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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Rick Yancey - A 5ª Vaga [Opinião]


Sinopse: A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado. Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar.
A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade. Será este o fim da existência humana sobre a Terra? Haverá ainda alguma salvação possível? Um thriller de alta voltagem, com todos os ingredientes para se tornar um grande clássico da literatura fantástica universal.

Opinião: A estreia do filme A 5ª Vaga, baseada na obra homónima do autor Rick Yancey, despoletou a minha curiosidade em ler este livro (que já constava na minha estante há mais de um ano, devo confessar).
Fiquei agradavelmente surpreendida. É um sci-fi distópico diferente dos que li uma vez que se debruça sobre a temática dos extraterrestres. Também não é temática que procure em cinema pelo que fui um pouco à deriva. Resultado? Uma experiência bastante interessante.

A narração não se cinge à protagonista e está ao cargo de algumas outras personagens, embora desprovidas de identificação. Ainda assim, consegui perceber depois de algumas linhas, quem era o narrador.
Este tipo de narrativa faz com que o leitor siga as várias acções que vão decorrendo simultaneamente na perspectivas das personagens principais. Na minha opinião, apesar de Cassie ser a rapariga que tem como objectivo a busca do irmão, o protagonismo é disputado também por Evan e Ben, sendo este último o rapaz por quem ela sentia uma paixoneta na escola.

Exacto, as personagens são de tenra idade, sugerindo que a 5ª Vaga fosse um livro destinado a um público mais juvenil mas eu tirei grande partido desta leitura. Até porque nunca tinha pensado num apocalipse desencadeado por uma invasão alienígena. Considero este tema como delicado mas o autor soube dar um tom descontraído à trama por intermédio de algumas considerações das personagens.

Ao iniciar esta leitura, achei que a história se debruçasse sobre os ataques dos extraterrestres, no entanto, a mesma faz alusão à sobrevivência das personagens já aquando a ocorrência da quinta vaga. Por falar na forma como os extraterrestres invadem a terra sob a forma de vagas, relembrou-me um pouco as pragas do Egipto. As primeiras vagas foram, na minha opinião, rapidamente descritas e creio que teria havido mais entusiasmo da minha parte se as mesmas fossem mais esmiuçadas.

Globalmente, é uma história com muita acção e, como não deixa de ser habitual no género distópico, destrinça a capacidade de sobrevivência. Ainda que as personagens sejam jovens, mostra uma grande maturidade por parte das mesmas.
A 5ª Vaga é, portanto, um livro que se lê muito bem.

Quanto a mim, fico curiosa com o filme e terei que ir vê-lo. Posteriormente quero ler O Mar Infinito que também consta da estante. Já o derradeiro volume da trilogia será lançado lá fora em Maio deste ano, fazendo votos que a espera por cá não seja penosa.

Para mais informações sobre o livro A 5ª Vaga, clique aqui
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sábado, 21 de junho de 2014

Justin Cronin - A Passagem Vol.1 [Opinião]


Sinopse: A Passagem é o primeiro livro de uma grandiosa epopeia pós-apocalíptica. Uma experiência científica a que o exército dos Estados Unidos submete vários homens e uma menina, para os tornar invencíveis, resulta numa catástrofe cujos efeitos têm consequências inimagináveis. Os homens submetidos àquela experiência tornam-se detentores de extraordinários poderes, mas são monstros assassinos sedentos de sangue. Neste primeiro volume do livro acompanhamos a sangrenta destruição que se segue à invasão dos mutantes, bem como a penosa reorganização dos sobreviventes em pequenas comunidades precárias, onde a gestão dos escassos recursos é uma prioridade. Neste cenário de devastação instala-se uma dinâmica que vai modificando as personagens e as relações que se estabelecem entre elas.

Opinião: Talvez deva começar por explicar que a compra deste livro foi completamente inesperada. Já ouvira testemunhos sobre quão forte é esta obra e numa ocasião em que me esqueci completamente do meu livro em casa (e eu não passo uma viagem para o trabalho sem a fiel companhia da leitura), decidi adquirir A Passagem. A sinopse deixa antever que a presente história se debruça sobre vampiros após uma manipulação de um vírus. Pessoalmente esta abordagem sobre estes seres é a que mais gosto (já tive oportunidade de ler A Estirpe de Guillermo del Toro e Chuck Hogan, cujos moldes se assemelham ao presente livro e foi das obras com vampiros que mais gostei). Pois na minha opinião, estes são seres maléficos e sedentos de sangue que não se coíbem de ceifar vidas humanas para se alimentarem. 

