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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Jo Nesbø - A Faca [Divulgação Dom Quixote]

 

Data de publicação: 22 Setembro 2020

               Título Original: Kniv
               Tradução: C.S.C. Marques
               Preço com IVA: 22,20€
               Páginas: 584
               ISBN: 9789722070768

Sinopse: Harry Hole está em maus lençóis. Rakel, a única mulher que algum dia amou, deixou-o de vez. A Polícia de Oslo ofereceu-lhe uma nova oportunidade, mas para resolver casos menores, quando na realidade o que ele pretendia era investigar Svein Finne, o violador e assassino em série que, em tempos, pusera atrás das grades. E agora, Finne está livre depois de mais de uma década na prisão, e Harry determinado a investigar todas as suspeitas que continuam a recair sobre ele.
Mas nada lhe corre como gostaria e a cada dia que passa só vê piorar a sua situação. Quando, depois de uma noite de embriaguez total, Harry acorda de manhã completamente desmemoriado e com sangue nas mãos, percebe que algo de estranho se passou. Porém, o que nessa altura Harry ainda não sabe, é que acordou apenas para viver o pior pesadelo de toda a sua vida.
Em A FACA, Jo Nesbø faz-nos entrar numa montanha-russa de emoções em que o medo, o suspense, a morte, a vingança, mas também a força redentora do amor, se entrelaçam para nos deixar arrepiados da primeira à última página.

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Jo Nesbø - O Sol da Meia - Noite [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Sou fã acérrima de Jo Nesbø e não perco nenhuma obra sua publicada por cá. Como tal, não hesito em declarar que os meus livros favoritos deste autor são os protagonizados por Harry Hole.
O Sol da Meia - Noite, com sensivelmente 200 páginas, é o segundo livro de uma série bastante peculiar, na medida em que os protagonistas são diferentes de livro para livro, embora tenham, como denominador comum, o facto de serem assumidamente criminosos e que procuram, de certa forma, a respectiva redenção.

Apesar de considerar os títulos desta série um pouco subdesenvolvidos, percepção que atribuo ao facto de gostar do autor e me deliciar com as suas longas tramas, devo confessar que gostei da primeira obra desta nova série, Sangue na Neve. Tal ter-se-á devido ao facto da personagem Olav ser munida de um humor negro que me cativou. Porém, o protagonista da presente obra, Jon, já não me seduziu tanto quanto esperava.

O que mais apreciei na obra foi, sem dúvida, o facto da trama ocorrer na região da Lapónia, uma zona que não conheço tanto nem tão pouco é abordada frequentemente na literatura (apenas me recordo do livro de Olivier Truc cuja acção decorre naquele local). Devo dizer que considero a cultura lapã fascinante e agradou-me muito que Nesbø tivesse usado como cenário esta região menos conhecida da Escandinávia.

A trama alicerça-se então no protgonista Jon que procura um refúgio a fim de não detectado por um mafioso conhecido como o Pescador. Não sabemos, numa primeira fase, as razões pelas quais ele se esconde, motivo pelo qual somos remetidos para o grande mistério da narrativa que vemos agudizar à medida que Jon estabelece relações com os locais. Considerei, contudo, estas personagens um pouco estereotipadas, embora ajustadas àquela região cujos costumes são muito diferentes dos de uma grande cidade como Oslo. A meu ver, acaba por ser previsível não só a interacção de Jon com Lea, como a própria evolução da trama.

Como referi, esta nova série, que conta até então com dois livros, centra-se no desenvolvimento dos protagonistas e, de certa forma, a componente de thriller passa para um segundo plano que é, precisamente, a que mais me alicia nas tramas protagonizadas por Harry Hole (para além, evidentemente, da complexidade da própria personagem).

O Sol da Meia - Noite não é das tramas mais complexas do autor, o que francamente me desagradou, no entanto, creio que vale a pena ter este título em consideração, quanto mais não seja para conhecer o exótico cenário da Lapónia ou, para os fãs matarem saudades da escrita daquele que é, para mim, um dos melhores autores nórdicos contemporâneos.


terça-feira, 26 de março de 2019

Jo Nesbø - O Sol da Meia - Noite [Divulgação Dom Quixote]


Data de publicação: 26 Março 2019

               Título Original: Mere blod
               Tradução: Ricardo Gonçalves
               Preço com IVA: 15,50€
               Páginas: 208
               ISBN: 9789722066433

Sinopse: Amor e crime na lapónia, onde o sol nunca se põe.
Jon sai do autocarro a meio da noite, num canto inóspito da Noruega, algures no planalto de Finnmark, tão a norte que o Sol nunca se põe. É ali que espera poder refugiar-se, junto do povo da Lapónia, até traçar uma estratégia para escapar ao Pescador. Até àquele momento, limitara-se a improvisar, pois temia que qualquer plano fosse descortinado pelo seu perseguidor.
Mas não duvida de que, mais cedo ou mais tarde, o encontrarão.
Escondido numa cabana no meio da floresta, tudo o que separa Jon do seu destino é Lea e o filho, Knut. Lea ofereceu-lhe uma arma para se defender, uma cabana onde dormir e, mais importante do que isso, uma razão pela qual lutar contra o seu fatal destino. Mas à medida que o tempo passa, Jon percebe que os homens do Pescador se aproximam e é urgente encontrar uma saída. Como diz um dos capangas do chefe da máfia:
«O Pescador nunca desiste de procurar quem lhe deve dinheiro enquanto não vir o cadáver. Nunca. E o Pescador encontra sempre o que procura. Tu e eu podemos não saber como, mas ele sabe. Sempre. É por isso que lhe chamam Pescador.»

