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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Steve Mosby - Um Grito de Ajuda [Opinião]


Sinopse: Quando viu os seus amigos pela última vez?
Dave Lewis é um homem assombrado pelo seu passado. Entre a morte do irmão, o desgosto dos pais e o afastamento de Tori, a sua ex-namorada, Dave tenta convencer-se de que não tem contas a ajustar com o seu passado.
Quando um assassino persegue várias mulheres, as rapta e se faz passar por elas, enviando mensagens e e-mails a familiares e amigos das vítimas, Dave Lewis é o principal suspeito depois de Tori aparecer morta. Mas Sam Currie, o agente responsável, parece acreditar na sua inocência. Resta-lhes descobrir o perigoso assassino e o que fariam para salvar os seus entes queridos.

Opinião: Já me tinha rendido a este autor com O Assassino 50/50 e Mar de Sangue, restando-me apenas ler este Um Grito de Ajuda. Acho que devo mesmo manifestar o meu apelo às Publicações Europa América para que não cessem as publicações das obras de Steve Mosby!
Em linhas gerais, este autor escreve thrillers pesados, um índice de violência elevadíssimo, embora este se manifeste pouco em Um Grito de Ajuda, sendo a componente psicológica a que sobressai.

Ainda assim, as suas tramas são completamente independentes, registando em cada uma delas, uma forte originalidade por parte do autor. Neste caso em concreto, Um Grito de Ajuda alia-se à poderosa evolução das tecnologias, sob a perspectiva de um assassino, que imobiliza pessoas nas suas casas, deixando-as morrer de desidratação. Ele envia apenas textos e e-mails suficientes "deles" para os seus amigos e familiares afim de teoricamente, tranquilizar as pessoas de que está tudo bem. Constitui portanto uma reflexão à seguinte pergunta: "Até que ponto se importa com os seus amigos e familiares?". Será que você se importa o suficiente para os ir ver, independentemente do tempo que passou desde a última visita, Uma pergunta que sem dúvida, tem implicações profundas.

Por outro lado, o autor relata a história de Mary, que recorre à auto mutilação, como forma de alivio da dor que sente com as recordações do seu pai. Surpreendentemente, é raro ver esta temática mencionada na literatura policial, e penso que Mosby terá dotado Mary com características aprazíveis de quem tem este transtorno. Surpreendeu-me/chocou-me muito este comportamento por parte desta personagem.

Mosby mantém a estrutura que o caracteriza nos seus romances policiais anteriores: a trama narrada sob a perspectiva de Dave Lewis, intercalada com a narrativa na terceira pessoa, quando se trata dos avanços da investigação sob o comando de Sam Currie. A meu ver, e em primeira análise, é uma forma bastante concreta afim de nos alhearmos sobre os sentimentos de Dave face a provação que é descrita nesta trama.
De facto, esta é uma personagem complexa, uma vez que ainda lida com a morte do seu irmão, ainda quando Dave era criança. Esta personagem, jornalista a fulltime mas mágico em horas livres, tem um role considerável de ex-relações: Julie, Emma e agora Tori enveredam na teia do serial killer e cabe a Dave agir rapidamente.

Por outro lado, o detective Sam Currie é também uma personagem marcada: a sua incapacidade em impedir a morte do seu filho foi fulcral para terminar o seu casamento, tendo lançado uma sombra sobre a sua vida e carreira.
Duas personagens tão diferentes mas ao mesmo tempo com passados tão conturbados, acentuando a certeza de que estas se irão cruzar na trama.

Em suma, Um Grito de Ajuda configura-se como uma trama extremamente inteligente, embora com algumas incongruências, mas que em linhas gerais, traduz-se numa leitura ávida e entusiástica. É garantido suspense até ao final, e emoções fortes de naturezas várias!
Steve Mosby até hoje, é um dos poucos autores a conceber serial killers desprovidos da avidez de matar, ao invés, deixam morrer lentamente, num quase dissimulado sadismo. Mais do que recomendar este livro, até porque de Steve Mosby não consigo eleger um preferido, sugiro a leitura de qualquer livro do autor: todos eles constituem grandes obras no que concerne à literatura policial.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Steve Mosby - Mar de Sangue [Opinião]

Steve Mosby é um promissor autor de romances policiais que me impressionou com o romance policial, O Assassino 50/50 e após a leitura de Mar de Sangue, consagra-se num autor obrigatório.

