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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Arnaldur Indriðason - A Mulher de Verde [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Fico sempre muito satisfeita com a publicação de um policial nórdico. Por alguma razão que desconheço, estes fascinam-me e Arnaldur Indriðason, autor islandês, não é excepção. Já li todos os seus livros publicados em Portugal e gosto do desenvolvimento da série protagonizada por Erlendur Sveinsson.

Depois de publicar A Voz e O Mistério do Lago (que correspondem respectivamente aos quinto e o sexto livros protagonizados pelo inspector Erlendur) a Porto Editora publica A Mulher de Verde, o quarto desta série. Fiquei bastante satisfeita pois apesar de ser grande fã das histórias de Indriðason e do protagonista e tenciono seguir esta saga cronologicamente, embora o meu livro de estreia tenha sido o terceiro, Laços de Sangue (edição que segundo consta até está actualmente esgotada).
Mais tarde, ao ler A Voz e depois O Mistério do Lago, constatei um salto na narrativa e subitamente, os problemas que Erlendur tinha desenvolvido com os filhos, estavam, de certa forma, atenuados. Voltar atrás na história, lendo agora o quarto livro, retomo ao que havia ter conhecido em Laços de Sangue, nomeadamente sobre a personagem Eva Lind e que vai ao encontro com a primeira impressão sobre a personagem. Este livro em particular faz alusão à origem do afastamento dos filhos, algo que ainda estava por esclarecer. 
Por isso A Mulher de Verde é, para quem não consegue ler o primeiro livro em português, um bom ponto de partida para se iniciar nesta série de policiais cujo cenário é a capital islandesa, Reiquejavique.

Posto isto, e dado que estou relativamente familiarizada com a série, constatei que as investigações debruçam-se em moldes diferentes dos outros livros. Em A Mulher de Verde, de uma descoberta de ossadas que remotam a mais de cinquenta anos, surge uma arrepiante história de violência doméstica que impressiona genuinamente o leitor. Afinal de contas, o leitor não se poupa a pormenores de acontecimentos dolorosos pela qual passou uma personagem feminina com três filhos menores. Sobre ela nada sabemos, nem o seu nome, elementos facultados quase no final da narrativa. 
Ainda que o autor não distinga temporalmente as acções passadas e actuais, os cenários induzidos foram fulcrais para que o leitor discernisse os momentos em que ocorreram as subnarrativas.
Achei interessante que o autor fizesse a alusão à Segunda Guerra Mundial de uma forma pouco flagrante e bem distinta do que acontecera no livro O Mistério do Lago.

É de fácil percepção que estas ossadas estão relacionadas com o caso de violência doméstica, embora o leitor não se aperceba como. A ligação é de facto pouco explícita. Não é um livro cuja resolução do caso seja surpreendente, contudo, o que impressiona e torna-o um page turner, são os vários fragmentos de pistas que os arqueólogos detectam em conjunto com o relato extremamente impressionante dos maus tratos e a dor psicológica que estes acontecimentos trazem não só à mulher como aos filhos. Dor esta sentida também por Erlendur que tenta desesperadamente salvar a filha Eva Lind. Além da própria investigação ser cativante, a história inerente ao inspector também o é por abordar a temática da toxicodependência.

Para mim, a leitura de A Mulher de Verde foi mais do que ler um simples policial, foi também viajar para Reiquejavique contemporânea embora sempre presente a história do país. E acaba por ser este facto que distingue Indriðason de tantos outros policiais escandinavos. Sabe-se que nos tempos da Segunda Guerra Mundial, o país manteve um estatuto de neutralidade mas mais tarde a capital acabou por albergar soldados britânicos. E a ficção a partir deste facto verídico pode assumir várias formas. A Mulher de Verde é apenas uma constatação do que afirmo.
A chamada Reykjavík Murder Mysteries é uma série cativante, não só pela personagem fascinante que é Erlendur (e complexidade da interacção familiar) bem como pelas várias investigações criminais alusivas a casos únicos e originais. Eu recomendo!




segunda-feira, 21 de abril de 2014

Arnaldur Indriðason - A Mulher de Verde [Divulgação Editorial Porto Editora]


Data de publicação: 24 Abril 2014

               Titulo Original: Silence of The Grave
               Tradução: Vasco Gato
               Preço com IVA: 16,60€
               Páginas: 264
               ISBN: 9789720045461


No dia 24 de abril, a Porto Editora publica A Mulher de Verde, um livro de Arnaldur Indriđason, autor com obra publicada em já vinte e seis países e atualmente uma das principais vozes da literatura policial escandinava. 
Com A Mulher de Verde, o autor foi premiado pela Crime Writers’ Association com o Gold Dagger Award, seu principal galardão para romance policial. 
A crítica foi unânime na apreciação deste livro. Sobre ele, escreveu nomeadamente o The New York Times: «Ao aplicar o seu estilo austero em A Mulher de Verde, descrevendo um crime com um fulgor emocional e uma complexidade sociológica tão grandes, acaba por conquistar o brio de uma narração épica».

