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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Colleen McCullough - O Filho Pródigo [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O Filho Pródigo é o quarto volume da série policial da autora australiana que faleceu no início deste ano.
Uma saga, protagonizada pelo tenente Carmine Delmonico tendo como cenário, a América da década de 60, e como tal, baseia-se numa investigação à moda antiga, com incidência nos interrogatórios e métodos de dedução lógica.
Ainda que, temporalmente, haja um salto cronológico de cinquenta anos até aos dias de hoje, a narrativa debruça-se sobre algo bastante actual, ainda que com um trato algo imberbe: a manipulação de toxinas em laboratório, cuja absorção pode ocasionar um envenenamento.
É a partir do roubo de uma substância deste tipo, originando a morte do filho pródigo de Max, uma personalidade da alta sociedade, que a história se vai tecendo.

À semelhança dos outros livros que li da autora, Um Passo À Frente e Crueldade a Nu, a autora põe em retrospectiva a sociedade e a cultura dos anos 60, incidindo num aspecto particular e que captou a minha atenção, os casamentos biraciais. Actualmente, os mesmos são aceites, contudo, nesta altura era bastante controverso que uma mulher caucasiana se casasse com um negro, desse modo, a autora explora magistralmente os preconceitos que daí derivam bem como a percepção da sociedade perante as posições de poder que os negros almejavam alcançar. 
Desta forma, a caracterização da personagem do dr. Jim Hunter, um dos raros cientistas negros da época, acaba por ser bastante profunda, se tivermos em conta o panorama desse tempo.

Ainda dentro da crítica sobre esta sociedade, a autora levanta outras questões como a emigração ou os casamentos por conveniência, crítica essa que se intensifica dado que a acção se passa no vilarejo de Holloman, onde a população se conhece demasiado bem.

Tanto as questões socio-culturais como a investigação do crime são temas abordados com igual importância na narrativa, senti, contudo, que esta última se processava a um ritmo moroso, talvez devido ao facto de ser uma investigação mais old fashion
À medida que avançamos na leitura, apercebemo-nos que as personagens têm densas camadas de segredos que vão sendo progressivamente desvendados, residindo nesse facto o maior atractivo deste enredo. Senti-me surpreendida diversas vezes.
Além disso, o caso não deixa de ser intrigante não só pelo roubo da toxina como pelos factos subsequentes, na forma de uns quantos homicídios, alguns de natureza mais gráfica.

É difícil conter um sorriso ao ler sobre Carmine Delmonico e a sua adorável família. Adoro a sua esposa Desdemona, cujos "bitaites" sobre os casos costumam ser pertinentes e os filhos de ambos que se afiguram como extremamente encantadores. De certo modo, a formulação da personagem de Carmine recorda-me o Guido Brunetti das tramas de Donna Leon.

Ainda que este seja o 4º livro de uma série, penso que não seja imperativo a leitura dos anteriores. Eu própria ainda não li o segundo, O Dia de Todos os Pecados.

Em suma, os livros policiais de McCullough assemelham-se a alguns clássicos da literatura policial, conferindo uma leitura interessante e mentalmente desafiante pelo recurso à lógica.
Devido ao falecimento da autora, esta série em questão termina (abruptamente, creio eu) no 5º livro, pelo que espero que a Bertrand equacione a sua publicação em breve.  


segunda-feira, 9 de março de 2015

Colleen McCullough - O Filho Pródigo [Divulgação Editorial Bertrand]


Data de publicação: 13 Março 2015 
  
               Título Original:The Prodigal Son
               Colecção: Carmine Delmonico #4
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 328
               ISBN: 9789722528429

Sinopse: Holloman, Connecticut, 1969. Uma toxina letal, extraída do peixe-balão, é roubada de um laboratório na Chubb University. Mata em poucos minutos e não deixa vestígios. Millie Hunter, médica especialista em bioquímica, está preocupada e comunica de imediato o roubo ao seu pai, o médico-legista Patrick O’Donnell. O primo de Patrick, o capitão Carmine Delmonico é rápido a agir quando os corpos se começam a amontoar. Uma morte súbita num jantar seguido de uma outra num evento de gala parecem à primeira vista ligadas apenas pelo veneno e pela presença do médico Jim Hunter, um cientista à beira da grandeza e marido de Millie. O doutor Jim, um negro casado com uma branca, enfrentou escândalos e preconceitos a maior parte da sua vida; o que o levaria a arriscar tudo agora? Estará a ser incriminado pelos homicídios - e, em caso afirmativo, por quem? Carmine e os seus detetives devem seguir a pista através da multidão de excêntricos da cidade universitária, mesmo que isso os conduz para muito perto de casa. 

Sobre a autora: Colleen McCullough nasceu na Austrália em 1937. Começou a sua carreira literária com a publicação de Tim, seguido de Pássaros Feridos, um best-seller internacional que bateu todos os recordes. Ambos foram adaptados ao cinema.
Além dos romances individuais que foi escrevendo, a autora publicou duas séries. O Primeiro Homem de Roma retrata em seis volumes e de forma excepcional a história da Roma Antiga. A série foi elogiada por muitos historiadores e políticos, incluindo Kissinger. Carmine Delmonico» é uma série policial com cinco títulos publicados. A autora morreu em janeiro de 2015, aos 77 anos, na Ilha Norfolk, no Pacífico, onde vivia com o marido.


