sexta-feira, 21 de julho de 2017

Selva Almada - Raparigas Mortas [Divulgação Dom Quixote]


Data de publicação: 4 Setembro 2017

               Título Original: Chicas muertas
               Preço com IVA: 13,90€
               Páginas: 192
               ISBN: 9789722063050

Sinopse: «Três adolescentes de província assassinadas nos anos oitenta, três mortes impunes ocorridas quando ainda, no nosso país, desconhecíamos o termo femicídio.» Três assassínios entre centenas que não chegam aos títulos de capa nem atraem as câmaras dos canais de TV de Buenos Aires. Três casos que chegam desordenados: são anunciados na rádio, recordados no jornal de uma cidade, alguém fala deles numa conversa. Três crimes ocorridos no interior da Argentina, enquanto este país festejava o regresso da democracia. Três mortes sem culpados. Convertidos em obsessão com o passar dos anos, estes casos dão lugar a uma investigação atípica e infrutífera. A prosa nítida de Selva Almada plasma em negro o invisível, e as formas quotidianas da violência contra meninas e mulheres passam a integrar uma mesma trama intensa e vívida. Inscrevendo-se no género «romance não ficção», inaugurado por Truman Capote, Raparigas Mortas é uma obra singular. Combinando perceções e lembranças pessoais com a investigação de três femicídios no interior da Argentina durante a década de 80, Selva Almada revela, de modo subtil, a ferocidade do machismo e o desamparo das mulheres pobres, ao mesmo tempo que abre novos rumos à narrativa latino-americana.  

Sobre a autora: Selva Almada é uma escritora argentina. Dirige o ciclo de leitura Carne Argentina, desde o seu início em 2006. De parte do financiamento que recebeu do Fondo Nacional de las Artes de Argentina (FNA - Argentina) para desenvolver um projecto sobre o homicídio adolescente, resultou a obra Raparigas Mortas.



Clube de Leitura Bertrand

Não posso deixar de partilhar convosco um convite que aceitei há instantes e que me deixou bastante empolgada!

Na próxima segunda feira, dia 24, estarei na Bertrand do Vasco da Gama a conduzir uma agradável tertúlia dedicada à obra de Paula Hawkins, Escrito na Água. O evento será às 19h e analisaremos a obra que foi publicada mundialmente no dia 2 de Maio. 


 

Os interessados poderão inscrever-se através do email leitor@bertrand.pt e tem um custo de 5€, que reverterá em vale. Portanto, poderão juntar-se a nós nesta conversa e, posteriormente, ainda comprar, quiçá, uma das novidades de dia 24 de Julho. 

Poderão encontrar mais informações no seguinte link referente ao evento. 

Gostaria muito de vos ver por lá! Até segunda-feira.

Jennifer Niven - Fala-me de um Dia Perfeito [Opinião]


Sinopse: Violet Markey vive para o futuro e conta os dias que faltam para acabar a escola e poder fugir da cidade onde mora e da dor que a consome pela morte da irmã. Theodore Finch é o rapaz estranho da escola, obcecado com a própria morte, em sofrimento com uma depressão profunda. Uma lição de vida comovente sobre uma rapariga que aprende a viver graças a um rapaz que quer morrer. Uma história de amor redentora.

Opinião: Não costumo, como sabem, enveredar por literatura deste género mas estou no desafio do Book Bingo e uma das categorias é, precisamente, ler um YA. Quis fazer já linha, daí ter optado ler Fala-me de um Dia Perfeito, um livro que fez furor aquando o seu lançamento.

Sou imberbe no que concerne a este género mas já consegui identificar um aspecto recorrente no YA: a abordagem de temas sensíveis, experienciados nesta faixa etária. Creio não ser surpresa, este aborda então o suicídio na adolescência. O leitor depara-se, logo nas primeiras páginas, deste flagelo que está explícito na sinopse, crendo portanto, não estar a desvendar de imediato algo pertinente sobre a história. Não obstante crer que, ao longo do desenvolvimento da história, este tema desvanece dando lugar ao processo de luto, vivido pela protagonista feminina, Violet.
Quanto ao protagonista masculino, Theodore, este sofre com depressão, uma doença que vejo ser subvalorizada, ainda nos dias de hoje. 

Este é, indubitavelmente, um livro muito bonito e aborda as temáticas supra-referidas com um trato sério, não obstante ter gostado de ver um maior desenvolvimento nestas. Creio que, a certo ponto, a trama começa a debruçar-se mais sobre a relação de Finch e Violet e na interacção destes no meio escolar, uma realidade que, no auge dos meus 30s, me faz sentir um pouco desenquadrada.
Poderei confidenciar que estava a pensar que a trama seria mais pesada e deprimente, percepções que se intensificaram no início e desfecho do enredo.

Contudo, pelo tom dramático com que as personagens são definidas, Violet com o luto e Finch pelas doenças mentais, as personagens pareceram-me um pouco mais adultas e agradou-me ver essa maturidade, característica esta que os destaca de serem apenas miúdos. 
Um aspecto que não achei verosímil, embora esta minha percepção entronque numa questão cultural: os pais de Violet pareceram-me demasiado estáveis para quem perdeu uma filha. Agiam de forma tão normal que, nas primeiras páginas, até coloquei em causa se a rapariga morta era mesmo irmã e não apenas uma amiga da protagonista.

Como referi anteriormente, no que concerne ao desfecho, achei-o bastante intenso mas não posso deixar-me de me sentir pouco surpreendida com a forma como o livro termina. Creio que o final é muito previsível mas agora que reflicto nisso, não poderia deixar de o ser, a fim de acentuar mais a mensagem e essência da trama. Emocionei-me muito na recta final da obra, é inevitável que nos sintamos assoberbados com a carga dramática da história.

