Sinopse: No Canto mais Escuro é um thriller psicológico soberbo, a
história arrepiante de Catherine Bailey, uma jovem independente e
bem-sucedida, que se deixa envolver numa relação amorosa abusiva que se
vai pervertendo ao ponto de colocar a sua própria vida em risco. Num
jogo psicológico extremamente artificioso e doentio, Lee Brightman, um
homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando Catherine. Com uma
estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer o antes e o
depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma mulher
alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo
constante.
Opinião: Aterrador. É o que me apraz dizer do romance de estreia, e diga-se muito bem conseguido, de Elizabeth Haynes.
A autora recorre a uma situação tão comum que é conhecer alguém especial e sentir aquela magia quando nos apaixonamos embora explore o reverso da medalha. Infelizmente ainda hoje, há homens que aparentemente encantadores, exercem alguma pressão psicológica sobre as mulheres, por isso este mote tão real conferiu uma profundidade à narrativa, fazendo com que o livro me viciasse e arrebatasse por completo.
De início confesso que estava a achar a estrutura desorganizada, incidindo em relatos meramente aleatórios sem que me apercebesse da ligação dos mesmos. Não obstante, a autora opta por, posteriormente, manter uma linha cronológica coerente nos relatos que alternam entre o final de 2003 e 2007. É notória a regressão da protagonista Cathy: se no início de 2003 se mostrava uma mulher segura e feliz por conhecer Lee Brightman, já em 2007 a personagem mostra-se moldada por transtornos psicológicos que condicionam a sua vida. Tal como se tratassem de duas personagens diferentes, no entanto e infelizmente, a mesma.
A narrativa torna-se muito intensa à medida que o leitor folheia as páginas. O que à partida sugeria uma relação amorosa saudável, com muita paixão e sexo mas com alguns segredos e omissões, torna-se uma catadupa de constantes controlos por parte de Lee. Infelizmente, Cathy cega e até algo submissa, não se revolta contra os primeiros indícios de violência psicológica a que é submetida, abrindo um precedente para o que aí viria.
É um livro que achei, em linhas gerais, algo semelhante a um dos meus preferidos, o Continua Desaparecida de Chevy Stevens. É como digo, um livro muito intenso, com algumas passagens que me custaram a digerir pois sinceramente não consigo conceber a ideia de um amor assim tão obsessivo que leve a cometer as maiores atrocidades a quem se ama. É bastante explícito, recorrendo a altos níveis de violência o que me angustiou profundamente.
Posso dizer-vos que li este livro num dia e sempre que o pousava, tentava abstrair-me do que tinha lido pois não conseguia, pura e simplesmente, acarretar com a carga tão pesada. Literalmente sofri com a Cathy. No entanto, por mais contraditório que possa soar, voltava a pegar no mesmo, com uma mórbida curiosidade do que estava para vir.
Nem sou de falar sobre os livros que leio e quando o faço limito-me a omitir eventuais spoilers mas ontem quando o meu marido chegou a casa, desbobinei-lhe a história toda ao que ele comentou: "A falar tão sofregamente do livro, estou a ver que te marcou". E é verdade... marcou-me muito. A convicção e honestidade cruéis no tratamento do tema são de facto, inegáveis.
É como digo, um livro que é pautado por alguma morosidade e creio que este factor vai gerar opiniões adversas. Volto a mencionar o longo arranque da história que acompanha atentamente o novo modo de vida de Cathy e em simultâneo, toda uma fase de enamoramento que prepara o leitor para o inferno que se seguirá.
Acuso de igual modo as explicações dos mecanismos psicológicos que desencadeiam compulsões obsessivas e traumas fortíssimos que acarretam lesões quase permanentes na sanidade mental. Eu, que sempre me senti fascinada pela área da Psicologia, gostei bastante desta desmistificação de como lidar com o medo embora depreendo que para alguns leitores não trará o mesmo interesse.
Assim, finda esta leitura, não tive dúvidas em dar a cotação máxima no Goodreads, 5 estrelas. No Canto Mais Escuro é um thriller psicológico excepcional, cuja história não me sairá da cabeça durante uns bons tempos...
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