Anteriormente publicado
 Opinião AQUI

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Colleen McCullough - Um Passo à Frente [Opinião]

Ter lido Crueldade a Nu, o terceiro livro protagonizado por Carmine Delmonico, foi fulcral para ficar curiosa em ler Um Passo à Frente. Este sim, é o primeiro caso do tenente Delmonico e a estreia da autora, versada no romance, na escrita policial.

A trama inicia-se quando é feita uma descoberta macabra numa câmara frigorífica de um laboratório de investigação veterinária: um tronco de uma mulher encontrado junto dos animais mortos. Sem cabeça e membros.
Rapidamente o tenente Carmine Delmonico intervem junto com a sua equipa para investigar este caso. Sem deixar rasto, este temido serial killer será doravante designado por Fantasma e as suas vítimas irão amontoar-se de acordo com um modus operandi bastante cruel.

Se há algo que me apercebi nas tramas de McCullough é que os tempos narrativos das obras (falo das policiais) situam-se nos anos 60. É portanto expectável que a autora tenha dedicado algumas passagens aos confrontos sociais/raciais que ocorriam na altura em Connecticut (partindo do princípio que estas terão de facto ocorrido e confessando desde já, a minha falta de conhecimento sobre a história dos Estados Unidos da América), o que tornou a leitura um pouco mais morosa. No entanto, este facto é perfeitamente compreensível se tivermos em conta que McCullough é entendida na escrita do romance histórico.
Se há todo um contexto cultural desenvolvido, este irá coadunar-se com a investigação por parte de Carmine, que incide não só sobre a sua história de vida, como também um pouco da vida de várias personagens intervenientes da trama. São demasiadas personagens, bastante complexas, o que pode dificultar a retenção de nomes ou histórias de vida e o papel destes na trama. Depois penso que a autora teve um cuidado especial em dotar de diferentes formas as personagens, não tendo achado eu invulgar que uma das personagens seria cega (veja-se o caso das tramas de Karen Slaughter).

Como li Crueldade a Nu (terceira história de Delmonico) em primeiro lugar, houve factos que perdi e que pude acompanhar ao longo deste livro. Falo principalmente de como conheceu Desdemona Dupre e como se enamoraram, num contexto abalroado pelos sucessivos homicídios que vão ocorrendo. Algumas passagens em que achei forçadas as investidas românticas, o que contrariaram com a minha percepção sobre o casal em Crueldade a Nu.

A análise e caracterização psicológica das personagens é mais importante face à fisionomia das mesmas, exceptuando talvez as vítimas, em que a autora elabora um extenso quadro de características físicas afim de convencer o leitor que os crimes terão algum ponto em comum, nem que seja um racial. Fisicamente não sei como é Carmine Delmonico. E generalizando, não que seja um ponto fundamental mas faltou uma caracterização para que eu pudesse formular o retrato das personagens na minha cabeça.

Não há muitos(as) autores(as) que consigam chocar-me mas confesso que McCullough é uma delas. Em Crueldade a Nu com o grafismo das passagens de violação, em Um Passo à Frente é indescritível a crueldade com que os cadáveres são deixados e toda uma pormenorização forense (convincente mas bem sofisticada por sinal, tendo em conta que a história ocorre nos anos 60).

Um Passo à Frente foi uma leitura que iniciei com as expectativas demasiado altas, o que acabou por me desiludir o facto de achar que sim senhora, é um bom policial, mas já li livros muito mais emocionantes.
Neste livro não consegui entrar na história de forma, ou embrenhar-me na totalidade, com a sensação de estar ao lado de Delmonico na investigação criminal (como me acontece diversas vezes). De facto, senti-me antes a sobrevoar sobre Holloman e a assistir de cima, toda a trama, havendo um certo distanciamento entre mim e a trama (sem eu saber explicar porquê).
Ainda assim, gosto e acho interessante a forma como McCullough conduz as tramas policiais pela mão de Carmine Delmonico, e irei ler em breve o segundo livro da autora, O Dia de Todos os Pecados. Estou curiosa e aprecio a autora.
Pena é, uma vez mais, o facto do término da editora Difel que tem publicado bons policiais, sendo este um exemplo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Colleen McCullough - Crueldade a Nu [Opinião]

Colleen McCullough é já uma consagrada autora de romances, entre os quais consta o seu best seller Pássaros Feridos. No entanto a autora envereda por outros géneros como o romance histórico (incidindo sobre a história de Roma Antiga) e no policial através de uma saga protagonizada por Carmine Delmonico.

Estamos em 1968 e Maggie Drummond é brutalmente violada. Apesar dos avisos de Didus ineptus (o primeiro nome do extinto Dodo, autodenominação do violador), Maggie apresenta queixa à polícia, o que altera o esquema do Dodo e este irá silenciar as suas vítimas doravante...