Uma narrativa ímpar, com a mesma genialidade, mas muito diferente daquelas a que Jo Nesbø nos habituou, não só pela história em si como pelo cenário em que se desenrola, o planalto de Finnmark, que como refere o autor: «é um território desconhecido até para os noruegueses.»

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Jo Nesbø - MacBeth [Divulgação Bertrand]


Data de publicação: 20 Abril 2018

               Título Original: Macbeth
               Tradução: Maria Dulce Guimarães da Costa
               Preço com IVA: 19,90€
               Páginas: 528
               ISBN: 9789722535014

Jo Nesbø traz-nos um thriller repleto de ação e suspense através do inspetor Macbeth numa adaptação contemporânea da obra de Shakespeare.

Em Macbeth, Jo Nesbø apresenta-nos o inspetor Macbeth, um homem suscetível a tendências paranoides e violentas, e concentrado em acabar com um persistente problema de drogas na cidade. 
Uma história irresistível de amor e culpa, de ambição política e inveja, que explora o mais negro da natureza humana e a mente criminosa.

Sinopse: Passado nos anos 70, numa cidade industrial cinzenta e chuvosa, a força policial da zona está concentrada em acabar com um persistente problema de drogas. Duncan, chefe da polícia, é um idealista e visionário, um sonho para a população e um pesadelo para os criminosos. O comércio das drogas é liderado por dois homens, um dos quais, mestre da manipulação chamado Hécate, tem ligações aos poderes mais levados. E pretende usá-las para conseguir escapar ileso.
O seu plano consiste em manipular, de forma consistente e persistente, o inspetor Macbeth, um homem já de si suscetível a tendências paranoides e violentas. O que se segue é uma história irresistível de amor e culpa, de ambição política e inveja, que explora os recantos mais negros da natureza humana, assim como as aspirações da mente criminosa.

Sobre o autor: Jo Nesbø é um dos mais célebres autores de thrillers do mundo. Os seus livros são bestsellers internacionais e estão publicados em mais de 50 línguas, com cerca de 33 milhões de exemplares vendidos.
Antes de se tornar escritor, Nesbo foi jogador de futebol da primeira liga norueguesa, mas uma lesão no joelho impediu-o de prosseguir com o seu sonho. Estudou Economia e formou a banda pop Di derre, que alcançou os tops na Noruega. Mas Nesb
ø continuou a trabalhar como analista financeiro, apesar do seu sucesso na música. Quando uma editora lhe encomendou um livro de memórias acerca da sua vida de músico «na estrada», ele escreveu, em vez disso, o primeiro livro protagonizado por Harry Hole, O Morcego.


terça-feira, 20 de março de 2018

Jo Nesbø - Sangue Na Neve [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Ainda que sinta falta de Harry Hole, foi com muito agrado que li Sangue na Neve. Como sabem, este é um stand-alone, com um protagonista muito peculiar. Mas já lá vamos...

O primeiro aspecto que, evidentemente, salta à vista é a parca quantidade de páginas. O último livro que li de Nesbø, A Sede, era extenso, com mais de 600 páginas. Este é claramente o oposto. É uma obra pequena, ficando-se apenas pelas 150 páginas, mas tem tanto no seu conteúdo que será o título ideal para ler, de uma assentada, numa tarde de ócio.

Devo falar, antes de mais, do que mais me agrada nos policiais nórdicos e que o autor não descurou (apesar do reduzido número de páginas). A par da trama, fascina-me os ambientes gélidos, tão próprios da região. Como tal, as descrições da cidade de Oslo, onde tem lugar a acção, deixaram-me rendida. É palpável o contraste de cor entre a neve e o sangue.

A segunda componente que devo realçar é a caracterização do protagonista, Olav, um assassino a soldo que se depara com uma missão, a de matar a mulher do patrão.

Gostei do facto de Olav ser o narrador da história. Este é, de facto, uma espécie de anti-herói. Não diria que seja sociopata pois o mesmo vai confidenciando aos leitores que se apaixona demasiado depressa. Relata alguns episódios da sua vida para que nós, leitores, sintamos uma proximidade com o protagonista mesmo que este tenha uma actividade profissional controversa.
Confesso que a maneira de ser de Olav me cativou muito e creio que será uma percepção consensual.
O autor esmerou-se na caracterização do protagonista, sem dúvida, embora tenha considerado que as demais personagens soaram um pouco superficiais. Careciam de um desenvolvimento mais profundo.
A parca caracterização das personagens secundárias dever-se-á, porventura, a um maior realce do protagonista.

No que concerne à trama, devo dizer que estamos, definitivamente, perante uma história tensa que explora a vingança e a traição de uma forma exímia. Se podia ser mais desenvolvida? Sem dúvida, 150 páginas souberam-me a pouco, mas creio que está tudo na história: um protagonista carismático, uma história aliciante e descrições fantásticas da capital norueguesa.

