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terça-feira, 23 de junho de 2020

Brigitte Aubert - A Morte da Branca de Neve [Opinião]


Sinopse: Não há nada de comum entre Léonard “Chib” Moreno – um bastardo filho de um qualquer marinheiro desconhecido – e Jean-Hugues e Blanche Andrieu, um casal da alta burguesia católica e financeira. Nada, a não ser o corpo da jovem Elilou, que ele tem de embalsamar. O jovem Léonard – embalsamador de profissão – sofre o estigma de ser fruto da violação da mãe por um qualquer marinheiro desconhecido. Felizmente para a sua saúde mental, o seu melhor amigo, Gregory, sai frequentemente com ele para o distrair. Tudo corre bem até ao dia em que uma certa Blanche Andrieu lhe pede para embalsamar a filha, Elilou, cujo corpo tenciona expor na sua capela privada. Ainda que reticente, Léonard acaba por aceitar a proposta, mas, ao proceder ao embalsamamento, apercebe-se de que a menina fora sem dúvida vítima de abusos. Intrigado, interroga-se e, seduzido por aquela mãe terrivelmente desequilibrada, inicia uma investigação onde o horror e a incompreensão de um meio estranho são uma presença constante.

Opinião: Sou fã acérrima das produções cinematográficas francesas. Escolho escrupulosamente os filmes que vejo, na sua grande maioria, de terror e no que concerne aos oriundos de França, nenhum me defraudou. Já na literatura assumo-me mais inexperiente: só conheço o Jean Christophe Grangé, Pierre Lemaitre e recentemente, Maxime Chattam. Gosto dos quatro autores e acabei de acrescentar à minha lista, Brigitte Aubert.

Esta leitura não foi programada. Foi um desafio de leitura conjunta a que me propus sem pensar. E que livro! Foi uma verdadeira surpresa! Tenho gostado de descobrir os livros esquecidos na estante que mostram ter qualidade ímpar. Confesso que estou sempre tão deslumbrada pelas novidades editoriais que me esqueço de enveredar por verdadeiras pérolas literárias que estão já na minha estante.

Quando iniciei a sua leitura não sabia grande coisa sobre a obra, afinal de contas, esta consta na já extinta colecção da Asa, Noites Brancas e caiu em esquecimento. Reitero o que tenho afirmado ultimamente sobre edições esgotadas, também este livro é digno de uma reedição.

É uma obra escura e pesada que tem como protagonista um taxidermista. Acaba, desta forma, por ser um thriller muito sui generis por não ser protagonizado por uma personagem directamente ligada às forças policiais ou à investigação criminal.

Fiquei rendida logo nas primeiras páginas, altura em que ele está na sua actividade profissional, no processo de embalsamamento de uma pessoa e vai relatando o procedimento. Apesar das tiradas de cariz mais humorístico por parte de Chib. que acabam por desanuviar um pouco do ambiente mais pesado pois a narrativa possui várias passagens marcadas pela violência explícita de alguns acontecimentos. Sou fã de tramas de natureza mais mórbida mas compreendo que a história possa ser demasiado tensa para leitores mais susceptíveis: a trama centra-se no taxidermista quando este se envolve num trabalho de embalsamamento de uma criança, o que é, a meu ver, bastante controverso.

A história aborda alguns aspectos sobre estes procedimentos no Antigo Egipto, que eram bastante comuns e que acabaram por se tornar obsoletos nos dias de hoje. No entanto, como aficionada da cultura que sou, achei particularmente interessante que o processo tenha sido mencionado, ainda que por breve instantes.

Quando Chib conhece os familiares de Elilou, ficamos com a nítida sensação de que o seu nucleo familiar é disfuncional. A percepção de desconfiança começa a instalar-se, à qual sucede uma sensação de desconforto quando o taxidermista descobre sinais de abuso no corpo da menina. Fiquei perplexa com o desenvolvimento da história. Atrevo-me a dizer que estes segredos familiares são, possivelmente, os mais bizarros que alguma vez li.