Nos capítulos iniciais, é introduzido um número esmagador de personagens. Este é o terceiro livro de Carmine Delmonico e nem sei se estas terão tido um papel importante em Um Passo à Frente e o Dia de Todos os Pecados (pelo menos as entidades policiais deduzo que sim). No entanto, julgo que a apresentação das personagens foi muito impetuosa (eu pessoalmente teria feito de uma forma mais faseada).

Pela forma como o enredo está organizado, nunca senti que este será um policial de época (passado nos finais dos anos 60). A acção parece ser contemporânea até porque aborda aspectos ainda preocupantes na sociedade actual: um violador em série não é muito comum mas que pode acontecer, sim lá isso pode.
Além deste pormenor, existe outros crimes: um rapto, a descoberta de armas numa escola e vários actos de vandalismo são frequentemente usados, quer-me fazer parecer, para desviar as atenções do violador. Penso que é um prisma bastante interessante: a autora aufere um grau de multiplicidade do crime que se ordena em vários graus de gravidade.

A autora mergulha o leitor no cenário da investigação destas ocorrências, tendo sempre como pano de fundo, os dramas pessoais de Carmine, Desdemona e um policia chamado Morty.
O capitão Carmine Delmonico (quando li este nome pela primeira vez achei que fosse uma mulher) tem alguns problemas familiares. Só me apercebi dos dramas da sua esposa Desdemona que é uma recém mamã mas algo me diz que o seu background consta de dificuldades acrescidas. Terei que ler os anteriores para confirmar as minhas suspeitas. E a minha dúvida é: como terá sido a relação de Ava e Morty até este livro?
A autora enfatiza estes dramas pessoais a ponto de tornar o enredo igualmente preocupado com o realismo das personagens. No fundo, nós sentimo-las como pessoas próximas de nós, com os problemas comuns, acrescentando o clima de insegurança sentido pelas mulheres face às ameaças do Dodo. Quanto a muitas outras personagens, a autora aufere-lhes um carácter bastante duvidoso, ainda que estas pertençam ao mundo policial.

A cena inicial da violação foi bastante gráfica e chocou-me muito. Aliás, muitas das passagens são verdadeiramente angustiantes mas McCullough ameniza actos de violência através da sua escrita bastante fluída, tornando o livro de fácil leitura apesar de abordar uma temática que é bastante constrangedora.

Nunca houve muitos suspeitos que pudessem vestir a pele do Dodo por isso, não constituiu grande surpresa para mim, quando este foi devidamente identificado, embora embebido num clima de suspense e muita adrenalina. No entanto, penso que pela forma como termina, as tramas de Delmonico, podem ser extensíveis a mais livros e igualmente emocionantes.

É um livro que recomendo sem reservas. Surpreendeu-me agradavelmente por abordar um enredo muito mais rico do que consta na sinopse.
Pode ler-se independentemente de não se ter lido Um Passo à Frente e O Dia de Todos os Pecados (até porque estes, publicados pela extinta Difel, são livros extremamente difíceis de se encontrar). A dificuldade irá residir, pois claro, na restrição de conhecimento das personagens principais. O certo é que irei ler estes quanto antes!
Não deixo de felicitar a editora Bertrand pela edição dos livros da autora, a avaliar por Crueldade a Nu, Colleen McCullough será uma referência que irei acompanhar, sem qualquer dúvida!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Divulgação Editorial Bertrand: Colleen McCollough - Crueldade a Nu


Depois de Um Passo à Frente e O Dia de Todos os Pecados, livros publicados pela extinta Difel, a Bertrand aposta nesta excelente autora e publica a terceira obra da saga de Carmine Delmonico, pertencente ao género Thriller. A autora, que é conhecida pelos seus romances históricos, mostra uma vez mais a sua versatilidade.

Sinopse: Carmine Delmonico regressa em mais um thriller de leitura compulsiva. Em 1968, a América é um país em convulsão e o subúrbio de Carew está a ser aterrorizado por uma série de violações sistemáticas. Quando uma vítima arranja finalmente a coragem para falar e se dirige à polícia, o violador passa a matar as vítimas seguintes. Para Carmine, parece ser um caso sem nenhumas pistas. Além de que o departamento de polícia de Holloman está com problemas. Enquanto o assassino traça os seus planos, Carmine e a sua equipa têm de usar todos os recursos ao seu dispor para conseguirem desvendar este caso.

Críticas de imprensa
«Delmonico é uma personagem admirável.»
Publishers Weekly

«O heroi de McCullough tem de usar a inteligência, e não um vasto deque de equipamento científico., para resolver os crimes. O livro é um simpático regresso à base numa era tecnológica, de CSI.»
Booklist

«Na tradição de P.D. James8McCullough é uma extraordinária contadora de histórias.»
The Times

«Convincente, apaixonante, agarra o leitor.»
She

«McCullough produz um crescendo de drama.»
Daily Mail

«Absorvente.»
Sunday Telegraph

«Procura o mais profundo do coração humano num romance de várias camadas, que persegue o leitor.»
Good Book Guide

Nas livrarias a 25 de Maio.