Portanto e como considerações finais, queria aconselhar os meus leitores a não se deixarem intimidar pelo ínfimo tamanho da obra. Pessoalmente teria gostado de ler mais ainda sobre esta história, contudo sinto que não é incompleta: a trama é cativante e tenho a certeza que Olav tornar-se-á um protagonista memorável. Algumas descrições são extremamente visuais. 
Mesmo sentindo falta de Harry Hole, Nesbø proporcionou-me um excelente momento de leitura com esta narrativa protagonizada por um invulgar assassino.


domingo, 11 de março de 2018

Jo Nesbø - A Sede [Opinião]

Sinopse: AQUI 

Opinião: Em vésperas de ser publicado mais um livro daquele que é um dos meus autores de eleição, lembrei-me que ainda não tinha tecido um comentário sobre A Sede. Apercebi-me que esta obra é a última, até então, protagonizada por Harry Hole.
Por um lado fico feliz pela célere publicação destas obras, e pelo facto de não ter havido nenhum salto, por outro começa a avolumar-se um sentimento de saudades da carismática personagem Harry Hole.

Em plena era digital, o primeiro aspecto que me chamou à atenção foi o facto das vítimas estarem registadas na rede social dedicada ao engate, Tinder. Alertando-nos para a iminência do perigo nos encontros fortuitos com estranhos na esperança de encontrar o amor, A Sede é um poderosíssimo thriller com um vilão memorável. Não querendo desvendar demasiado sobre o antagonista, posso apenas afiançar que este tem um prazer invulgar com sangue humano.
Posso afiançar que este psicopata fascinou-me devido à sua caracterização tão excêntrica que levou a ser denominado por Vampirista.

Portanto. a meu ver, este título é, talvez, uma das tramas mais gráficas de Nesbø.

Além disso, um aspecto digno de ser salientado é, indubitavelmente, a vida pessoal de Hole. Confesso ter-me sentido chocada com os acontecimentos relacionados com Rakel. Agora reconheço que esta componente terá servido certamente para entusiasmar (ainda mais) os leitores com algo que não a investigação policial. Quer queiramos quer não, os esqueletos no armário de Hole, relacionados com a luta contra a bebida e a sua relação com Rakel Fauke (que remota à obra O Pássaro de Peito Vermelho) são tão fascinantes quanto os casos policiais. 

Assim, a narrativa combina as duas componentes de uma forma extremamente cativante. Apesar de ser um livro extenso, com mais de 500 páginas, é deveras empolgante e não perde o ritmo da acção. Além disso, os assassinatos são brutais e as reviravoltas na trama são verdadeiramente surpreendentes.
O final foi muito intenso e dramático. Foi um culminar que fez jus a uma trama tensa e intrincada. 

Em suma, foi um deleite apreciar A Sede. Confesso que sentirei saudades de Harry Hole enquanto aguardo que o autor proponha um novo caso para esta personagem Até lá, espero que Sangue na Neve (a ser publicado no próximo dia 20) atenue esta nostalgia que se vai instalando. 
Uma série imprescindível na minha estante!


segunda-feira, 5 de março de 2018

Jo Nesbø - Sangue Na Neve [Divulgação Dom Quixote]


Data de publicação: 20 Março 2018

               Título Original: Blod på snø
               Preço com IVA: 14,90€
               Páginas: 152
               ISBN: 9789722064590

Sinopse: Um thriller cheio de humor negro em que o assassino é afinal uma personagem que nos comove. 
Olav é um assassino contratado, mas tem uma vida solitária e tranquila. Quando o que se faz na vida é matar o próximo, não é fácil fazer amigos, mas sem ninguém a quem se afeiçoar ou prestar contas, os dias também decorrem sem problemas. Só que o quotidiano de Olav complica-se ao conhecer a mulher dos seus sonhos. Apaixonar-se por alguém já é por si só uma situação desafiante, mas há duas outras particularidades que fazem desta mulher um vendaval na sua rotina: é casada com o seu chefe. E este acaba de o contratar para a matar.
Como é que Olav irá gerir a situação?
Será que vai conseguir enganar um dos mais temíveis criminosos do país?

Este livro, anterior à série Harry Hole, tem já todos os ingredientes que fazem com que Jo Nesbø seja um dos autores nórdicos de policiais mais bem-sucedidos em todo o mundo. 

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Jo Nesbø - A Sede [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de Publicação: 14 Novembro 2017

               Título Original: Tørst
               Páginas: 608
               Preço com IVA: 20,90€
               ISBN: 9789722063654

Sinopse:  Ela marcou um encontro pela Internet. Depois foi encontrada morta, assassinada. Pelas marcas no corpo, a Polícia percebe estar a lidar com um assassino particularmente cruel. Pressionada pela Comunicação Social para encontrar o culpado, a Polícia reconhece que só há um homem indicado para a tarefa. Mas Harry Hole sente relutância em assumir o lugar que lhe roubou quase tudo… até começar a suspeitar que este crime pode estar relacionado com o único caso que nunca conseguiu resolver. Quando uma nova vítima é encontrada, Harry percebe que terá de pôr tudo em causa se quer finalmente encontrar o único assassino que um dia lhe escapou.

