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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A.N. Roquelaure - O Despertar da Bela Adormecida [Opinião]


Sinopse: No conto popular da Bela Adormecida, o feitiço da jovem princesa apenas pode ser quebrado pelo beijo de um Príncipe. Anne Rice reconta esta história, sondando as implicações deste conto sugestivo e sensual ao explorar a sua ligação inegável ao desejo sexual. O Príncipe desperta a Bela Adormecida não com um beijo mas com a iniciação sexual e a sua recompensa é a submissão completa da Princesa. A jovem é levada para o castelo do Príncipe, onde terá de se submeter a provações inimagináveis para demonstrar a sua total entrega e dedicação.
A história conduz o leitor a um mundo sensual de sonhos proibidos e desejos obscuros... um mundo no qual as ideias tradicionais de submissão e preferência sexual são menosprezadas... um mundo que se torna irresistivelmente convidativo pelo espírito aventureiro e a imaginação inigualável de Anne Rice. Uma experiência envolvente.

Opinião: Apesar de Anne Rice ser um nome conhecido no que concerne à literatura do Fantástico (quem é que não se recorda de Entrevista com O Vampiro?), reconheço que nunca li nenhuma obra da sua autoria até agora.
A. N. Roquelaure é um pseudónimo da autora, que escreveu no ano em que eu nasci, 1983, uma trilogia erótica. Não esquecendo que nos anos 80, ainda estávamos longe de imaginar que a década de 2010 seria assinalada por um boom de livros eróticos. Acredito piamente que a trilogia em questão fosse quase inovadora pois entre os autores mais influentes do género até então, destacava-se o Marquês de Sade.
E porque é que aponto apenas este nome? Porque O Despertar da Bela Adormecida rege-se muito pelas práticas de BDSM. Penso que já abordei a prática na opinião do livro As Cinquenta Sombras, não me vou alargar sobre o tema. 

Em relação ao livro, como o título sugere, tem alicerces sobre a idílica história da Bela Adormecida. A Bela desperta não através de um beijo, como na história da Disney mas sim através do coito, extremamente invulgar, sugerindo até uma parafilia, a sonofilia. Daí que todo o livro está repleto de fetiches. Demasiado erótico, sem pudor nas descrições das mais práticas sexuais dentro do BDSM, a história que de início prometia uma história de amor entre a Bela e o Príncipe, rapidamente desvanece, dando primazia a uma relação de submissão entre Bela e os demais da corte. Um forte conteúdo que me chocou por diversas vezes. 

Portanto, acho que vós podéis depreender quem é nesta relação, o dominador e a submissa. Ele, uma vez mais na literatura erótica, é o dominador. Embora saiba que nesta relação, raras são as vezes que há uma inversão de papéis, gostaria de ter visto a personagem Bela mais insubordinada. Ela é demasiado submissa, permitindo-lhe passar por provações, que a meu ver se prendem mais com a humilhação do que propriamente com a valorização sexual. Daí que não há grande carácter na personagem feminina. Da forma como está descrita, o leitor concebe-a como uma escrava.
A personagem dispersa-se no meio de tantas outras, homens e mulheres, que servem à Rainha e ao príncipe. Essencialmente actos de cariz sexual. E estas são repetidas, como um loop de fetichismo se tratasse, por todo o livro. A história, que poderia ter uns laivos de romantismo tal como a original, esfuma-se por entre tantos fetiches. 

Por esta razão (e pelo facto de não ter sentido qualquer empatia com as personagens, em especial Bela) não foi um livro que apreciasse na sua totalidade, embora não tenha dado por mal empregue o tempo em que me dediquei a esta leitura. Já há muito que me interessava em ler um clássico erótico.
Aconselho particularmente aos leitores que se sintam mais curiosos pelo mundo do fetiche e do BDSM.
Ainda assim, irei ler os dois outros livros da trilogia, para conhecer o desfecho desta história alternativa da Bela Adormecida.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Passatempo Natal com Publicações Europa América: Stephen Booth - O Lugar Morto [Resultado]


Com a preciosa colaboração da editora Publicações Europa América, a menina dos policiais tinha um exemplar deste livro, O Lugar Morto de Stephen Booth, para oferecer. Desde já agradeço à editora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo. Com 189 participações válidas, as respostas correctas eram:

1. Como se chamam os investigadores protagonistas de O Lugar Morto? Ben Cooper e Diane Fry
2. Qual é o título original de O Lugar Morto? The Dead Place
3. A que colecção pertence O Lugar Morto? Crime Perfeito
4. Qual é a especialidade do professor que participa em O Lugar Morto? Estudo da morte ou tanatologia 

E após um sorteio no random.org, a vencedora é:

133 - Inês Amendoeira (Dafundo)

Parabéns à vencedora!!! A todos os que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer estes passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos!


domingo, 8 de dezembro de 2013

Passatempo Natal com Publicações Europa América: Stephen Booth - O Lugar Morto


Desta vez, e em parceria com as Publicações Europa América, a menina dos policiais tem para sortear, um exemplar do livro O Lugar Morto de Stephen Booth. Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes.


Regras do Passatempo:
- O passatempo começa hoje dia 8 de Dezembro de 2013 e termina às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
- O participante vencedor será escolhido aleatoriamente.
- O vencedor será contactado via e-mail.
- O blogue e as editoras não se responsabilizam por extravios dos CTT.
- Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.
- Se precisarem de ajuda, podem consultar aqui e aqui.

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!! :)






quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Eric Giacometti & Jacques Ravenne - O Irmão de Sangue [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Sequela de O Ritual da Sombra, O Irmão de Sangue apesar de ter uma história independente, deverá ser lido após a obra de estreia para se apreciar devidamente. O protagonista continua a ser o mação Antoine Marcas e todo o seu background está precisamente em O Ritual da Sombra.
A maçonaria é precisamente o elemento chave das novelas destes autores, que abordam a organização sem qualquer tabus. Não é à toa que Marcas assume que é mação perante a comunidade que o rodeia. Em comum nos dois livros, em adição à temática, está a acção e o suspense, ingredientes que tornaram ávida esta leitura.

Gostei particularmente da estrutura do livro, dividido em três partes, em que, inicialmente, alternam duas narrativas aparentemente independentes. Ora os capítulos intercalam entre a acção em 1355 e a que ocorre actualmente, permitindo que o leitor acompanhe simultaneamente as duas narrativas.
Os autores delineiam os espaços temporais, chamando eu à atenção o cuidado na caracterização da acção em 1355, descrevendo o bairro de Paris naquele ambiente tão tipicamente medieval e atendendo à pormenorização da linguagem formal, traduzindo-se no tratamento pela segunda pessoa do plural. Em antítese, é notável a forma contemporânea do ambiente/linguagem a que os autores descrevem a acção actual, como se de duas tramas independentes se tratassem.

