Opinião: Começo esta opinião dizendo que não sou grande fã do subgénero de Espionagem, como já tive oportunidade de dizer inúmeras vezes. No entanto, tenho lido sobre algumas teorias da conspiração e sentia-me open minded a experimentar uma obra fora da minha zona de conforto. Sem esperar, chegou-me cá a casa este livro e pensei 'porque não?' Com cerca de 200 páginas, Velhas Traições é uma obra que se lê rapidamente. Sei que o autor já fora publicado por cá, mas nunca li O Caso do Cairo, daí que esta foi a minha estreia nos livros de Olen Steinhauer.
A temática é interessante e surge sob as memórias de dois ex-espiões que se encontram para um jantar. Não deixa de ser curioso que, embora a história seja pejada de analepses, a trama tem apenas a duração de um jantar.
Celia e Henry além de serem antigos espiões, eram amantes, no entanto, os leitores não conhecem o motivo que levou à sua separação. A pretexto de um inquérito a Celia, Henry convida-a para jantar e a conversa recai, inevitavelmente, sobre alguns acontecimentos passados.
A personagem feminina, ao contrário de Henry, refez a sua vida e é agora casada e tem filhos. Aparentemente a vida de espia ficou no passado. Por sua vez, o protagonista masculino parece nutrir ainda alguns sentimentos por Celia.
A personagem feminina, ao contrário de Henry, refez a sua vida e é agora casada e tem filhos. Aparentemente a vida de espia ficou no passado. Por sua vez, o protagonista masculino parece nutrir ainda alguns sentimentos por Celia.
Como referi, a trama subdivide-se entre o tempo presente e o passado, sendo neste último que nos é dado a conhecer um ataque a um avião em 2006. A temática é actual, fala sobre o terrorismo, intercalando com um punhado de segredos e intrigas políticas, justificando assim o título do livro, Velhas Traições.
O leitor fica curioso não só em conhecer as provações por que passou o casal de espiões na sua missão, bem como as razões pelas quais estes seguiram caminhos separados.
Por ter um reduzido número de páginas, não creio que o livro seja maçudo, antes pelo contrário, há um equilíbrio que oscila entre as vidas pessoais dos protagonistas quer na acção passada como na presente, e também na actividade de ambos enquanto espiões.
Confesso que a dado ponto fiquei um pouco confusa pois Celia refere que os seus filhos estavam no avião que foi desviado. O Goodreads esclareceu essa dúvida.
Confesso que a dado ponto fiquei um pouco confusa pois Celia refere que os seus filhos estavam no avião que foi desviado. O Goodreads esclareceu essa dúvida.
Ainda muito imberbe no que concerne a histórias de espiões, devo confessar que acompanhei com algum interesse esta trama. Estranhamente comecei a ler esta obra no dia dos atentados em Bruxelas e encontrei alguns pontos comuns com esta história (felizmente de ficção) e a assombrosa realidade do dia 22 de Março.
No decorrer da leitura, estranhei a omissão de crimes com uma investigação policial, elementos chave nos meus livros de eleição. Não obstante, creio que gostaria de enveredar com mais frequência por este género.