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jo Nesbø - O Filho [Opinião]

 

Sinopse: AQUI

Opinião: O Filho é um stand alone de um dos meus autores nórdicos de eleição, Jo Nesbø.
Devo confessar que, nas primeiras páginas, estranhei a ausência de Harry Hole, uma das mais carismáticas personagens criadas pelo autor. Porém, essa saudosa sensação acabou por desaparecer e centrei-me na história de Sonny Lofthus, um jovem que está preso ainda que inocente dos crimes pelos quais foi condenado.

Logo por aqui temos uma premissa curiosa, o facto de haver um recluso que é um modelo na comunidade prisional e que está, aparentemente, desprovido de qualquer culpa de índole criminal. A trama parece, numa primeira análise, levantar questões interessantes como a redenção ou a ambiguidade moral. Porém, a história vai mais além: é uma incursão ao submundo da droga e à corrupção dentro da polícia norueguesa, sem que seja uma abordagem aborrecida. Por vezes lembrou-me O Fantasma, cuja temática é, como saberão os fiéis da série, relativamente semelhante, mas o rumo da história é completamente diferente.
 
Ao contrário do que costuma acontecer quando inicio a leitura de um romance de Jo Nesbø, regra geral, é reviver as personagens. Creio que o elemento de sucesso é a relação especial que existe entre as personagens da saga e o leitor.
Sendo este um livro fora da série, estabelecemos uma relação de raiz com as personagens. 
Claro que não há como não torcer por Sonny. Senti-me constantemente intrigada sobre o pai do recluso e creio que parte do interesse que se vai maturando no decorrer das páginas vai ao encontro do passado de Sonny e do seu pai. A acção frenética dos acontecimentos é um elemento com igual peso. Até apreciei a componente romântica do enredo, penso que desanuviou um pouco o clima tenso que por vezes se gerava.

O Filho é uma obra extensa mas nunca me senti maçada no decorrer da leitura. Reitero que senti alguma dificuldade em mergulhar na história, nas páginas iniciais, não obstante ter valido a pena insistir. A minha apreensão inicial transformou-se num entusiasmo que teima em persistir, ainda que tenha terminado a leitura há uns tempos.
Noto que, comparativamente à série de Harry Hole, O Filho não teve tanto destaque, facto que lamento. Estamos perante uma obra muito bem conseguida, cheia de torções surpreendentes e lições de moral convidativas à reflexão. Um livro que é electrizante, e ainda que tenha sentido falta de Harry, esta leitura foi extremamente plazerosa.

Não precisei de ter lido esta obra para reforçar que Jo Nesbø é um dos autores que sigo atentamente. Quanto a mim, ficarei a aguardar, com alguma ansiedade, pela publicação de mais obras do autor.



segunda-feira, 13 de março de 2017

Jo Nesbø - Polícia [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Polícia é já o 10º livro da série protagonizada pelo Harry Hole.Mas a verdade é que não parece. Ainda não me sinto cansada dos casos deslindados por este invulgar protagonista, não obstante parecer-me que à medida que a saga avança, os seus problemas com o álcool, vão-se mitigando progressivamente.

O caso aqui presente debruça-se sobre os homicídios de vários polícias e, hei de jurar que por entre as primeiras vítimas, os nomes eram algo conhecidos. Talvez tenham entrado em O Morcego ou Baratas (ou até em demais títulos da série) mas a dificuldade em reter ou mesmo de associar estes nomes escandinavos às obras, é uma tarefa, a meu ver, assaz complexa.
Confesso que, até ao presente livro, a morte que mais me tinha chocado, nesta série protagonizada por Harry Hole, tinha sido a do seu colega, o jovem polícia Halvorsen, o qual deixara, como legado, um filho bebé que, tenho visto mencionado, pontualmente, em outros livros da série. Teria sido importante, e omito as minhas razões, que se tivesse falado igualmente desta criança na presente trama. Com isto quero apenas dizer que ao longo desta leitura deparei-me com o homicídio de uma personagem muito querida e da qual, doravante, sentirei falta. 

Afinal de contas, não é apenas sobre a vida pessoal de Harry que o autor se debruça. Os fãs da série sabem igualmente as vidas de personagens tão carismáticas, ou não, como é o caso de Beate Lønn, Stale Aune e até mesmo Silje. Deixo uma ressalva, ainda sobre as personagens secundárias, para a forma como Anton Mittet progride ao longo da trama. Ele é um desconhecido investigador policial e, aparentemente, sem grande importância. Rapidamente essa minha percepção foi deitada por terra. E não, não estou a revelar a verdadeira identidade do antagonista, Valentin.

Durante as primeiras 200 páginas, sentia-me algo desinteressada pelo livro, confesso. No decorrer da primeira parte da história, o protagonista Harry Hole manteve-se oculto e eu sentia-me inquieta com a possibilidade de uma secundarização deste protagonista. O final de Fantasma não fora o mais abonatório para o detective e estava expectante sobre a sua participação em Polícia. As dúvidas ficaram desfeitas quando o caso passou, finalmente, para as mãos de Harry. Agradou-me muito o desenrolar da trama mais pessoal do personagem principal. A situação relativa a Rakel e Oleg que teve início em O Boneco de Neve, parece-me, enfim, ultrapassada.

