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sábado, 6 de junho de 2015

Edgar Allan Poe - Os Crimes da Rua Morgue [Opinião]


Sinopse: Os Crimes da Rua Morgue" é considerado por muitos a primeira obra policial de sempre. Mãe e filha são encontradas mortas num edifício situado na Rua Morgue, uma artéria parisiense. As vítimas foram brutalmente assassinadas e a sala onde foram descobertos os corpos encontrava-se trancada por dentro. Para adensar o mistério, os vizinhos alegam ter ouvido o assassino falar numa língua que ninguém consegue identificar. Quando um homem é acusado do crime, C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, oferece-se para ajudar a polícia a resolver este caso e impedir que um homem inocente seja preso por um crime que Dupin acredita não ter cometido. Um pelo encontrado junto dos corpos leva-o a crer que o assassino poderá não ser humano…

Opinião: Antes de mais, tenho mesmo que ressalvar o fantástico trabalho da Civilização Editora na publicação dos clássicos. Como sabem, eu não sou grande fã destes ditos clássicos, no entanto, estes livros de capa vermelha vão ao encontro dos meus gostos, sendo do género de terror e suspense.
No entanto aponto como crítica o facto de a sinopse da obra ser referente apenas ao primeiro conto, menosprezando os outros da colectânea que inclui os seguintes: O Mistério de Marie Rogêt, O Escaravelho de Ouro, A Milésima Segunda História de Xerazade, A Lenda das Montanhas Rugosas, O Poço e o Pêndulo, A Máscara da Peste Escarlate e O Casco de Amontillado.

O meu estado de espírito ao iniciar este livro foi um misto de reticente e expectante. Nunca lera Edgar Allan Poe e esperava que esta obra fosse uma leitura desafiante. E assim foi.
As minhas histórias preferidas foram Os Crimes da Rua Morgue e O Mistério de Marie Rôget por abordar tão entusiasticamente a temática do crime, contudo, não fiquei indiferente a O Poço e o Pêndulo pelas descrições exímias do narrador.

Fiquei agradavelmente surpreendida com o primeiro conto que dá o nome à obra, Crimes da Rua Morgue. Após uma reflexão sobre o poder da dedução em detrimento da criatividade (penso que para convencer o leitor da capacidade analítica de Dupin), a trama avança num ritmo bastante rápido, ora não fosse esta um conto de apenas cinquenta páginas. O conto é narrado na primeira pessoa, um homem que vive com Dupin (será um aspirante ao autor?).
Embora não concorde com a resolução do final, parecendo-me algo inverosímil, fiquei surpreendida com o grafismo relacionado com os cadáveres. Pareceu-me bastante avançado se tivermos em conta que estamos perante um livro de 1841.

O segundo conto intitulado O Mistério de Marie Roget, também protagonizado por Dupin, foi inspirado num caso verídico.Esta trama, na linha da história anterior, desenrola-se num ambiente tenso, com a agravante de ser inspirado num caso que aconteceu de facto. Embora a narrativa seja cativante, senti-me decepcionada com o desfecho. Não me posso alongar em explicações sobre a razão de me ter sentido assim, facilmente traria spoilers, mas deixo ao vosso critério para que leiam este pequeno e interessante conto.

C. Auguste Dupin, o protagonista das duas primeiras short stories, assemelha-se a Sherlock Holmes e Poirot pois a sua capacidade dedutiva é a chave para resolução dos casos, fazendo-me parecer que esta personagem terá sido precursora dos detectives supra referidos.

O Poço e o Pêndulo é fantástico. Retrata com mestria a época da Inquisição Espanhola e acompanhamos o encarceramento do narrador num ambiente deveras claustrofóbico enquanto aguarda a sua execução. Ponto forte para as descrições do terror experienciado pelo narrador! Fiquei genuinamente impressionada!

Em suma, Os Crimes da Rua Morgue parece-me uma excelente antologia de contos para quem, como eu, sente curiosidade sobre o autor. Os contos debruçam-se sobre vários temas que não o crime, incluindo-se nas categorias de aventura (como é o caso de O Escaravelho de Ouro) e terror.

Dado que são histórias curtas, este é um livro de rápida leitura, no entanto, propícia à reflexão, tendo-me parecido bastante audaz para a época em que os contos foram escritos. No entanto, lamento que a obra não tenha incluído o terceiro e último conto protagonizado por Dupin, A Carta Roubada. Pessoalmente, teria gostado de o ter lido.

Uma leitura diferente, sem dúvida. O meu respeito pelo autor cresceu desmesuradamente.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mark Mills - Sombras Passadas [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Já conhecia as obras de Mark Mills, tendo lido já Maré de Azar. Esta trama, de contornos bastante diferentes, não gerou desde início um impacto positivo, desconhecendo eu se relacionado com o facto de ter lido um livro bastante bom antes de Sombras Passadas. Sou sincera, inicialmente o livro não me cativou. Foi então que fiz um breve interregno na leitura, e quando retomei, o livro soube-me bem melhor.

A trama começa na Rússia, logo após a I Guerra Mundial, onde o protagonista Tom Nash opera como um espião dos serviços secretos britânicos, escapando de ser mais uma vítima do novo regime comunista. A sua namorada Irina, por outro lado, não teve tanta sorte. Dezasseis anos mais tarde, Tom encontra-se afastado das lides de espionagem, na Riviera Francesa, escrevendo livros sobre viagens. Até que, num idílico noite, atentam contra a sua vida, levantando a dúvida: terá sido alguém do seu passado ou do actual círculo de amigos?
Tentando resolver o mistério, Nash encontra personagens diversificadas mas cuja interpretação é fascinante (desde intelectuais à elite privilegiada) na rotina da Riviera Francesa. O autor descreve pormenorizadamente os possíveis suspeitos, incluindo a sobrinha Lucy com quem Tom tem uma relação de grande amizade.

