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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Anne Perry - O Crime em Paragon Walk [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O Crime de Paragon Walk foi o livro com que encerrei o ano de 2015. Escolhi-o pois gosto de alternar as minhas leituras de thrillers mais gráficos com policiais clássicos. Este foi o mais recente título a integrar a colecção Crime à Hora do Chá, tendo sido publicado no Verão. Confesso que tenho algumas saudades desta colecção e faço votos que retomem agora em 2016.

Falando sobre a obra em questão, tal como o Estrangulador de Cater Street, este é um policial cuja acção se passa no período vitoriano. Portanto, estamos perante uma trama com um riquíssimo background histórico. Recordo-me que o início do livro antecessor fora algo moroso, na presente obra é precisamente o oposto: na primeira página é-nos descrita a descoberta do cadáver de Fanny Nash, embora, na minha opinião, desprovido de descrições chocantes. 

A investigação é, como é usual neste tipo de livros, baseada em inquéritos ao círculo de personagens que interagem com a vítima. O número de suspeitos é elevado uma vez que estes têm segredos e que são gradualmente desvendados. Numa sociedade onde se vive da aparência, as personagens podem tornar-se irritantes, dando importância a pormenores banais. 
Ainda assim, adoro descobrir aqueles pequenos segredos sobre estes. 

Notei que O Crime em Paragon Walk é o terceiro livro protagonizado por Thomas Pitt que entretanto casou com Charlotte e já têm um bebé. Recordo-me que em Estrangulador de Cater Street, o inspector fazia a corte à jovem (uma sedução muito diferente das que ocorrem nos dias de hoje). Portanto há um lapso temporal entre as acções do livro anterior e este.

A destacar que, a meu ver, o mais interessante nas obras de Anne Perry é a forma como a autora mescla a investigação policial com a recriação da sociedade vitoriana. E claro, a investigação tão bem conduzida até à identificação da personagem mais insuspeita e com os motivos mais sombrios.

É, indubitavelmente, um romance recomendado aos fãs da escola do policial clássico como os livros de Agatha Christie. Encontro bastantes semelhanças entre o Inspector Pitt e Poirot que recaem num raciocínio e lógicas apuradas.

Em suma, O Crime de Paragon Walk é bastante intrigante, na medida em que os suspeitos têm todos algo a ocultar e interessante pois aprendo sempre imenso sobre os costumes sociais desta época.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Anne Perry - O Crime de Paragon Walk [Divulgação Editorial ASA]


Data de publicação: 9 Junho 2015 
  
               Título Original: Paragon Walk
               Colecção: Crime à Hora do Chá
               Preço com IVA: 13,90€
               Páginas: 288
               ISBN: 9789892331270

Sinopse: Quando a jovem Fanny Nash sucumbe nos braços da cunhada, vítima de um brutal ataque na sofisticada rua de Paragon Walk, cabe ao inspetor Pitt investigar o caso. Recorrendo ao seu incomparável talento e à ajuda de Charlotte, sua mulher e parceira na luta contra o crime, Pitt tudo fará para impedir que o assassino escape impune. Charlotte, cujo cunhado também se encontra sob suspeita, fica incumbida de interrogar todos os residentes da rua, desenterrando sórdidas intrigas e amargas rivalidades. O formidável casal descobre que por detrás das mais elegantes fachadas da sociedade vitoriana espreita algo de muito sombrio. À medida que as máscaras começam a cair, a ameaça de uma nova morte torna-se cada vez mais real...
 
Sobre a autora: Anne Perry (pseudónimo de Juliet Hulme) nasceu em Londres em 1938. Autora de romances policiais com uma forte componente histórica e social, conta já com uma longa e aclamada carreira. O Estrangulador de Cater Street (1979) foi o seu primeiro romance. Vive na Escócia.

Anteriormente publicado
 Opinião AQUI
 

sábado, 6 de julho de 2013

Anne Perry - O Estrangulador de Cater Street [Opinião]


Sinopse:  Enquanto as irmãs Ellison - Charlotte, Sarah e Emily - visitam amigos e tomam chá nos melhores salões londrinos, uma das suas criadas é brutalmente assassinada. Para Thomas Pitt, o jovem e pacato inspetor destacado para o caso, ninguém está acima de suspeita.
A sua investigação na requintada casa da família Ellison vai provocar reações extremas: para uns, será de absoluto pânico; para outros, de deselegante curiosidade; para a jovem Charlotte será algo mais íntimo e empolgante. Algo capaz de levar Thomas a perder momentaneamente o seu instinto detetivesco e a andar com a cabeça nas nuvens. Mas sobre o casal pairam sombras impossíveis de ignorar: Charlotte é uma menina da sociedade e Thomas pertence à classe trabalhadora… e o assassino que atormenta as ruas da cidade continua à solta, implacável.

Opinião: Depois de ter lido o primeiro volume desta colecção Crime à Hora do Chá, Morte na Aldeia de Caroline Graham, depositei grandes expectativas neste O Estrangulador de Cater Street. A avaliar pelos dois primeiros volumes, Crime à Hora do Chá promete ser uma excelente colecção! No entanto, confesso que ao estabelecer uma comparação entre os dois livros, a minha preferência recai para o primeiro.