Ao contrário da grande maioria dos livros, esta trama não tem um crescendo de acontecimentos. Julgo que a acção se desenvolve sempre com o mesmo interesse, alicerçada sobre alguns episódios de cariz mais chocante. Adianto, por isso, que a narrativa desperta um imediato interesse logo nas primeiras páginas e esta sensação mantém-se até ao final do livro.

Só acuso como ponto menos positivo uma dificuldade em reter o nome e identidade das personagens, o que particularmente estranhei dado que não me acontece, por exemplo, com a literatura escandinava que é mais exigente no que concerne à nomenclatura.

Em suma, ainda que A Morte da Branca de Neve não seja uma novidade, vale bem a pena ser descoberto. Lamento que seja um livro que não esteja já em circulação. Desconheço se teve um merecido destaque aquando a sua publicação mas merece ser atentado! Tenho mais alguns títulos da autora desta colecção que pretendo ler em breve.
No entanto, creio que não será um livro adequado para todos os leitores, apenas aquelas que se sintam confortáveis com alguns episódios de cariz mais chocante. Gostei mesmo muito deste título!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Stephen Chbosky - Amigo Imaginário [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Não se deixem intimidar pelo tamanho da obra em epígrafe. O autor de As Vantagens de Ser Invisível está de volta com uma história que, pelo que pude apurar, se encontra num registo bastante diferente do título antecessor, alicerçando-se nos géneros de terror e fantasia.
Agradou-me, por isso, bastante. Como sabeis, o género de terror em particular sempre me fascinou e, nesta obra em concreto, há um ingrediente que me deixou rendida: o facto da trama ser protagonizada por uma criança, Christopher. Tenho para mim que ter uma personagem principal infantil confere, aparentemente, um cunho de maior inocência à história. Ainda para mais quando estamos perante uma narrativa de terror, esta percepção parece intensificar-se.

Apesar de grande parte da acção se centrar, de facto, neste menino, fomentando uma inegável empatia entre o leitor e o protagonista, o autor garante uma interessante multiplicidade de personagens.

O primeiro capítulo situa-nos 50 anos antes da acção e relata um estranho e intrigante evento que se afigura como uma das forças motrizes do mistério desta trama. É então na actualidade que o autor nos dá a conhecer Christopher e a sua mãe, que se mudaram recentemente para a pacata vila de Mill Grove, após passarem por uma traumático episódio familiar.
A trama toma fôlego quando Christopher desaparece misteriosamente e, uns dias mais tarde, reaparece, mostrando um comportamento estranho. Confesso que foi a partir deste momento que a trama se tornou viciante. Apesar do número extenso de páginas e, aparentemente, muita informação transmitida ao leitor que, a meu ver, poderia ser condensada, creio que a magia desta obra reside precisamente no nível de detalhe. Como referi anteriormente e como o próprio título deixa antever, esta é uma trama repleta de elementos do género fantástico e terror. Estamos, portanto, perante uma narrativa com contornos inverosímeis. Devo dizer que sou uma leitora que procura sempre uma explicação racional nas histórias, contudo deixei-me levar pela inquietante aventura de Christopher.

Não obstante ter-me rendido ao pequeno protagonista e ao desenvolvimento da história, creio que esta não é completamente original. Frequentemente dei por mim a pensar na história de Coraline, aliando-a à fértil imaginação das crianças que, imiúde, criam amigos que só existem nas suas mentes. E sem levantar grandes spoilers sobre a história, posso apenas referir que é uma história sobre a eterna luta entre o Bem e o Mal, bastante fantasiosa, mágica e, em certos momentos, tenebrosa.
Como também sabeis, sou uma leitora ávida pelos livros de acção pelo que, em certos momentos, senti que a história se desenvolvia a um ritmo mais moroso. No entanto, compreendo que o autor tenha apostado neste registo para consolidar as personagens e até mesmo a própria acção. 