Assim, a narrativa correspondente ao período medieval incide sobre a personalidade Nicolas Flamel, um copista associado à pedra filosofal. Curiosa como sou, não pude deixar de ler o artigo da wikipedia de Flamel, tendo constatado que a narrativa em que participa tem algum fundo de verdade.
E claro, na trama actual, o fascinante é sem dúvida o facto dos autores desmistificarem os aspectos da Maçonaria, como os ritos e a simbologia que influenciam o carácter dos elementos pertencentes à ordem. Penso que se a Maçonaria tem alguma conotação negativa, a mesma se dissipa nas obras de Giacometti e Ravenne, pela forma como os autores abordam, ora não fosse um dos autores também mação.

Não que eu seja grande fã deste tipo de histórias, mas aprecio esta parelha de autores pelo tom extremamente inteligente que é conferido aos seus livros. Reunindo elementos do simbolismo mação, tanto O Irmão de Sangue como O Ritual da Sombra afiguram-se histórias bastante intrigantes. 
Fará, sem sombra de dúvida, as delícias principalmente para os fãs de Dan Brown.

Para mais informações sobre o livro O Irmão de Sangue, clique aqui


terça-feira, 4 de junho de 2013

Robin Cook - Transplante [Divulgação Editorial Publicações Europa América]




Data de Publicação: Maio 2013 (Já se encontra à venda na Feira do Livro de Lisboa e será livro do dia no próximo sábado 8 de Junho, com 20% de desconto)

Título Original: Nano
Páginas: 384
Preço com IVA: 22,50€
                 Colecção: Obras de Robin Cook

Sinopse: Pia Grazdani é uma excepcional estudante de Medicina, embora um pouco altiva. Ela tem a honra de trabalhar em estreita colaboração com um cientista do Centro Médico da Universidade de Columbia, cuja pesquisa inovadora poderá revolucionar a prestação de cuidados de saúde, ao conseguir criar órgãos de substituição para os pacientes em estado crítico.
Ao colaborar com um brilhante geneticista molecular, o Dr. Tobias Rothman, Pia sabe que terá a oportunidade de realizar a sua maior ambição, a de poder participar em descobertas médicas que poderão ajudar milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, espera conseguir encontrar alguma paz de espírito e, de uma vez por todas, afastar as memórias da sua infância difícil e dos abusos que sofreu.
Mas quando a tragédia se abate sobre o laboratório, Pia, com a ajuda do seu enamorado colega George Wilson, terá de investigar uma calamidade nunca antes vista no laboratório de biossegurança do hospital… supostamente seguro.
Entretanto, dois jovens génios com experiência em Wall Street acreditam ter descoberto mais um foco de atracção na indústria multimilionária dos seguros de saúde da nação. Eles tentam, a todo o custo, encontrar formas de controlar os dados actuariais e creditar as apólices dos idosos e dos doentes, preparando-se assim para matar…
À medida que George e Pia investigam os acontecimentos no laboratório, uma questão permanece sem resposta: estará alguém a tentar manipular informação privada dos seguros para que os investidores beneficiem com a morte de inocentes?

Sobre o autor: O Dr. Robin Cook é um prestigiado médico norte-americano, especializado em Oftalmologia, doutorado em Harvard. É reconhecido como o fundador do género literário «thriller médico» e há trinta anos que se mantém como o autor de maior sucesso deste género a nível mundial.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Eric Giacometti & Jacques Ravenne - O Irmão de Sangue [Divulgação Editorial Publicações Europa América]


Data de Publicação: Maio 2013 (Já se encontra à venda na Feira do Livro de Lisboa)

Título Original: Le Frère de Sang
Páginas: 440
Preço com IVA: 21,90€
                 Colecção: Contemporânea  

Sinopse: Siga as aventuras do comissário Antoine Marcas.
À semelhança de Ritual da Sombra, Irmão de Sangue é um thriller cheio de suspense que introduz os leitores nos meandros da maçonaria e estabelece um paralelo histórico com as mais modernas investigações.

Paris, 1355. Um homem é queimado vivo na praça pública. O copista Nicolas Flamel assiste, nauseado, a esta execução. Mas o horror está apenas a começar, pois aquele que se tornará num célebre alquimista está, neste momento, à beira de mergulhar nas terríveis revelações de um livro secreto, interdito.
Paris, 2007, sede da Obediência Maçónica. O comissário mação Antoine Marcas descobre dois crimes rituais cometidos por um dos seus, a quem chamam «o irmão de sangue». Uma mensagem vinda do Além põe rapidamente o comissário na pista de um velho segredo, relacionado com o mistério do ouro puro.
De Paris a Nova Iorque, assistimos a uma corrida contra o tempo entre o assassino em série e o polícia, articulada em torno de dois lugares altamente simbólicos: a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel.
Entretanto, escondido nas sombras e vigiando o desenrolar dos acontecimentos está o grupo Aurora, uma organização secreta constituída por personalidades da alta finança, cujo objectivo é o controlo absoluto do ouro…

Jacques Ravenne e Eric Giacometti, autores de vários thrillers maçónicos best-sellers, tecem de novo uma intriga fascinante, que arrasta os seus leitores pelos meandros do tempo…


Anteriormente publicado:
 Opinião AQUI











segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mary Higgins Clark - O Luar Fica-te Bem [Opinião]

Sinopse: No centro da acção está Maggie Holloway, uma bela jovem independente, fotógrafa de sucesso, que um dia encontra por acaso a madrasta de quem se encontrava há muito afastada  e de quem conserva as melhores recordações de infância . Nuala Moore fica igualmente encantada por reencontrar Maggie e as duas preparam-se para recuperar o tempo perdido.
Mas Nuala morre de repente, aparentemente vítima de assalto.
Maggie fica desesperada e resolve investigar a morte de Nuala, o que a leva a um luxuoso lar de terceira idade onde se encontram as melhores amigas de Nuala que também começam a morrer em circunstâncias misteriosas.
O que Maggie ainda desconhece é que, também ela, se tornou um alvo para o assassino e que, à medida que vai encontrando pistas,também se vai aproximando de um destino terrível e inimaginável.

Opinião: Mary Higgins Clark é já uma autora bem conhecida e recorrente na minha estante. Colecciono os seus livros e até hoje, dos que já li, nenhum me desiludiu. 
Em particular este O Luar Fica-te Bem destacou-se como um dos meus preferidos da autora. E porquê? Porque os elementos fulcrais da história são caixões vitorianos. Um pouco mórbido, não? Mas é verdade, a autora desenvolve uma história que assenta muito neste elemento.