Não foi o meu livro favorito da série. Esse lugar ainda está preenchido pel'O Boneco de Neve e O Leopardo. No entanto, noto que ao 10º livro, o autor ainda logra cativar os seus fãs. Não me senti defraudada, de forma nenhuma, com Polícia. Finda a leitura, fui de imediato averiguar como prosseguia a série. Ficarei, certamente, expectante com um novo caso de Harry Hole, porém, nas livrarias a partir da próxima semana, teremos um stand alone, O Filho. Sempre ameniza o tempo de espera até voltar a ler mais um caso do nosso inspector norueguês de eleição.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Jo Nesbø - O Filho [Divulgação Dom Quixote]


Data de publicação: 21 Março 2017

               Titulo Original: Sønnen
               Preço com IVA: 19,90€
               Páginas: 536
               ISBN: 9789722062039

Sinopse: Antes de ser condenado, Sonny era um adolescente exemplar, campeão de luta livre, e tinha um futuro brilhante pela frente. Até saber que o pai, o seu ídolo, era afinal um polícia corrupto que preferiu o suicídio a ser exposto.
Agora, Sonny é um prisioneiro modelo. Metade da sua vida foi passada como recluso, cumprindo penas por crimes que não cometeu. Como compensação, nunca lhe falta heroína. É o centro de um núcleo de corrupção: guardas prisionais, polícias, advogados, e até um capelão desesperado, todos empenhados em mantê-lo drogado na prisão. Mas quando Sonny descobre a chocante verdade por detrás do suicídio do pai, planeia uma engenhosa fuga e começa a perseguir os responsáveis. Contudo, ao mesmo tempo que faz justiça pelas próprias mãos, é também perseguido por criminosos e pelas forças da lei. Com destaque para Simon, um inspetor prestes a reformar-se, e antigo amigo do pai.
A questão é quem conseguirá chegar a ele primeiro, e o que fará Sonny quando se sentir encurralado?

Mais uma narrativa, fora da série Harry Hole, em que Nesbø prova, uma vez mais, ser exímio em criar personagens marcantes e merecer a distinção de mestre do suspense.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Jo Nesbø - Polícia [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de Publicação: 8 Novembro 2016

               Título Original: Politi   
               Páginas: 584
               Preço com IVA: 19,90€
               ISBN: 9789722061407

Sinopse:  Durante muitos anos o inspetor Harry Hole foi o centro das mais importantes investigações criminais em Oslo. As suas brilhantes deduções e a profunda dedicação ao trabalho permitiram salvar inúmeras vidas ao longo dos anos. Mas mesmo com um assassino à solta cada vez mais atrevido em Oslo e os meios de comunicação noruegueses cada vez mais histéricos, a Brigada Anticrime não pode contar com o carismático inspetor. Mesmo quando aqueles que sempre foram mais importantes para ele correm perigo de vida, Harry não está lá para os proteger.
Há um assassino à solta nas ruas de Oslo. Mas não é um assassino qualquer. É um criminoso que seleciona cuidadosamente as suas vítimas: polícias envolvidos em anteriores investigações de crimes que nunca foram solucionadas. A Brigada Anticrime precisa urgentemente de Harry Hole, mas será que o carismático inspetor sobreviveu aos dramáticos acontecimentos de O Fantasma?

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

Imprensa
«Nunca houve policial escandinavo mais sombrio ou tenso do que os best-sellers da série Harry Hole, e este décimo volume sobre o inspetor norueguês é o melhor até agora.»
Sunday Mirror


«Os calafrios são tangíveis neste exasperante policial.»
The New York Times Book Review


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Jo Nesbø - Baratas [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Com a publicação de Baratas, fica completa a série protagonizada por Harry Hole em terras lusas ainda que tenha começado a ler a mesma a partir do terceiro livro, O Pássaro de Peito Vermelho. No Outono, ao que tudo indica, teremos The Police. 
A minha percepção, agora que tenho a série lida desde o início, é que a qualidade da mesma vai-se solidificando a partir do terceiro livro.

Ao ler Baratas, infelizmente não senti o mesmo entusiasmo com que lera as mais recentes obras do autor, como O Fantasma, O Leopardo e O Boneco de Neve (estas duas, as minhas preferidas). 

Nesta obra, Harry Hole vai até à Tailândia investigar o homicídio de um embaixador norueguês. E vê-se enredado numa realidade bastante cruel... 
Devo confessar que não sinto uma grande afinidade com a Tailândia, não sei se isso terá contribuído para que não apreciasse a obra como usualmente. E a juntar a isto, há um punhado de personagens tailandesas com nomes impronunciáveis, tornando a retenção das mesmas um exercício de dificuldade acrescida. 

Comparativamente ao Morcego, em que o caso não era tão complexo como os dos últimos livros da série, Baratas mostra uma dinâmica mais intrincada. Também o cenário, um país de terceiro mundo, convida o leitor a conhecer uma realidade obscura e que não temos presente. Dado que nunca li (pelo menos que me lembre) sobre a Tailândia, achei esse pormenor interessante. 

