quarta-feira, 21 de agosto de 2019

David Lagercrantz - A Rapariga Que Viveu Duas Vezes [Divulgação Dom Quixote]


Data de publicação: 22 Agosto 2019

               Título Original: Hon som måste dö
               Preço com IVA: 20,90€ 
               Páginas: 392
               ISBN: 9789722068086

Sinopse: A Rapariga Que Viveu Duas Vezes – SEXTO E ÚLTIMO VOLUME DA SÉRIE MILLENNIUM iniciada por Stieg Larsson – é uma narrativa atual, que combina escândalos políticos e jogos de poder com novas tecnologias, genética, expedições dramáticas ao cume do Evereste, e “fábricas” de trolls que criam e difundem notícias falsas, responsáveis por influenciar resultados de eleições ou denegrir a imagem de proeminentes figuras públicas.
Um final épico, em que não faltam o humor e situações levadas ao extremo por Lisbeth Salander que, como sempre, na defesa dos seus princípios, não olha a meios nem recorre a métodos convencionais.
 

Sobre o autor: David Lagercrantz nasceu na Suécia em 1962. É escritor e jornalista e vive em Estocolmo. Depois de ter estudado Filosofia e Religião, licenciou-se em Jornalismo pela Universidade de Gotemburgo. Trabalhou para o diário Expressen como repórter criminal tendo feito a cobertura dos casos mais mediáticos no final dos anos 80 e início dos anos 90 na Suécia.
Publicou várias biografias de personalidades muito conhecidas dos suecos e, em 2011, aquela que foi o seu maior sucesso – I am Zlatan Ibrahimovic – a história do famoso jogador de futebol, nomeada para vários prémios importantes, traduzida em 30 línguas e com milhares de exemplares vendidos. Fez a sua estreia na ficção com The Fall of Man in Wilmslow, uma história baseada na vida do célebre matemático britânico Alan Turing que teve um enorme sucesso internacional. Nos livros de David Lagercrantz encontra-se frequentemente um padrão: grandes talentos que se recusaram a seguir as convenções. Interessam-lhe não só os que se destacam da multidão, mas também a resistência que a sua criatividade inevitavelmente enfrenta. Talvez por isso tenha aceitado a proposta que lhe foi feita em Dezembro de 2013 para escrever o quarto volume da série Millennium criada por Stieg Larsson (1954-2004). Decerto não conseguiu resistir a Lisbeth Salander, uma das personagens mais criativas e irreverentes da literatura contemporânea. 

Anteriormente publicado


domingo, 18 de agosto de 2019

Mary Kubica - Verdade Escondida [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Por alguma razão que desconheço, Verdade Escondida residia na minha estante, por ler, há três anos. Curiosamente, foi o último livro publicado em Portugal desta autora, pelo que, subconscientemente, tê-lo-ei talvez guardado para recordar as tramas da autoria de Mary Kubica. Após a leitura dos três livros editados por cá, confesso que este título foi o que menos gostei.

Tal como as obras antecessoras, a autora opta pela narrativa sob a perspectiva de duas personagens: Quinn, a colega de quarto de uma jovem desaparecida e Alex, um rapaz que trabalha num café e que fica fascinado quando aparece uma rapariga no seu local de trabalho.
As subnarrativas são intercaladas, permitindo-nos conhecer em simultâneo a evolução de cada uma. Confesso que preferi a subtrama referente a Quinn pois senti-me mais interessada pelos contornos da busca por Esther do que propriamente a relação de Alex com a rapariga misteriosa ainda que, numa fase posterior, o jovem me tivesse despertado maior empatia devido aos seus fantasmas do passado. 

Como já tive oportunidade de referir, creio ser inquestionável que uma trama, narrada sob a perspectiva de duas personagens completamente diferentes sem qualquer relação, consubstancia-se deveras intrigante. Pessoalmente, senti-me em suspense para perceber a possível conexão entre os dois protagonistas. Contudo, em certos momentos, senti-me um pouco aborrecida, percepção que atribuo possivelmente a uma impaciência da minha parte pois senti que a autora se debruçou em demasia sobre a caracterização das personagens. Compreendo que Kubica tenha querido uma aproximação entre o leitor e os protagonistas, porém, a meu ver, grande parte dos factos não eram realmente flagrantes para a acção.