Na minha óptica, é um livro que entretém e que nos convida a reflectir sobre a temática do suicídio juvenil, um tema que, pessoalmente, não vejo ser abordado com frequência a nível nacional. E adianto que, normalmente, tende-se a dissociar estas chamadas de atenção dos adolescentes de questões do foro de saúde mental, pelo que, há que ser mais conscienciosos com esta faixa etária.

Ainda que o YA não seja de todo a minha praia, foi um livro que apreciei e retirei alguns ensinamentos. Para quem trabalha com jovens, é sempre mais uma oportunidade de revisitar aquele mundo para tirar algumas ilações de vida pertinentes, como a que é apresentada aqui. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Peter Brooklyn - Entre Mortos e Feridos Não Escapa Ninguém [Divulgação]


Data de publicação: Junho 2017

               Título Original: Entre Mortos e Feridos Não Escapa Ninguém
               Preço com IVA: 15,50€
               Páginas: 176
               ISBN: 9789897022906

Sinopse: Norte e Sul de Portugal. Dois homicídios. Os vícios do mundo do futebol e dos dirigentes desportivos, a corrupção política, o submundo da comunidade homossexual bear lisboeta, as práticas sadomasoquistas, são os ingredientes principais deste romance policial empolgante e polémico.
O inspector Pereira investiga um duplo homicídio: o arquitecto Coentro, número dois da Câmara da Marginal, é assassinado na véspera dum julgamento em que devia testemunhar sobre negócios de corrupção; o venerado presidente do Futebol Clube do Norte, José Castro, é encontrado morto no parque dum luxuoso bordel portuense. Mera coincidência ou estarão os dois crimes relacionados? O mistério aumenta à medida que novos suspeitos vão surgindo.
Deprimido pela chuva incessante e pela profunda crise que assola o País, o inspector Pereira tem de se apresentar no auge de todas as suas faculdades para resolver estes mediáticos homicídios. Pereira deverá proceder cautelosamente para encontrar os responsáveis pelos dois crimes.

Sobre o autor: Peter Brooklyn, casado com uma portuguesa, viveu cerca de 20 anos em Lisboa. Hoje, reside e trabalha em Nova Iorque. Entre Mortos e Feridos Não Escapa Ninguém é a primeira investigação do inspector Pereira a ser publicada em Portugal. O inspector, polícia culto, estudioso de Fernando Pessoa, é um apreciador de mulheres maduras e altas e da boa gastronomia portuguesa. Pereira não dispensa a colaboração de Godinho, veterano bon vivant e bem relacionado, e de Moreira, uma jovem polícia com forte temperamento.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Megan Miranda - Uma Perfeita Estranha [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 24 Julho 2017

               Título Original: The Perfect Stranger
               Preço com IVA: 17,69€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789898869241

Sinopse: Leah precisa de fugir
Leah levou demasiado longe o seu trabalho como jornalista ao publicar um artigo em que acusou um professor universitário de fornecer drogas aos alunos. Pensou que a verdade seria suficiente para resolver tudo. Estava enganada.
Emmy tem a solução
Graças à amiga Emmy, Leah consegue escapar ao escândalo, refugiando-se com ela numa pequena vila na Pensilvânia, longe de tudo, onde arranja um trabalho como professora. Infelizmente para Leah, ninguém é quem parece ser.
Mas o passado não pode ficar enterrado
Uma mulher incrivelmente parecida com Leah aparece morta nas margens do lago da vila. Uma carrinha é encontrada no fundo do lago. Emmy desaparece, sem deixar qualquer rasto, deixando a polícia a suspeitar que nunca terá existido, sequer. O que está, afinal, a acontecer?

Sobre a autora: Megan Miranda é autora de romances de sucesso como Fracture, Hysteria, Vengeance e Soulprint. Licenciada em Biologia pelo MIT, vive perto de Charlotte, no leste dos Estados Unidos, com o marido e os dois filhos.
Uma Perfeita Estranha é o seu segundo romance publicado pela Topseller, depois de As Desaparecidas, a sua estreia nos thrillers e na escrita para adultos.
Saiba mais sobre a autora em:
www.meganmiranda.com

Imprensa
«Um thriller irresistível, fascinante e de leitura imparável.» 
Publishers Weekly

Anteriormente publicado 
 Opinião AQUI










 

Håkan Nesser - O Olhar da Mente [Opinião]

 

Sinopse: AQUI

Opinião: Já tive conhecimento deste autor, recomendado pelos amigos audazes que lêem frequentemente em inglês. Nunca li, até então, uma obra do famigerado Håkan Nesser, por isso devo começar a minha opinião por congratular a editora TopSeller por ter investido neste autor e, por conseguinte, me ter dado a oportunidade em ler uma obra do mesmo na minha língua materna. Espero que a série protagonizada pelo Inspector Van Veeteren seja bem aceite em terras lusas.

Pessoalmente, sendo uma fã acérrima de novelas criminais nórdicas, considero que O Olhar da Mente é um típico policial, tornando-se mais especial devido ao ambiente onde está inserido (que posso fazer? Eu e o meu fascínio pela Escandinávia...).

Começa por um invulgar crime: uma mulher afogada na própria banheira. O marido confuso, sem qualquer lembrança da noite passada, recaindo sobre ele as suspeitas de ter assassinado Eva. Rapidamente se instala a dúvida sobre a sanidade mental do professor de História, Janek Mitter, ainda que este afiance a sua inocência.
Dada a natureza incomum deste crime, senti-me, desde o primeiro instante, bastante intrigada com este homicídio, interesse que foi intensificando com o decorrer da leitura. Não esperava um acontecimento em particular, que redobrou a minha curiosidade em conhecer o desenlace deste quebra-cabeças.

Creio que, além da história, um outro aspecto digno de realce é o cenário. Apesar da trama se situar num local idealizado pelo autor, pareceu-me que a cidade de Maardam poderia bem existir. O autor descreve, com mestria, a localização das variadas instituições onde decorrem os inquéritos e pareceram-me bastante verosímeis. À semelhança de outros policiais nórdicos que atiçam a vontade (pelo menos, a título pessoal), em conhecer as cidades que servem de cenário, tive exactamente a mesma percepção com Maardam.