A personagem de Harry Hole acaba por se consolidar e, nesta história, vejo-o como o conhecera dos livros anteriores, manifestando de forma mais séria, os seus problemas com o álcool. É também nesta obra em aparece pela primeira vez (e num papel muito sumido), uma das mais importantes personagens dos livros sucessores, Tom Waaler.

O balanço de ler Baratas é positivo, no entanto, devo confessar que, infelizmente, este livro não me arrebatou, tal como acontecera com O Morcego.  
A meu ver, a série protagonizada por Harry Hole é uma das melhores no que concerne a policial escandinavo, mas isto verifica-se a partir do terceiro livro, como afirmei anteriormente. 
Ainda assim, creio que esta série é obrigatória para os fãs do policial. 
Aguardo, expectante, a publicação de The Police.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jo Nesbø - Baratas [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de Publicação: 1 Março 2016

               Título Original: Kakerlakkene
               Páginas: 392
               Preço com IVA: 18,90€
               ISBN: 9789722059213

Sinopse:  Com o zumbido do constante e intenso tráfego rodoviário nos ouvidos, Harry mergulha no submundo de Banguecoque, apinhado de clubes noturnos, templos, antros de ópio e anúncios turísticos, numa investigação que ninguém lhe pediu nem deseja.
Nem ele próprio. E, uma vez mais, é vítima dos seus próprios instintos.

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

Imprensa
«Nesbø escreve como um anjo. Mas o anjo é Lúcifer.»
The Philadelphia Inquirer (EUA)

«Segundo os policiais nórdicos, o mundo é negro e gelado, tal como o coração humano. Mas é a magia com que Nesbø trabalha as metáforas neste género literário que faz a diferença. Diria que é o meu favorito entre os seus pares.»
Michael Robbins, Chicago Tribune (EUA) 



domingo, 20 de dezembro de 2015

Jo Nesbø - O Fantasma [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O Fantasma é o nono livro da saga de Harry Hole, uma série que, a meu ver, tem elevado a fasquia do policial a cada livro publicado.
Contudo, creio que O Fantasma é algo diferente dos livros antecessores. A narração é distinta e convidativa à introspecção, uma vez que, alternada com a acção propriamente dita, temos os testemunhos de Gusto, a vítima mortal da presente obra. Uma fórmula já explorada pelo autor Mons Kallentoft que tem como objectivo contar um pouco sobre a personagem que é assassinada.
Além disso, a investigação do crime dispersa-se por entre a temática do submundo da droga. Em muitas passagens, O Fantasma relembrou-me, em certa medida, o enredo da série Breaking Bad, pois o cerne da trama é o desenvolvimento de uma nova droga no submundo de Oslo.
Daí que esta história se centra nas relações estabelecidas dentro deste meio, onde o vício se imiscui com o negócio ilícito de contrabando de drogas.

Apesar de não apreciar histórias que tenham como pano de fundo o tráfico de drogas, a trama agradou-me devido ao conflito interno que se instala em Harry Hole. É que Oleg, o filho da sua ex namorada Rakel Fauke, é suspeito do homicídio de Gusto e cabe a Harry discernir a componente pessoal das provas que acusam o jovem. 
Para quem acompanha a saga, sente uma familiaridade para com as personagens e por isso, chocou-me que aquele menino de quem me recordo de O Pássaro de Peito Vermelho já seja um adolescente e tenha tomado decisões erradas no seu percurso. Daí que senti, durante toda a leitura, uma grande ansiedade na resolução do caso, maior ainda que nos livros antecessores.

Apesar das temáticas abordadas, é indiscutível que o autor tenha uma capacidade exímia de nos manter presos à história, que como podem constatar, é algo complexa. Não obstante ter deixado um final em aberto com questões que serão certamente respondidas no próximo livro da saga. 
Confesso, no entanto, ter ficado bastante surpresa com o final e com o desvendar do homicídio de Gusto. Apesar de não ter equacionado, achei bastante lógico.

Devo admitir que O Fantasma não destronou os meus preferidos que eram O Leopardo e O Boneco de Neve (atento que este último será adaptado para cinema já no próximo ano, notícia que me apraz bastante).
Fico a aguardar pela publicação de mais uma obra de Nesbo, um autor que se destaca nas minhas preferências literárias.
Tanto quanto sei, Baratas (o segundo livro da saga) será publicado no primeiro trimestre de 2016.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Jo Nesbø - O Fantasma [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de publicação: 10 Novembro 2015 

               Título Original: Gjenferd
               Colecção: Harry Hole #9
               Preço com IVA: 19,90€
               Páginas: 512
               ISBN: 9789722058278

Sinopse: Dubai controla o submundo da droga de Oslo sem olhar a meios e sem complacência pelos que o servem. Todos lhe conhecem o nome e a fama, todos o temem, mas nunca ninguém o viu... até arrastar Oleg nas malhas da sua rede e despertar o instinto protetor de Harry Hole.
O Fantasma, nono livro da série Harry Hole, não foge à regra: prende o leitor desde o primeiro momento e é de cortar a respiração da primeira à última página.