Em jeito de conclusão, terei que reiterar os adjectivos que atribuí acima: este livro é mesmo para os leitores que procuram uma obra extremamente fantasiosa com momentos de terror.


terça-feira, 22 de outubro de 2019

Stephen Chbosky - O Amigo Imaginário [Divulgação ASA]


Data de publicação: 22 Outubro 2019

               Título Original: Imaginary Friend
               Preço com IVA: 22,90€ 
               Páginas: 864
               ISBN: 9789892346113

Sinopse: Há vinte anos, Stephen Chbosky escreveu o romance que definiu uma geração - As Vantagens de Ser Invisível. Agora está de regresso com o livro mais aguardado do ano.
PODEMOS ENGOLIR O MEDO, OU DEIXAR QUE ELE NOS ENGULA A NÓS...

Kate Reese e o filho, Christopher, estão em fuga. Kate é jovem mas tem já uma longa lista de desaires na bagagem. A única coisa em que nunca vacilou foi no seu amor incondicional por Christopher. É esse amor que a leva a partir a coberto da noite, deixando para trás uma vida em que as boas recordações são raras. Mãe e filho só param quando, por instinto, chegam à pacata vila de Mill Grove. Subitamente, o sonho de um verdadeiro lar afigura-se possível.
E a princípio, parecem ter feito a escolha certa. A vila é pequena e segura, e os novos vizinhos são acolhedores. Mas é então que Christopher desaparece. Durante seis penosos dias, não há notícias dele. E quando reaparece, vindo de um bosque, o rapaz aparenta estar bem. Mas o que ninguém sabe é que ele não voltou sozinho. Christopher traz consigo uma missão e um amigo imaginário – uma voz que apenas ele ouve; o prenúncio da uma tragédia...
Amigo Imaginário é uma obra-prima, fruto de uma imaginação sem limites e de uma profundidade emocional tremenda. Não é apenas um livro de suspense: Stephen Chbosky proporciona-nos uma experiência de leitura extraordinária e inesquecível.


Sobre o autor: Stephen Chbosky é um romancista, guionista e realizador de cinema americano. O seu romance As Vantagens de Ser Invisível e subsequente adaptação cinematográfica (com Emma Watson num dos principais papéis) catapultaram-no para a fama. Desde então já trabalhou em inúmeros projetos televisivos e cinematográficos, incluindo a adaptação para o grande ecrã do romance Milagre, de R.J. Palacio (publicado pela LeYa), com Julia Roberts e Owen Wilson. Atualmente reside em Los Angeles, Califórnia.

domingo, 20 de outubro de 2019

Liane Moriarty - Nove Perfeitos Desconhecidos [Opinião]


Sinopse: Se alguém lhe garantisse uma transformação total em apenas 10 dias, você aceitava? Nove pessoas aceitam. Os seus motivos são diferentes mas todas embarcam num retiro de luxo. Esperam massagens, meditação e dieta detox. Estão longe de imaginar o desafio que têm pela frente.
Será que estas nove pessoas vão encontrar a solução para os seus problemas? Ou será melhor fugirem enquanto podem? É que Masha, a diretora do retiro, tem para os seus clientes um plano que nenhum deles conhece…

Opinião: Tendo apenas lido uma obra da autora, O Segredo do Meu Marido, fiquei imediatamente impressionada com Liane Moriarty. Ainda hoje me recordo da história com grande detalhe e, acima de tudo, da forma como a trama me deixou a reflectir sobre vários aspectos da vida. Esperava, por isso, que este novo lançamento me despertasse sensações similares até porque me senti seduzida pelo título. Parti para esta leitura, portanto, deveras expectante.

O que mais apreciei na obra foi, indubitavelmente, a caracterização das personagens. Tudo foi pensado até ao ínfimo detalhe o que poderá sugerir, por outro lado, um certo arrasto da acção. Contudo, deixei-me seduzir pelas histórias de vida das nove personagens que entram na clínica com a finalidade de melhorar as suas vidas.
Considerei que foi intrincada a forma como a autora investiu nas personagens, sempre com bagagens emocionais muito complexas e diferentes entre si. O confronto entre os vários dramas das personagens acabou por intensificá-los, fomentando uma natural empatia com o leitor.

