre a culpa de ter internado o pai num lar e a impotência que sente face à situação da irmã, vítima de abusos constantes por parte do homem com quem vive, é-lhe atribuída uma nova missão: aproximar-se de Jamie Breck, um detective suspeito de estar envolvido numa rede de pedofilia, sem que até agora tenha sido possível reunir provas para o acusar. Mas, à medida que Fox se envolve no caso, crescem as suspeitas de que as coisas não são tão lineares como o fizeram crer, e as dúvidas instalam-se, sobretudo quando um terrível homicídio ameaça destruir o frágil equilíbrio entre a sua vida profissional e familiar.

domingo, 6 de maio de 2012

Divulgação Editorial Porto Editora: John Connolly - Os Amantes


Sinopse: Charlie Parker há muito que enfrenta os seus fantasmas. Depois de ter saído da Polícia de Nova Iorque, e agora que vê a sua licença de detetive privado ser-lhe retirada, decide investigar algo que desde sempre o inquietou: o seu passado. Nomeadamente as circunstâncias trágicas que levaram o pai, Will Parker, a matar um jovem casal de namorados, tendo em seguida posto termo à sua própria vida, num ato tresloucado e sem motivo aparente.
Um misterioso casal de amantes, detentores do segredo que tanto atormenta Charlie Parker, obriga-o a mergulhar a fundo na sua própria história, mesmo que isso signifique descobrir verdades incómodas e mentiras comprometedoras.
Em Os Amantes, John Connolly submerge o leitor, com o talento único que lhe é internacionalmente reconhecido, num thriller simplesmente soberbo.

Sobre o autor: John Connolly, (1968), Dublin. Filho de um funcionário público e de uma professora, começou a escrever desde os 6 anos. Estudou inglês na Trinity College, em Dublin e em 1993, tirou o mestrado em jornalismo na Dublin City University. Trabalhou como jornalista freelance e colabora regularmente para o jornal Irish Times.

Nas livrarias a partir de 17 de Maio.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Divulgação Editorial Porto Editora: Jeffery Deaver - Carta Branca


O agente 007 está de volta, quase 60 anos depois de Casino Royale, de Ian Fleming: o americano Jeffery Deaver foi escolhido para dar continuidade às aventuras de James Bond e estreia-se com Carta Branca, que a Porto Editora publica no dia 12 de abril. Jeffery Deaver, autor galardoado de thrillers como O Coleccionador de Ossos, consegue não só captar na perfeição a essência do herói mas também manter o ritmo e a emoção a que Ian Fleming nos tinha habituado.
Alguns dos mitos criados pelas adaptações cinematográficas são quebrados neste novo livro, que recorda alguns dos pormenores dos primeiros livros de Fleming: em vez do Aston Martin, James Bond conduz um Bentley e não se limita ao Martini shaken, not stirred, optando por beber bourbon. Mas há outros detalhes que não serão de todo estranhos ao leitor: o cenário de Carta Branca é o exótico Dubai, as Bond girls são atraentes e perspicazes e os gadgets são os mais modernos, uma vez que James Bond possui um ainda mais inteligente smartphone, o iQPhone. O arqui-inimigo é o magnata Severan Hydt, um homem de negócios inteligente, cheio de recursos e com um plano perverso em mente.

Sobre o livro:
Com pouco mais de trinta anos, James Bond está agora ao serviço de uma nova organização - criada após os trágicos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 - que opera à margem do MI5, do MI6 e até do Ministério da Defesa, que aliás alega desconhecer a sua existência. O seu objetivo: proteger o Reino de Sua Majestade sem olhar a meios.
Quando está a jantar com uma belíssima mulher, James Bond é surpreendido com uma mensagem do quartel-general, que foi alertado para um terrível ataque a ter lugar dentro de dias no Afeganistão: Previsão de milhares de baixas, interesses britânicos seriamente comprometidos.
Bond recebe carta branca para fazer tudo o que for necessário para executar com sucesso a sua nova missão.

Sobre o autor:
Em 2004, Jeffery Deaver foi agraciado com o prémio Ian Fleming Steel Dagger da Crime Writers Association pelo seu livro Garden of Beasts. Mal podia então imaginar que o seu discurso de aceitação do prémio lhe proporcionaria um convite para dar continuidade à série James Bond.
Autor de 27 romances e duas coletâneas de contos, Jeffery Deaver é um dos escritores de thrillers mais bem-sucedidos. Com mais de 20 milhões de livros vendidos em todo o mundo e traduzido em 25 línguas, alcançou o estrelato com o livro O Colecionador de Ossos.
Nomeado seis vezes para o Edgar Award da Mystery Writers of America foi galardoado com prémios tão importantes como o Steel Dagger da British Crime Writers’ Association, o Novel of the Year da International Thriller Writers Association e o Nero Wolfe Award.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Fred Vargas - Um Lugar Incerto [Opinião]

Fred Vargas é um nome já conhecido na literatura policial francesa. Este é o oitavo volume da saga protagonizada pelo comissário Adamsberg, no entanto, é o segundo livro editado na colecção Alta Tensão (este procede a Terceira Virgem).