Sobre o autor:  Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

Imprensa
«O Fantasma é o melhor policial de Nesbø, um policial para adultos que prova de forma triunfal as palavras do próprio Harry Hole: o ser humano é uma espécie perversa e maldosa. E não existe cura, apenas alívio.»
Evening Standard (GB)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Jo Nesbø - O Morcego [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Finalmente o primeiro livro da série protagonizada por Harry Hole foi publicado em terras lusas! Depois de uma breve pesquisa na internet, percebi que esta obra, embora escrita em 1997, foi publicada recentemente em inglês. Também os anglo-saxónicos tiveram acesso a esta série, assim como nós, a partir do terceiro volume, correspondente ao Pássaro de Peito Vermelho.
Já tinha o ebook em inglês no Kobo a aguardar pacientemente que eu tivesse coragem para enveredar pela sua leitura. No entanto, devo confessar que tenho alguma reticência em ler no formato digital e noutra língua que não a materna.

Sempre tive muita curiosidade em saber o início desta série, pois afinal de contas, é uma das minhas preferidas. Não obstante, e finda a leitura, penso que a série melhora a cada volume publicado e O Morcego não conseguiu destronar o meu livro preferido que foi O Leopardo. 
E mais, achei que, inicialmente, Harry Hole estava um pouco diferente do que tinha lido até então. Curiosamente, nunca soube como se pronunciava o seu nome e é neste livro que percebi que Hole se pronuncia como Hoo-leh, embora em toda a narrativa, os colegas constantemente confundiram o seu apelido com Holy.
No entanto, à medida que a história se desenvolve, apercebemo-nos da verdadeira essência de Hole, dos seus problemas com o álcool e das suas relações amorosas. Ainda assim, é um Hole que se distancia das suas características sombrias a que estava habituada.

Como é usual nos livros de Nesbø, a trama tem como cenário um outro país que não a Noruega. Neste caso em particular, a história passa-se exclusivamente na Austrália e é-nos dada a conhecer a perspectiva de um turista, embora Hole vá para investigar, não invalidando uns quantos passeios por vários pontos do território australiano. 
A cultura australiana, factos sobre animais bem como lendas associadas aos aborígenes são referidas na narrativa a fim de intensificar o efeito da sensação de estarmos lá, juntamente com Hole e a participar activamente na investigação do caso. Muito sinceramente, penso que algumas lendas aborígenes que são relatadas são irrelevantes para a história.
Por outro lado, fascinou-me o Aquário de Sydney, cenário do conflito entre o antagonista e Harry. Fiquei com vontade de revisitar o Oceanário.

Nunca me tinha interessado muito pela Austrália, mas lendo O Morcego percebi que este país é multi-cultural onde habitam os autóctones (aborígenes), descendentes dos colonos ingleses e irlandeses e emigrantes de vários pontos do globo. E nesta perspectiva surge uma personagem feminina, de naturalidade sueca, com alguma importância na trama, de seu nome Birgitta. E percebi que existe uma subtil "rivalidade histórica" dentro da própria Escandinávia.

Em suma, O Morcego não me arrebatou. Não achei a história tão complexa quanto as dos meus livros preferidos do autor. Como referi, a série de Harry Hole vai tornando-se cada vez melhor. 
No entanto, para uma fã acérrima de Nesbø como eu, este é um título imprescíndivel na estante. Congratulo a Dom Quixote e faço votos que publiquem, o mais brevemente possível, o segundo livro da saga, de seu nome Cockroaches.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Jo Nesbø - O Morcego [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de publicação: 3 Fevereiro 2015 
  
               Título Original: Flaggermusmannen
               Preço com IVA: 18,90€
               Páginas: 392
               ISBN: 9789722056342

Sinopse: O primeiro livro da série Harry Hole.
O inspector Harry Hole, da Brigada Anticrime de Oslo, é enviado numa missão a Sydney, na Austrália, para investigar um homicídio. Deve colaborar com as autoridades locais, mas tem instruções para se manter longe de sarilhos. A vítima é uma norueguesa de vinte e três anos, em tempos uma celebridade televisiva na Noruega.
Harry não consegue ser um simples espectador e, à medida que se envolve na investigação, trava amizade com um dos detetives responsáveis pelo caso. Juntos percebem que estão a lidar com o último de vários homicídios por resolver, e o padrão diz-lhes que estão na presença de um psicopata que atua ao longo do país. Quando estão prestes a descobrir a identidade do assassino, Harry começa a temer que ninguém esteja a salvo, principalmente as pessoas envolvidas na investigação... e os seus receios transformam-se no seu mais profundo pesadelo!

Sobre o autor:
Jo Nesbo nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma perso-nalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.



sábado, 22 de novembro de 2014

Jo Nesbø - O Leopardo [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Exactamente um ano após a publicação de O Boneco de Neve, um dos meus livros preferidos da série Harry Hole, chega-nos O Leopardo. Um livro estonteante, tendo classificado com cinco estrelas no Goodreads (e os meus leitores sabem que não costumo ser tão mãos largas no que diz respeito a avaliar os livros). Penso que a cada livro publicado da série Harry Hole, o autor se supera. Creio que este será, doravante, o meu favorito da saga.