A trama inicia-se com o que aconteceu a Maggie no dia 8 de Outubro, deixando o leitor bastante intrigado e diria chocado. 
A meu ver, o prólogo apesar de desvendar antecipadamente a situação de Maggie, induz e intensifica a vontade para ler a trama. A acção recua até 27 de Setembro onde são apresentadas várias personagens, sendo esse o ponto menos positivo. A autora habituou-nos a um timing de apresentação de personagens que não foi seguido em O Luar Fica-te Bem. Devido à quantidade e à necessidade de aprofundamento das personagens, o início da trama é um pouco lento e explora essencialmente as relações das personagens, debruçando-se além da protagonista Maggie, sobre algumas dinâmicas de casais e outros com papel mais individual.
Claramente destaca-se a relação de Maggie com Nuala. Embora desprovida de consanguinidade, é uma relação bastante maternal e ternurenta, contribuindo para a empatia e posteriormente compaixão na altura da morte de Nuala.

Um dos clichés de MHC é a forma como ela introduz o romance na trama. Neste caso também o há, embora  inicialmente com contornos dúbios que evolui quase como às apalpadelas. Nesse prisma achei um pouco forçado o relacionamento amoroso entre a protagonista e um outro personagem, embora caia sempre bem uma pitada de romantismo num romance policial e em especial este, que como já referi no início, até é um pouco mórbido.
Muitas personagens decretadas como suspeitas, e neste livro há imensas também devido ao que afirmei anteriormente. Todos os intervenientes da narrativa têm um motivo, nem que seja dissimulado para ter morto Nuala e posteriormente outras senhoras idosas.

A minha maior crítica vai também para o final, que na minha opinião, poderia fundamentar melhor as motivações do assassino. A autora optou por enfatizar mais o happy ending de Maggie.
Ainda assim, a trama configura-se bastante original, e devo confessar que muito me fascinou aquele ambiente de recriação vitoriana (embora ajustando-se a costumes de cariz fúnebre). Mais um excelente mistério daquela que é a rainha do crime, Mary Higgins Clark. Até ao próximo livro, em breve!


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Steve Mosby - Um Grito de Ajuda [Opinião]


Sinopse: Quando viu os seus amigos pela última vez?
Dave Lewis é um homem assombrado pelo seu passado. Entre a morte do irmão, o desgosto dos pais e o afastamento de Tori, a sua ex-namorada, Dave tenta convencer-se de que não tem contas a ajustar com o seu passado.
Quando um assassino persegue várias mulheres, as rapta e se faz passar por elas, enviando mensagens e e-mails a familiares e amigos das vítimas, Dave Lewis é o principal suspeito depois de Tori aparecer morta. Mas Sam Currie, o agente responsável, parece acreditar na sua inocência. Resta-lhes descobrir o perigoso assassino e o que fariam para salvar os seus entes queridos.

Opinião: Já me tinha rendido a este autor com O Assassino 50/50 e Mar de Sangue, restando-me apenas ler este Um Grito de Ajuda. Acho que devo mesmo manifestar o meu apelo às Publicações Europa América para que não cessem as publicações das obras de Steve Mosby!
Em linhas gerais, este autor escreve thrillers pesados, um índice de violência elevadíssimo, embora este se manifeste pouco em Um Grito de Ajuda, sendo a componente psicológica a que sobressai.

Ainda assim, as suas tramas são completamente independentes, registando em cada uma delas, uma forte originalidade por parte do autor. Neste caso em concreto, Um Grito de Ajuda alia-se à poderosa evolução das tecnologias, sob a perspectiva de um assassino, que imobiliza pessoas nas suas casas, deixando-as morrer de desidratação. Ele envia apenas textos e e-mails suficientes "deles" para os seus amigos e familiares afim de teoricamente, tranquilizar as pessoas de que está tudo bem. Constitui portanto uma reflexão à seguinte pergunta: "Até que ponto se importa com os seus amigos e familiares?". Será que você se importa o suficiente para os ir ver, independentemente do tempo que passou desde a última visita, Uma pergunta que sem dúvida, tem implicações profundas.

Por outro lado, o autor relata a história de Mary, que recorre à auto mutilação, como forma de alivio da dor que sente com as recordações do seu pai. Surpreendentemente, é raro ver esta temática mencionada na literatura policial, e penso que Mosby terá dotado Mary com características aprazíveis de quem tem este transtorno. Surpreendeu-me/chocou-me muito este comportamento por parte desta personagem.

Mosby mantém a estrutura que o caracteriza nos seus romances policiais anteriores: a trama narrada sob a perspectiva de Dave Lewis, intercalada com a narrativa na terceira pessoa, quando se trata dos avanços da investigação sob o comando de Sam Currie. A meu ver, e em primeira análise, é uma forma bastante concreta afim de nos alhearmos sobre os sentimentos de Dave face a provação que é descrita nesta trama.
De facto, esta é uma personagem complexa, uma vez que ainda lida com a morte do seu irmão, ainda quando Dave era criança. Esta personagem, jornalista a fulltime mas mágico em horas livres, tem um role considerável de ex-relações: Julie, Emma e agora Tori enveredam na teia do serial killer e cabe a Dave agir rapidamente.

Por outro lado, o detective Sam Currie é também uma personagem marcada: a sua incapacidade em impedir a morte do seu filho foi fulcral para terminar o seu casamento, tendo lançado uma sombra sobre a sua vida e carreira.
Duas personagens tão diferentes mas ao mesmo tempo com passados tão conturbados, acentuando a certeza de que estas se irão cruzar na trama.

Em suma, Um Grito de Ajuda configura-se como uma trama extremamente inteligente, embora com algumas incongruências, mas que em linhas gerais, traduz-se numa leitura ávida e entusiástica. É garantido suspense até ao final, e emoções fortes de naturezas várias!
Steve Mosby até hoje, é um dos poucos autores a conceber serial killers desprovidos da avidez de matar, ao invés, deixam morrer lentamente, num quase dissimulado sadismo. Mais do que recomendar este livro, até porque de Steve Mosby não consigo eleger um preferido, sugiro a leitura de qualquer livro do autor: todos eles constituem grandes obras no que concerne à literatura policial.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Stephen Booth - Medo de Viver [Opinião]



Sinopse: «Rose Shepherd sempre soube que a iriam matar… era apenas uma questão de quando e como.»
Um homicídio na calada da noite - uma janela aberta e três balas vindas da escuridão. A vítima é uma inocente senhora de meia-idade. Mas será que ela é tão inocente quanto parece? A morte de Rose Shepherd está repleta de questões - ao contrário da morte de uma mulher e duas crianças num incêndio doméstico. Não deixa de ser uma tragédia, mas é algo mais comum.
É nesta altura que a detective Fry vai encontrar uma ligação entre os dois casos, um elo que atravessa a fronteira entre nações, entre o bem e o mal, entre a loucura e a sanidade. Diane Fry e o detective Ben Cooper vão descobrir a razão pela qual algumas pessoas têm medo de viver - e outras estão destinadas a morrer…

Opinião: Sou grande fã das tramas de Stephen Booth e estou a ler a série ordenadamente. Depois de ter lido Ossos, Um Último Suspiro e O Lugar Morto, segue-se este Medo de Viver.
Gostei muito de como a trama se inicia mas devo confessar que perdi um pouco o interesse lá para meados da história (já vou explicar porquê). Mas rapidamente, este constrangimento desapareceu, e terminei mais um bom policial do autor britânico.
Obviamente que a premissa me deixou muito intrigada, até porque não me parecia muito lógico que o homicídio de uma idosa pudesse estar de alguma forma relacionada com a morte de Lindsay Mullen e seus filhos, quando estas são em circunstâncias completamente diferentes.