Uma vez que o cerne do mistério reside no desaparecimento de uma rapariga, foi inevitável que, numa fase inicial, estabelecesse uma comparação com o afamado Gone Girl. Felizmente que este ponto era o único em comum, convidando-nos a uma reflexão, novamente, sobre o quão bem conhecemos a pessoa com quem partilhamos a casa. Com excepção deste ponto, a história diverge completamente. De facto, não esperava que o rumo da trama fosse o que a autora propõe, pelo que fui surpreendida. Embora a chave do puzzle estivesse fora das minhas teorias, não fiquei completamente convencida nem me senti deslumbrada como acontece nos demais thrillers.

A minha avaliação de Verdade Escondida deve-se também a um contraponto entre as outras obras da autora. Ainda há dias, a propósito de um filme, lembrei-me do estranho rapto explanado na obra Não Digas Nada. Recordo-me, igualmente, da estranha que aparece com um bebé no lar de um casal, premissa de Vidas Roubadas. Tramas estas que, claramente, me marcaram mais do que o presente título.  

Em suma, apesar deste título ser, na minha modesta opinião, o menos estimulante dos três livros editados em Portugal, Mary Kubica é uma autora a ter em consideração. Autora de thrillers aliciantes, espero revê-la novamente em breve.


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Dick Haskins - A Embaixadora [Opinião]


Sinopse: Naquele fim de tarde ameno, no início do Verão, Vanda não podia imaginar o perigo que a aguardava ao sair do emprego. Mas a verdade é que um grupo de conspiradores vira nela a sósia perfeita para levar a cabo um arriscado golpe político internacional...
Vanda ver-se-á então num papel que nunca sonhara incarnar, passando longas horas de terror e suspense num estádio superlotado, durante um jogo de futebol.
Até que o espírito de observação de uma criança propiciasse, para o caso, uma inesperada solução

Opinião: Confesso desde já que não sou grande apreciadora de tramas que se alicercem em atentados e conspirações, ingredientes que são explanados na presente obra de Dick Haskins. Contudo, abracei o desafio de ler esta obra que sai claramente da minha zona de conforto.
Esta trama apresenta, assim, contornos bastante diferentes das demais. Não que conheça completamente a bibliografia do autor, apenas li O Sono da Morte e vi alguns episódios da série televisiva realizada pelo autor, Dick Haskins, transmitida nos anos 80. Realço que o autor é conhecido pelas suas tramas pertencentes ao subgénero de giallo, em que o protagonista, o detective homónimo, investiga alguns casos policiais, recorrendo ao poder de dedução e lógica, relembrando um pouco o célebre detective belga Poirot.

Em A Embaixadora, deparei-me com uma história completamente diferente, alicerçada sobre conspiração e intriga política. Senti falta, portanto, do detective Dick Haskins.
Ainda que não seja uma aficionada de histórias do género, reconheço que a obra é interessante. Muitíssimo bem escrita, como o autor nos habituou, é uma história que atenta aos detalhes para convencer o leitor que está prestes a presenciar um golpe político contra o país de Puerto Nuevo, no estádio, em pleno jogo de futebol. A trama tem basicamente a duração da partida, o que tornou o ritmo da acção mais intenso. Considerei, portanto, a trama deveras entusiasmante, ainda que prefira as comuns investigações policiais à eminência de um atentado com vista à execução de um golpe de estado.

É uma obra que está claramente descontextualizada contudo não pude deixar de relembrar saudosos tempos em que eu própria me via desesperada com as cassetes para gravar filmes e outros programas e, em caso negativo, escolher escrupulosamente uma cujo conteúdo pudesse ser gravado por cima. É com esta metodologia que Henrique quer ver um jogo de futebol, embora parecendo-me um pouco contraproducente vê-lo em diferido.

Em suma, embora seja um livro antigo e descontinuado, fazendo com que seja provavelmente difícil de encontrá-lo, creio que carece a nossa atenção. Além de nacional, Dick Haskins é, para mim,  literatura policial de qualidade, ainda que este título seja bastante peculiar. Os amantes do género sentir-se-ão agradados com esta história e, em termos gerais, não há como sentir alguma nostalgia da época.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Passatempo 9º Aniversário da Menina dos Policiais


Partilhei convosco, ainda que timidamente - a ideia de envelhecer assusta-me (se bem que este é um caso bem peculiar de "envelhecimento") - que Agosto é o mês em que este blogue comemora o seu aniversário. Muitos de vós enviaram mensagens, expressaram votos de continuação deste trabalho e incentivaram-me a não desistir. Fiquei de coração cheio e estou-vos imensamente grata! 
A forma de retribuir este carinho é ofertar livros. Escolhi estes, saem da minha biblioteca e é com o maior gosto que os mando para a biblioteca de um de vós. Sou old school, deixo um formulário bem simples para que o preencham até dia 23 às 23h59. Sortearei um vencedor via random, entrarei em contacto com o mesmo via e-mail e enviarei o envelope dia 26. Tudo certo? Espero, claro, que seja do vosso agrado!