Já em Maré de Azar, tinha constatado que a escrita do autor nos transportava àqueles cenários marítimos, tão concordantes com a vida na comunidade pesqueira. No presente livro, Mills leva o leitor a viajar à Riviera Francesa, numa sucessão de belas praias e convida a juntar-se a Tom nas partidas de ténis ou jantares e cocktails.
Mark Mills prova assim a sua versatilidade na escrita. Não que conheça todas as obras do mesmo, mas Maré de Azar foi uma história bastante diferente da que se afigura em Sombras Passadas.

Com um desfecho não conclusivo, aguardo com curiosidade se o autor nos surpreenderá com uma sequela!

Sombras Passadas é uma história cativante sobre traição e lealdade, assente sobre sólidos pormenores de época, em especial, a espionagem dos anos 30. Um fundo histórico enriquecido com detalhes sobre os planos de Hitler para a invasão da União Soviética, intriga e uma pitada do que terá sido a sociedade da época. Sem dúvida, um bom thriller histórico.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mark Mills - Sombras Passadas [Divulgação Editorial Civilização Editora]


Data de Publicação: 5 Agosto 2013

Título Original: House of the Hunted
Páginas: 336
              Preço com IVA: 15,90€ 
              ISBN: 9789722634885 

Sinopse: França, 1935. Nos confins da Riviera fica Le Rayol, um refúgio para artistas, expatriados e refugiados. Aqui, longe dos rumores de um continente prestes a entrar em guerra, Tom Nash reconstruiu a sua vida após uma tumultuosa carreira nos Serviços Secretos.
Mas o seu passado não parece querer abandoná-lo. Quando um intruso tenta assassiná-lo durante a noite, Tom sabe que é apenas uma questão de tempo até tentarem de novo.
Todos os seus entes mais queridos estão reunidos em Le Rayol para passar o verão, incluindo Lucy, a sua adorada afilhada. A custo, Tom começa a acreditar que um deles o terá traído. Para sobreviver, Tom tem de eliminar o seu inimigo. Mas a que preço - para si e para aqueles que ama?

Imprensa:
«Mais uma vez, Mills apresenta um mistério convincente e bem escrito, que cumpre todos os requisitos do suspense.»
Daily Mail

«Um novo romance hipnotizante… a melhor obra da sua já consagrada carreira.»
Independent

«Mark Mills escreve muito bem […] muito agradável de ler.»
Literary Review


terça-feira, 5 de março de 2013

Passatempo Civilização Editora: Rosamund Lupton - Depois [Resultado]


Com a preciosa colaboração da Civilização Editora, a menina dos policiais tinha um exemplar deste livro, Depois de Rosamund Lupton, para oferecer. Desde já agradeço à editora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo. Com 197 participações válidas, as respostas correctas eram:

1. Como se chama o livro de estreia da autora, publicado pela Civilização em Fevereiro de 2012? Irmã
2. Qual é o título original de Depois? Afterwards
3. Qual é o desastre que inicia a trama? Um incêndio
4. Como se chama a filha adolescente de Grace? Jenny

E após um sorteio no random.org, a vencedora é:

154 - Isabel Azevedo (Amadora)

Parabéns à vencedora!!! A todos os que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer estes passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos! 



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Passatempo Civilização Editora: Rosamund Lupton - Depois


Desta vez, e em parceria com a Civilização Editora, a menina dos policiais tem para sortear, um exemplar do livro Depois de Rosamund Lupton. Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes.

Regras do Passatempo:
- O passatempo começa hoje dia 20 de Fevereiro de 2013 e termina às 23h59 do dia 1 de Março de 2013.
- O participante vencedor será escolhido aleatoriamente.
- O vencedor será contactado via e-mail.
- Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.
- Se precisarem de ajuda, podem consultar aqui:

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!! :)






terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Rosamund Lupton - Depois [Divulgação Editorial Civilização]


Data de Publicação: 13 de Fevereiro 2013 

Título Original: Afterwards
Páginas: 432
Preço com IVA: 16,90€
              ISBN: 9789722633826    

Sinopse: É um incêndio e eles estão lá dentro. Eles estão lá dentro… Fumo negro mancha o céu azul de verão. Uma escola está a arder. E uma mãe, Grace, vê o fumo e corre. Sabe que Jenny, a sua filha adolescente, está lá dentro. Corre para o edifício em chamas para a salvar. Depois, Grace tem de descobrir a identidade do autor do incêndio e proteger a sua família da pessoa que continua determinada a destruí-los a todos. Depois, tem de forçar os limites da sua força física e descobrir que o amor não conhece limites.

Sobre a autora: Rosamund Lupton ensina Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge. Depois de vários empregos em Londres, incluindo copywriting e revisão para a Literary Review, venceu uma competição para jovens escritores e foi selecionada pela BBC para um curso de jovens escritores. Também foi convidada para o grupo de escritores do Royal Court Theatre. Escreveu guiões originais para televisão e cinema, antes de escrever o seu primeiro romance, Irmã, um bestseller no Reino Unido e nos EUA. O seu segundo romance, Afterwards, agora traduzido em Portugal intitulado Depois, é um bestseller no Reino Unido.
Rosamund vive em Londres, com o marido e os dois filhos.