Não posso deixar de tecer algumas considerações sobre o invulgar inspector Van Veeteren. Este destaca-se devido à sua personalidade inconstante, é rabugento, fruto de um casamento falhado e tece, na grande maioria das vezes, alguns comentários sarcásticos. 

O desenvolvimento da trama, a meu ver e como afirmei anteriormente, é intrigante contudo desconfiei de uma personagem que estava ligada ao sucedido. Não obstante reconhecer que existe alguma complexidade em torno desta estranha morte, aquela ligação das personagens torna-se, a meu ver, algo óbvia.

Em suma, gostei de revisitar a Suécia, ainda que a cidade em questão seja imaginária. O Olhar da Mente apresenta um homicídio bastante particular com um desenvolvimento muito satisfatório. Gostei de conhecer o inspector Van Veeteren e apreciaria ler mais casos desvendados por este. 


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Adam Croft - Her Last Tomorrow [Opinião]


Li a versão original, em ebook, do livro O Último Amanhã. Demorei cerca de um dia. O livro é pequeno, com 200 e algumas páginas e os capítulos são curtos. Sem dar conta, na primeira noite li logo 28%. Posso dizer que, tendo uma acção frenética, O Último Amanhã é um livro viciante, contudo e agora que findei a sua leitura, não posso crer que me tenha rendido completamente.

Passarei então a explicar. Talvez tenha uma percepção errada da minha parte até porque, como li O Casal do Lado e Aqueles Que Merecem Morrer há, relativamente, pouco tempo, apercebi-me de algumas similaridades entre estas obras e O Último Amanhã. A premissa do livro é, de facto, o desaparecimento de uma criança e, conforme a frase que consta da capa, o leitor apercebe-me imediatamente de que Ellie, a filha de Nick, terá sido raptada. O resgate é, no entanto, incomum pois em vez de dinheiro, está em jogo uma vida, a da mulher de Nick. É neste ponto que residia, a meu ver, uma aparente originalidade da história mas de repente lembro-me de O Marido de Dean Koontz em que o desenvolvimento da história se alicerçava sobre um caso semelhante.
Foi inevitável não pensar em Lily de Aqueles Que Merecem Morrer quando, a certa altura, Nick delega o assassinato da mulher a outrem.
Daí que, não tirando mérito ao autor (pois de facto, estamos perante uma história que agarra o leitor), identifiquei alguns pontos comuns com as obras que nomeei. Pessoalmente não encontrei nenhum elemento verdadeiramente inovador da trama que justifique o hype desta. Relembro que a primeira edição da obra foi numa publicação de autor e foi um sucesso de vendas. Não obstante ser um enredo bastante ágil que proporciona uma ávida leitura, reiterando que esta experiência de leitura foi muito rápida, num espaço de apenas um dia. Há que ter em conta também que, não lendo na minha língua materna, a leitura costuma ser, regra geral, mais morosa.

No decorrer da leitura, estava sempre expectante com o rumo da acção. O rapto de Ellie, pareceu-me, inicialmente, um acaso, percepção deitada abaixo com o aparecimento do estranho resgate. Notei que a trama é muito actual, pegando na modernização da tecnologia como uma ferramenta aparentemente eficaz na transmissão de informação sem que seja conhecida a identidade do remetente. As redes sociais ou os vídeos do Dailymotion vão além do canal de entretenimento como nós o conhecemos. 

Além disso, devo louvar o desfecho da história. Não equacionei, devo confessar, que a resolução do puzzle seria daquela forma e acabei por ser surpreendida.

Ainda que a obra seja um thriller acaba, inevitavelmente, por levar a reflectir sobre relações matrimoniais e as prioridades que são estabelecidas numa sociedade em que grande parte da população é workaholic e secundariza a família. Desta forma, pareceram-me pouco convincentes algumas atitudes de Tasha, mulher de Nick, perante o desaparecimento da filha. Normalmente a mulher tem um papel mais maternal.

Por último, não poderia deixar de apontar um aspecto curioso relativo ao autor: a sua generosidade em partilhar com os leitores a sua propriedade intelectual. Registei-me no site dele e recebi, gratuitamente, um ebook, denominado A Cry For Help. Parece-me que seja igualmente um thriller e independente de O Último Amanhã. Certamente que lhe darei uma oportunidade.

Em suma, um livro que entretém por um bom par de horas, contudo, a meu ver, não se  (com excepção, talvez, do final) dos demais thrillers que assentam sobre a temática do rapto.

B.A. Paris - Ao Fechar a Porta [Resultado Passatempo]


Com a preciosa colaboração da editora Editorial Presença, a menina dos policiais tinha um exemplar do livro Ao Fechar A Porta de B.A. Paris para oferecer.
Desde já agradeço à editora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo. Com 162 participações válidas, as respostas correctas eram:

1. Como se chama o casal protagonista de Ao Fechar a Porta? Jack e Grace
2. Qual é a profissão dele? Advogado
3. Onde nasceu B.A. Paris? Em Inglaterra
4. Li este livro em Inglês e delirei quando soube que seria publicado por cá. Verdadeiro.

Note-se que este passatempo tinha uma particularidade facultativa: quem partilhasse o passatempo no Facebook, no seu mural e de forma pública, a participação era duplicada. Assim, quem participaria na posição 1 e cumprisse este requisito, participa com os números 1 e 2. O objectivo era divulgar o blogue aos amigos :)

E após um sorteio no random.org, a vencedora é:

41 - Ana Nogueira (Coimbra)

Parabéns à vencedora!!! A todos os que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer estes passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos!