Partilhem pelos vossos amigos, participem e boa sorte!


Stephen King - Misery [Opinião]


Sinopse: Paul Sheldon, um escritor famoso de romances cor-de-rosa, acaba de "matar" Misery, a personagem que o celebrizou. Depois de o fazer tem um acidente. Quando acorda, descobre que foi salvo por uma ex-enfermeira, Anne Wilkes, que o leva para sua casa e trata dele. Anne, fanática da heroína de Paul, está furiosa com a morte ficcional de Misery. Sob tortura, obriga Sheldon a escrever um novo livro, um regresso de Misery. Paradoxalmente, este virá a ser o seu melhor livro.

Opinião: Creio que esta é uma obra que dispensa apresentações.
Sou grande fã do filme baseado na obra homónima, protagonizado por Kathy Bates e James Caan mas sentia curiosidade em ler a versão original, assim, aproveitando o desafio Um Ano com Stephen King, quis incluir este título e ainda bem que o fiz.
Apesar de conhecer a história a priori, esperava ficar impressionada com a mesma, sensação que, de facto, me acompanhou constantemente no decorrer da leitura. Sem dúvida que existem alguns pontos mais intensos do que a adaptação cinematográfica e é inevitável rendermo-nos a esta invulgar história alicerçada sobre obsessão por um ídolo.

Uma das consequências de ter visto o filme foi a impossibilidade de dissociar as personagens aos actores que as interpretam. Apesar de ter presente todo o o desenvolvimento da acção entre as duas personagens, como referi, esperava que a narrativa me surpreendesse com elementos desconsiderados no filme. Realmente há factos novos, que me chocaram ou acontecimentos que foram amenizados na adaptação cinematográfica. Um deles é, sem dúvida, a apresentação da história que Paul Sheldon é obrigado a escrever para agradar a Annie. De contornos peculiares - afinal de contas é quase como um livro dentro de outro livro - esta história acabou por ser perturbadora na medida em que Misery regressa à vida de uma forma arrepiante. Confesso que, exceptuando a forma como Misery é ressuscitada, os trechos referentes ao novo livro não me deslumbraram, percepção que atribuo à minha ânsia em saber os novos desenvolvimentos da interacção Paul - Annie.

Para mim, esta história é Annie Wilkes. Durante muitos anos, considerei-a como uma das minhas vilãs preferidas, percepção que se intensificou após a leitura do livro. Para mim, ela tem o rosto e a voz de Kathy Bates e compreendo agora a razão da escolha da actriz para este papel ambicioso e tão fielmente representado a partir da obra. A personagem do livro é, como esperava, mais desenvolvida. A passagem em que Paul encontra os recortes, permitindo-nos construir o passado da personagem está ainda mais sombrio e completo que a adaptação.
O comportamento de Annie é extremamente doentio e perturbador, fazendo com que me sentisse incomodada ao longo da leitura. Embora soubesse que a narrativa era tensa e antecipasse algumas das situações, não esperava sentir-me desta forma, percepção que atribuo à forma peculiar que Stephen King relata os factos.

Este livro recordou-me O Jogo de Gerald pelo teor aparentemente simplista da história, protagonizada por apenas duas personagens e desenvolvida num ambiente claustrofóbico. Apesar das características redutoras, temos tanto em O Jogo de Gerald como em Misery, histórias verdadeiramente brilhantes.  

Esta é uma trama completamente isenta da componente sobrenatural a que King nos habituou nas suas demais obras, sendo, portanto, mais assustadora. Tenho para mim que estes comportamentos mais obsessivos são comuns, constituindo, assim, uma ameaça mais real e, por conseguinte, mais tenebrosa. É chocante testemunhar como um sentimento de admiração pelos ídolos, tão comum e banal, se pode transformar numa obsessão doentia.

Posto isto, considerei Misery como uma das obras imperdíveis do autor. Não dispensem a obra só porque já viram o filme, garanto-vos que serão surpreendidos! Misery vai, definitivamente, para o pódio dos meus preferidos. Adorei!