Quando se está prestes a descobrir esta ligação, eis que o autor inclui na trama elementos alusivos à Máfia da Europa de Leste. E como vós sabeis, nem sou grande fã de histórias baseadas no crime organizado. Foi nesta altura que fiquei um pouco desmotivada com a leitura. No entanto, devo admitir que foi até interessante conhecer mais sobre a história da Bulgária, o que aconteceu com o país com o colapso da União Soviética, e acima de tudo, os métodos mais desesperados que as pessoas adoptavam para sobreviver.
Este contexto, um pouco mais histórico, e embora saindo das minhas preferências literárias, reconheço que foi fulcral para a resolução dos crimes, mostrando que Medo de Viver é uma trama bastante intrincada e muito surpreendente. O autor desenvolve os dois casos, investigado cada um pelos dois protagonistas, como se independentes se tratassem até certa altura, onde se verifica que as investigações se cruzam: uma revelação inesperada que explica porque algumas pessoas podem ter "medo de viver."

O segundo ponto que me desiludiu foi obviamente a relação de Diane Fry e Ben Cooper. Já me tinha expressado anteriormente em como desejava que ambos ficassem juntos até porque o autor sempre enfatizou uma química entre as personagens mas em Medo de Viver, existe um claro distanciamento entre as mesmas.
Resta o magnífico da Inglaterra rural, ponto de vista realçado por Ben (que me fascina como curiosa que sou com as ilhas britânicas) aliado à preocupação do seu irmão Matt com a hereditariedade da doença que a mãe padece.
Já a história de Diane, que se debruçava sobre a complicada relação com a irmã, está francamente subdesenvolvida, não trazendo nada de novo.
Aguardo então por novos desenvolvimentos nos futuros livros, Morto por Pecar e O Toque da Morte.

Sem grandes registos de violência, uma vez mais, caracterizando os policiais de Stephen Booth como quase equiparáveis aos da conterrânea Agatha Christie. Com excepção talvez de O Lugar Morto, que me impressionou pelo mórbido que caracterizava toda a trama. A série de Fry e Cooper, diria que se adapta a todos aqueles que gostam de uma boa resolução de um crime. Bem... devo dizer que até são dois crimes, fórmula esta também característica de Booth, que revela a capacidade de surpreender qualquer leitor ao ligar, de forma lógica mas aparentemente imperceptível, dois casos de naturezas diferentes.
E claro, a mestria do autor no final, extremamente irónico... de facto faz-me ansiar por mais obras do autor, que lerei em breve, sem qualquer medo!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mary Higgins Clark - Noite de Paz [Opinião]


O Natal aproxima-se a passos largos e escolhi este livro, fininho, para me acompanhar durante duas noites. Escrito pela rainha do suspense, Mary Higgins Clark, é o livro ideal para a época natalícia, uma vez que, como sugere o nome, se passa precisamente numa noite de véspera de Natal.

Catherine Dornan desloca-se a Nova Iorque com os filhos. O marido, diagnosticado com leucemia, vai ser submetido a uma operação cirúrgica na véspera de Natal. A mãe leva os meninos a ver a árvore de Natal de Rockfeller, quando Brian, o filho mais novo, se apercebe que alguém leva a carteira da mãe e vai atrás dessa pessoa.

Por ser um livro com cento e poucas páginas, é um assombroso conto de Natal que se debruça sobre o desaparecimento de uma criança. A acção desenvolve-se num curto espaço de tempo, recaindo sobre a véspera e o dia de Natal, uma época que ainda hoje considero mágica!

Fiquei impressionada com a coragem do pequeno Brian, que embora tão novo, não se deixa abater sobre o que lhe acontece. Há um vilão, cuja identidade se conhece desde o início, o que atenua o efeito surpresa a que MHC nos tem vindo a habituar nas suas tramas. Embora este personagem seja talvez aquele com maior e mais complexa caracterização pois é um sujeito perigoso e desconhecemos as suas intenções até ao final do livro. Por ser um livro pequeno, semelhante quase a uma short story, denotei que as restantes personagens poderiam estar um pouco mais desenvolvidas.

E visto que estamos no Natal, época de solidariedade e paz, era previsível que este seria um conto com um desfecho feliz. Ainda assim, tendo em conta um enredo relativamente previsível, desprovido de grandes surpresas mas com muita acção e suspense, pessoalmente gostei muito deste conto. 
Fiquei verdadeiramente angustiada não só com o pequeno Brian como também pela aflição da mãe e a própria doença do pai. Torci pela coragem de Cally, a irmã do assassino, que vive na dicotomia de ser cúmplice do assassino ou entregá-lo às entidades policiais, tudo isto num cenário mágico embebido no espírito de Natal nova-iorquino.

Mais do que um conto de suspense, este é uma valiosa lição de moral sobre o poder da fé. Não conhecia S. Cristóvão mas se há algo transversal a todos é mesmo a crença, especialmente nas alturas mais difíceis. 
Noite de Paz é uma história, embora angustiante, perfeita para ser lida num par de horas de ócio junto da árvore de Natal. Gostei mas sinceramente desejava que o livro fosse mais além do conto emocionante que é. 
Enfim, vou-me "vingar" e ler mais livros da autora!


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mary Higgins Clark - Agora És Minha [Opinião]

Já li alguns livros da autora, e consigo articular nesta altura, que a autora tem uma fórmula quase genérica para os seus romances e que nunca se torna cansativa, tornando as suas tramas compulsivas.

Em Agora És Minha, a psicóloga Susan Chandler, agora com um programa de rádio, dedica uma emissão especial sobre mulheres desaparecidas, incidindo sobre o caso que remota à anos de Regina, uma mulher desaparecida num cruzeiro, sem qualquer indícios do seu paradeiro. Este acontecimento desencadeia uma reacção em cadeia assassina, impossível de prever.