Mar de Sangue é uma história complexa sobre dois homens que procuram o paradeiro de duas mulheres: Alex Connor viu a sua mulher suicidar-se e desde então que se isolou dos seus amigos, incluindo a sua melhor amiga Sarah Pepper. Esta desaparece e depois de notícias sobre um cadáver encontrado, pensa-se que o autor do crime terá sido James Connor, o irmão de Alex.
Por outro lado temos o detective Paul Kearney que investiga o desaparecimento de Rebecca Wingate, pensando-se que esta terá sido a mais recente vítima de um assassino que mata as suas vítimas, fazendo-as sangrar até à morte. Inevitavelmente estas personagens cruzam-se e terão de se embrenhar num mundo sinistro.

O autor mantém a fórmula de narrativa, já usada no Assassino 50/50: a narrativa alterna entre os dois enredos, tendo a particularidade de, na subtrama protagonizada por Alex Connor, esta esteja na primeira pessoa, dando um especial envolvimento do leitor na acção. Em relação à trama referente ao detective Paul Kearney, esta é narrada sob a perspectiva de um narrador não participante directo na história. Esta estrutura, na minha opinião, acaba por fugir ao convencional, ofertando picos de adrenalina, sobretudo na narrativa de Connor, mas mantendo sempre sob um fundo de mistério, revelações e reviravoltas surpreendentes.

Se o livro que li anteriormente do autor me chocou pelos níveis de violência, este Mar de Sangue intensificou esta minha percepção sobre Steve Mosby. Existe de facto, um grafismo muito acentuado, sobretudo na descrição de vídeos snuffx (para quem não está familiarizado, são vídeos caseiros de violência explícita). Pois o autor mostra-se erudito nesta temática e ilustra a trama com vários sites de vídeos deste tipo, sendo os mesmos verdadeiros, chocantes e por mais bizarro que pareça, estão actualizados.
Além disso, a trama incide sobre pornografia infantil, sendo portanto, a par do visionamento de vídeos snuffx, ao alcance de toda a gente, temáticas difíceis de digerir.

Não aconselharia este livro, portanto, aos leitores mais susceptíveis. Não só pelo relato da típica curiosidade mórbida dos seguidores destes sites (estando descritos na literatura tão naturalmente que possam coexistir em sociedade) bem como da própria descrição do assassino e do seu invulgar modus operandi que consiste no esvaimento em sangue por parte das vítimas. Quem será tão perturbado a ponto de deixar morrer assim alguém? Quem será tão curioso a ponto de se envolver embrenhadamente em sites de vídeos caseiros (e aparentemente reais) que ilustram tortura ou mortes?
Inicialmente há demasiadas pontas soltas, mas que não são confusas e são devidamente engendradas na trama.

E se há pormenores que este policial supera, então estes são definitivamente sobre as personagens. Mosby enfatiza duas personagens diferentes como protagonistas, dotando-as de um sombrio passado, que acaba por individualiza-los sobre os seus papéis na trama. O autor vai mais à frente e subjuga o passado das demais personagens na acção, incutindo-lhes um aspecto muito real mas complexo. As personagens acabam por ter uma certa ambiguidade, uma vez que dificilmente conseguem optar pelo certo ou errado, tendo em conta as consequências que podem advir. Com esta caracterização tão real e peculiar das personagens, o leitor acaba por ter uma certa afinidade com as mesmas, ainda que com aquelas que eventualmente agoiram más acções.
Há portanto, uma vertente psicológica muito intensa que se coaduna com as demais sensações que o livro provoca no leitor.

Em suma, personagens íntimas com o leitor numa história intensa com laivos doentios, temáticas pesadas, passados tenebrosos é o que promete este Mar de Sangue.
Tendo eu lido um livro do autor, constatei que Steve Mosby não é só um excelente escritor de tramas policiais, é único, original e formula história diferentes com um toque mórbido no meio de um denso e pesado mistério não esquecendo as tradicionais reviravoltas que o deixarão estupefacto! Obrigatório para os fãs do género! Gostei muito!





Mais informações sobre o livro aqui.

domingo, 22 de julho de 2012

Steve Mosby Vence Prémio Literário CWA Dagger









Steve Mosby foi galardoado com o "CWA Dagger in the Library" um prémio literário atribuído pela Crime Writer's Association, uma associação que reúne escritores ingleses na área policial/mistério.