Críticas de imprensa
«Extraordinário […] de parar o coração […] um thriller muito bem construído.»
Mail on Sunday

«Tal como o Irmã, seu romance de estreia, Depois é um best-seller garantido. Lupton encontrou uma forma de combinar emoção intensa com um enredo empolgante.»
Daily Mirror

«Uma mistura arrojada e fascinante de suspense psicológico, thriller literário e paranormal […] muitíssimo bom.»
Seattle Times



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tana French - Sombras do Passado [Opinião]


Sinopse: Um momento decisivo - aos dezanove anos - definiu o rumo de vida de Frank Mackey: quando a sua namorada, Rosie Daly, não compareceu a um encontro em Faithful Place e, dessa forma, não fugiu com ele para Londres como tinham planeado. Frank não voltou a ter notícias dela.
Vinte anos mais tarde, Frank vive ainda em Dublin e trabalha como polícia infiltrado. Cortou todos os laços com a sua família disfuncional. Até ao dia em que a irmã lhe telefona a dizer que encontraram a mala de Rosie. Frank embarca numa viagem ao passado que o leva a reavaliar tudo aquilo que ele crê ser verdade.

Opinião: Tana French é uma autora com a qual tenho uma relação estranha. Ainda não sei se sou fã. E porquê? Gostei imenso do seu livro de estreia, Desaparecidos (lido antes de surgir o blog, daí a ausência de opinião), mas ao enveredar pela leitura de A Semelhança, devo confessar que as minhas expectativas foram defraudadas.
Ainda assim, Sombras do Passado era um livro que tinha lugar cativo na estante desde a sua altura de lançamento, Fevereiro de 2010, e após ter lido boas críticas sobre o mesmo, lancei-me na sua descoberta, tendo sido o último livro lido em 2012.

Este foi um livro que me cativou muito devido ao enredo que se debruça sobre segredos do passado que surgem como revelações inesperadas. Não há nenhum serial killer que inferniza a vida de uma população, sendo o principal mistério, a investigação do paradeiro de Rosie, após uma prova encontrada duas décadas depois. O que sugere uma narrativa de ritmo lento, rapidamente se torna ávida e bastante intrigante.
A autora precocemente desvenda a chave que encerra o mistério relativo a Rose, o que não faz perder o entusiasmo pelo livro, antes pelo contrário, o leitor aventura-se, juntamente com Frankie na investigação que justifica tal desfecho da personagem.

A trama é rica em analepses, e embora isentas de qualquer marca temporal, estas são fulcrais e ajudam a perceber como evoluiu a relação de Frankie com Rose, e com os demais elementos na sociedade à vinte anos atrás. As mesmas são contextualizadas na narrativa da actualidade com grande naturalidade, sem que o leitor se perca na acção.

Tana French volta a utilizar a fórmula que a caracteriza e a distingue como única no género: ela torna como protagonistas, personagens que tenham aparecido em livros anteriores. Desta forma, o protagonista é Frank Mackey, que tem uma participação fugaz em A Semelhança. Sem grandes afinidades para com o leitor, até porque a personagem está francamente subdesenvolvida no livro antecessor, em Sombras do Passado, a autora preocupa-se em dotar um carácter forte, que o distingue da família.
Tal pormenor garante que os livros se possam ler independentemente, até porque os protagonistas são, regra geral e embora participantes da trama anterior, praticamente desconhecidos. As tramas são completamente independentes umas das outras.

São esperados desenvolvimentos aliados às famílias disfuncionais, a temática elegida para a autora, para caracterizar e justificar o afastamento para com a família em Faithful Place. Nesta óptica, o alcoolismo e a negligência parental destacam-se harmoniosamente no ambiente onde se insere o mistério fulcral desta trama.

A autora tem uma escrita que também acaba por diferenciá-la em relação aos demais escritores de policiais.
Penso que é de salientar a abundância dos diálogos, de uma forma bastante natural. Ou seja, escrita sem floreado, dotada de observações com algum humor, bastante presente nos diálogos, e o eventual uso ao calão, tornando as falas das personagens muito naturais e realistas.

Mais do que um thriller, Sombras do Passado constitui uma interessante reflexão sobre os caminhos da vida e as consequências do rumo escolhido por cada um de nós. Gostei imenso e aguardo com ansiedade pelo próximo livro da autora.




sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Divulgação Editorial Civilização: Jeff Abbott - O Último Minuto


Sinopse: Sam Capra tem uma única razão para viver: recuperar o filho das pessoas que o raptaram. Agora, os raptores fazem-lhe uma proposta mortal: entregam-lhe o bebé… se Sam concordar em cometer um assassinato espetacular. Aliando-se a uma jovem mãe cuja filha desapareceu, Sam parte em busca do seu filho pelo país fora numa corrida perigosa e desesperada contra o tempo.

O autor de bestsellers como Pânico e Adrenalina, Jeff Abbott, regressa com mais um thriller de cortar a respiração, O Último Minuto.
Desta vez, Sam Capra – a personagem central de Adrenalina, o último romance de Jeff Abbott – está numa corrida contra o tempo para recuperar o seu filho das mãos de raptores.

“Imparável, estimulante”, escreve Harlan Coben. “Abbott escreve clássicos do suspense”, acrescenta Lee Child.