Como referi anteriormente, a autora usa uma fórmula muito específica: a excelente caracterização dos vários psicopatas, escolhendo como obsessão um tema. Em Gosta de Música, Gosta de Dançar tínhamos um homem obcecado com sapatos; em Enquanto o Meu Amor Dorme, era óbvia a fixação com o mundo da Alta Costura e mais recentemente com O Berço da Morte, a autora convidava-nos a ingressar no mundo dos hospitais. 
Neste livro, Agora És Minha é a inscrição que um anel de pechisbeque (daqueles mesmo baratuchos, bem à moda das lojas dos 300) oferecido às raparigas. Este é o bilhete de identidade para um sociopata que conquista uma mulher, para a matar em seguida, acção que tem lugar maioritariamente em cruzeiros, onde as mulheres se sentem mais predispostas ao romance e poderão mais facilmente sucumbir aos encantos de um homem desconhecido.

Esta dita fórmula abrange uma protagonista feminina, de forte carácter, que acaba por ser equacionada como a mais recente vítima do serial killer em questão. Neste caso é Susan Chandler. Ex-promotora de justiça, agora dedica-se à Psicologia mantendo um programa de rádio.

À semelhança dos livros anteriores que li da autora,além do mistério que se adensa até ao final, há um clima subtil de romance, protagonizado por Susan e por uma das personagens masculinas, e muitos são os momentos de empatia com esta e as demais personagens.
Afinal, Susan é psicóloga, e é considerada como alguém com quem se sente uma confiança sem explicação. Um dos aspectos que particularmente me fascinou na trama foi o facto da autora ter criado esta personagem, com esta profissão e desta forma, relatar algumas breves consultas de psicologia, onde os pacientes expõem uma panóplia de problemas. Nunca escondi que sou uma apaixonada pela área da Psicologia.

Mas Susan embrenha-se pessoalmente no desaparecimento de Regina Clausen, que nunca regressou de um cruzeiro, desconhecendo as consequências dessa investigação. É neste ponto que ela se cruza com a mãe da vítima, Jane, e há toda uma carga dramática, que complementa o mistério de Regina.

Como tem vindo a ser hábito, MHC utiliza uma linguagem muito discreta, ainda que na descrição dos inúmeros homicídios perpetuados afim de silenciar qualquer testemunha e ocultar a verdade. O mais horrível dos homicídios é quase poético nas palavras de MHC. Do que li anteriormente da autora, não achei que esta fosse fã de mortes em cadeia. Erro meu. Acho que neste livro perdi a conta ao "bodycount". 
De resto achei que o enredo era relativamente previsível. Não que seja um ponto contra, porque esta leitura revelou-se compulsiva (tendo lido o livro em cerca de dois dias).
Sem que a identidade do vilão seja desvendada, Higgins Clark lança as suspeitas para cima de três personagens, um número de suspeitos demasiado reduzido, não constituindo grande surpresa o desenlace e a identificação correcta do serial killer.

Em suma, este livro apesar de não estar nos moldes da impressibilidade, é uma interessante e sôfrega leitur. Para quem leu alguns anteriores da autora, não deixa de estabelecer uma estranha analogia o que se traduz numa leitura menos surpreendente. Ainda assim, Mary Higgins Clark é uma autora que não deixo de recomendar.





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Anne Rice - O Anjo das Trevas [Divulgação Editorial Publicações Europa América]



Título: O Anjo das Trevas
Subtítulo: Os Cânticos do Serafim
Autora: Anne Rice
Colecção: Obras de Anne Rice
Preço: 17.50¤
Pp.: 144

A sequela d' O Tempo do Anjo

«Sonhei com anjos. Vi-os e ouvi-os numa enorme e interminável noite galáctica. Vi as luzes que simbolizavam estes anjos, voando aqui e ali, em laivos de um brilho irresistível […] Senti amor em redor de mim neste vasto e contínuo domínio de som e luz […] E algo semelhante a tristeza apoderou-se de mim e confundiu toda a minha essência com as vozes que cantavam, porque as vozes cantavam sobre mim.»

Assim começa o novo romance assombroso de Anne Rice, um thriller sobre anjos e assassinos, que nos conduz novamente aos mundos obscuros e perigosos de tempos passados. Anne Rice leva-nos para outros domínios, desta vez para o mundo de Roma no século XV, uma cidade de cúpulas e jardins suspensos, torres altas e cruzes por debaixo de nuvens sempre em mudança; colinas familiares e pinheiros altos… de Miguel Ângelo e Rafael, da Sagrada Inquisição e de Leão X, segundo filho de um Medici, dissertando sobre o trono papal…
E nesta época, neste século, Toby O’Dare, antigo assassino por ordem do governo, é convocado pelo anjo Malquias para resolver um terrível crime de envenenamento e para procurar a verdade sobre a aparição de um espírito irrequieto — um diabólico dybbuk. O’Dare em breve se vê envolvido no seio de conspirações negras e contra-conspirações, rodeadas por uma ameaça sombria e ainda mais perigosa, porque o véu do terror eclesiástico a cobre.
Enquanto embarca numa viagem de expiação, O’Dare é ligado ao seu próprio passado, com assuntos claros e obscuros, ferozes e ternos, com a promessa de salvação, e com uma visão mais profunda e rica do amor.


Anne Rice é uma autora consagrada de diversos best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.


Eric Giacometti & Jacques Ravenne - O Ritual da Sombra [Opinião]

Eric Giacometti e Jacques Ravenne são um verdadeiro sucesso em literatura na França. Um afamado thriller que assim suscitou o meu interesse desde que tive conhecimento que a editora Publicações Europa América iria publicá-lo.

Sophie Dawes, uma arquivista do Grande Oriente, é assassinada numa festa na embaixada francesa, cumprindo um ritual que evoca a morte do fundador da Maçonaria, Hiram. Nessa noite, em Jerusalém, no Instituto de Estudos Arqueologicos, Marek, um arqueólogo que possui uma enigmática pedra gravada, morre de forma semelhante.

A trama desenvolve-se a partir da investigação destes homicídios que têm um fio condutor denotado pela semelhança dos crimes bem como a existência de uma organização, a Sociedade Thule, que opõe-se à Maçonaria. 
E por falar nesta... Quem melhor do que um mação para descrever ritos relacionados com a Maçonaria. Pois os rituais estão de facto extremamente bem caracterizados, satisfazendo quem, como eu, acha estimulante a leitura sobre a temática de organizações secretas. Explicação para tal? O próprio do Jacques Ravenne, por intermédio de um pseudónimo, é mação, tendo chegado ao grau de Mestre no Rito Francês. Por outro lado, Giacometti, um jornalista que terá investigado a Maçonaria nos anos 90. Dois entendedores da supra referida organização secreta que mantêm assim, uma base real na trama fictícia.