A estrutura do livro é muito dinâmica: ora alterna entre a narrativa propriamente dita ora entre os planos de contingência do Estado Americano ou registos do diário de uma testemunha do apocalipse. A meu ver, estas duas últimas formas conferem um efeito de realismo bastante acentuado à trama. Apesar de estar dividido em cinco partes, há claramente dois momentos distintos na narrativa: as circunstâncias actuais que antecedem e originam o apocalípse e o período que sucede este acontecimento, mostrando uma sociedade que se rege essencialmente através do instinto de sobrevivência. Aponto que este factor é para mim, o mais cativante no género distópico. Cada autor tem uma leitura diferente sobre o apocalipse e o modo como se organiza a sociedade difere de acordo com as circunstâncias instigadas pelo fenómeno.

As primeiras páginas prenderam-me imediatamente à narrativa pois apesar de toda uma descrição sobre as personagens há um certo clima tenso. Ao longo da leitura tive a sensação de que "algo muito errado vai acontecer". Além disso, fiquei muito sensibilizada com a história da menina, Amy, que tão nova e passou por provações tão complicadas. As personagens são descritas com grande profundidade e todas elas munidas de dramas pessoais, independentemente do papel que estas desempenham na trama.
Adorei a pequena Amy, pelo que já explanei anteriormente embora não tenha ficado indiferente à personagem de Brad Wolgast e ao aparente "vilão" Anthony Carter. Identifiquei-me com estas personagens e mexeram comigo por apresentarem histórias de vida tão atribuladas. Reconheço que inicialmente estava impaciente, queria apenas ler sobre o apocalipse quando fui absorvida por estas personagens espectaculares. Dava por mim a interessar-me cada vez por elas, sabendo que uma catástrofe seria iminente. 
Posteriormente, numa fase mais avançada do livro, são desenvolvidas outras personagens nos mesmos moldes. Não senti grande empatia com estas, confesso, ainda que reconheça características interessantes devidas ao árduo ambiente onde vivem. Talvez tenha tido esta percepção pois ligara-me muito à personagem de Brad e sinceramente senti a sua falta. Afinal de contas, a relação que este desenvolvera com a menina foi tão forte e repleta de ternura, brotando os instintos mais bonitos que o ser humano pode revelar. E a meu ver, uma verdadeira antítese pois um cenário pós apocalíptico não oferece margem para tais sentimentos. 
Já para não falar de Amy, embora esta acabe por ser a força motriz, participando na totalidade do livro.

O mundo criado por Cronin não difere muito do cenário que conhecia de The Walking Dead, diferindo apenas nos seres, que neste caso são os virais, um termo usado para as criaturas sedentas de sangue. Embora Cronin tenha intensificado o efeito paranormal através da personagem Amy que participa em toda a narrativa ainda que futurista, ocorrendo uma centena de anos após o apocalipse.
A Passagem é um livro muito gráfico e o autor não se poupa nos pormenores dos ataques dos vampiros que são verdadeiramente impressionantes.

Fica a curiosidade: em livro algum vi a expressão de admiração "Fisga-se". Até ler o presente livro. E como os momentos de surpresa em A Pssagem surgem em catadupa, vi esta expressão inúmeras vezes. Este livro poderá muito bem dirigir-se para um público mais jovem, desadequando-se assim o uso de uma linguagem escatológica, daí que compreendo ser-se usado este invulgar termo.
Aponto como defeito o facto deste livro ter sido dividido em dois. Os livros publicados pela Editorial Presença encontram-se em papel reciclado e são leves, pelo que não me importaria de andar sempre com o livro mesmo que este tivesse mais umas quantas páginas.
Felizmente na Hora H da Feira do Livro de Lisboa comprei o segundo volume a um preço bastante simpático, o qual tenciono ler o mais breve possível.

A Passagem é um excelente distopia com nuances de terror que me manteve em suspense no decorrer da sua leitura. Visto que a escrita do terceiro livro da trilogia ainda está em curso, o primeiro volume da Passagem será decididamente um livro que mais tarde irei reler (embora sinta que o poder da história foi tal, que a tornou inesquecível) a fim de saborear conveniente a trilogia num só trago. Gostei mesmo muito!

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