Este prémio foi atribuído ao escritor pelo conjunto dos seus livros, tramas sombrias mas cuja a simplicidade das histórias e a humanidade das personagens conseguem ser revigorantes.

Na colecção «Crime Perfeito» das Publicações Europa América, já foram publicados os seguintes títulos do autor: O Assassino 50/50, Um Grito de Ajuda e Mar de Sangue.

O último livro do escritor Black Flowers, brevemente em Portugal, foi também nomeado para o prémio Theakston's Peculiar Crime.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Steve Mosby - O Assassino 50/50 [Opinião]


Já alguma vez pensou se ama a sua esposa/marido a ponto de morrer por ela/ele? E se esta fosse uma escolha forçada num jogo mórbido?
Este é o mote do livro O Assassino 50/50, um homem que quando começa os seus ataques, já conhece muito bem as suas vítimas: jovens casais, que são submetidos a uma noite de tortura e manipulação, tendo como objectivo a escolha da morte de um dos dois ao amanhecer.

É então uma trama violenta, assim um pouco do estilo do filme Saw mas mais básica, são infligidos vários níveis de tortura às vitimas, o que potencia uma escrita gráfica e violenta por parte do autor (embora não chegue aos calcanhares de Pierre Lemaître ou Mo Hayder).
Há um jogo psicológico muito intenso como pano de fundo deste quase "gore literário" que se debruça sobretudo no casal Scott/Jodie e nos casais que anteriormente estiveram sob esta provação por parte do Assassino 50/50.
Mas o cenário psicológico vai além das vítimas e acaba por pairar sobre o detective John Mercer e a esposa Eileen e o detective Mark Nelson, recém chegado para colaborar na investigação sobre este temido homicida.

Scott e Jodie são o casal chave: pretende-se resgatar um deles, a vítima menos afortunada do jogo do diabo (como é apelidado por várias vezes, o Assassino 50/50), enquadrando-se a acção no espaço daquela noite. O timeline é o amanhecer. Enquanto isso, somos confrontados com uma série de provações e paralelamente acompanhamos a investigação por parte da polícia.
Esta noção temporal é quase como claustrofóbica: o leitor percorre página após página com o coração na boca, torcendo que a pessoa saia imune do cativeiro tortuoso mantido pelo assassino.

Enquanto isso há uma sucessão de remorso, e sentimentos mal resolvidos por parte do outro membro do casal, permitindo o leitor conhecer um pouco da vida de Jodie e Scott e ficar surpreso com as várias revelações dos jovens.

Posto isto, há um interesse por parte de Mosby em intensificar a componente psicológica e assim introduzir o traumatizado detective John Mercer e o seu desleixo para com a esposa Eileen e mais importante ainda, apresentar o novo detective Mark Nelson, ele próprio com um trauma, ainda que aparentemente superado. A narrativa é feita sob a primeira pessoa quando se trata de Nelson, mas a cada intervalo temporal, há quase como um subcapítulo focado para uma dada personagem, garantindo que estas são desenvolvidas quase com a mesma profundidade e respeitando a ordem cronológica dos acontecimentos. Acabam por ser personagens bastante credíveis dada a fragilidade e autenticidade dos sentimentos que conseguem facilmente chegar até nós.

Nada é tomado como garantido quando chegamos ao desfecho, genial na minha opinião, onde os factos empíricos são destronados, revelando um final emocionante e surpreendente numa trama bastante inteligente. O jogo esquematizado pelo assassino é algo mórbido, e dentro dos moldes, acaba por ser original os testes e a contextualização a que o serial killer submete os jovens casais. No entanto, estava à espera de testes mais elaborados tipo Saw, em que as atrocidades derivam de armadilhas complexas. Como disse, estas provações são mais básicas, consistindo apenas em tortura e violência gratuita na namorada ou no namorado, sendo apenas factor decisivo salvar a sua vida ou a da pessoa amada.

Este é portanto um livro que lida muito com a temática do sacrifício, os limites são justamente a renúncia de uma vida em prole da pessoa que mais amamos. Não é de todo vulgar, e claro que tema tão polémico quanto este pode ser uma profunda reflexão sobre a auto estima e outros valores que tais. Gostei e fiquei bastante curiosa em ler os restantes livros do autor!