Algumas ilustrações alusivas ao tema bem como breves instruções para o terceiro grau simbólico de Mestre no rito maçónico intensificam a seriedade da temática a ser debatida, ainda que por meio ficcional.
A Maçonaria tem um impacto tão forte que os autores propõem como protagonista o comissário Antoine Marcas, ele próprio mação, desvendando uma panóplia de costumes maçónicos, outrora considerados como ocultos e respondendo discretamente às perguntas que possamos achar intrusivas no âmbito do tema.
Um glossário maçónico consta do anexo, por exemplo, afim de desmistificar termos que poderão ser confusos para o leitor no decorrer das páginas d´O Ritual da Sombra.

Achei as personagens pouco estereotipadas. Nunca encontrei na literatura um personagem que fosse assumidamente mação, com um carácter importante na resolução dos vários crimes como é o cargo de comissário. Sem explicações sobre se tal cargo terá sido uma influência de favores dentro da Maçonaria, claro está.
Restringindo as características ao indispensável, este tem uma relação extremamente interessante com Jade Zewinski, responsável pela segurança da embaixada, cenário da morte de Dawes.

Este foi para mim um critério que aliado às sucessivas mortes, tornaram o enredo aliciante. Certo é que tantos momentos de acção também os há, mais parados. Numa outra perspectiva, o autor cria um fundo histórico, nomeadamente a Segunda Guerra Mundial, encadeando com a acção na corrente actualidade.

Uma parelha improvável de autores que resultou num livro extremamente interessante expresso numa escrita inteligente e simbólica. Embora seja um livro aclamado como semelhante ao Código Da Vinci, achei-o diferente dos thrillers que tenho lido ultimamente.
Congratulo a editora Publicações Europa América pela publicação deste livro! Gostei e recomendo! 



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Eric Giacometti & Jacques Ravenne - O Ritual da Sombra [Divulgação Editorial Publicações Europa América]

Título: O Ritual da Sombra
Autores: Eric Giacometti, Jacques Ravenne
Colecção: Contemporânea
Preço: 20.90€
Pp.: 384

Um thriller cheio de suspense que introduz os leitores nos meandros da maçonaria e estabelece um paralelo histórico com as mais modernas investigações.

Roma. Um arquivista do Grande Oriente é assassinado na altura de uma festa na embaixada francesa, cumprindo um ritual que evoca a morte de Hiram, o lendário fundador da Maçonaria.
Em Jerusalém, um arqueólogo que tem na sua posse uma enigmática pedra gravada tem uma morte semelhante.
O comissário Antoine Marcas, mestre mação, e a sua parceira, Jade Zewinski, são confrontados com assassinos de uma irmandade nazi, a Sociedade Thule, oponente ancestral da Maçonaria.
Sessenta anos após a queda do Terceiro Reich, os arquivos dos mações, que haviam sido roubados pelos alemães em 1940, continuam a fazer o sangue correr…
Mas que segredo intemporal estará escondido entre aquelas folhas amarelecidas?

«[…] uma eficácia incontestável e um perfume de autenticidade […]» Hubert Prolongeau — Première

Livro já publicado em França, Inglaterra, Bulgária, República Checa, Dinamarca, Alemanhã, Hungria, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha, Rússia, Polónia, Turquia, Brasil e Japão.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Robin Cook - Mutação [Opinião]

Depois de ter ficado literalmente hipocondríaca com os livros Anjo da Morte e Epidemia de Robin Cook, resolvi pegar neste Mutação que há muito aguardava a sua vez de ser lido.

O dr. Victor Frank e a esposa Marsha recorrem a uma barriga de aluguer para dar à luz o segundo filho, Victor Jr, mais conhecido por VJ. E o bebé vai para casa onde o espera David, o filho mais velho do casal e a ama Janice. Passado uns anos estes morrem, com uma forma rara de um cancro do fígado. E este é apenas o início de um pesadelo...

Se há algo que mais deve afligir a um casal que deseja ter filhos, é sem dúvida o problema da infertilidade. Esta é uma trama claramente fantasiosa (pelo menos assim o espero!) mas igualmente aterradora. Afinal de contas, a narrativa centra-se num homem que faz experiências genéticas aquando a fertilização in vitro, tornando as crianças muito "diferentes".
Na narrativa de Cook, a acção estabelece-se nos anos 80 e como tal, há a noção que estas experiências são de facto mutações. E é neste pressuposto que a presente trama de Robin Cook se desenvolve, mais concretamente, na manipulação genética de fetos, centrando-se num anormal desenvolvimento intelectual das crianças passado três anos e num caso muito concreto, o de VJ aos dez anos de idade.
Desconheço se a manipulação genética pode influenciar factores como inteligência infantil, a ponto de torná-la precoce bem ao nível de um Einstein.

Esta história é quase o conto de Frankenstein do final dos anos 80 (e reparem na analogia dos nomes das personagens criadas por Robin Cook e por Mary Shelley: Victor Frank/Victor Frankenstein). Tudo leva-me a crer que o autor terá baseado na personagem criada por Shelley para recriar um perfil semelhante no protagonista.
Por isso o dr Victor Frank vive no mundo da ciência, em vez de dar ouvidos à sua racional esposa Marsha que começa a investigar se as mortes de David e Janice terão sido meramente coincidência. E nisto depara-se com uma rede de revelações e mais homicídios que têm uma explicação, numa fase adiantada do livro.
Mas até a aparente dócil criança de dez anos VJ tem um papel de destaque na narrativa. VJ é interessado em ler calhamaços de matemática, deduzindo várias equações que só aprendi na faculdade e, tal como o pai, é um rato de laboratório, manejando todas as técnicas laboratoriais com grande perícia e astúcia. E dado este nível de inteligência e cultura, é criado um papel sociopata que dificulta a relação com outras crianças da mesma idade de VJ.

Dado que o próprio sr Robin Cook é médico, há umas passagens directamente relacionadas com engenharia genética, os papéis do DNA e RNA, constituindo quase uma aula desta temática. Não muito maçuda, claro. Afinal de contas o autor quer é contar esta narrativa, tornando-a mais realista possível, tendo como base estes pressupostos.

À medida que a história caminha para o final, ganha contornos cada vez mais previsíveis mas não deixa de perder a sua piada. O autor descreve os acontecimentos com uma veemência tal, que o leitor só descansa enquanto terminar o livro. E quando isso acontece, há um vazio, afinal poderia haver mais... Desconheço se a personagem Marsha Frank será protagonista em mais novelas de Cook, até porque o autor termina Mutação em aberto, podendo cada leitor tirar a sua própria ilação.