Acima de tudo, estava bastante intrigada com o rumo da história. De facto, perante a privação de bens e hábitos mundanos, achei que a melhoria de vida das personagens se devesse ao reconhecimento e importância dos mesmos. Eis então que sou surpreendida com um plot twist que muda por completo todas as circunstâncias e conduz a história para uma direcção que nunca equacionei, confesso.

Fazendo uma comparação com a obra que conhecia da autora, creio que a antecessora era mais rica em suspense do que o presente título. Apesar de reconhecer que a trama é intensa, devendo-se essencialmente aos dramas das personagens, pessoalmente teria gostado de um desenvolvimento diferente Uma percepção que atribuo, claro, aos meus gostos literários. Acredito que nove desconhecidos fechados num local é convidativo para desenvolver um excelente thriller.

Ainda assim e tal como o livro anterior que li da autora, Nove Perfeitos Desconhecidos convidou-me a reflectir sobre uma série de temas. Tendo sentido uma maior afinidade com uma ou outra personagem, creio que estas não me sairão da retina durante muito tempo. Caso apreciem obras com esta finalidade - que vos deixem a pensar na trama, muito após terem fechado o livro - então recomendo sem reservas!



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Dick Haskins - A Embaixadora [Opinião]


Sinopse: Naquele fim de tarde ameno, no início do Verão, Vanda não podia imaginar o perigo que a aguardava ao sair do emprego. Mas a verdade é que um grupo de conspiradores vira nela a sósia perfeita para levar a cabo um arriscado golpe político internacional...
Vanda ver-se-á então num papel que nunca sonhara incarnar, passando longas horas de terror e suspense num estádio superlotado, durante um jogo de futebol.
Até que o espírito de observação de uma criança propiciasse, para o caso, uma inesperada solução

Opinião: Confesso desde já que não sou grande apreciadora de tramas que se alicercem em atentados e conspirações, ingredientes que são explanados na presente obra de Dick Haskins. Contudo, abracei o desafio de ler esta obra que sai claramente da minha zona de conforto.
Esta trama apresenta, assim, contornos bastante diferentes das demais. Não que conheça completamente a bibliografia do autor, apenas li O Sono da Morte e vi alguns episódios da série televisiva realizada pelo autor, Dick Haskins, transmitida nos anos 80. Realço que o autor é conhecido pelas suas tramas pertencentes ao subgénero de giallo, em que o protagonista, o detective homónimo, investiga alguns casos policiais, recorrendo ao poder de dedução e lógica, relembrando um pouco o célebre detective belga Poirot.

Em A Embaixadora, deparei-me com uma história completamente diferente, alicerçada sobre conspiração e intriga política. Senti falta, portanto, do detective Dick Haskins.
Ainda que não seja uma aficionada de histórias do género, reconheço que a obra é interessante. Muitíssimo bem escrita, como o autor nos habituou, é uma história que atenta aos detalhes para convencer o leitor que está prestes a presenciar um golpe político contra o país de Puerto Nuevo, no estádio, em pleno jogo de futebol. A trama tem basicamente a duração da partida, o que tornou o ritmo da acção mais intenso. Considerei, portanto, a trama deveras entusiasmante, ainda que prefira as comuns investigações policiais à eminência de um atentado com vista à execução de um golpe de estado.

É uma obra que está claramente descontextualizada contudo não pude deixar de relembrar saudosos tempos em que eu própria me via desesperada com as cassetes para gravar filmes e outros programas e, em caso negativo, escolher escrupulosamente uma cujo conteúdo pudesse ser gravado por cima. É com esta metodologia que Henrique quer ver um jogo de futebol, embora parecendo-me um pouco contraproducente vê-lo em diferido.

Em suma, embora seja um livro antigo e descontinuado, fazendo com que seja provavelmente difícil de encontrá-lo, creio que carece a nossa atenção. Além de nacional, Dick Haskins é, para mim,  literatura policial de qualidade, ainda que este título seja bastante peculiar. Os amantes do género sentir-se-ão agradados com esta história e, em termos gerais, não há como sentir alguma nostalgia da época.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Liz Lawler - Não Adormeças [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Don´t Wake Up, traduzido cá como Não Adormeças (simplesmente não consigo compreender a tradução contraditória do título para português que, na minha modesta opinião, deveria ser Não Acordes) é o thriller de estreia da autora britânica Liz Lawler. Pelo que pude apurar, a actividade profissional da autora relacionou-se com Enfermagem, o que terá, certamente, contribuído para a construção desta fantástica história.