Para mais informações sobre o livro Ao Fechar a Porta, clique aqui
Para mais informações sobre a Editorial Presença, clique aqui



domingo, 16 de julho de 2017

Maratona Dark-a-Thon [Wrap Up]

 

Terminou mais uma maratona, desta feita, dedicada ao thriller e ao terror. Os meus géneros de eleição. Li imenso nesta maratona, o que se traduziu num decréscimo de filmes vistos. Relembro que tinha planeado ler o seguinte:

 

Contudo, a realidade foi algo diferente:

1 - Lê um livro cuja acção seja à volta de um serial killer
A Rapariga de Gelo de Robert Bryndza. Para ser sincera, e como poderão averiguar pela minha opinião, considerei uma obra banal.

2 - Lê um livro cujo título seja assustador
Baptizo-te para a Morte de Patricia Macdonald por achar que há um impacto em aliar o nome de um acto sacramental à morte. É um thriller psicológico muito interessante e que me manteve agarrada ao longo da sua leitura.

3 - Lê um livro protagonizado por uma mulher
A Rapariga de Gelo de Robert Bryndza protagonizado por Erika Foster e Baptizo-te para a Morte de Patricia Macdonald protagonizado por Morgan Adair (apesar de, aparentemente, ter um nome masculino, a personagem era uma mulher)

4 - Abre um livro de contos de terror e lê o conto da página 66
Os Anos Intoxicados, da colectânea de contos de terror do livro As Coisas Que Perdemos no Fogo de Mariana Enriquez. Não só li este conto como, fascinada com a qualidade da escrita da autora, li o livro na íntegra. Muito bom!

5 - Lê um thriller/livro de terror de um autor que ouviste falar mas nunca tiveste oportunidade de ler
As Coisas Que Perdemos no Fogo de Mariana Enriquez, A Rapariga de Gelo de Robert Bryndza e ainda Her Last Tomorrow de Adam Croft (por cá publicado como O Último Amanhã).

6 - Escolhe um thriller/livro de terror e lê apenas à noite, antes de adormeceres
A Rapariga Que Adorava Tom Gordon de Stephen King. Como referi na opinião, não foi dos melhores livros que li do autor. Ainda assim, adorei conhecer a pequena Trisha, super fã de baseball.

Sem conseguir encaixar em nenhuma categoria, mas super recomendado pela organizadora do evento, a Elsa Esteves do canal Ordem D´Avis, iniciei a leitura de A Caixa em Forma de Coração de Joe Hill, o filho de Stephen King. Uma história arrepiante de fantasmas. Embora não aprecie tramas sobrenaturais, regra geral, esta está a impressionar-me bastante. Muitíssimo bem escrita e estou expectante com o final.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

L.S. Hilton - Domina [Divulgação Editorial Presença]


Data de publicação: 19 Julho 2017

               Título Original: Domina
               Colecção: Grandes Narrativas #668
               Tradução: Maria João Ferro
               Preço com IVA: 17,50€
               Páginas: 336
               ISBN: 9789722360623

O FENÓMENO MUNDIAL DO THRILLER ERÓTICO
Ela pensava que os seus problemas tinham chegado ao fim. Mas estão apenas a começar...

Sinopse: Judith Rashleigh conseguiu. Tem uma vida de luxo por entre o esplendor da cidade de Veneza, e começa agora a sentir-se confortável na sua nova pele. Mas um dia é traída pelo passado. Alguém que sabe o que Judith fez quer acertar contas com ela. Vítima de chantagem, ela terá agora de descobrir o paradeiro de um quadro de valor incalculável - que talvez nem exista de verdade...
Desta vez, Judith não controla a situação. Sentindo-se desorientada e sem saídas, desarmada e fragilizada, tem de enfrentar um inimigo mais poderoso e impiedoso do que ela alguma vez poderia imaginar.
E se não conseguir sair desta situação, Judith poderá morrer.

Sobre a autora: L.S. Hilton nasceu em Liverpool, Inglaterra. Antes de se mudar para Londres, onde reside atualmente, viveu em Key West, no estado norte-americano da Florida, Nova Iorque, Paris e Milão. Após completar a licenciatura em Estudos Ingleses, na Universidade de Oxford, estudou História da Arte em Paris e Florença. Trabalhou como jornalista, crítica de arte e locutora de rádio. Em 2016, lançou o thriller erótico MAESTRA, o primeiro volume de uma trilogia, que alcançou um retumbante sucesso à escala global, com 1 milhão de exemplares vendidos, e publicado nesta coleção. Os direitos de publicação desta trilogia foram adquiridos por editoras de mais de 40 países, estando em curso uma adaptação ao cinema.

Imprensa
«Quando As Cinquenta Sombras de Grey se cruzam com O Código Da Vinci: sexo, compras, intrigas de bastidores e muito crime - para ler sem pausas.»
Independent 

«Ainda mais intenso, chocante e provocador do que o primeiro volume. Um livro que pede para ser devorado de uma assentada!»
Reader's Digest

«Judith Rashleigh, a heroína inteligente e sensual, volta para o segundo livro da autora de Maestra.»
The Sun

«Domina dá-nos horas de entretenimento com a sua escrita sexy, inteligente e acutilante. Um enredo bem pensado e uma heroína apaixonante contribuem para esta obra-prima do thriller.» 
Sunday Mirror


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Sara Flannery Murphy - Possuída Pelo Passado [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 10 Julho 2017

               Título Original: The Possessions
               Preço com IVA: 18,79€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789898869111

Sinopse: Edie trabalha há cinco anos na Sociedade Elisiana, uma empresa que fornece um serviço altamente exclusivo e especializado: os clientes podem comunicar com o espírito dos seus familiares mortos através dos corpos dos empregados. A jovem Edie é a melhor da sua equipa, sendo reconhecida pelo seu profissionalismo e discrição.
Porém, tudo muda quando Patrick contrata este serviço para falar com Sylvia, a sua falecida mulher. Edie passa cada vez mais tempo com ele, e acaba por se apaixonar pela vida do casal. Um fascínio que se torna uma incontrolável obsessão ao descobrir as misteriosas circunstâncias em que ocorreu a morte de Sylvia.
As personalidades e histórias de Edie e Sylvia começam a diluir-se. Depois de vários anos sem tempo para si, Edie quer apenas recomeçar tudo e ter uma vida nova. Mesmo que seja a de uma mulher morta.