Num conto que mistura o thriller médico a que Cook nos habituou com o terror, este é quase uma fábula bem ao jeito de Omen, exceptuando claro, as crenças no Diabo e no Anticristo, substituindo-as por consequências mal medidas do uso indevido da engenharia genética.
Juntamente com Anjo da Morte, este Mutação consagra-se como um dos meus favoritos do autor até à data. Foi com muita ansiedade que li este livro, reconheço.
É um livro arrepiante que não deve deixar de ler! Recomendo sem reservas!


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Steve Mosby - Mar de Sangue [Opinião]

Steve Mosby é um promissor autor de romances policiais que me impressionou com o romance policial, O Assassino 50/50 e após a leitura de Mar de Sangue, consagra-se num autor obrigatório.

Mar de Sangue é uma história complexa sobre dois homens que procuram o paradeiro de duas mulheres: Alex Connor viu a sua mulher suicidar-se e desde então que se isolou dos seus amigos, incluindo a sua melhor amiga Sarah Pepper. Esta desaparece e depois de notícias sobre um cadáver encontrado, pensa-se que o autor do crime terá sido James Connor, o irmão de Alex.
Por outro lado temos o detective Paul Kearney que investiga o desaparecimento de Rebecca Wingate, pensando-se que esta terá sido a mais recente vítima de um assassino que mata as suas vítimas, fazendo-as sangrar até à morte. Inevitavelmente estas personagens cruzam-se e terão de se embrenhar num mundo sinistro.

O autor mantém a fórmula de narrativa, já usada no Assassino 50/50: a narrativa alterna entre os dois enredos, tendo a particularidade de, na subtrama protagonizada por Alex Connor, esta esteja na primeira pessoa, dando um especial envolvimento do leitor na acção. Em relação à trama referente ao detective Paul Kearney, esta é narrada sob a perspectiva de um narrador não participante directo na história. Esta estrutura, na minha opinião, acaba por fugir ao convencional, ofertando picos de adrenalina, sobretudo na narrativa de Connor, mas mantendo sempre sob um fundo de mistério, revelações e reviravoltas surpreendentes.

Se o livro que li anteriormente do autor me chocou pelos níveis de violência, este Mar de Sangue intensificou esta minha percepção sobre Steve Mosby. Existe de facto, um grafismo muito acentuado, sobretudo na descrição de vídeos snuffx (para quem não está familiarizado, são vídeos caseiros de violência explícita). Pois o autor mostra-se erudito nesta temática e ilustra a trama com vários sites de vídeos deste tipo, sendo os mesmos verdadeiros, chocantes e por mais bizarro que pareça, estão actualizados.
Além disso, a trama incide sobre pornografia infantil, sendo portanto, a par do visionamento de vídeos snuffx, ao alcance de toda a gente, temáticas difíceis de digerir.

Não aconselharia este livro, portanto, aos leitores mais susceptíveis. Não só pelo relato da típica curiosidade mórbida dos seguidores destes sites (estando descritos na literatura tão naturalmente que possam coexistir em sociedade) bem como da própria descrição do assassino e do seu invulgar modus operandi que consiste no esvaimento em sangue por parte das vítimas. Quem será tão perturbado a ponto de deixar morrer assim alguém? Quem será tão curioso a ponto de se envolver embrenhadamente em sites de vídeos caseiros (e aparentemente reais) que ilustram tortura ou mortes?
Inicialmente há demasiadas pontas soltas, mas que não são confusas e são devidamente engendradas na trama.

E se há pormenores que este policial supera, então estes são definitivamente sobre as personagens. Mosby enfatiza duas personagens diferentes como protagonistas, dotando-as de um sombrio passado, que acaba por individualiza-los sobre os seus papéis na trama. O autor vai mais à frente e subjuga o passado das demais personagens na acção, incutindo-lhes um aspecto muito real mas complexo. As personagens acabam por ter uma certa ambiguidade, uma vez que dificilmente conseguem optar pelo certo ou errado, tendo em conta as consequências que podem advir. Com esta caracterização tão real e peculiar das personagens, o leitor acaba por ter uma certa afinidade com as mesmas, ainda que com aquelas que eventualmente agoiram más acções.
Há portanto, uma vertente psicológica muito intensa que se coaduna com as demais sensações que o livro provoca no leitor.

Em suma, personagens íntimas com o leitor numa história intensa com laivos doentios, temáticas pesadas, passados tenebrosos é o que promete este Mar de Sangue.
Tendo eu lido um livro do autor, constatei que Steve Mosby não é só um excelente escritor de tramas policiais, é único, original e formula história diferentes com um toque mórbido no meio de um denso e pesado mistério não esquecendo as tradicionais reviravoltas que o deixarão estupefacto! Obrigatório para os fãs do género! Gostei muito!





Mais informações sobre o livro aqui.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Saldos nas Publicações Europa América

Clicando sobre a imagem, irá entrar no site das Publicações da Europa América onde está a decorrer uma campanha fantástica de saldos. Até 15 de Setembro, os livros editados há mais de 18 meses estão com 50% de desconto e as novidades 20%.
Esta campanha está igualmente disponível nas lojas físicas da Europa América.

Mary Higgins Clark - O Berço da Morte [Opinião]

Sou fã de Mary Higgins Clark e cada vez mais me sinto fascinada pelas suas obras. Este ano já li da autora Gosta de Música, Gosta de Dançar, Enquanto o meu Amor Dorme, este e desconfio que não ficarei por aqui. As suas tramas prendem verdadeiramente o leitor em histórias misteriosas e cativantes.
Este livro está publicado em português sob dois títulos: O Berço da Morte (das Publicações Europa América) ou a Clínica do Terror (da colecção Mestres policiais da Visão ou anteriormente publicado também pela PEA na colecção de bolso Pêndulo).

Particularizando para este livro: a promotora de justiça Katie DeMaio chega ao hospital após um acidente de carro. Ainda sonolenta, ela vê pela janela um homem a carregar um cadáver para a bagageira da sua viatura.
Paralela (e aparentemente) uma mulher comete suicídio. Ela chama-se Vangie Lewis e está grávida, embora o seu casamento com Chris esteja à beira do abismo.
A polícia inicia uma investigação e potenciais suspeitos começam a aparecer mortos, tornando-se uma corrida contra o tempo para apanhar o verdadeiro culpado.

Como já é costume, a autora encaixa estas subtramas numa convergência para um ponto comum. Desde cedo o leitor percebe qual será uma vez que a autora imediatamente desvenda o autor do crime.
Os leitores mais cépticos poderão equacionar se o livro tem o tal factor surpresa que é já quase a fórmula da leitura policial. E na minha opinião, sim, o livro consegue surpreender pelo suspense e entusiasmo que a autora induz na história e por algumas reviravoltas. Afinal de contas o homicida tem um estatuto social que à partida exclui características psicopatas.
Diria que o objectivo da trama é saber apenas como esta é deslindada, embora a autora coloque sempre a dúvida no marido de Vangie nos olhos da polícia, o que é perfeitamente dispensável pois o leitor sabe quem é na verdade o autor da sua sentença de morte.