O ambiente, maioritariamente situado em contexto hospitalar, é, a meu ver, o ponto forte da trama, sendo também o aspecto que destaca esta obra dos demais thrillers que tenho lido. Relembrou-me, de certa forma, as histórias de Robin Cook, as quais têm o condão de me transportar para um estado de hipocondria que, confesso, nunca sinto aquando da leitura de outros títulos do género, por mais violentos que sejam. Confesso que revivi esse estado de espírito durante a leitura de Não Adormeças. Creio que nem todas as obras têm este poder de mexer tanto com o leitor.

A trama inicia-se com um sinistro episódio: não tive como não me imaginar ali, numa marquesa, imobilizada e à mercê de um estranho. Embora desconheçamos o que terá acontecido à Dra. Alex, não há como não sentir algum desconforto com a situação e, na minha opinião, esta ocorrência foi determinante para que surja uma empatia quase imediata com a protagonista.

Portanto, a trama cativou-me e prendeu a minha atenção desde o primeiro instante.

Ainda que a protagonista seja médica, uma actividade profissional de elevada consideração, o suspense da história advém da convicção da Dra. Alex em provar o que lhe aconteceu ou melhor, o que ela acha que aconteceu. No meu ponto de vista, o leitor ficará convencido que os acontecimentos do primeiro capítulo são reais, não obstante pairar a dúvida se terá sido apenas uma alucinação da protagonista.
Tal como a grande parte dos thrillers psicológicos publicados ultimamente, a personagem principal não é confiável, facto que dificulta a tarefa de tentar descortinar o sucedido, contudo, no caso em apreço, a situação inicial poderá ser confundida com um episódio psicótico, o que, a meu ver, reforça  o suspense da trama na perfeição.

O desenvolvimento, repleto de situações sufocantes e falsas pistas, entrosadas com crimes bem suspeitos, facto que se revelou deveras entusiasmante. Senti-me genuinamente intrigada com a história e, acima de tudo, com a impossibilidade em apontar um vilão. Gostei de ler algumas considerações mais técnicas do foro médico, uma área que sempre me fascinou.

Creio que o factor que constitui a maior surpresa relaciona-se com o desvendar da identidade do vilão, bem como das motivações do mesmo. Desse modo estamos perante um clímax digno desse nome.
Em suma um thriller empolgante e diferente devido, como já frisei, ao ambiente no qual se desenrola.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Clare Empson - O Amor da Minha Vida [Divulgação ASA]


Data de publicação: 10 Julho 2018

               Título Original: Him
               Preço com IVA: 16,90€ 
               Páginas: 368
               ISBN: 9789892342740

Sinopse: CATHERINE deixou de falar. Algo a perturbou de tal forma que não consegue comunicar. Ninguém sabe o que foi. Para a ajudarem, os médicos terão de desvendar esse mistério. E começar pelo seu passado… por ele.
LUCIAN. O grande e único amor de Catherine, a quem ela abandonou uma noite, sem qualquer explicação, estilhaçando a vida de ambos. Anos depois, Catherine e Lucian voltam a encontrar-se. Tudo pode acontecer pois a paixão que os uniu mantém-se… mas sobre eles pesa ainda o segredo daquela noite fatídica. Catherine sabe que chegou o momento de o revelar. Será a verdade capaz de salvar este amor imenso que nem o tempo conseguiu esmorecer? Ou irá destruí-los de novo, arrastando-os irremediavelmente para o abismo?
O que acontece a seguir está na origem do silêncio de Catherine.
O que acontece a seguir… é a única coisa que ninguém podia prever. 