Os títulos Pânico, Colisão, Confia em Mim, Medo e Adrenalina (agosto de 2011), todos publicados pela Civilização, foram absolutos sucessos de vendas em Portugal, sendo que os dois primeiros vão ser adaptados ao cinema.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rosamund Lupton - Irmã [Opinião]

Irmã é o livro de estreia da autora britânica Rosamund Lupton, que vem desta forma, mostrar-se como promissora no thriller.
Beatrice era anfitriã num almoço de domingo quando tem conhecimento que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu. Movida pelos fortes laços que a unia a Tess, Beatrice vai enveredar pela investigação do seu paradeiro, viagem esta que trará grandes reviravoltas. Mas o que é à partida um ténue infortúnio de Tess, o seu desaparecimento irá desencadear uma descoberta de intrigas e vivências de Tess que Beatrice estava longe de imaginar, fazendo crer que esta distância ao mesmo tempo geograficamente física, pode também sugerir algum distanciamento entre as duas personagens.

Em primeiro lugar gostaria de fazer um reparo à capa. Na minha opinião é lindíssima, e é um elemento forte na escolha deste livro. Depois a frase que acompanha o título é soberba, cativando e apelando à nossa curiosidade. São elementos que de facto, favorecem a escolha deste livro!

Posto isto, vou tecer algumas considerações sobre o livro. Antes de mais, a sua estrutura.
A autora escreve na primeira pessoa, sob o testemunho de Beatrice nos depoimentos à policia. Esta narrativa, por si já envolvente, como de um desabafo para os leitores se tratasse, entrelaça analepses de situações com a irmã bem como algumas personagens com um papel fulcral da narrativa. Portanto, memórias de infância (provavelmente o leitor irá identificar-se com algumas delas), boas ou más, são aqui narradas, julgo para evidenciar ainda mais os laços das irmãs. Mas Lupton quer garantir que o livro é qualquer coisa menos monótona, e daí que relata também, as listagens de emails entre irmãs, garantindo a forte ligação entre Beatrice e Tess.

Falando sobre as personagens do livro, estas são num número muito reduzido. As duas irmãs têm características bastante diferentes. Beatrice deixou Inglaterra para trás das costas, optando por trabalhar em Nova Iorque, numa função mais pacata e maçadora. Vive com o noivo Todd numa relação monótona mas que lhe confere toda a segurança que ela necessita. Por outro lado, Tess estuda Artes, tem muitos amigos, tem uma vida mais emocionante do que a irmã. Esta confronto de personalidades tão diferentes, dá mesmo que pensar que os opostos se atraem e em nada perturbou os laços que uniam as duas irmãs.
Mas se há personagem que nos é especial, é sem dúvida Beatrice. Em tantos passagens me sentia angustiada tal era o relato apelativo da irmã mais velha. Mas sem dúvida, que esta personagem tem uma evolução significativa ao longo do livro. De inicio vivia a sua existência, num sentido quase como "sensaborão", e quando o livro termina, eis que Bee, considera a vida quase como uma dádiva.
Em termos globais, a trama reúne poucas personagens mas dotadas de uma grande complexidade, mistério e sentimentos, que são transmitidos para o leitor de uma forma muito natural.

Um aspecto deveras curioso é a inclusão de uma entrevista, permitindo o leitor conhecer um pouco mais sobre a autora, e de certa forma, desmistificar alguns pontos sobre este livro de estreia. A Civilização Editora abrange um pequeno excerto da obra seguinte, Afterwards, fazendo com que o leitor se sinta curioso e ansioso para ler o próximo livro da autora. Pois bem, eu estou em pulgas!!

Um livro que vai além do thriller convencional. A uma componente terrorífica alia-se uma faceta pessoal mais íntima que se prende essencialmente com a forma com que nos relacionamos com a família. Aborda os verdadeiros tipos de amor bem como os sacrifícios feitos para os manter. Uma alusão extensa à morte, bem como auto punições, arrependimentos e uma panóplia de sentimentos associados são brilhantemente descritos num enredo que cativa todo o leitor, mesmo aquele que não saiba qual é a sensação fantástica de ter um(a) irmã(o). Mas não é só sobre relações fraternais com que a autora se debruça. Há associada uma componente de dor no decaimento de relações amorosas, quando não se conseguem superar os traumas existentes bem como a redenção em relacionamentos entre mãe e filha quando existe uma lacuna.
Depois a autora investe grande parte da história, associada a uma componente mais biotecnológica, através de ensaios sobre genética, que na minha opinião, extremamente bem fundamentados (a autora explica na entrevista que terá sido com o auxílio do marido), e ajuda a descortinar alguns aspectos sobre a doença da Fibrose Quística.
Uma trama simplesmente emocionante que recomendo vivamente! Um livro cuja história ficará gravada na sua mente!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Passatempo Civilização Editora: Irmã - Rosamund Lupton (Resultado)

Com a preciosa colaboração da Civilização Editora, a menina dos policiais tinha um exemplar deste livro para oferecer. Desde já agradeço à editora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo. Com 257 participações, das quais 256 válidas, as respostas correctas eram:

1. Quem recebe um telefonema frenético durante o almoço de domingo?
Beatrice

2. Onde vive a autora Rosamund Lupton?
Londres

3. Como se chama a irmã desaparecida?
Tess

4. Que disciplina ensina a autora na Universidade de Cambridge?
Literatura Inglesa


Após um sorteio no random.org, o vencedor é:

22 - Beatriz Bernardo (Odivelas)

Parabéns à vencedora!!! A todos que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Mark Mills - Maré de Azar [Opinião]

Maré de Azar é o primeiro livro da autoria de Mark Mills. Foi com a sua obra de estreia que me iniciei neste autor.

