Sinopse: AQUI
Opinião: Creio que esta é a primeira vez que atribuo uma cotação menos favorável a uma das minhas autoras preferidas.
Embora esteja consciente de que nem todos os leitores fiéis de Camilla Läckberg apreciaram o título antecessor - que me parece marcar o início de uma nova série, de contornos bastante diferentes da saga policial com cenário em Fjällbacka - pessoalmente, adaptei-me à sua mudança de registo e acabei por atribuir a classificação máxima ao livro anterior. Contudo, infelizmente, a sequela Asas de Prata já não me
agradou como gostaria e passarei a explicar, desde já, as minhas
razões.
Os leitores de A Gaiola de Ouro saberão que esta nova série se caracteriza pelo empowerment feminino, explorando a temática da vingança. Na minha opinião, este ingrediente perdeu o fulgor na presente narrativa pois esta desenvolve-se muito em torno do romance de Faye com um novo personagem, David. Se já achara que o livro antecessor era pleno em cenas de sexo - pessoalmente não tenho nada contra - achei que as mesmas são bem mais atrevidas e picantes, o que, a meu ver, não valoriza mais uma história que, pelo que pude apurar, deveria enquadrar-se mais no género de thriller.
Até achei que estas cenas se sobrepuseram àquela que é a premissa da nova obra que se prende com uma ameaça ligada ao lançamento da marca Revenge nos Estados Unidos agora que o ex-marido de Faye está na prisão. Sobre a personagem de Jack, devo confessar que esperava um desenvolvimento diferente, no meu íntimo ansiava que este aparecesse com mais frequência, apresentando-se como uma ameaça mais tenebrosa do que foi na realidade. Pessoalmente teria explorado a trama
de forma diferente, um jogo de perseguição ao jeito de um stalker teria
sido, a meu ver, um percurso mais impactante.
Devo confessar que não gostei dos episódios que promoveram uma imagem mais decadente de Faye nem os considerei, tão pouco, relevantes para a narrativa.
A trama actual é intercalada por uma outra que remete para o passado de Faye, mencionando alguns episódios da sua adolescência que, esses sim, conferiram um toque mais intenso à narrativa. Foi nestes flashbacks que encontrei, de forma mais assumida, o tema da vingança e reconheço que a minha avidez na leitura se deveu, sobretudo, à curiosidade em conhecer o desenvolvimento desta subtrama.
A narrativa, no seu todo, foi, a meu ver, bastante previsível culminando num desfecho desprovido de surpresas ou emoções fortes. Ficou, no entanto, em aberto para que a história de Faye possa ser continuada e, quiçá, tornar-se numa série tão numerosa quanto a série policial, protagonizada por Erica e Patrik.
No entanto, é um livro que se encontra estruturado em capítulos curtos, impelindo-me a lê-lo em cerca de 24 horas, contudo, finda a sua leitura, fica o sentimento de ter lido uma história que poderia e deveria ter sido uma experiência mais enriquecedora.
Em suma, Asas de Prata é um livro viciante que se lê num trago, todavia, a ilação que tiro da obra não é, realmente, das mais positivas.