Especial MOTELx 2019: Rasganço de Raquel Freire


Rasganço, termo que simboliza um dos rituais universitários de Coimbra na altura da graduação, será uma das películas nacionais a ser transmitidas no festival de terror MOTELx deste ano.
Desconheço se este ritual é, de facto, como o que nos é apresentado pois a minha vida académica (fui estudante no Instituto Superior Técnico) foi um pouco aborrecida - às páginas tantas queria lá eu saber das práticas sociais universitárias, à medida que os anos iam passando, eu apenas desejava terminar o curso!

Para mim, a magia deste filme provém do cenário e do ambiente. Embora já tenha terminado o meu curso há alguns anos, e, como tal, já não me identificar com o universo académico em concreto, não me senti de todo descontextualizada.
Talvez por não ter estudado em Coimbra e, consequentemente, não ter usufruído de uma vida académica tão rica, senti-me deslumbrada com o ambiente, as serenatas, as paisagens da cidade e com o vislumbre da fantástica biblioteca joanina da universidade. Decerto que o filme é convidativo a visitar a cidade. 

A história debruça-se sobre um jovem que chega a Coimbra que, não sendo estudante, nem tão pouco pertencendo àquele meio, rapidamente trata de se envolver com várias mulheres ligadas à Universidade até ao dia em que a situação escala e o pânico alastra por entre a comunidade académica.

Estamos, portanto, perante uma história de contornos lineares. Já sabemos à priori quem é o vilão pelo que, a meu ver, a trama carecia de uma reviravolta bombástica, possivelmente relacionada com o motivo pelo qual ele age daquela forma. Creio que este foi parcamente desenvolvido e a história tornar-se-ia mais rica caso estes motivos fossem mais aprofundados. Aliás, para mim, a subtrama principal, directamente alicerçada sobre Miguel, o forasteiro, poderia ser mais explorada. 
Os ataques às universitárias poderiam ser mais frequentes e brutais e a investigação policial poderia ter sido mais intensa. Considerei que o puzzle montado sobre as vítimas foi bastante interessante e, pessoalmente, teria gostado de ver essa componente mais aprofundada.

Mesmo que a história pendesse para o subgénero de giallo, esta nunca perderia o seu encanto devido ao ambiente único onde a trama tem lugar. Contudo compreendo que a) este filme é claramente uma produção com poucos recursos e b) não creio que a realizadora quisesse tecer uma trama policial, por isso, compreendo perfeitamente as escolhas de Raquel Freire.

Na apresentação do festival, o filme foi-me "vendido" como sendo um slasher, o que discordo pois grande parte das cenas mais violentas são bastante implícitas. Na realidade, a cena que foi mostrada na apresentação é a única passível de alguma susceptibilidade pois de facto, tem algum gore.

Com isto dito, criei algumas expectativas que foram defraudadas. Ainda assim reconheço que a produção nacional tem algo de mágico, percepção que atribuo ao universo académico único de Coimbra. 

terça-feira, 30 de julho de 2019

JP Delaney - Acredita em Mim [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O segundo livro de JP Delaney, autor da obra A Rapariga de Antes assenta sobre uma situação insólita: a protagonista, Claire Wright, tem como actividade profissional seduzir homens com a finalidade de desmascarar situações de infidelidade, o que, a meu ver, é deveras inverossímil. Parti, portanto, pouco convencida para esta leitura não obstante ter apreciado a forma como a história começa, logo com um brutal homicídio em circunstâncias duvidosas, tendo captado de imediato a minha atenção.
A vítima é Stella Fogler, esposa do aparente fidelíssimo Patrick Fogler que, por não se deixar seduzir por Claire, o vi como uma das suas "missões falhadas".

Apesar da profissão de Claire não me ter convencido, fiquei irremediavelmente intrigada com a autoria do crime. Senti-me céptica pois ao longo da leitura não conseguia atribuir a culpa a nenhum dos protagonistas. Tanto Patrick como Claire são personagens não confiáveis e, apesar da complexidade da personagem feminina e da aparente falta de moral que ela apresenta na sua actividade profissional, questionava-me se seria capaz de cometer um homicídio. 

Por estar tão curiosa com os contornos deste crime, considerei Acredita em Mim como uma obra de leitura ávida, percepção que atribuo também à estrutura da história, organizada em capítulos curtos, muitos deles sob a forma de diálogos intensos, o que, a meu ver, agilizou a trama.