Sobre a autora: Clare Empson escrevia artigos para vários jornais ingleses até há oito anos, quando se mudou para o Sudoeste do país.
Nessa altura, começou o blogue de lifestyle e cultura countrycalling.co.uk.
Foi o cenário idílico que a rodeia o mote que inspirou o seu romance de estreia O Amor da Minha Vida.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Liz Lawler - Não Adormeças [Divulgação ASA]


Data de publicação: 29 Maio 2018

               Título Original: Don´t Wake Up
               Preço com IVA: 16,90€ 
               Páginas: 336
               ISBN: 9789892342337

Sinopse: Alex Taylor acorda sobressaltada. Está imobilizada e presa à mesa de um bloco operatório. Não faz ideia do que lhe aconteceu. Não imagina o que a espera.
De repente, apercebe-se de que não está sozinha. Na sala, encontra-se também um homem. Mas não se trata de um médico. É, sim, alguém que não só não a liberta como a obriga a fazer uma escolha inimaginável.
Quando Alex recupera os sentidos, tudo não parece passar de um pesadelo medonho. Um pesadelo que está longe de acabar pois não há quaisquer indícios do que aconteceu, e ninguém acredita nela. Mas Alex é incapaz de esquecer. Ostracizada pelos colegas, pela família e pelo namorado, Alex pergunta-se se não estará a ficar doida…até que aparece uma segunda vítima…

Não Adormeças é um thriller tão arrepiante que não o vai conseguir pousar. Tão aterrador que não vai falar noutra coisa.

Sobre a autora: Liz Lawler vem de uma família com catorze filhos, e cresceu a ter de partilhar tudo. Trabalhou durante mais de vinte anos como enfermeira, depois como diretora  de um hotel de cinco estrelas, mas sempre foi uma apaixonada por livros.
Vive atualmente em Bath com o marido. 
Não Adormeças é o seu primeiro romance.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Elle Croft - A Mulher Culpada [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O thriller de estreia de Elle Croft intriga desde os instantes iniciais. Tomamos conhecimento que a protagonista, Bethany, tem uma relação amorosa com Callum, todavia, rapidamente nos apercebemos que o seu marido é Jason. Através de uma narrativa feita sob a perspectiva de Bethany, os leitores são levados a crer que esta se terá apaixonado pelos dois homens, envolvendo-nos na história tentando criar uma certa empatia com a aludida protagonista. Creio que, desta forma, a autora encontrou um modo de substituir o rótulo de "adúltera", com conotação claramente negativa, para passar a vítima das circunstâncias.

Actualmente está em voga o subgénero de thriller que se debruça sobre as relações matrimoniais. E visto nessa perspectiva, A Mulher Culpada acaba por se distanciar dos demais. É certo que, com o desenrolar da história, o suspeito número um tenderá a ser o marido, passando a história a girar em torno do casamento disfuncional, todavia a autora deu um rumo menos óbvio à história. 
Inicialmente de cariz romântico, a componente thriller da trama revela-se quando Callum é encontrado morto e Bethany começa a ser ameaçada. Alegadamente alguém a quer ver envolvida neste crime.

Confesso que tenho um fraquinho por histórias de obsessão que, na presente história, se revela através de uma série de cartas e fotografias que inquietam a protagonista. Embora esta seja, aparentemente, inocente do crime, tem outros segredos a esconder, o que aumenta exponencialmente o interesse na trama. Como sabem gosto de personagens que possuem esqueletos no armário. O facto da história ser narrada na perspectiva de Bethany faz com que, simultaneamente, sintamos, como já referi, uma maior empatia com a personagem.

Existem poucas personagens que possam ser suspeitos, facto que intensificou a minha curiosidade na busca pelo deslindar do quebra cabeças que Croft propõe. À medida que a história se desenvolve, os suspeitos vão sendo, de certa forma, ilibados, o que me deixou ainda mais intrigada.

O ponto menos positivo da obra atribuo ao final. Para mim, o desfecho foi algo confuso e decepcionante talvez em resposta ao número limitado de suspeitos. Desse modo creio que a autora tinha pouca margem de manobra para nos surpreender. Ainda assim, creio que a trama carecia de um final mais empolgante e intenso.