O Inspector Adamsberg é enviado para Londres, juntamente com Danglard para assistirem a uma conferência. No entanto eles vão averiguar um estranho acontecimento às portas do cemitério Highgate: um conjunto de dezassete sapatos, contendo pés já em decomposição. Voltando a Paris, os detectives deparam-se com um crime hediondo. Apesar de improvável, este crime pensa-se estar de alguma forma, associado ao caso dos pés. Para resolver o caso, Adamsberg desloca-se a uma aldeola na Sérvia, conhecida pela sua história de vampiros e vê a sua vida em perigo.

Adoro a capa deste livro! Está muito bem conseguida e representativa do conteúdo seu conteúdo, cujas passagens no cemitério são brilhantes e arrepiantes!

Tal como em A Terceira Virgem, a autora introduz no enredo alguns elementos do sobrenatural. Se no livro anterior havia fantasmas, aqui temos o mito dos vampiros encaixado numa história mórbida de mortes hediondas, mistério e suspense. A trama é complexa e Adamsberg lida, não só com o caso dos pés decepados como também com uma morte macabra de um jornalista que foi literalmente triturado. São cenas eventualmente chocantes para o leitor mais sensível mas torna-se absolutamente aliciante ler sobre estas mesmas investigações. Todo o enredo se revela intrigante: afinal temos dezassete pés, o que certamente serão de oito pessoas, e um está desemparelhado.

Ainda dentro daquilo que Fred Vargas escreve do mundo do sobrenatural, o realismo dos cenários destaca-se através de descrições bem conseguidas dos vários locais, tendo eu já comentado sobre o cemitério sombrio, mas as passagens sobre a Sérvia estão muitíssimo bem! O leitor literalmente viaja até lá e sente o clima de superstição que todo o povo sente relativamente ao mito dos vampiros. Há uma dose de adrenalina crescente, no que concerne à personagem Adamsberg e na sua passagem pelo país estrangeiro.

Para os mais fãs de Fred Vargas, estes irão constatar que Um Lugar Incerto é o oitavo livro da saga protagonizada por Adamsberg. E agora perguntam se valerá a pena começar a ler a obra de Vargas iniciando por este livro. Ora existem algumas notas de rodapé remetendo para o livro anterior, sobre alguns factos que ocorrem em Um Lugar Incerto, e que de certa forma, serão relevantes tendo como fundo o livro anterior. Assim, antes de recomendar este livro, aconselharia a leitura de A Terceira Virgem, de forma a sentir-se mais cómodo com o enredo e com maior afinidade para com as personagens.

Mas há o reverso da medalha: afinal o leitor irá sentir-se curioso sobre o passado de Adamsberg, desejando ler desde o primeiro volume, esta saga protagonizada por este inspector.

Nomes sérvios ou francesas fogem do standard da literatura mas nada que um apontamento não ajude a associar as diversas personagens ao papel que estas têm na trama. Personagens excêntricas, bem desenvolvidas, complexas e misteriosas são o comum neste enredo de Vargas, penso que, extensível aos outros romances policiais da autora.

Apesar de, a meu ver, a temática de vampiros quando trabalhada independentemente gerar melhores histórias, não posso negar que a combinação deste mito com os vários crimes em Um Lugar Incerto, resulte bem. Temos aqui uma trama complexa de hábil conjunção dos temas mitológico vs realidade que se coadunam muitíssimo bem. Daí que recomendo este livro não só aos amantes do policial e do thriller, bem como os amantes do fantástico. Estes também irão apreciar este enredo diferente mas que dará umas óptimas horas de leitura. Um Lugar Incerto será certamente, um dos poucos livros que actualmente combina harmoniosamente estes géneros tão diferentes e que fará a delícia dos leitores ávidos por mistério mas ao mesmo tempo curiosos pelo mundo mitológico das criaturas sedentas de sangue.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Divulgação Porto Editora: Fred Vargas - Um Lugar Incerto

O próximo volume a integrar a colecção Alta Tensão da Porto Editora é de uma autora já nossa conhecida: Fred Vargas.

Sinopse: O Comissáio Adamsberg encontra-se em Londres a convite da Scotland Yard para assistir a um congresso de três dias. A estadia decorre tranquilamente até ao momento em que Radstock, o seu colega inglês, é alertado para uma estranha ocorrência, à entrada do antigo cemitério de Highgate apareceram dezassete sapatos... com os respectivos pés lá dentro. Enquanto a investigação começa, a delegação francesa regressa a casa e é confrontada com um crime horrível nos subúrbios de Paris: um jornalista especializado em temas judiciais foi, à primeira vista, triturado. Adamsberg consegue relacionar os dois casos e descobre uma pista que o levará até à Sérvia, a uma pequena e misteriosa aldeia onde, reza a lenda, terá nascido o mito dos vampiros.