A história é enriquecida pelos trechos da obra do controverso poeta Baudelaire. Assumo que sou imberbe no que concerne aos trabalhos deste, mas não pude deixar de me sentir atraída pelos excertos e, a partir dos mesmos, tecer algumas teorias para o desenvolvimento da história pois fazem um paralelismo, ainda que metafórico, entre a acção e os poemas.

Gostei da forma como a acção se desenvolve, alicerçada pelas ilusões e revelações em catadupa, tendo-me surpreendido por diversas vezes. Considero que esta falta de discernimento em averiguar os factos reais dos fictícios é o que mais impressiona nesta história.

À semelhança do livro antecessor, Acredita em Mim apresenta uma forte conotação sexual, o que, a meu ver, confere um toque ousado e invulgar à narrativa. 

Em suma, esta é uma história que, embora se alicerce numa situação altamente improvável, se desenvolve sobre enganos. Com contornos sensuais, é uma trama que alicia, vicia e surpreende o leitor.


Alex North - O Homem dos Sussurros [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Estava deveras expectante com este lançamento uma vez que o título em apreço está extremamente bem cotado no Goodreads.

Apesar de ser um thriller bem construído e multidimensional que prende, logo nas primeiras páginas, sinto necessidade em fazer uma ressalva relativamente ao género da obra pois, na realidade, categorizá-la como thriller parece-me um pouco redutor: estamos perante um livro de elevada carga dramática e com uns laivos de sobrenatural.

Aponto como um dos elementos mais bem conseguidos da história, uma redefinição do papão, a entidade que assusta as crianças associando-lhe uma catchphrase verdadeiramente arrepiante: "Se deixares a porta entreaberta, ouvirás os sussurros na certa", E, de facto, reconheço que inúmeras passagens são dignas de filmes de terror, tendo-me deixado um pouco apreensiva.

Contudo, não é de terror que vive a obra. Esta trata, inicialmente, de um rapto de uma criança e, à medida que a investigação prossegue, vão sendo encontradas algumas semelhanças entre este caso e um que ocorreu há 20 anos. Há um senão: este serial killer está preso, deixando-me na dúvida se estaríamos perante um discípulo ou apenas um copycat que admira o modus operandi de Frank Carter.

O outro elemento de destaque na trama é, sem dúvida, o pequeno Jake. Ele e o seu pai, Tom, mudaram-se recentemente para a cidade onde ocorre a acção após o falecimento da mãe.
Senti uma afinidade desmesurada pela criança, percepção que talvez atribua ao facto de ser órfão ou pela sensibilidade que vai demonstrando, muito incomum se tivermos em conta a sua tenra idade, fruto talvez da morte precoce da mãe.
Ainda que aprecie o sobredesenvolvimento das personagens, creio que este é um dos factores que explica o ritmo moroso da narrativa. O pai, Tom, tece inúmeras considerações sobre os desafios da paternidade, convidando-nos a um exercício de reflexão sobre esta na condição de viuvez e Pete, o polícia destacado na investigação, também tem fantasmas no passado. Creio que sobre esta caracterização expansiva das personagens possa eventualmente assentar uma continuação ou uma série protagonizada por estas personagens (irei atentar os trabalhos futuros do autor, sem dúvida).

Num momento avançado da leitura, considerei que a trama perdeu o fulgor embora me sentisse intrigada com a identidade do perpetrador, contudo, no que concerne a este elemento, não me senti surpreendida, factor que dever-se-á ao reduzido número de personagens. Considerei, portanto, relativamente fácil deslindar a identidade do antagonista.

Finda a leitura, e no seu cômputo, ainda que identifique alguns pontos menos positivos como os que acabei de mencionar, o ambiente tenso e sombrio da narrativa foi flagrante para que tenha apreciado esta obra.
Além disso, ter uma criança tão especial como o Jake como protagonista fará com que a obra não me saia da retina durante muito tempo.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Yrsa Sigurdardóttir - Abismo [Divulgação Quetzal]


Data de publicação: 2 Agosto 2019

               Título Original: Sogið
               Tradução: José Vieira Lima
               Preço com IVA: 18,80€
               Páginas: 448
               ISBN: 9789897224560

Agosto é sinónimo de Yrsa Sigurdardóttir. O novo policial da rainha do suspense islandês chega às livrarias nacionais a 2 de agosto, com tradução de José Vieira Lima.
Abismo é o segundo volume da série DNA, iniciada no ano passado com O Legado, que consagrou a dupla formada pelo detetive Huldar e a psicóloga infantil Freyja.
Um regresso que impressionou críticos e leitores e logo atingiu o primeiro lugar de vendas na Islândia

