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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ann Cleeves - Noites Brancas [Opinião]


Apesar do tempo de leitura deste livro ter excedido (e em larga escala) o da Maldição do Corvo Negro, não pensem que este é menos interessante, o tempo é que foi escasso... trabalho, tese...enfim :/

Mais uma vez Ann Cleeves prova ter mestria no suspense em contar as suas histórias, de uma forma muito própria. A escrita dela faz-me lembrar Agatha Christie, as descrições dos crimes mais hediondos de uma forma muito "polite", muito suavizada mas que consegue manter o suspense a cada virar de página.

Neste segundo volume da tetralogia das ilhas Shetland, a questão chave é o aparecimento de um homem estrangeiro numa exposição de arte, que não se lembra de como foi lá parar...e o mais estranho é que ele aparece morto no dia seguinte com uma máscara de palhaço na cara.

E eis que...surge outra morte, desta vez do jovem Roddy, sobrinho de Bella, a artista que organizou a exposição. Até que ponto estas mortes estarão relacionadas? Quem mataria um desconhecido e depois um jovem local?

Aos poucos a autora vai levantando o véu do mistério, a partir da investigação de Jimmy Perez aos habitantes da ilha, que mais uma vez, aparentam esconder coisas do seu passado e que certamente serão chave na resolução destes crimes. Mas desta vez, Fran, a rapariga que descobriu o corpo de Catherine no livro anterior, vai dar uma ajuda preciosa! E são apenas estas duas personagens em comum nos dois livros (isto para mão falar de outros 2 polícias e Cassie).
As acções são perfeitamente independentes e os plots das histórias nada têm a ver um com o outro, a não ser a atmosfera densa de mistério...

Assim conhecemos as outras misteriosas personagens. O casal Kenny e Edith, que se debate com a dúvida do que terá acontecido a Lawrence, o irmão de Kenny, há muitos anos desaparecido. E Bella, que terá ela a esconder? Tambem o forasteiro escritor Peter Wilding, porque razão terá ele voltado depois de tantos anos?

Uma coisa que me cativa na escrita de Ann Cleeves é a maneira como ela consegue surpreender, lá para o meio da história, a juntar aos dois crimes surge ainda um terceiro elemento de suspense que me deixou vidrada! Os desfechos são simplesmente surpreendentes, vão além do o leitor possa imaginar. Neste livro também pude confirmar esse facto: o final está brilhante e, uma vez mais, é quem menos se espera!

Aconselho vivamente! Superou as minhas expectativas e agora só espero o lançamento do 3º livro desta fantástica tetralogia :D


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ann Cleeves - A Maldição do Corvo Negro [Opinião]


Em vésperas de ano novo, as amigas Sally e Catherine vão visitar o estranho Magnus Tait, um senhor de meia idade que perdeu grande parte das suas faculdades mentais, ou se calhar nunca as teve :/ E este homem é o último a ver Catherine com vida... A rapariga de 17 anos é encontrada morta num campo de neve, um verdadeiro festim para um bando de corvos que ali ronda.

Todas as suspeitas recaem neste misterioso personagem, que oculta alguns segredos do passado. Mas a própria Catherine também os tem...Mas devemos descriminar à partida uma pessoa diferente das outras?

A acção passa-se na ilha de Shetland, em que há 8 anos atrás foi notícia pelo desaparecimento de uma menina local, a Catriona e nunca se soube do paradeiro dela. Será o responsável o mesmo pela morte de Catherine mesmo sendo crimes de natureza diferente?

Todas estas pontas soltas são respondidas de forma bastante inteligente e coerente: durante a investigação do crime, os inquéritos de Jimmy Perez aos moradores da ilha fazem-nos perceber as complexas e surpreendentes relações entre estes. Todos eles têm segredos...

Achei o desenlace do livro tão intenso e surpreendente, no que realmente aconteceu a Catriona e quem matou a adolescente. Eu que sou vidrada em policiais desconfio de tudo e de todos e neste livro caiu-me o queixo, nunca pensei que aquela personagem fosse capaz de matar alguém! A 50 páginas do fim, eu devorava o livro tal era a intensidade dos factos ali descritos.

Só achei que as personagens, de um modo geral, não criam elos com o leitor, deveriam ter sido mais descritas até porque este é o primeiro livro de uma tetralogia. Apenas conhecemos um pouco de Jimmy Perez, que certamente irá chefiar as investigações nos restantes livros.

Em jeito de conclusão, devo dizer que a escrita de Ann Cleeves é envolvente e transporta-nos até ao ambiente sombrio daquelas ilhas. Mais do que um policial, é um livro dramático, mexe com as nossas emoções, e faz-nos pensar no que prevalece mais...será a verdade ou um preconceito? Gostei mesmo muito e dou os parabéns à QuidNovi por ter descoberto mais uma autora de policial que captou a minha atenção!