Em primeira análise, um dos factores que mais me impressionou nesta obra foi o nível de detalhe da tortura e terror sentidos por uma mulher antes de morrer, nas páginas iniciais. De uma violência explícita e contornos maquiavélicos, foi impossível não me sentir tensa e desconfortável logo de imediato.

Além disso, e como tive oportunidade de referir em livros anteriores, gosto muito da personagem de Hole. E nesta obra senti uma vulnerabilidade ainda maior por parte da personagem. Que o investigador tem um passado conturbado com o álcool já se sabia, mas fiquei extremamente surpreendida quando Hole muda de vício... para pior! Ainda assim, mesmo com problemas de dependência, continua uma personagem extremamente perspicaz. São exploradas outras duas vertentes que demonstram o quão verossímil é esta personagem, assemelhando-se a qualquer um de nós. A par dos vícios, Hole tem que lidar com o frágil estado de saúde de Olav Hole, o seu pai e encontrar um equilíbrio na sua vida pessoal agora que Rakel Fauke não figura das personagens principais da trama. Ao invés, surge uma personagem igualmente fascinante, a colega Kaja Solness. O papel de Beate Lønn é desta forma reduzido face às suas intervenções nos volumes anteriores, o que na minha opinião, é pena. Para quem acompanha a saga sabe que a personagem passou por provações determinantes em O Redentor e já no livro anterior, havia algumas alterações na vida da investigadora. Gostaria de ter lido mais sobre ela.

Permitam que vos faça uma pergunta: lembram-se de Tom Waaler nas tramas anteriores de Harry Hole?
Quem acompanha a série, sabe que esta personagem já não consta das histórias mas penso que é memorável a audácia com que se torna um antagonista pois está ligado às forças policiais. Esta trama apresenta uma personagem bastante similar que trabalha na Kripos apresentando, a meu ver, uma subtil crítica à sociedade por reflectir o eventual abuso de poder nas situações hierárquicas superiores.

Em relação a O Leopardo. creio ser uma trama extremamente intrincada. O caso parece ser de difícil resolução: o assassino do presente caso, não descurando o Boneco de Neve, é bem mais impiedoso e as vítimas são mulheres que, aparentemente, não têm ligação entre si. Os detalhes de tortura são recorrentes e o autor alude um mecanismo fictício denominado Maçã de Leopoldo. De requintes de malvadez tão aguçados, confesso que senti curiosidade em pesquisar sobre o mesmo, chegando à conclusão que este instrumento de tortura foi imaginado pelo autor.

Ainda que seja um afamado policial nórdico, um dos ingredientes que torna a série mais apelativa é a inserção de outros cenários, normalmente diferentes países por onde deambula Hole. Em O Leopardo, o leitor é convidado a viajar até Hong Kong e posteriormente até ao Congo.

Finda a leitura desta obra, não creio que esteja perante o final de um livro. Diria que este é apenas mais um capítulo das aventuras de Hole e como tal, fico particularmente ansiosa pelo lançamento de mais um livro de Nesbø. Prevejo que seja lá para meados do Outono de 2015.

Em suma, ainda que O Leopardo seja um livro volumoso, lê-se muitíssimo bem. Explora com mestria uma amplitude de vícios e valores extremamente convincente por parte do protagonista. O caso de investigação é simplesmente aliciante, tendo gostado especialmente dos detalhes ricos e gráficos com que o autor dota a narrativa e a introdução de personagens novos como Kaja Solness e Mikael Bellman são uma lufada de ar fresco. Sem querer destituir as obras anteriores (os livros do autor são de grande qualidade), devo confessar que fiquei simplesmente rendida com O Leopardo e para mim, esta obra consagra-se como a melhor de Jo Nesbø.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Jo Nesbø - O Leopardo [Divulgação Editorial Dom Quixote]


Data de Publicação: 4 Novembro 2014

               Título Original: Panserhjerte
               Páginas: 648
               Preço com IVA: 22,90€
               ISBN: 9789722055994

Sinopse:  Perturbado com os acontecimentos que levaram à detenção do Boneco de Neve, o inspetor Harry Hole refugia-se em Hong-Kong onde as únicas regras a que obedece são as que lhe são impostas na sordidez das salas de ópio. Enquanto isso, em Oslo, num Inverno excepcionalmente ameno, a polícia depara-se com o brutal assassínio de duas mulheres. Sem pistas, sem perceber que arma do crime seria capaz de provocar os ferimentos que apresentavam, e com a investigação num impasse, só lhe resta encontrar Harry Hole e convencê-lo a colaborar.
Com o pai gravemente doente no hospital, Harry Hole acaba por regressar à Noruega. Não tenciona trabalhar na investigação, mas o instinto leva a melhor quando a polícia encontra uma terceira vítima, violentamente assassinada, num parque da cidade. Quando consegue desvendar a ligação entre as vítimas, Harry Hole percebe que está a lidar com um psicopata que, tal como o Boneco de Neve, o vai levar ao limite das suas capacidades.
O Leopardo leva-nos de Hong-Kong a Oslo, da Suíça à República Democrática do Congo, da brancura gelada de uma avalanche ao inferno escaldante de um vulcão.
É nestes cenários que Harry Hole enfrenta os demónios mais sinistros da Noruega e, pior do que isso, os que se debatem dentro de si próprio.

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.