A trama inicia-se quando Conrad Labarde, um humilde pescador de Amagansett, descobre nas teias de pesca, um cadáver de uma mulher. A acção passa-se em 1947 numa aldeola chamada Amagansett. Depois de uma investigação inicial, o polícia Tom Hollis, identifica a vítima como Lilian Wallace, filha de um empresário bem sucedido. Mas o humilde pescador junta-se a Hollis para tentar descobrir o que realmente terá acontecido a Lilian? Terá sido acidental? Ou terá sido... morta?

Uma das coisas que faço menção, sempre que leio uma obra de um autor que até à data desconheço é a forma como ele escreve. E de facto Mark Mills tem uma escrita fluida, com grande pormenorização de pessoas e locais mas com uma descrição cuidada e desprovida de elementos muito violentos ou gráficos, sobre o crime em si. Até o procedimento da autópsia é brevemente descrito sem que possa eventualmente chocar o leitor.
Através de analepses na trama, o autor vai relatando as histórias de Conrad e de Lilian, intercalando-as com a narrativa corrente da investigação. Mas não é apenas esta o ponto fulcral da acção. Há uma componente histórica relevante, associada principalmente a trajecto de vida de Conrad e a forma como ele ultrapassou os períodos negros da Gripe Espanhola e da Segunda Guerra Mundial.

Esta é sem dúvida, a personagem que mais se destaca. Conrad Labarde terá tido uma infância difícil como o autor assim o conta. Dotado de uma grande humildade, o pescador basco junta-se assim ao policia para então conhecer a verdade. Não irei desvendar as razões porque o faz, induzindo o seguidor a ler o livro e descobrir por si próprio. Tendo já alguns traumas de guerra, ele mostra-se bem sucedido apesar da árdua tarefa que vem aí. Por outro lado, temos outro herói, Tom Hollis, magoado pelo recente divórcio. A personagem evolui ao longo do livro, muito por causa de Mary. Mas ao fim e ao cabo, Hollis amadurece, e ultrapassa, dentro do possível, a sua luta interior.
Se estes de destacam pelo envolvimento positivo na trama, considero os restantes personagens como suspeitos. Falo portanto da família de Lilian, em que todos agem de uma forma estranha face à morte dela. Sem dúvida que, apesar da acção se passar nos anos 30, já é notório o poder da ambição sobre assuntos monetários e corrupção associada. E assente nesta base, há uma desconfiança inicial e muito natural sobre os elementos da família da rapariga assassinada. Sobre esta vamos conhecendo a personagem nos vários flashbacks existentes no livro, em que nos é relatado algumas situações por ela vividas.

Assim, não posso afirmar que o ritmo do livro é acelerado, antes pelo contrário, entre a história de vida de Conrad, a própria investigação do crime, a vida romântica de Hollis e algumas descrições sobre a fauna e flora da praia, o livro mantém uma dose de mistério aliada ao interesse dos factos históricos. No sentido da investigação, a trama desenrola-se lentamente mas contempla alguns picos de acção com maior intensidade, como a cena final.
De facto, o autor faz um extenso role de descrições no que concerne sobretudo a paisagens marítimas, com uma especial ênfase em pescas. Sim, se nunca pescou na vida, com este livro terá oportunidade em conhecer a par e passo a pesca de um atum, por exemplo. Isto para não falar da própria história local da aldeola, onde há toda uma abordagem sobre os mitos e os costumes populares de Amagansett.

Maré de Azar mistura harmoniosamente as temáticas do policial com história folclore, relações de amor proibidas, segredos no seio da família Wallace e mistério numa história que mantém o leitor curioso especialmente sobre o mote do crime. Além disto, é notável o toque dramático através das vivências em guerra por parte de um dos protagonistas.

Posto isto, e dada a natureza diversificada do livro, penso que este agradará a públicos que não sejam apenas aficionados aos policiais. É um bom livro que certamente irá gostar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Passatempo Civilização Editora: Irmã de Rosamund Lupton


Desta vez, e em parceria com a Civilização Editora, a menina dos policiais tem para sortear um exemplar do livro Irmã de Rosamund Lupton. Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes:

Regras do Passatempo:

-O passatempo começa hoje dia 17 de Janeiro de 2012 e termina às 23.59h do dia 31 de Janeiro de 2012;

-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;

-O vencedor será contactado via e-mail;

-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

- Se precisarem de ajuda, podem consultar aqui:

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!!



domingo, 8 de janeiro de 2012

Novidade Editorial Civilização Editora: Irmã - Rosamund Lupton

Sinopse: Quando Beatrice recebe um telefonema frenético a meio do almoço de domingo e lhe dizem que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu, apanha o primeiro avião de regresso a Londres. Mas quando conhece as circunstâncias que rodeiam o desaparecimento da irmã, apercebe-se com surpresa, do pouco que sabe sobre a vida de Tess - e de que não está preparada para a terrível verdade que terá que enfrentar. A Polícia, o noivo de Beatrice e até a própria mãe aceitam ter perdido Tess, mas Beatrice recusa-se a desistir e embarca numa perigosa viagem para descobrir a verdade, a qualquer custo.

Sobre a autora: Rosamund Lupton ensina Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge. Depois de vários empregos em Londres, incluindo copywriting e revisão para a Literary Review, venceu uma competição para jovens escritores e foi selecionada pela BBC para um curso de jovens escritores. Também foi convidada para o grupo de escritores do Royal Court Theatre. Escreveu guiões originais para televisão e cinema, antes de escrever o seu primeiro romance, Irmã, um bestseller no Reino Unido e nos EUA. O seu segundo romance, Afterwards, também já é um bestseller no Reino Unido.
Rosamund vive em Londres, com o marido e os dois filhos.