Sobre a autora: Sara Flannery Murphy cresceu no Arkansas, EUA, onde repartia o seu tempo entre Little Rock e Eureka Springs, uma pequena comunidade de artistas nas montanhas. Sara concluiu o seu mestrado de escrita criativa na Washington University, em St. Louis, e vive atualmente no Oklahoma com o marido e o filho. 
Possuída pelo Passado é o seu primeiro romance.

Imprensa
«Com o seu enredo fluido, este livro mostra o amor, a perda e a obsessão de uma forma imaginativa e sedutora.»
Daily Mail

«Sublime... Mergulhe, da primeira à última página, neste romance inesquecível e impossível de parar de ler.» 
Booklist

K. L. Slater - A Salvo Comigo [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: A Salvo Contigo é um thriller psicológico interessante e bem conseguido que me agarrou na sua leitura. Apresenta uma particularidade, não inovadora é certo, mas que me cativa: a história é relatada por uma narradora pouco digna de confiança. O leitor está constantemente na dúvida se esta estará a ser sincera relativamente aos seus pontos de vista ou se serão apenas devaneios. Esta personagem, Anna, é aterrorizada por acontecimentos ocorridos há 13 anos atrás, momento em que ela angaria uma inimiga, Carla. Esta aparece agora, em circunstâncias de um acidente com terceiros. Anna sente imediatamente que tem que fazer parte deste incidente. 

Durante a leitura persistiam duas dúvidas: se Carla seria mesmo a mesma pessoa implicada no incidente há 13 anos e como é que se desenvolveria a relação de Anna com o rapaz acidentado, Liam. A trama suscita assim um grande interesse, a meu ver.

Não posso deixar o episódio, mais caricato na minha opinião, a forma como ela lida com a sua actividade profissional que é a distribuição de correio. Sempre que o contexto laboral era mencionado, era difícil não esboçar um sorriso, embora com um sentimento de terror, claro, devido à seriedade da situação. Quem ainda, nos dias de hoje, recebe muita correspondência pelos correios, como até é o meu caso, irá, certamente, compreender.

A actividade profissional de Anna acaba, assim, por ser mais apurada do que a sua própria vida pessoal. Esta, por intermédio de flashbacks, vai sendo gradualmente desvendada e ficamos a saber o motivo pelo qual a protagonista é tão solitária. Creio que é nestes excertos que nutrimos alguma compaixão pela protagonista que, pelo carácter dúbio, não se apresenta como a típica heroína de uma trama. Também não sabemos com certeza afirmar que será a vilã.

Embora me tenha sentido sempre expectante e agradada com o desenvolvimento da história, há eventos que não são devidamente explicados e que teriam algum interesse caso fossem explorados. A título de exemplo, e sem querer, evidentemente, levantar qualquer spoiler, Anna implica com cheiros estranhos em casa, fenómeno que não é explicado assim como o desaparecimento súbito de uma montanha de cartas antes de uma inspecção carecia de uma elucidação.
Tenho ainda a apontar que não apreciei devidamente o final da história. Creio que o enredo poderia ter sido fechado em torno de uma explicação mais convincente. De certa forma, o clímax foi anticlimático e, pessoalmente, não me deslumbrou como seria desejado.

Não obstante estes pormenores que não foram do meu agrado, gostei bastante de ter lido esta obra. Valeu pela leitura entusiasta e, de certa forma, viciante. Tão cedo não me esquecerei desta carteira tão peculiar.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Stephen King - A Rapariga que Adorava Tom Gordon [Opinião]


Sinopse: Trisha McFarland tem nove anos e é uma fã incondicional de Tom Gordon. Pelo menos assim o demonstra ao usar a camisola do jogador de basebol, quando, numa caminhada com o irmão e a mãe recém-divorciada se perde, sozinha na floresta. Tudo o que traz consigo é uma sanduíche, água e alguns aperitivos, além de um walkman, através do qual segue o relato dos jogos do seu herói, criando com este uma amizade imaginária. À medida que avança para o coração da floresta, apercebe-se, porém, de que o novo amigo não é a sua única companhia...

Opinião: Não foi o melhor livro de Stephen King, na minha opinião. A começar talvez pelo tema central: o do baseball, desporto com o qual, pessoalmente, não me identifico. Embora deva reconhecer uma certa originalidade do autor em estruturar a narrativa em innings, em vez dos típicos capítulos, conferindo à história um maior entrosamento ao desporto. O baseball é o desporto que pratica Tom Gordon, o ídolo da menina protagonista da história.

Trisha, de apenas nove anos, perde-se na floresta. Passa por inúmeras provações, como devem imaginar, a fome, a paranóia, o desespero... Os sentimentos de Trisha perante estas situações são palpáveis e a maior sensação, a que pode, efectivamente, conferir o ingrediente de terror a esta obra, é a de perseguição. Durante toda a leitura, o leitor sente-se inquieto por achar que há um stalker atrás de Trisha. E não, não falo do seu amigo imaginário Tom Gordon. Algo de maléfico parece estar a perseguir a criança.
Como tem sido costume, há uns laivos de sobrenatural. Não incomoda, é certo que uma das minhas obras de eleição do autor é Carrie, mas tira parte da credibilidade da história. Não obstante a minha interpretação poder atribuir esse ingrediente à paranóia que a menina sente ao longo dos dias em que está perdida. Aí, cada um poderá ter uma diferente ilação.

É um livro curto (nunca li até então uma obra de King que fosse tão pequena) mas não creio que a história esteja subdesenvolvida.
A minha percepção, e note-se que é algo muito pessoal e vindo de alguém que vê filmes de terror e praticamente só lê thrillers, é que a componente de terror é pouco assustadora. Pessoalmente apenas temi pela protagonista pelo facto de ser uma criança e não saber, à partida, como se desenrascar perdida numa floresta. Creio que sentira mais medo ou inquietação aquando a leitura de Carrie ou o Jogo de Gerald. Terei que, com todo o gosto, ler mais um punhado de obras de King.

