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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Stephen Booth - O Lugar Morto [Opinião]


Stephen Booth é um autor já anteriormente falado nestes meus posts de críticas literárias. Após ter lido Ossos, o autor consagrou-se como um dos meus favoritos com o livro Um Último Suspiro.

Em O Lugar Morto, o autor coloca os protagonistas Ben Cooper e Diane Fry, britânicos oriundos de Peak District, numa trama em que a morte é um tema fulcral. Todo o enredo centra-se em demasia na morte (quase obsessivamente), na forma como são enfatizados aspectos como o processo físico da decomposição de cadáveres quando estes são enterrados ou cremados, crenças religiosas e até a forma como a morte pode enaltecer o negócio de cangalheiros.

A fórmula para tão bons policiais de Booth relaciona-se com a metodologia de criação de duas ou mais subtramas e as mesmas vão convergindo para um final surpreendente.
Pois se por um lado, há uma história referente a um negócio de cangalheiros em que se descobre ali uma intrujice que se relaciona com um estranho roubo de cadáveres, por outro há um estranho serial killer que alerta telefonicamente a polícia que irá matar... de novo!
O autor dá uma injecção de adrenalina logo às primeiras páginas, e através de algumas reviravoltas no enredo, o ritmo mantém-se constante e empolgante. Li este livro, de quatrocentas e algumas páginas em apenas três dias.

Por isso se há adjectivo que melhor caracteriza este livro é: mórbido! É um livro pesado, na verdadeira ascensão da palavra, na forma como aborda a morte. A tanatologia (estudo dos processos associados à morte) é fortemente supracitada e de uma forma até bastante detalhada, de modo a que poderá deixar desconfortável o mais corajoso dos leitores.
Até eu, estou quase versada no que poderá ser susceptível na literatura policial, me senti impressionada com o teor de algumas passagens, e inevitavelmente fechei o livro por várias vezes, para meditar no que tinha acabado de ler.

No entanto, e o fascinante do livro reside neste aspecto: é que Booth nem tem de recorrer a elementos gráficos de violência. O que eventualmente pode chocar os leitores reside apenas no conteúdo descritivo sobre o final da vida.
Mas Booth esmera-se em pormenores que vão além do mórbido. Ele é um verdadeiro artista na forma como descreve Peak District e a forma como os moradores se fecham em copas perante tal sucessão de acontecimentos trágicos. Perante este cenário gótico, cada uma das personagens parece esconder algo, ingrediente fulcral para o fantástico desfecho desta história. Afinal de contas, nunca soubemos verdadeiramente as intenções de cada personagem.

Bem... tirando claro, Diane e Ben. Eu sempre desejei que estes tivessem um envolvimento amoroso, confesso. Há uma química tão natural entre eles que fiquei desiludida pois a relação deles arrefeceu bastante desde Um Último Suspiro, sem que o motivo seja realmente grave a ponto de justificar este afastamento.
Ambas as personagens estão dotadas de problemas familiares, e a forma como harmoniosamente estes são conjugados na narrativa é enriquecedora no contexto da história. Sim, com isto quero dizer que será importante a meu ver, ler as obras por ordem, a ponto de perceber o que terá acontecido ao pai de Ben ou à irmã de Diane.

Acho que é neste livro que Booth mostra verdadeiramente a sua versatilidade na escrita. Os relatos duros e quiçá chocantes naquilo que ele criou como "O Meu Diário dos Mortos", cujos conteúdos são verdadeiramente arrepiantes são conjugados com uma fluidez descritiva nas situações, cenários e personagens. Ainda assim, nos relatos descriminados como "O Meu Diário dos Mortos", Booth tenta quase como de forma poética mas igualmente macabra e real, enaltecer os aspectos alusivos à decomposição dos cadáveres.
Em geral, aspecto que já realcei anteriormente, gosto do estilo de Booth, na forma como no gótico cenário de Peak District, o crime é resolvido pelo deslindar das subtramas paralelas (e originais) que o autor concebe.

O Lugar Morto é um livro muito bom, conseguindo-me surpreender, no entanto confesso que Um Último Suspiro é até agora, o meu favorito da saga. Fica a curiosidade e enorme vontade de ler os livros seguintes e acompanhar a saga de Cooper e Fry.