Nas livrarias a 16 de Janeiro.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Jeff Abbott - Adrenalina [Opinião]

Jeff Abbott é um fantástico contador de histórias de natureza thriller. Os seus enredos assemelham-se verdadeiramente a adaptações cinematográficas, tal é a carga de acção e reviravoltas subjacente em todos os seus livros. Foi a sensação com que fiquei há uns anos quando li Pânico, e este sentimento prevalece após ter lido o seu último livro, Adrenalina...

Este é o primeiro livro de uma série protagonizada por Sam Capra. Em Adrenalina é feita toda uma conjuntura de forma a que o leitor conheça profundamente a personagem, como o testemunho em primeira pessoa. Se resulta? Por um lado sim, acompanhamos todo o percurso de Sam em busca da verdade. Por outro lado, estamos sempre na dúvida se Sam será realmente uma vítima nesta encruzilhada.

Sam Capra é um jovem recém casado com Lucy, que está grávida de sete meses. Vivem em Londres onde tudo indica que são felizes. Um dia ele sai para o trabalho e a esposa telefona-lhe dizendo que precisa de falar com ele, obrigando Sam a sair do escritório. Este acaba por explodir, matando os colegas de Sam. A sua mulher desaparece no carro de um estranho homem com uma cicatriz... Assim, Sam tem um longo percurso pela frente para descobrir a verdade e acima de tudo o paradeiro da esposa e do filho. Terá sido ela uma traidora após três anos de vida em comum?

Apesar do livro não corresponder completamente às minhas preferências literárias, devo confessar que constituiu uma boa leitura. Isto devido sobretudo aos níveis de acção. Em todas as páginas o autor narra um acontecimento com proporções consideráveis na trama do livro. E os capítulos são breves e bastante acessíveis, fazendo com que o desfolhar das quase 500 páginas seja empolgante.

O livro contém algumas partes intensas, correspondentes a um nível de violência psicológica muito peculiar e talvez característica para o despiste de potenciais traidores na agência da CIA. Constitui uma viagem ao mundo do médio Oriente, onde impera a corrupção e crimes como tráfico de seres humanos, violações e pedofilia se tornam banais. Armas, muitas e variadas bem como a tecnologia de ponta são recorrentes em todo o enredo.
Não sendo eu expert em histórias de agentes secretos, por isso sou incapaz de avaliar o grau de veracidade deste tipo de tramas, senti que algumas passagens estavam incoerentes ou pouco realistas. São factos quase diminutos quando comparados com o ritmo vertiginoso do livro.

O desfecho, devo confessar, desiludiu-me. Isto porque o autor não vai ao cerne da questão e deixa em aberto alguns pormenores pelos quais o leitor ansiava conhecer. Ponto número 1: não esqueçamos que Adrenalina é o primeiro livro de uma série e como tal, o autor terá deixado propositadamente o final em aberto para que possamos ler quanto antes o segundo livro protagonizado por San Capra. Ponto número 2: dado este reparo, o leitor espera que a Civilização Editora publique o próximo livro quanto antes. O sucesso está praticamente garantido!

Embora o nome seja alusivo ao bar que serve de cenário em diversas cenas, penso que Adrenalina é o sentimento à flor da pele que o leitor experencia. Um livro que se constitui tenso, empolgante e cheio de reviravoltas. Sem sombra de dúvidas que daria um argumento brilhante para um filme de acção ao estilo de Hollywood. Seria um sucesso box office, aposto! À medida que lia este livro, eu imaginava Sam Capra como Jack Bauer da série televisiva 24, dada a semelhança em termos de acção.

Este livro apresenta-se como a clássica trama sobre espionagem e conspiração. Uns acrescentos ainda que superficiais mas extremamente dramáticos, sobre os já mencionados tráfico de mulheres e pedofilia, conferem uma maior dureza à história. Daí que recomendo aos fãs deste estilo de narrativas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Passatempo "Jeff Abbott - Adrenalina" - Resultado


Com a colaboração da Civilização Editora, a menina dos policiais tinha para sortear um exemplar deste livro. Desde já agradeço à Editora bem como aos seguidores e simpatizantes do blog pelo sucesso do passatempo, que contou com 278 participações válidas!

Desta forma as respostas correctas eram então:

1. Quem está a viver a vida dos seus sonhos?
Sam Capra

2. Que nacionalidade tem Sam Capra?
Americana

3. De quantos meses está grávida a sua namorada?
7 meses

4. Em que ano nasceu Jeff Abbott?
1963

5. Onde vive o autor?
Austin, Texas

Depois de um sorteio no random.org, o vencedor é:



52 - Marisa Costa (Turquel)

Muitos parabéns à vencedora! A todos os que tentaram e ainda não conseguiram, não desistam, terei todo o gosto de voltar a fazer passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Passatempo "Jeff Abbott - Adrenalina"


Para comemorar o primeiro ano de existência do blog, bem como a parceria com a Civilização Editora, a menina dos policiais dá início a um passatempo onde será sorteado um exemplar do livro Adrenalina de Jeff Abbott. Para participar tem apenas que responder acertadamente às questões seguintes:

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!

Regras do Passatempo:

-O passatempo começa hoje dia 22 de Agosto de 2011 e termina às 23.59h do dia 31 de Agosto de 2011;

-O participante vencedor será escolhido aleatoriamente;

-O vencedor será contactado via e-mail;

-Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

- Se precisarem de ajuda, podem consultar a sinopse aqui




sábado, 6 de agosto de 2011

S.J. Watson - Antes de Adormecer [Opinião]


Devo confessar que o fenómeno criado por este livro passou-me completamente ao lado (que lapso o meu...:/). Foi então que me apercebi que "Antes de Adormecer" era destaque nas estantes de policiais das mais diversas estantes de todas as livrarias que frequento. Peritos como Dennis Lehane e Tess Gerritsen, formularam críticas bastante favoráveis ao livro de estreia de S.J. Watson, o que me deixaram bastante curiosa com "Antes de Adormecer".