Sinopse: Abismo conta a história do aparecimento de uma cápsula do tempo, doze anos após a violação e o assassínio de uma rapariga em Hafnarfjördur. Dentro da cápsula são encontradas cartas escritas por crianças que, em idade escolar, imaginam como será a Islândia em 2016, e o que acontecerá nesse ano.
Mas, no meio delas, é encontrada uma mensagem anónima, com uma lista de iniciais das pessoas que virão a ser assassinadas no mesmo ano.
Só quando partes de corpos recentemente decepados começam a ser descobertas nos sítios mais insólitos é que surge a hipótese de que estas possam estar relacionadas com os nomes da lista e com um crime antigo a que se seguiu outro crime – um processo corrupto.

Sobre a autora: Yrsa Sigurdardóttir vive com a família em Reiquejavique. É diretora de uma das maiores empresas de engenharia da Islândia. Os seus livros estão nos topos das listas de bestsellers em todo o Mundo. Muitos deles estão a ser adaptados ao cinema e à televisão.

Imprensa
«Uma história muito bem escrita. Uma intriga excitante, com grandes volte-faces.»
Fréttabladid (Islândia)

«Yrsa no seu melhor.»
Morgunbladid (Islândia)

«Este  romance  vai  gelar-lhe  o  sangue,  da  primeira  à  última  página.  Uma  vez  que se tenha  começado  [a  ler],  será  impossível largá-lo.»
Le Parisien (França)

«Com este romance, que vicia e arrepia, e que tem uma intriga surpreendente, Yrsa Sigurdardóttir confirma o seu estatuto de rainha da ficção policial islandesa.»
La Gazette (França)


quinta-feira, 18 de julho de 2019

Martin Amis - O Comboio da Noite [Divulgação Quetzal]


Data de publicação: 19 Julho 2019

               Título Original: Night Train
               Tradução: Telma Costa
               Preço com IVA: 16,60€
               Páginas: 160
               ISBN: 9789897225529

Mesmo a tempo das férias de verão, a Quetzal publica O Comboio da Noite, de Martin Amis. Traduzido por Telma Costa, este thriller de 1997 tem como protagonista Mike
Hoolihan, uma mulher polícia de uma cidade americana, que investiga a morte de Jennifer Rockwell, a bonita e jovem filha do seu antigo chefe, Tom Rockwell. 

Uma arrebatadora história em que nada é o que parece, que chega na sexta-feira, 19 de julho, às livrarias.

Sinopse: Mike conhecera Jennifer Rockwell: era muito bela, inteligente, uma criatura extraordinariamente adorada por toda a comunidade. Encontrá-la com um tiro na cabeça foi um choque tremendo, e maior ainda foi a perplexidade quando todos os indícios apontaram para o suicídio. Tom Rockwell não iria descansar enquanto não encontrasse uma explicação satisfatória. Porém, à medida que Mike vai investigando, a possibilidade de encontrar uma motivação linear vai-se tornando cada vez mais remota, e a verdade por trás daquela morte voluntária é cada vez mais perturbadora.

Sobre o autor: Martin Amis é um dos autores de língua inglesa mais importantes e controversos da atualidade. Nasceu no País de Gales e é filho do escritor Kingsley Amis.
A  matéria-prima  dos  seus  romances  radica  no  absurdo  da  condição  pós-moderna  e nos  excessos do capitalismo tardio das sociedades ocidentais; e o seu inconfundível estilo é compulsivo e terrivelmente vívido.
Saul Bellow, Vladimir Nabokov e James Joyce são  as suas grandes referências literárias. Por seu turno, influenciou uma nova geração de romancistas, como Will Self ou Zadie Smith.


Imprensa
«Amis retoma um curioso paradoxo da vida contemporânea: quanto mais sabemos, mais nos sentimos aprisionados nas nossas vidas.»
London Review of Books


«O Comboio da Noite é, no seu âmago, um trabalho de sombrio romantismo. Jennifer Rockwell, alma do Mundo, já não consegue  contemplar  o  Mundo.  Mike,  o  sal  da  Terra, acaba  por  entender  porquê.  Como  é  que  ela  lidará  com  esta  informação?
A morte é o derradeiro brutamontes na obra de Martin Amis.»
The New York Times 


«Pela primeira vez [Martin Amis] criou heroínas que se definem não pela roupa interior ou pelo tamanho do peito, mas pelo seu trabalho, relações e desapontamentos humanos.»
The Guardian