Opinião: Finalmente terminei a conclusão desta brilhante trilogia e ainda não sei muito bem o que pensar agora que reflicto sobre os livros, como conjunto. O facto é que, terminei esta leitura no domingo e ainda hoje penso no que li, na trilogia As Faces de Victoria Bergman. É inevitável mencionar que estes livros mexeram muito comigo.
De facto, esta trilogia é brilhante pois consegue chocar o leitor de uma forma que achei que não seria possível, e o terceiro livro não foge à regra.
Antes de mais, deixo a sugestão, estes livros deveriam ser lidos de seguida, correndo o risco de se tornarem demasiado densos por tratarem temáticas muito pesadas e pelo facto do autor Erik Axl Sund (uma conjugação de duas mentes geniais como Håkan Sundquist e Jerker Eriksson) ser minucioso com as descrições cruéis.
Li A Rapariga-Corvo em Março do ano passado e Fome de Fogo em Julho, salvo erro. Sabia que este estava previsto para Outubro de 2014 mas infelizmente, apenas em Janeiro deste ano é que vi a sua publicação. A espera, para fãs como eu, foi demasiado longa.
Muitos dos pormenores de A Rapariga-Corvo perdi-os, especialmente nomes de personagens secundárias, com a agravante de ser mais dificil a retenção de nomes suecos. Li o livro há demasiado tempo.
As Instruções da Pitonisa simplica a tarefa, listando uma série de personagens da série, ainda assim, apelou a uma rápida revisão do segundo volume a fim de me inteirar sobre os factos.
A trilogia, sem querer destacar nenhum livro, é, e como referi anteriormente, bastante pesada. Aborda temas muito delicados e este volume em concreto não ameniza como são tratados as temáticas de canibalismo, pedofilia e outros abusos que, como o slogan de A Rapariga-Corvo referia, tornam um ser humano um monstro. As Instruções de Pitonisa é assim, um livro cuja essência não difere dos primeiros dois volumes, sendo obras destinadas a leitores que não se impressionem facilmente.
Tenho a apontar que, a certa altura, nos deparamos com um trecho onde aparecem alguma falas, ainda que breves, em alemão. Senti falta de uma nota em rodapé, traduzindo o que as mesmas quereriam dizer, obrigando-me a recorrer ao Google Translator a fim de me aperceber do seu significado. Por outro lado e nesta óptica, existem algumas alusões a grupos musicais que aprecio, nomeadamente os Joy Division (inseridos num background gótico coadunando-se assim com a narrativa negra), e estas foram devidamente identificadas para os leigos neste género musical. A obra, extremamente sensorial pelo teor gráfico, torna-se assim mais intensa apelando ao sentido da audição.
Sem querer falar muito do desfecho, e estragar as surpresas que Erik Axl Sund tem para os leitores, posso dizer que o final foi, para mim, inesperado. E mais, este teve repercussões não só sobre Victoria Bergman como sobre um perpetrador, Viggo Durer. Estranhamente sobre esta personagem, o impacto não foi tão intenso pois li numa trama de Pedro Garcia Rosado algo semelhante. Não menciono o título do autor português pois não quero induzir nenhuma conclusão precipitada.
A meu ver, e sobre o desfecho, terei que me inserir no grupo de leitores defraudados com o final. Isto porque na minha cabeça, supus que, para uma história como esta, só haveria um único final possível. E eis que Erik Axl Sund me deixa novamente sem chão, fazendo-me perceber que todo este livro se relaciona com uma catarse, como os próprios autores me tinham adiantado na entrevista que lhes fiz em Março de 2014.
Posto isto e em suma, esta trilogia é inesquecível. Atrevo-me a dizer que destronou aquela que era a minha trilogia preferida sueca, a famigerada Millennium de Stieg Larsson, pela dureza da trama que mexeu comigo em diversas alturas. Uma trilogia tão perturbadora como cativante, é claramente um sui generis da literatura noir escandinava. Muito superior do que li até hoje dentro do género, recomendo sem dúvida a trilogia intensa de seu nome 'As Faces de Victoria Bergman'.