Sobre Trisha, não há como não adorar a personagem. Tem apenas 9 anos e mostra aquela inocência que normalmente associamos à infância. A menina impressionou-me ao demonstrar sempre grande maturidade, desde o primeiro instante em que pensa racionar a comida que tem consigo. A criança passa por momentos aflitivos e King detalha-os de forma exímia. Não me esquecerei, por exemplo, de quando ela bebeu a água do ribeiro, uma passagem que é descrita com algum humor se bem que a situação era, decerto, muito séria.

Ainda assim, apesar de ter apreciado esta obra, confesso que a minha expectativa foi defraudada. Ambicionava uma história de terror que me inquietasse e em A Rapariga Que Adorava Tom Gordon encontrei uma aventura protagonizada por uma menina fã de baseball. Esperava um pouco mais, confesso. 

Stephen King é um autor que vocês têm em conta? Quais são as suas obras mais tenebrosas que me poderão aconselhar?


terça-feira, 11 de julho de 2017

Adam Croft - O Último Amanhã [Divulgação Lua de Papel]


Data de publicação: 11 Julho 2017

               Título Original: Her Last Tomorrow
               Preço com IVA: 15,90€
               Páginas: 272
               ISBN: 9789892339481

Sinopse: Seria capaz de matar a sua mulher para salvar a sua filha?
Só quando Nick põe a filha na cadeirinha do carro é que percebe – esqueceu-se de trazer o desenho que ela tanto queria levar para a escola. Volta para casa numa correria, já está atrasado, deixa a miúda com o cinto de segurança posto, tranca o veículo, ou pelo menos pensa que sim. Procura o raio do desenho, encontra-o, regressa... Mas é tarde demais. No espaço de alguns minutos (ou terão sido segundos?), Nick vê a sua vida desabar. A menina, de cinco anos, não está no carro. Nem no carro, nem em lado nenhum.
Em capítulos alternados, narrados ou por Nick ou pela sua mulher Tasha, entramos na intimidade deste casal que vive nos arredores de Londres. Ele, escritor, pacato, meio distraído, ela mulher de negócios a fazer pela vida na City. Descobrimos o que os separa, mas também o que os une: o amor infinito por Ellie, uma menina muito especial.
E apercebemo-nos, crescentemente chocados, de que talvez haja um lado muito sombrio no passado de Nick, que justifique a mensagem que ele um dia recebe: A Ellie está bem. Pode tê-la de volta depois de matar a sua mulher. 

O Último Amanhã, originalmente publicado numa edição de autor, tornou-se rapidamente num dos livros mais vendidos em Inglaterra – e valeu ao autor, Adam Croft, um chorudo contrato com a Amazon. Thriller perturbante, que apaixonou milhares de leitores, retrata de forma aflitiva a inquietação permanente da vida moderna – e a suspeita de que todos nós escondemos segredos do passado. 

Sobre o autor: Com mais de meio milhão de livros vendidos até à data, Adam Croft é um dos mais bem sucedidos autores independentes publicados no mundo e um dos autores que mais vendeu no ano passado. O Último Amanhã vendeu mais de 150,000 cópias e tornou-se um sucesso de vendas, atingindo o top 10 na Amazon Kindle.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

S.S. Van Dine - O Caso Benson [Divulgação Colecção Vampiro]

Data de publicação: 13 Julho 2017

               Titulo Original: The Benson Murder Case
               Tradução: Pepita de Leão
               Preço com IVA: 7,70€
               Páginas: 304
               ISBN: 9789723830125

A 13 de julho a Livros do Brasil publica o romance de estreia com a assinatura S. S. Van Dine, O Caso Benson. Lançado em 1926, foi o primeiro de muitos crimes em que Philo Vance figurou como parceiro informal – mas indispensável – nas investigações levadas a cabo por Markham. Uma história empolgante, repleta de ironia e de sagacidade.

Sinopse: «A verdade só pode ser descoberta por uma análise dos fatores psicológicos do crime.» É com esta convicção que o erudito Philo Vance se junta a John Markham, procurador público do distrito de Nova Iorque, na resolução do sensacional caso da morte de Alvin Benson, conhecido corretor de Wall Street atingido com um tiro na cabeça no interior da sua própria mansão. Uma bolsa e um par de luvas de senhora encontrados no local fazem apontar a investigação na direção da mulher que na véspera do crime fizera companhia a Benson. Mas Vance está decidido a demonstrar a Markham e a toda a polícia que quanto mais o enfoque é dirigido para indícios materiais e provas circunstanciais menor será a capacidade para discernir o verdadeiro culpado.

Sobre o autor:  S. S. Van Dine (pseudónimo de Willard Huntington Wright) nasceu a 15 de outubro de 1888, em Charlottesville, EUA. Aluno brilhante, estudou em Harvard antes de partir para Paris e Munique, onde prosseguiu a sua formação em artes e letras e iniciou carreira como editor e crítico de arte. Em 1923, na convalescença de uma tuberculose, lê uma série de romances policiais e fica fascinado pelo género. Três anos mais tarde, lança o seu primeiro romance com assinatura S. S. Van Dine, O Caso Benson, que se revela um best-seller imediato. Este será o primeiro de uma série de romances protagonizados por Philo Vance, um detetive amador algo arrogante que privilegia os indícios psicológicos dos casos a que se dedica. Com várias adaptações de obras suas ao cinema, Van Dine torna-se um nome fundamental da literatura policial norte-americana dos anos 20 e 30. Morre a 11 de abril de 1939 em Nova Iorque.