Sinopse: Há segredos que não podem ficar enterrados para sempre… 
Numa encosta perto de Reiquejavique, algumas crianças brincam junto aos alicerces de uma nova casa em construção quando, de forma inesperada, encontram uma costela humana. 
A mórbida descoberta leva de imediato o inspetor Erlendur e a sua equipa da polícia científica a instalarem-se no terreno, unindo esforços para desenterrar o resto do corpo secretamente sepultado e ao mesmo tempo investigar aquele estranho caso feito de contornos brutais, escondido debaixo da terra desde o período da II Guerra Mundial. 
À medida que cada osso vai sendo desvendado, também a história de violência doméstica e corrupção no seio de uma família vem ao de cima, oferecendo àquele mistério sinais cada vez mais tenebrosos de que o terror pode ser coisa de gente comum. 
O caso exige toda a coragem que o inspetor Erlendur possa encontrar em si, ele que, assistindo à morte lenta da própria filha toxico-dependente, que depois de abortar entra num coma profundo, não pode evitar confrontar-se com as responsabilidades de ter levado, também ele, a sua família a uma degradação quase completa.

Sobre o autor: Arnaldur Indriđason (Reiquejavique, 1961) é historiador, jornalista e crítico literário e de cinema. Durante vinte anos trabalhou para o Morgunbladid, o mais importante diário da Islândia, antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro. Publicados em vinte e seis países, os seus romances rapidamente se tornaram bestsellers. A sua vasta obra tem recebido inúmeros prémios, entre os quais se destacam o Prémio Chave de Vidro (2002 e 2003), atribuído pela Associação Escandinava do Romance Policial, e o CWA Gold Dagger.

Imprensa
«Indriðason conseguiu, em definitivo, atingir a excelência dos autores de policiais escandinavos.» 
Booklist 

«Fascinante. Esperem pela nomeação de Indriðason nas listas de melhor novo autor, melhor romance de mistério, e por aí fora.»
Bookpage

«Um dos mais brilhantes escritores de policiais da sua geração.» 
The Sunday Times

Leia as primeiras páginas aqui.

Anteriormente publicados









domingo, 28 de abril de 2013

Arnaldur Indriðason - O Mistério do Lago [Opinião]


Sinopse: O nível das águas do lago Kleifarvatn tem vindo a descer lentamente na sequência de um terramoto.
Uma hidróloga local está a estudar o estranho fenómeno quando descobre uma ossada humana com um buraco no crânio e, ao lado, um velho aparelho de rádio com inscrições em cirílico quase ilegíveis. A Polícia é enviada ao local e o inspetor Erlendur e a sua equipa ficam a cargo da investigação, que os levará a pesquisar desaparecimentos ocorridos na Islândia na década de sessenta. As pesquisas conduzem-nos inevitavelmente às embaixadas do ex-bloco soviético e a antigos estudantes islandeses das juventudes socialistas, bolsistas na Alemanha de Leste em plena Guerra Fria.

Opinião: O Mistério do Lago é o sexto livro da série de policiais islandeses protagonizada pelo inspector Erlendur Sveinsson e o terceiro a ser publicado em Portugal, sucedendo-se a Laços de Sangue (de 2006 pela Civilização Editora) e A Voz (de 2011 pela Porto Editora).

O Mistério do Lago consiste numa trama com uma dualidade: actualmente é encontrada uma ossada num lago, cuja identidade é investigada pelo inspector e a sua equipa. Sem qualquer identificação cronológica e através de flashbacks, a trama regride até aos anos 50 e conta a história de um grupo de jovens que estudam na universidade de Leipzig, no coração da Alemanha de Leste onde é notório um ambiente maioritariamente repressivo devido ao regime comunista, tratando-se de um contexto histórico bastante real.
Embora a subtrama englobe alguns aspectos políticos, não creio que sejam maçadores. São fulcrais para se entender as ideias da Alemanha antes da unificação. Recentemente vi um filme sobre o tema, Adeus Lenine, pelo que facilmente consegui envolver-me na subtrama de Tómas.
Neste trecho narrativo,envolvi-me por completo na emocionante história do islandês Tómas, que acaba por mostrar o lado maravilhoso da vida como os seus piores dissabores.