Nesta novela, ao contrário de tantas outras, é quase impossível definir um protagonista. Ora oscilamos entre o "mau da fita", que desfruta das suas refeições como do ávido prazer de matar e Katie DeMaio, a nossa infeliz vítima viúva que ainda hoje sofre por não ter tido um filho do juiz John DeMaio.
Um outro ingrediente já conhecido nas histórias de Higgins Clark é o romance, discreto, sob a trama misteriosa. Por isso a autora emparelha esta personagem vulnerável ao dr. Richard Carroll, uma outra personagem com grande peso na resolução do caso.

Outro aspecto que condicionou a minha ávida leitura foi o facto da autora ter conciliado (e muito bem, devo desde já dizer) elementos como a medicina e a psicopatia. Este livro vai além do mero thriller ou policial, estando quase à altura do autor Robin Cook e as suas arrepiantes narrativas de natureza médica. Em particular, a trama debruça-se sobre as temáticas de infertilidade e experiências médicas em prole de uma gravidez bem sucedida.
Note-se que este livro data de 1980 e incide em temáticas que, nos nossos dias, continuam a ser assuntos actuais, como gravidezes não desejadas, paternidade, fertilizações in vitro ou negligência médica.
Este conto pode ser aclamado como do género de terror na medida em que a autora explicita várias experiências com fetos abortados, claramente de índole mais fantasiosa mas que impõe grande respeito dado que o cenário abrange pouco mais do que um hospital.
Tal como no clássico policial, a autora recorre a descrições de mortes mais subtis, que não chocam o leitor, numa trama até bastante simples mas igualmente cativante.

Em suma, O Berço da Morte é uma novela extremamente bem construída e que me deixou em suspense até finalizar a sua leitura. Esta é, decididamente, uma das histórias da autora que mais gostei, embora me seja muito difícil eleger a preferida.
Mary Higgins Clark uma vez mais demonstra o porquê de se ter consagrado numa das minhas autoras preferidas. Gostei muito e recomendo, principalmente aos fãs de thrillers médicos.






Mais informações sobre o livro aqui.

domingo, 22 de julho de 2012

Steve Mosby Vence Prémio Literário CWA Dagger









Steve Mosby foi galardoado com o "CWA Dagger in the Library" um prémio literário atribuído pela Crime Writer's Association, uma associação que reúne escritores ingleses na área policial/mistério.

Este prémio foi atribuído ao escritor pelo conjunto dos seus livros, tramas sombrias mas cuja a simplicidade das histórias e a humanidade das personagens conseguem ser revigorantes.

Na colecção «Crime Perfeito» das Publicações Europa América, já foram publicados os seguintes títulos do autor: O Assassino 50/50, Um Grito de Ajuda e Mar de Sangue.

O último livro do escritor Black Flowers, brevemente em Portugal, foi também nomeado para o prémio Theakston's Peculiar Crime.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Steve Mosby - O Assassino 50/50 [Opinião]


Já alguma vez pensou se ama a sua esposa/marido a ponto de morrer por ela/ele? E se esta fosse uma escolha forçada num jogo mórbido?
Este é o mote do livro O Assassino 50/50, um homem que quando começa os seus ataques, já conhece muito bem as suas vítimas: jovens casais, que são submetidos a uma noite de tortura e manipulação, tendo como objectivo a escolha da morte de um dos dois ao amanhecer.

É então uma trama violenta, assim um pouco do estilo do filme Saw mas mais básica, são infligidos vários níveis de tortura às vitimas, o que potencia uma escrita gráfica e violenta por parte do autor (embora não chegue aos calcanhares de Pierre Lemaître ou Mo Hayder).
Há um jogo psicológico muito intenso como pano de fundo deste quase "gore literário" que se debruça sobretudo no casal Scott/Jodie e nos casais que anteriormente estiveram sob esta provação por parte do Assassino 50/50.
Mas o cenário psicológico vai além das vítimas e acaba por pairar sobre o detective John Mercer e a esposa Eileen e o detective Mark Nelson, recém chegado para colaborar na investigação sobre este temido homicida.

Scott e Jodie são o casal chave: pretende-se resgatar um deles, a vítima menos afortunada do jogo do diabo (como é apelidado por várias vezes, o Assassino 50/50), enquadrando-se a acção no espaço daquela noite. O timeline é o amanhecer. Enquanto isso, somos confrontados com uma série de provações e paralelamente acompanhamos a investigação por parte da polícia.
Esta noção temporal é quase como claustrofóbica: o leitor percorre página após página com o coração na boca, torcendo que a pessoa saia imune do cativeiro tortuoso mantido pelo assassino.

Enquanto isso há uma sucessão de remorso, e sentimentos mal resolvidos por parte do outro membro do casal, permitindo o leitor conhecer um pouco da vida de Jodie e Scott e ficar surpreso com as várias revelações dos jovens.

Posto isto, há um interesse por parte de Mosby em intensificar a componente psicológica e assim introduzir o traumatizado detective John Mercer e o seu desleixo para com a esposa Eileen e mais importante ainda, apresentar o novo detective Mark Nelson, ele próprio com um trauma, ainda que aparentemente superado. A narrativa é feita sob a primeira pessoa quando se trata de Nelson, mas a cada intervalo temporal, há quase como um subcapítulo focado para uma dada personagem, garantindo que estas são desenvolvidas quase com a mesma profundidade e respeitando a ordem cronológica dos acontecimentos. Acabam por ser personagens bastante credíveis dada a fragilidade e autenticidade dos sentimentos que conseguem facilmente chegar até nós.

Nada é tomado como garantido quando chegamos ao desfecho, genial na minha opinião, onde os factos empíricos são destronados, revelando um final emocionante e surpreendente numa trama bastante inteligente. O jogo esquematizado pelo assassino é algo mórbido, e dentro dos moldes, acaba por ser original os testes e a contextualização a que o serial killer submete os jovens casais. No entanto, estava à espera de testes mais elaborados tipo Saw, em que as atrocidades derivam de armadilhas complexas. Como disse, estas provações são mais básicas, consistindo apenas em tortura e violência gratuita na namorada ou no namorado, sendo apenas factor decisivo salvar a sua vida ou a da pessoa amada.

Este é portanto um livro que lida muito com a temática do sacrifício, os limites são justamente a renúncia de uma vida em prole da pessoa que mais amamos. Não é de todo vulgar, e claro que tema tão polémico quanto este pode ser uma profunda reflexão sobre a auto estima e outros valores que tais. Gostei e fiquei bastante curiosa em ler os restantes livros do autor!