O conceito do livro é aterrador: Christine, de 47 anos, desenvolveu uma forma de amnésia que se caracteriza pela impossibilidade de armazenar memórias por apenas 24 horas. Então todas as manhãs ela acorda ao lado de um homem que lhe é estranho, o seu marido Ben, e reaprende como terá sido a sua história de vida até então. Na grande maioria das vezes que Christine desperta, ela assume que ainda está na casa dos 20s (altura em que sofreu o acidente que desencadeou esta condição de saúde).

Não há um único dia em que Christine não tenha que se familiarizar com Ben, com a sua casa e até consigo mesma (várias são as passagens do livro, em que a personagem se mira ao espelho, incrédula com o que vê!)
Christine é objecto de investigação do Dr. Nash, que tenta a todo custo, reactivar a sua memória. Assim, este sugere a Christine que escreva um diário com os registos dos fragmentos da sua memória. O marido nem sonha. Até porque parece que Ben não lhe conta a verdade sobre certos acontecimentos...

O livro, contado na primeira pessoa, e sob a forma de diário, deslinda os vários aspectos sobre a protagonista, que até a própria desconhece. Os próprios registos do diário variam, quer em profundidade e interesse das revelações, quer em extensão dos mesmos. O problema de uma pessoa amnésica é que... alguns relatos repetem-se! (não na íntegra mas já sabíamos previamente de algum aspecto que é mencionado novamente!) O autor transforma a vida de Christine numa intensa espiral de acontecimentos, descrita ainda que de forma morosa. Além de se focar nos aspectos da vida da protagonista, o autor pormenoriza os cenários ou descrições físicas e estados de espírito das demais personagens.

O que sentir em relação a uma personagem que é amnésica? Quando não temos informação suficiente para sentir além de pena. Conhecemos a Christine apenas através do seu diário. Os reduzidos fragmentos de memória desta personagem fizeram com que a mesma ficasse isenta de qualquer sentimento relativamente às restantes personagens. Não há nada para recordar, sem memórias para valorizar e portanto, não há nada e ninguém em quem confiar. Continuamente ela tenta definir e emendar a sua própria identidade. Uma mulher que apresenta demasiadas fragilidades e de facto, tudo o que possamos reter a partir do seu diário, e sentir pela protagonista, é uma sentida compaixão pela mesma.

Em relação às restantes personagens, o leitor é constantemente invadido por um sentimento de empatia/dúvida em relação a Ben, que aparenta ser o marido dedicado ou ao Dr. Nash que ostenta ser o médico profissional de que Christine tanto precisa. Não esqueçamos de Claire, Claire, a sua amiga há muito perdida. O leitor conhece as personagens através dos relatos da protagonista, e tal como ela, a cada registo do diário é uma reformulação, ainda que igual, da identidade de cada personagem.
Este livro é um clássico exemplo de que quatro personagens é o suficiente para se contar uma excelente história.

Eu espero que este problema de saúde, a este nível de amnésia, seja fantasioso! (o que seria de nós se perdermos continua e constantemente a memória!?!). Tirando este aspecto menos credível, achei que, globalmente a história está bastante convincente. É um thriller psicológico na verdadeira ascensão da palavra, com toneladas de dramatismo e emoções fortes pelo meio. Acrescentaria um slogan ao livro: "Nem tudo o que parece, na realidade é!"

O autor tem uma escrita bastante acessível, desprovida de linguagem ou conteúdos chocantes. Um facto que me cativou foi a forma coerente da organização do diário e a excelente abordagem das preocupações femininas de Christine (como por exemplo a alteração do corpo). Digo isto porque S.J. Watson é do sexo masculino e ainda assim, soube transparecer apreensões mais usuais do foro feminino. Apenas falha num simples pormenor: a dureza com que Christine se refere às relações sexuais. Manifestações físicas de amor não são, sob o ponto de vista de uma mulher comum, designadas com o grau de frieza descrito no livro.

Um livro cativante, tenso, intrigante, dotado de uma dose de tensão psicológica elevadíssima, provocando uma sensação quase como claustrofóbica. A isto ainda acrescento um desfecho, inesperado, que eu nem sequer tinha equacionado!
É diferente de tudo o que alguma vez tinha lido. Se a abordagem sobre a amnésia já se torna banal no cinema (e ora vejamos o caso do filme Memento, um dos meus preferidos, ou O Regresso de Henry), a percepção que tenho é que na literatura, este assunto é raramente referido. Assim, não posso deixar de recomendar Antes de Adormecer aos amantes do thriller psicológico, é uma excelente leitura!


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Novidade Agosto - Civilização Editora

Depois de Pânico, Medo, Colisão e Confia em Mim, segue-se este Adrenalina e deixo-vos a sinopse:

SINOPSE: Sam Capra está a viver a vida dos seus sonhos. Um jovem americano em Londres, tem um apartamento perfeito, um emprego perfeito na CIA e uma esposa perfeita, Lucy, que está grávida de sete meses do seu primeiro filho. Mas, num dia de sol, tudo se desmorona. Sam recebe uma chamada de Lucy enquanto está a trabalhar. Ela diz-lhe para sair imediatamente do edifício. Ele sai momentos antes de o edifício explodir, matando todos os que estão lá dentro. Lucy desaparece e Sam acorda numa cela de prisão. Porque é que Lucy lhe telefonou? Seria ela uma esposa apaixonada ou uma agente inimiga? O seu filho, que ainda não nasceu, estará a salvo?