Acaba por ser este aspecto, o factor que torna O Mistério do Lago diferente dos dois livros antecessores. Enquanto Laços de Sangue e A Voz se debruçavam em investigações totalmente contemporâneos, penso que a presente obra vai mais longe ao abordar este período da história. Pela primeira vez, leio um livro do autor que investe em acontecimentos passados, não fosse Arnaldur Indridason historiador.

O autor, à semelhança dos livros anteriores, incide muito sobre a vida pessoal das personagens e fá-lo não só debruçando-se sobre a história de Erlendur, o protagonista da série, como disseca minuciosamente a vida de Tómas e as suas interacções no ambiente universitário. Este acaba por ser um ponto forte na narrativa: a forma como Tómas se "entranha" no leitor, deixando um sentimento de felicidade e revolta.
Se tivermos em conta o desenvolvimento da vida pessoal das personagens, este acaba por ser o aspecto mais independente da trama. Em relação à vida de Erlendur, há claramente uma dependência que remota ao livro antecessor do autor, A Voz e mais remotamente Laços de Sangue. Em O Mistério do Lago, o autor relembra apenas a relação deste com a filha, Eva Lind. No entanto, Indridason negligencia os laços com o filho Sindri ou com a mulher misteriosa Valgerdur. Uma vez que li A Voz em 2011 e como tal, não me lembrava de alguns pormenores, tive necessidade de folhear o livro antecessor para me contextualizar sobre estes.

Pertencendo a uma série, seria expectável o desfecho que deixa em aberto o rumo das personagens principais, em particular os fantasmas do passado de Erlendur e a sua relação com os filhos (e até Valgerdur). Apenas foi completamente resolvido o caso da ossada misteriosa, cuja identificação acabou por marcar o aspecto surpreendente da trama. 
Deixo o meu apelo à Porto Editora, que publique o próximo volume em breve!

Em suma, este foi um livro que me cativou a ponto de não conseguir parar de ler. Bendito 25 de Abril, que me deixou ficar em casa e viajar alternadamente pela Alemanha do Leste e a Islândia. Li praticamente o livro todo no feriado!
Uma caracterização fabulosa associada à influência do passado para um crime actual (e um riquíssimo contexto histórico) conferem a O Mistério do Lago, uma leitura extremamente interessante! 
Gostei mesmo muito! Recomendo não só a leitura deste Mistério do Lago bem como d´A Voz e seguir esta fascinante série de policiais islandeses.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Arnaldur Indriđason - O Mistério do Lago [Divulgação Editorial Porto Editora]

Data de Publicação: 15 Abril 2013 

Título Original: Kleifarvatn
                 Tradutor: Vasco Galo
Páginas: 312
Preço com IVA: 16,60
                 ISBN: 9789720045454 

Arnaldur Indriđason, considerado por Luis Sepúlveda «a grande voz do policial nórdico», publica um novo livro na Porto Editora. Depois de A Voz, chega no dia 15 de abril às livrarias O Mistério do Lago.
Vencedor do Prémio Chave de Vidro, atribuído pela Associação Escandinava do Romance Policial, e do CWA Gold Dagger, o autor tem a sua obra publicada em 26 países e é uma referência dentro da literatura policial negra. O Mistério do Lago é protagonizado pelo inspetor Erlendur, que desta vez investiga um assassinato que envolve membros do ex-bloco soviético.

Sinopse: O nível das águas do lago Kleifarvatn tem vindo a descer lentamente na sequência de um terramoto. Uma hidróloga local está a estudar o estranho fenómeno quando descobre uma ossada humana com um buraco no crânio e, ao lado, um velho aparelho de rádio com inscrições em cirílico quase ilegíveis. A Polícia é enviada ao local e o inspetor Erlendur e a sua equipa ficam a cargo da investigação, que os levará a pesquisar desaparecimentos ocorridos na Islândia na década de sessenta. As pesquisas conduzem-nos inevitavelmente às embaixadas do ex-bloco soviético e a antigos estudantes islandeses das juventudes socialistas, bolsistas na Alemanha de Leste em plena Guerra Fria.
Um romance carregado de mistério que confirma Arnaldur Indriđason como um dos grandes nomes do policial nórdico.