Em suma, um thriller psicológico auspicioso. Peca apenas pelo desfecho, pois, pessoalmente, teria gostado de uma conclusão mais surpreendente. 


terça-feira, 24 de abril de 2018

Aimee Molloy - Uma Mãe Perfeita [Divulgação ASA]


Data de publicação: 8 Maio 2018

               Título Original: The Perfect Mother
               Preço com IVA: 16,90€
               Páginas: 336
               ISBN: 9789892342351

Sinopse: Quatro amigas encontram-se num jardim em Brooklyn, Nova Iorque. São mães há pouco tempo e debatem-se com as exigências das suas novas vidas. Colette é escritora e sonha em dedicar mais tempo à família. Nell é especialista em cibersegurança e quer fugir a um passado sombrio. Francie pretende ser mãe a tempo inteiro e, assim, expiar segredos antigos. E Winnie, atriz famosa…
Winnie quer apenas o filho de volta.
É que alguém aproveitou a única noite em que as amigas saíram sem as crianças para raptar o pequeno Midas. E agora que a investigação policial parece ter chegado a um impasse, Nell, Colette e Francie unem-se, determinadas a encontrá-lo… mesmo que tenham de agir a coberto das sombras.
Colette está a escrever um livro que lhe dá acesso a ficheiros policiais confidenciais.
Nell utiliza os seus dons de hacker para invadir sites privados.
Francie assiste a um talk-show sensacionalista que ninguém admite ver mas que segue obsessivamente o caso e transforma o rumo das vidas de todas.
E há ainda um pai. Um enigmático e afetuoso pai… 

Sobre a autora: Aimee Molloy é autora de vários livros de não ficção. Uma Mãe Perfeita é o seu primeiro romance.



The Detection Club - Seis Crimes (Im)Perfeitos [Divulgação ASA]


Data de publicação: 24 Abril 2018

               Título Original:
               Preço com IVA: 14,90€
               Páginas: 272
               ISBN: 9789892341798

Sinopse: Será possível cometer o crime perfeito? Poderá um homicídio ser executado com tanta perícia que seja impossível de resolver, até pelo mais astuto dos investigadores? Nesta coletânea singular, os mestres do policial Margery Allingham, Anthony Berkeley, Freeman Wills Crofts, Ronald Knox, Dorothy L. Sayers e Russell Thorndike vão tentar fazer isso mesmo: descrever o “seu” crime perfeito… capaz até de iludir o superintendente Cornish da Scotland Yard. Ele, por sua vez, irá dar o seu parecer quanto à genialidade (ou não!) dos cenários propostos… E Agatha Christie, a Rainha do Crime, é claro, não podia ficar de fora… é da sua autoria um ensaio sobre o mistério – real e nunca resolvido – dos Envenenamentos de Croydon. Escrita por algumas das mentes da ficção policial mais criativas do século XX, Seis Crimes (Im)perfeitos é a antologia mais que perfeita para os aficionados do crime… do crime perfeito, pois claro!

Sobre o autor: O The Detection Club foi formado em 1930 por um grupo de escritores britânicos: Agatha Christie, Dorothy L. Sayers, Ronald Knox, Freeman Wills Crofts, Arthur Morrison, John Rhode, Jessie Rickard, Baroness Emma Orczy, R. Austin Freeman, G.D.H. Cole, Margaret Cole, E.C. Bentley, Henry Wade, e H.C. Bailey. Este clube era presidido por G.K. Chesterton.

Anteriormente publicados
 



segunda-feira, 5 de março de 2018

Elle Croft - A Mulher Culpada [Divulgação Editorial ASA]


Data de publicação: 27 Março 2018

               Título Original: The Gulty Wife
               Preço com IVA: 16,00€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789892341545

Sinopse: Bethany Reston é uma fotógrafa de sucesso e tem um casamento feliz. Quando consegue um cliente de renome, o bilionário Calum Bradley, sabe que a sua carreira vai prosperar. O que não sabe é que a relação profissional dará lugar a um tórrido caso extraconjugal.
Não foi premeditado. Mas aconteceu. É avassalador. E ninguém – ninguém – pode descobrir.
Quando Calum aparece morto, tendo sido apunhalado em plena estação de metro – o último local onde Bethany se encontrou com ele – ela sofre duplamente. Pela perda de um grande amor. E por não poder partilhar a sua dor. Acima de tudo, tem de manter as aparências.
Mas alguém sabe o seu segredo. Alguém que está agora a ameaçá-la... lenta e impiedosamente.
Com o cerco a apertar, e as provas contra ela a avolumarem-se, só há uma forma de Bethany provar a sua inocência: tem de encontrar o assassino.
Mas todos, polícia incluída, parecem cada vez mais convencidos de que a assassina... é ela.
Será? 