Já na coleção Vampiro:
No. 1: Os Crimes do Bispo, de S.S. Van Dine
No. 2: Vivenda Calamidade, de Ellery Queen
No. 3: O Falcão de Malta, de Dashiell Hammett
No. 4: O Imenso Adeus, de Raymond Chandler
No. 5: Picada Mortal, de Rex Stout 
No. 6: O Mistério dos Fósforos Queimados, de Ellery Queen
No. 7: A Liga dos Homens Assustados, de Rex Stout
No. 8: A Morte da Canária, de S. S. Van Dine 
No. 9: O Grande Mistério de Bow, de Israel Zangwill
No. 10. A Dama do Lago, de Raymond Chandler
No. 11. A Pista do Alfinete Novo, de Edgar Wallace
No. 12. Colheita Sangrenta, de Dashiell Hammett
No. 13. O Caso da Quinta Avenida, de Anna Katharine Green 

Passatempo Editorial Presença: B.A. Paris - Ao Fechar a Porta


Desta vez, e em parceria com a Editorial Presença, a menina dos policiais tem para sortear um exemplar do livro Ao Fechar A Porta de B.A. Paris. Para participar no passatempo tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes.
São mantidos os moldes do passatempo anterior: a partilha do passatempo numa rede social, pública, garante ao participante mais uma entrada válida!

Regras do Passatempo:

- O passatempo começa hoje, 10 de Julho de 2017 e termina às 23h59 do dia 16 de Julho de 2017.
- Os participantes deverão ser seguidores do blogue (fazer login na caixa dos seguidores na barra direita do blogue)
- O participante vencedor será escolhido aleatoriamente.
- O vencedor será contactado via e-mail.
- O blogue não se responsabiliza por extravios dos CTT.
- Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.
- Se precisarem de ajuda podem consultar aqui

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!! :)






Para mais informações sobre o livro Ao Fechar A Porta, clique aqui
Para mais informações sobre a Editorial Presença, clique aqui

 

sábado, 8 de julho de 2017

Mariana Enriquez - As Coisas Que Perdemos no Fogo [Opinião]


Sinopse: A sua escrita tem sido comparada à de um Poe do século XXI, à de Roberto Bolaño e à de Cortázar. Com estes partilha temas e, sobretudo, universos inquietantes, sombrios, em que o leitor perde rapidamente o pé e é arrastado para regiões malévolas, incontroláveis (da mente humana, do dia-a-dia) que o vão assombrar, insidiosamente, durante muito tempo. Certo é que Mariana Enríquez, que prepara já o seu próximo romance, cruza magistralmente a grande tradição latino-americana com uma voz muito própria, a sua: e que é feroz, visceral, feminista, política e humorística.

Opinião: Depois de ter conhecido a autora num Meet & Greet que teve lugar na Feira do Livro, coloquei As Coisas Que Perdemos no Fogo na mesinha de cabeceira para ser lido quanto antes.
Por norma, nem aprecio muito a narrativa em conto por achar que são histórias subdesenvolvidas. Porém, aquela conversa deixara-me curiosa em conhecer o estilo da autora bem como viajar até Buenos Aires sem sair do sofá. E o resultado? Muito, muito positivo!

De acordo com o que tinha percebido, primeiro numa conversa com a autora Claudia Piñero (há dois anos, numa iniciativa da Gulbenkian) e agora com Mariana Enriquez, o crime é algo banal nos países latino-americanos e estas short stories acabam por ser uma prorrogação da vida argentina quotidiana levada ao limite. Estava céptica com um ingrediente em particular, o sobrenatural, que verifiquei ter sido bem doseado ao longo dos contos. Pude constatar, acima de tudo, uma crítica social.

Em primeira análise, o que mais me fascinou, aspecto extensível a todos os contos, foi a vertente contemporânea e, acima de tudo, sombria. Consigo perceber que as mulheres têm um papel pertinente nos contos e que são exploradas as maiores atrocidades cometidas contra estas. Não consigo especificar um tema único que seja esmiuçado nesta colectânea. 
Durante a leitura, assisti a um desfile de assuntos controversos, espelhando uma realidade social em Buenos Aires obscura. Desde a imolação (caramba, como me chocou o conto das mulheres que ateavam fogo a si mesmas como forma de protesto) e outras auto-flagelações, a pobreza (o tema fulcral da história que é o cartão de visita, O Rapaz Sujo), ou o folclore de assassinos na região (creio não me esquecer, tão cedo, de Pablo). 
Grosso modo, todos os contos, uns com maior intensidade é certo, me deixaram bastante impressionada e eleger o meu preferido é árdua tarefa. Oscilo entre O Rapaz Sujo, Pregos Prega o Pablito: uma evocação do Petiso Orejudo, Fim de Ano, Nada de Carne Entre Nós ou o último, o que dá o nome à obra, As Coisas Que Perdemos com o Fogo.

Gostei muito da escrita de Mariana Enriquez. Penso que a autora cumpriu uma tarefa que reconheço difícil: a de envolver o leitor nas primeiras linhas de todos os contos. Pessoalmente, não consigo entrar dentro de uma história tão rapidamente e creio ser fundamental quando estas são de poucas páginas. A leitura é dinâmica e todas as histórias são, à sua maneira, envolventes e perturbadoras.

O único aspecto menos positivo que denotei foi, e creio ser relativamente comum aos livros de contos, a forma como alguns finais estavam subdesenvolvidos ou inconclusivos. Pessoalmente, teria gostado de ver uma narrativa mais desenvolvida em certos contos, o que evidencia o quão deslumbrada eu me sentia perante estas short stories ao ponto de querer ler mais ainda sobre as mesmas.

É, sem dúvida, um livro que me ficará na retina durante muito tempo. Não poderei deixar de recomendar, pois claro, aos fãs do género. 