Sobre o autor: Arnaldur Indriđason (Reiquejavique, 1961) é historiador, jornalista e crítico literário e de cinema. Durante vinte anos trabalhou para o Morgunbladid, o mais importante diário da Islândia, antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro. Publicados em vinte e seis países, os seus romances rapidamente se tornaram bestsellers. A sua vasta obra tem recebido inúmeros prémios, entre os quais se destacam o Prémio Chave de Vidro (2002 e 2003), atribuído pela Associação Escandinava do Romance Policial, e o CWA Gold Dagger.

Imprensa
«Arnaldur Indriđason é um contador de histórias nato, com um dom especial para evocar a complexidade do ser humano.»
The Guardian
 
«Um romance excecional, que transcende o género.»
Library Journal

«Arnaldur Indriđason deixa o leitor em suspenso até às últimas páginas.»
Washington Post

«O grande nome do romance negro islandês.»
El Mundo 

Leia AQUI as primeiras páginas.

Anteriormente publicado pela Porto Editora (para ver a sua opinião, clique sobre a imagem)














sábado, 18 de junho de 2011

Arnaldur Indriðason - A Voz [Opinião]

Já conhecia este autor islandês. Ainda antes do blog ter nascido, li um livro dele, Laços de Sangue, que me marcou profundamente. Ainda hoje me recordo da história e das personagens (que são comuns a este livro, a Voz). Nessa altura nem se falava de Stieg Larsson, por isso foi provavelmente com este autor que me estreei na literatura nórdica.

Há muito que não tinha uma leitura assim! O livro prendeu-me desde o primeiro instante e tornou-se de certa forma, viciante. Li este livro em qualquer coisa como dois dias! Uma leitura que se caracterizou como bastante compulsiva!

Sem rodeios, o livro começa logo com o aparecimento da polícia no local do crime, um quarto na cave de um hotel islandês. A acção decorre em plena época natalícia e um homem vestido de Pai Natal, chamado Gudlaugur Egilsson aparece morto. Pelo estado do cadáver, bem como a posição comprometedora em que se encontrava, o leitor rapidamente deduz o grau de brutalidade do crime e o detective Erlendur Sveinsson é obrigado a intervir juntamente com a sua equipa.

Para compor o ramalhete, é também descrito o caso de uma criança alegadamente espancada pelo seu pai. Terão estes dois casos algum ponto em comum?

O livro centra-se não só na investigação destes crimes como também na personagem principal, Erlendur. Como começa já a ser comum, há toda uma panorâmica de problemas familiares na vida do detective, em especial a relação peculiar entre ele e a sua filha Eva Lind. Este é portanto uma personagem complexa, que esconde os seus sentimentos. Não sei se será a própria cultura nórdica (e já em Stieg Larsson senti isto), mas de um modo geral as personagens são frias, não expondo o que sentem (exceptuando talvez Eva Lind). Talvez seja uma questão cultural...

Com isto não quero dizer que as personagens são supérfluas, até porque grande parte do livro refere um trauma de infância de Erlendur, o que o aproxima mais ao leitor. Até a vida do porteiro Gudlaugur é explorada, de forma a que sintamos afinidade (e pena) do homem.

À primeira vista não me ocorria a ligação do nome do livro com o caso, mas se tiverem a oportunidade de ler o livro, irão perceber o quão importante é a Voz na vida de todos nós. Curiosos? Não digo mais nada...!

Em relação à escrita do autor, gostei bastante. É fluída, com um vocabulário acessível. Indridason formula capítulos pequenos e por umas duas vezes ainda me fez rir, pela forma como usa brilhantemente uma pitadinha de humor. Os diálogos entre as demais personagens são bastante intensos e abundantes o que dinamiza bastante a narrativa. Até a maneira como conta acções passadas é peculiar, recuando a acção do livro até a esses momentos, para os vivenciarmos melhor.

Como a narrativa e a própria investigação do crime sempre tiveram surpresas, o desenlace não escapou a este efeito de impressibilidade. No entanto achei-o demasiado rápido (muitas pontas soltas que são explicadas apenas nesse momento, num número muito reduzido de páginas).

Só tenho uma coisa a apontar: encontrei algumas gaffes no livro, que me distraíram da leitura, ainda que momentaneamente.

Dado que é um livro que mexe com o leitor, através da história de Erlendur e Eva Lind, vai além do mero policial. Não deixa de ser um drama intenso que nos deixa a reflectir nos acasos da vida. Um livro ideal para os aficionados das leituras nórdicas que não devem perder!