Nas livrarias a 27 de Fevereiro.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

James Thompson - Anjos na Neve [Opinião]

Anjos na Neve é o livro de estreia do norte-americano residente na Finlândia, James Thompson. Um livro que entrou directamente no top dos meus favoritos da colecção Alta Tensão. Depois de ter lido policiais suecos, noruegueses, islandeses e dinamarqueses, era a Finlândia, o país escandinavo a que faltava um representante do género, editado em português. Esta lacuna foi ultrapassada com a leitura de Anjos na Neve.

A trama inicia-se quando Kari Vaara, inspector da polícia numa aldeola finlandesa, é chamado para investigar o crime de Sufia Elmi, uma actriz de filmes de categoria B, com origem somali. Estamos na época do kaamos, em que é de noite 24 horas por dia e tudo na Finlândia parece enfadonho e depressivo, o que influencia a esposa de Vaara, Kate, americana, que não se familiariza com os costumes do País.
De facto o autor revela-se já como profundamente enraizado num país onde, a cultura é completamente diferente tanto dos valores europeus como os norte-americanos. Sei que o autor é americano mas reside na Finlândia há dez anos, num país onde raramente existem serial killers, os finlandeses não expõem muito os seus sentimentos mas são xenófobos não assumidos.
A morte de uma estrangeira é já algo frequentemente retratado na literatura policial mas não deixa de despoletar conflitos culturais e sociais, ainda mais distintos quando se fala dos nórdicos, em contraponto com os mediterrânicos.

Thompson descreve com um tom crú mas real os procedimentos de uma autópsia bem como os pormenores de toda uma brutalidade na mutilação de um cadáver. Não é fácil digerir os detalhes da extrema violência no corpo de Sufia, deveras chocantes até para o mais forte dos leitores. A linguagem gráfica a que o autor se refere a práticas sexuais e fetiches poderão igualmente deixá-lo chocado.
Mas o bom livro policial se caracteriza desta forma, a meu ver, não existem eufemismos para algo tão cruel como o homicídio.

Uma história contada na primeira pessoa, por parte de Kari, onde usa o tempo verbal do Presente do Indicativo, que induz a sensação de vestirmos a pele do inspector e acompanharmos toda a investigação a par e passo a partir do momento em que se inicia a leitura. Com capítulos curtos e deixados em aberto, o leitor anseia por ler mais um e sem dar conta, chegar ao final. E claro, o livro tem cerca de 250 páginas, o número certo para quem escreve um bom policial sem se perder nos pormenores fúteis. Torna-se aliciante ler este livro, e por mim falo que o li em apenas um dia! A história é daqueles que prende o leitor, e este não descansará enquanto não conhecer toda a verdade sobre Sufia e os segredos que esta escondia.

Fantásticas as personagens que Thomson cria. O inspector Kari Vaara, divorciado, que deixa os seus esqueletos no armário quando conhece a americana Kate e se apaixonam apesar da sua diferença de idades. A própria infância do inspector bem como a relação com os seus pais são aspectos peculiares que o leitor irá gostar de conhecer.
Kate, a sua esposa, que duvida da cultura finlandesa mostrando como contraponto, os costumes norte-americanos mas que ama condicionalmente (e mostra-o) o inspector. É uma personagem bastante ternurenta e que ameniza tantos sentimentos de ódio e revolta que vamos experienciando à medida que desfolhamos as páginas do livro. Mas o confronto de costumes não é apenas nesta relação que é explorado. Neste livro, o leitor irá conhecer os valores incutidos aos muçulmanos e que darão que pensar!

Um enredo intenso que irá mexer com o leitor quer pela qualidade da história, quer na parte da investigação, bem como o desenvolvimento de um súbtil paralelismo entre a cultura finlandesa, por parte de Vaara e os costumes norte-americanos de Kate.
Apesar da morte de Sufia ser fulcral no enredo, haverá outros dramas, completamente inesperados, que farão com que o leitor fique genuinamente surpreendido. O suspense brilhantemente alia-se às reviravoltas inesperadas na trama, contemplando as passagens pessoais das personagens, havendo um racio equilibrado entre as componentes.

Curioso foram as palavras escritas em finlandês, desde o puro calão até às mais singelas, como Obrigado e Amo-te, tornando-se uma leitura também interessante e didáctica na aprendizagem de pequenas palavras finlandesas.
Depois o próprio livro inspirou-me a pesquisar imagens sobre auroras boreais e estas noites polares nos invernos que conseguem chegar à temperatura de 40º negativos! Embora munido destas características tão invulgares, a Finlândia tornou-se um país inspirador. A abordagem e a comparação do caso presente com o da Dália Negra, deixou-me extremamente curiosa em ler a referida obra de James Ellroy.

O único aspecto negativo que posso apontar será o tempo que tenho que esperar até à publicação do livro seguinte desta saga protagonizada por Kari Vaara. Um livro que recomendo, sem sombra de dúvidas. Uma excelente história que deixa-lo-à chocado com a violência, comovido com o amor que supera diferenças culturais e acima de tudo, atraído pela Finlândia e seus costumes.

Quanto à publicação deste primeiro policial finlandês, só tenho algo a dizer à Porto Editora: Kiitos!