O Estrangulador de Cater Street é o primeiro da série protagonizada por Thomas Pitt e na minha opinião, combina dois géneros: o policial e o histórico. Por ter lugar na era vitoriana, estamos perante alguns casos de homicídio por estrangulamento, um método de homicídio muito clássico, adequando-se à época em questão. E histórico porque, acima dos crimes e da investigação, há um panorama bastante extenso das questões sociais do final do século XIX em Inglaterra. Os amantes do género histórico vão adorar este livro precisamente por este facto. Longas são as considerações sobre os estratos sociais e as distinções entre as mesmas são evidentes: a pequena/média burguesia que vive confortavelmente sem se preocupar com os mais encarecidos. Não obstante, o crime não olha a nuances sociais e ocorre em qualquer que seja o estrato social...

Um moroso arranque caracteriza este livro, debruçando-se essencialmente no início sobre o direito das mulheres, notando-se pouco interesse na instrução das mulheres mesmo em classes mais abastadas. E quando o eram, como o exemplo clássico de Charlotte, a omissão de assuntos com importância em jornais vespertinos, era banal. As mulheres deveriam ficar o mais isentas quanto possível de informações. Na era vitoriana, as mulheres, sem dúvida, eram secundarizadas.
Rapidamente nos familiarizamos com o núcleo Ellison: patriarca bancário, pertencente então à classe da pequena burguesia, casado com três filhas. Um dos aspectos que também me agradou particularmente na trama foi o desvendar de segredos que ocorriam no seio da família, mostrando que o dinheiro nem sempre garante felicidade.

Um subtil spoiler quando atentei no nome da saga: esta seria protagonizada por Pitt e Charlotte. Ora Charlotte é a filha mais nova dos abastados Ellison, facto que, iniciada a leitura, me sugeriu algum romance entre os dois. Como estava errada: a subtil química é de facto muito discreta como aliás sugerem os romances de época, com a agravante de Charlotte e Pitt pertencerem a classes sociais diferentes e como tal, um elemento contraditório a um possível casamento entre as personagens.
Particularmente gostei dos procedimentos utilizados por Pitt para resolver os crimes, numa época onde a ciência forense era desconhecida. Reunindo um grupo flutuante de suspeitos (e aponto flutuante pois as pistas permitiam retirar ou incluir mais um suspeito na lista), Pitt interessou-se pela psicologia do criminoso.

No entanto, a sensação com que fiquei, é que o crime ou a investigação do mesmo perde-se em tantas descrições (e atente-se que são bem conseguidas) da sociedade vitoriana. Já tive oportunidade de referir que esta sociedade de época fascina-me mas acaba por ofuscar as investigações criminais de Pitt que recaem sobre método de questionário como aliás, seria de esperar.

Fiquei de facto impressionada com o final e o desvendar deste estrangulador que atormenta as jovens. No entanto, esta revelação pareceu-me um pouco abrupta e gostaria de tê-la visto mais desenvolvida. 
No entanto, gostei e achei que a aleatoriedade destas mortes levadas a cabo pelo estrangulador, surpreende o leitor. Falo por mim, que fiquei deveras chocada com uma das vítimas.

Não que o livro me tenha desgostado, mas estava com expectativas de um livro do mesmo género que costumo ler. No entanto este descentraliza-se do crime e do estrangulador, enfatizando uma grande riqueza histórica. A componente policial, embora a meu ver. diminuta, é também bastante interessante.
Fui apanhada de surpresa por ter optado por uma leitura que acaba por ser diferente. Ficarei a aguardar uma nova trama de Anne Perry para satisfazer a dúvida: será que Charlotte, doravante, irá colaborar de uma forma mais activa com Thomas Pitt nas investigações dos casos? 
Mas acima de tudo, desejosa por um próximo volume desta colecção Crime à Hora do Chá, previsto para Novembro com o título Crime de Luxo de Ngaio Marsh.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Anne Perry - O Estrangulador de Cater Street [Divulgação Editorial ASA]


Data de Publicação: 11 Junho 2013

Título Original: The Cater Street Hangman
Páginas: 336
Preço com IVA: 13,90
                 Colecção: Crime à Hora do Chá - volume 2
                 ISBN: 9789892323695

Sinopse: O primeiro mistério do casal de detectives Charlotte e Thomas Pitt.
Enquanto as irmãs Ellison - Charlotte, Sarah e Emily - visitam amigos e tomam chá nos melhores salões londrinos, uma das suas criadas é brutalmente assassinada. Para Thomas Pitt, o jovem e pacato inspetor destacado para o caso, ninguém está acima de suspeita. A sua investigação na requintada casa da família Ellison vai provocar reações  extremas: para uns, será de absoluto pânico; para outros, de deselegante curiosidade; para a jovem Charlotte será algo mais íntimo e empolgante. 
Algo capaz de levar Thomas a perder momentaneamente o seu instinto detetivesco e a andar com a cabeça nas nuvens. Mas sobre o casal pairam sombras impossíveis de ignorar: Charlotte é uma menina da sociedade e Thomas pertence à classe trabalhadora... e o assassino que atormenta as ruas da cidade continua à solta, implacável. 

Sobre a autora: Anne Perry nasce em Outubro de 1938 em Londres e viveu no estrangeiro durante alguns anos, antes de se instalar na sua actual casa em Portahomack, na Escócia.
É considerada uma das mais conceituadas escritoras da literatura policial das últimas décadas. No centro das suas histórias encontra-se a Inglaterra vitoriana, fechada como um casulo, num conjunto de rígidas regras de conduta social.
Escreve duas séries distintas, uma protagonizada por Thomas Pitt, um detective da polícia de origem social modesta, e por Charlotte, uma jovem de boas famílias, e a outra pelo detective amnésico William Monk. Ambas as séries são inspiradas em personalidades da época e os casos em que os detectives se envolvem conservam reminiscências de crimes realmente acontecidos.
Anne Perry desvenda-nos, de forma magistral, todo o complexo universo vitoriano.