Um livro fascinante, a quem recomendo aos fãs de policiais mais pesados e aos curiosos sobre o tema da mortalidade (pois desmistifica, ainda que de uma forma crua, os mais variados aspectos sobre a morte). Gostei bastante!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Jodi Compton - A 37ª Hora [Opinião]

A minha estreia na autora Jodi Compton traduz-se desta forma: um livro com 250 páginas, com uma sinopse aliciante, inserido numa das colecções minha favorita, Crime Perfeito das Publicações Europa América, e do qual vos falarei neste post.

Gostei imenso da escrita de Compton. Muito acessível, com uma linguagem desprovida de elementos chocantes, vários diálogos, abundantes descrições, e dado o tipo de narrador, é um livro que visualizamos todos os acontecimentos como se directamente participássemos na acção. Sim, o livro é narrado na primeira pessoa, sob o ponto de vista de Sarah Pribeck, detective do departamento de pessoas desaparecidas. Desta forma, a trama envolve o leitor no seu drama pessoal, quando o marido, Michael Shiloh subitamente desaparece. E Sarah, que está contextualizada com casos de inúmeros desaparecimentos, a este não consegue dar resposta.

Se por um lado, um livro narrado na primeira pessoa permite estarmos na trama como se directamente participássemos na mesma, por outro sinto que se houvesse um narrador, mais brilhantemente descreveria esta personagem. Pois é esse pormenor que tenho a apontar, sinto que inicialmente, a personagem pouco revela de si mesma, do seu passado, e terá que ser o leitor a formular uma caracterização psicológica de Sarah, através dos acontecimentos que ela narra.
Na minha opinião, o conhecimento sobre Sarah é limitado dada esta perspectiva, no entanto com o desenvolvimento da trama, o leitor vai conhecer alguns aspectos sobre a personagem e da sua infância, que, como seria de esperar, traz associada uns pequenos esqueletos no armário.
Depois é todo um paralelismo com a minha forma de ser, e admito, estaria muito mais desesperada caso o meu marido desaparecesse. OK, mas Sarah é detective, já se deparou com inúmeros casos semelhantes, ainda com pessoas desconhecidas, e deverá ser racional (postura que demonstrou durante toda a trama).

Mas se Sarah Pribeck é um tanto ou quanto enigmática, o seu marido Shiloh ultrapassa-a. Nada sabemos dele, senão que é um marido aparentemente atencioso. Ao longo da trama iremos saber alguns factos do seu passado, que inclusivé Sarah desconhecia até então. A autora arquitecta segredos obscuros e intensos na personagem de Shiloh, e desvenda-os num timing perfeito. Mais uma vez, o facto da história ser narrada na primeira pessoa, intensifica o efeito surpresa dos segredos do marido de Sarah.

A trama tem definitivamente como tema fulcral o desaparecimento de Shiloh. Como contraponto há uma trágica eventualidade com a qual Sarah se debate: o homicídio de Kamareia, a filha da sua melhor amiga e parceira, Genevieve Brown.
As consequências deste acontecimento dramático são fortemente exploradas ao longo do livro, e no decorrer da leitura me questionei várias vezes, se haveria alguma relação de causa-efeito entre estes dois tristes episódios. É sem dúvida um livro que prende, pelo mistério e a ânsia em descobrir o paradeiro de Shiloh. E como prova, li, aliás, devorei, este livro em apenas dois dias.
Não consegui descobrir uma conexão entre o nome do livro e o conteúdo do mesmo. Até porque a acção dura seis dias. A minha teoria, no entanto, é o quão empolgante e dramático é a seguinte frase: "Diz-se que se uma pessoa desaparecida não é encontrada em 36 horas, o seu rasto desaparece", como subtítulo, aferindo ao livro, uma enorme curiosidade.

Um livro cujo início foi algo moroso, mas o desenrolar da trama foi fascinante. A cada página virada, estava a braços com uma descoberta sobre Shiloh, o que tornou o livro muito interessante. Mas devo confessar que o final não foi bem aquilo que tinha equacionado, deixou algumas dúvidas, e uma pequena surpresa. Foi então que pesquisei sobre a autora, e descobri que este é apenas o primeiro livro protagonizado por Sarah Pribeck. Fico ansiosamente à espera da publicação do próximo livro pela Europa América.

Não deixo de recomendar aos fãs do thriller psicológico! Uma excelente leitura que irá deixar-vos alerta e mais sensibilizados com as questões de desaparecimento, homicídio e sacrifício. Uma autora que, definitivamente, quero voltar a ler as suas obras.