“Um thriller à beira da perfeição […] Qualquer pessoa que goste de emoções fortes vai aplaudir a chegada do último mestre da arte refinada que é fazer um livro que não se consegue parar de ler. Altamente recomendado.” Booklist

Sobre o autor:
Jeff Abbott (nascido em 1963) é um escritor do suspense dos Estados Unidos da América. É licenciado em História e Inglês na Rice University. Vive em Austin, Texas. Os seus primeiros romances eram de ficção tradicional com detectives, mas nos últimos anos virou-se para os romances policiais. O tema das suas obras tem a ideia, de pessoas normais serem apanhadas por um extraordinário perigo e terem de lutar para retornarem às suas vidas normais. Os livros foram publicados em diversos países.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Martina Cole - Ruas Escuras [Opinião]


Terminei aquela que foi a minha estreia na autora, apesar de ter alguns livros cá por casa de Martina Cole, ainda em lista de espera.

Neste livro, tudo começa com um assassinato macabro de uma prostituta, com requintes de malvadez e violação post mortem. Não há pistas deixadas para trás, tudo é limpo e imaculado pelo que a aposentada Kate Burrows e Annie Carr da polícia, não encontram quaisquer indício para resolver este caso. O pior se dá quando é encontrado um outro cadáver ainda mais desfigurado do que o primeiro e este é apenas o segundo cadáver... Aqui devo apontar que gostei do teor gráfico dos homicídios, ainda que breves.

Patrick Kelly é um nome bem conhecido do mundo da criminalidade em Grantley mas desde há muitos anos que vive com Kate Burrows, e de repente vê o seu nome sujo com o homicídio das prostitutas, pelo que a sua relação com a inspectora começa a ter o seus dias contados. Assim grande parte do livro relata o jogo do gato e do rato entre os dois personagens.

Mais do que um policial, este livro debruça-se sobre a vulnerabilidade das relações humanas: os temas da violência doméstica e da dura vida da prostituição apelam ao coração e as descrições das personagens femininas estão bastante fortes e empáticas com o leitor.

No entanto achei que o livro tinha algumas partes mais monótonas e situações de "deja vu", em que o plano dos homicídio das mulheres era completamente ignorado quando este supostamente devia ser o ponto fulcral da história.
Também teria gostado que aprofundassem os pormenores referentes a autópsia das raparigas mortas.

Contudo gostei do desfecho do livro, surpreendente na identidade do assassino, mas sofri até às últimas, só mesmo no final é que se conhece as motivações do mesmo para o fazer. Lembrou-me de certa forma Camilla Lackberg, ao invocar pormenores do passado das personagens, que de início não me pareciam ter ligação.

Uma das coisas que achei curiosa foi o empregue frequente da expressão "carago", nunca o tinha visto assim em livro.

Com um pouco mais de acção e suspense, seria candidato a um livro inesquecível, mas não deixa de ser uma boa leitura, recomendo.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tana French - A Semelhança [Opinião]


Agarrei-me a este livro agora que saiu o novo da mesma autora. O coitado parecia que tinha teias de aranha, pois foi comprado em Outubro de 2009 e ainda não tinha pegado nele...

Começando pelos pontos positivos, devo dizer que o facto do livro estar escrito na primeira pessoa, consegue envolver o leitor na história de uma forma bastante intensa. Este começa por contar a história de Lexie Madison, esfaqueada numa casa devoluta. O bizarro na história é que Lexie, é também uma identidade criada pela agente infiltrada Cassie Maddox. O mais estranho é que a própria é extremamente parecida com a vítima a nível físico. Uma história que tem tudo para dar uma excelente leitura!

Mas eis que o livro tem um arranque demorado. Nas primeiras cento e poucas páginas conta-se então o debater da protagonista com a envolvência no caso deste homicídio. E como seria de esperar, Cassie vai levar a sua avante e participa na investigação, assumindo a identidade de Lexie, tentando desta forma descobrir algo sobre a identidade do criminoso. Assistimos à adaptação de Cassie às características de Lexie, para que esta entre no mundo de Lexie e nessa altura somos confrontados com uma série de segredos que esta personagem tinha, desde a relação estranha com os roomates Justin, Rafe, Daniel e Abby até ao surgimento de um diário muito misterioso, que inevitavelmente acaba por ser o elemento que aguça mais a curiosidade do leitor.

Apesar de tudo, devo concordar que o livro está envolto num véu de mistério, pois o leitor tenta desesperadamente saber o que terá acontecido a Lexie e quem seria capaz a matar e se a agente inflitrada Cassie será descoberta ou não.. Mas ao mesmo tempo denota-se uma trama com uma acção um tanto ou quanto lenta apesar da potencialidade que a história tem. Se o livro (que tem 510 pags) tivesse menos umas 200, certamente que daria um excelente momento de leitura.

Não há grandes surpresas em relação ao desfecho da história uma vez que há um número muito restrito de personagens.

É um livro que, na minha modesta opinião, não se adequa àqueles como eu, ávidos por acção a cada virar de página, mas mesmo assim não deixa de ser um livro curioso.

Ainda assim, darei outra oportunidade à autora e já adquiri "Sombras do Passado" que será uma leitura a começar, assim que a pilha dos livros mais prioritários diminuir :)