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Clare Mackintosh - Estou A Ver-te [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: No ano passado li um livro que me deixou boquiaberta. A cerca de 1/3 da narrativa, surgiu uma reviravolta e a trama mudou completamente. Clare Mackintosh tornou-se uma autora a ter debaixo de mira e Deixei-te Ir um dos melhores livros de 2016.
Talvez por ter escrito uma obra de estreia tão arrebatadora, estava expectante com o segundo título da autora, Estou a Ver-te.

Acontece que, para ser sincera, este livro não me deslumbrou. Estava à espera de uma reviravolta que me tirasse o fôlego, tal como acontecera na obra anterior. A nível de estrutura, esta trama diferencia-se muito da predecessora, sendo mais linear. A história foca sobretudo o estranho caso das raparigas que aparecem mortas depois de aparecerem num anúncio de encontros amorosos e toma proporções maiores quando Zoe julga ver a sua fotografia numa destas publicações.

A premissa da história é muito interessante e, numa primeira análise, permite tecer algumas considerações sobre os vários perigos dos sites de encontros que ultimamente proliferam na Internet, tornando a trama convincente.

Só que, no meu entender, a autora arrasta o conceito. Aliás, a minha principal critica assenta sobre a morosidade do ritmo da trama. Além disso, alguns factos são repetitivos, tendo feito com que a leitura fosse menos voraz do que seria expectável. Tão pouco as reviravoltas me pareceram tão intensas quanto o livro antecessor de Clare Mackintosh. Há uma tentativa, porém, da autora em agilizar a trama, relatando-a sob dois pontos de vista: o da vítima, Zoe, e o da polícia Kelly que, como já vem sendo costume, também tem esqueletos no armário. Parecendo que não, ler a história em duas frentes sempre dinamiza mais o ritmo. Não obstante o suspense incidir maioritariamente sobre a identidade do autor dos vários anúncios das mulheres e respectivos homicídios.

Em relação a este ponto, agora que reflicto naquele clímax, devo explanar o meu sentimento dúbio. Se por um lado, na recta final, senti uma voracidade na leitura que não sentira até então, por outro, o vilão acaba por ser inesperado. Não obstante sentir algumas dúvidas no comportamento que manifestou durante toda a trama, caracterizado como assertivo e que nas páginas finais, subitamente, se revela bastante alterado. Não me soou muito convincente. Além disso, uma revelação nas linhas finais, alterou o que li até então, mostrando um maior nexo para o desfecho da história.

Em suma, não deixo de comparar Estou a Ver-te com o romance de estreia e considerar que este ficou aquém do predecessor. Ainda assim gostaria de dar uma nova oportunidade a esta autora e ler o seu próximo romance, prestes a ser publicado lá fora, Let Me Lie. 


Robert Bryndza - A Rapariga no Gelo [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Este livro era mais um que iria ler em inglês. O ebook aguardava a sua vez no ereader mas eis que a versão portuguesa apareceu e quis, de imediato, ter um exemplar na estante. Como sabem, ambiciono fazer uma biblioteca policial cá em casa, tão rica quanto a do inspector Varatojo. 
Obrigada à editora Alma dos Livros por me ter feito chegar, pela primeira vez, um livro seu. 

Terei que ser sincera: terminada a leitura, não consigo compreender o hype em torno da obra. É um livro interessante, é certo, entretém bastante mas, a meu ver, é um policial banal e não acrescenta muito ao género.

Ora vejamos: a estrutura da narrativa segue a fórmula típica dos policiais: há um homicídio logo no prólogo, uma investigação policial subjacente, um grupo de suspeitos, uma ameaça recai sobre a responsável pela investigação, também ela atormentada por um drama familiar. É uma fórmula que resulta e entretém os leitores fãs do género que conseguem, amiúde, identificar algumas analogias com outras obras policiais. Por exemplo: o facto da protagonista ser viúva já o tinha observado noutras tramas similares. Outro aspecto digno de realce e igualmente de analogia relaciona-se com o facto de os superiores hierárquicos da inspectora serem, na maioria, homens, destacando-se uma certa competição (que nos dias de hoje não fará sentido) entre géneros. 

O mais estranho é que o autor introduz duas personagens, Isaac e Moss, que são homossexuais e têm respectivamente as suas famílias tornando mais inverossímil esta questão relativamente ao género. O autor tem abertura para desenvolver dois casais homossexuais, sendo que pelo menos Moss terá alguma importância na série, mas há discriminação de géneros no trabalho? Não me soou tão credível, esta posição tão open minded relativamente a umas questões e tão fechada noutras.

Por último, gostaria de incidir num aspecto comum na literatura policial e que é também usado por Bryndza: a inserção da perspectiva do assassino, um ingrediente que acho particularmente estimulante. A meu ver, estes pontos de vista do antagonista permitem-nos antecipar o seu próximo passo, avaliando assim o seu carácter. Este assassino, de tantos outros com que me deparei na literatura policial, não é o mais sádico. Ainda sobre este ponto, para mim não foi surpreendente a sua identidade.

Creio que o aspecto que se torna realmente inovador é a naturalidade como surgem as duas famílias que citei anteriormente. Não creio que a homossexualidade seja abordada com frequência na literatura policial e quando é, acaba por estar subjacente às vítimas, frequentemente, criando a partir daí um móbil para o crime. Portanto, gostei de ter visto abordada a questão num outro prisma.

A trama é muito actual, os desenvolvimentos da investigação levam ao sacudir de segredos sobre a vítima, Andrea, filha de uma prestigiada família em Londres. São debatidas questões sociológicas interessantes como a influência das redes sociais ou a participação pouco activa dos pais na educação dos filhos (um fenómeno que denoto ser cada vez mais comum nos dias de hoje).

A Rapariga do Gelo é, como referi anteriormente, um livro que entretém e proporcionou-me um bom momento de leitura mas, infelizmente, não me deslumbrou. Não excluo a hipótese de ler o segundo da série e verificar como esta progride.

Creio que, acabando as minhas considerações sobre este título, resta-me apenas congratular a recém editora Alma dos Livros, incentivando-os a publicar mais obras deste género, o de minha eleição.