Sobre a autora: Elle Croft nasceu em África do Sul e cresceu na Austrália.
É blogger, copywriter e escritora. Adora viajar e descobrir coisas novas, e o seu blogue dedica-se a viagens e gastronomia. Quando não está a percorrer o mundo, vive em Londres e dedica-se à escrita.
A Mulher Culpada é o seu primeiro romance.



domingo, 11 de fevereiro de 2018

Robert Goldsborough - O Caso de Nero Wolfe [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: É com alguma vergonha que revelo nunca ter lido nada (ainda) de Rex Stout. Na realidade, deixo-me fascinar pelas novidades editoriais que os clássicos vão ficando para trás, com muita pena minha.
Por isso, foi com O Caso de Nero Wolfe que tive contacto, pela primeira vez, com as personagens icónicas criadas por Rex Stout. Poder-se-ia até dizer que este livro funciona como uma prequela da série desenvolvida por Stout uma vez que recria o encontro de Archie Goodwin com Nero Wolfe, originando a parceria que eles desenvolvem no decorrer dos casos criados por um dos clássicos mestres policiais.

Como tal, e dadas as circunstâncias, basear-me-ei apenas na presente obra para fazer algumas observações referentes às personagens centrais. Creio que estarão fidedignas com o registo de Stout. 

O Caso de Nero Wolfe é um cozy mystery muito simpático que integra a colecção Crime à Hora do Chá. Apesar de ser uma obra publicada em 2012, está muitíssimo bem contextualizada na época. 
A descrição primorosa sobre o ambiente do autor transportou-me para a sociedade nova-iorquina dos anos 30, altura em que se sentiram os efeitos da Grande Depressão. 

Relativamente ao caso policial, este começa por ser um sequestro de uma criança, o Tommie de apenas oito anos. Senti-me surpreendida quando foi revelada, a poucas páginas do início, a resolução deste caso e temi que a trama não voltasse a surpreender até ao final. Contudo, este rapto trouxe algumas implicações que me agradaram. 
Um outro aspecto que me satisfez foi a descrição da família de Tommie. Talvez por já não haver esta tradição, a dinâmica na casa da criança, com toda uma interacção entre os serviçais, mordomo e donos da casa fez-me lembrar a afamada série Downton Abbey.

Gostei de conhecer o emblemático Nero Wolfe e questiono-me se a personagem também não participa tão activamente como na presente trama. Refiro-me a ele nesta forma pois Wolfe cinge-se a ficar em casa, a analisar e relacionar factos decorrentes dos testemunhos de Archie.
Apercebi-me que Wolfe é excêntrico e só me apetece comprovar e ler um livro escrito por Rex Stout. Creio que a publicação desta obra poderá potenciar a leitura dos clássicos policiais do autor que criou a personagem.

O ritmo da história é lento, à semelhança dos policiais ditos clássicos, e a investigação do caso entrelaça com um enquadramento da época. A trama é desprovida de elementos chocantes. Como certamente sabeis, sou uma leitora que dá primazia às tramas mais violentas com pormenores mais sórdidos. 
No entanto, ler um mistério destes é um guilty pleasure. São histórias que primam pela dedução lógica na resolução dos casos e tenho para mim que é apreciar a literatura policial na sua essência.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Robert Goldsborough - O Caso de Nero Wolfe [Divulgação ASA]


Data de publicação: 23 Janeiro 2018

            Título Original: Archie Meets Nero Wolfe: A Prequel to Rex Stout’s Nero Wolfe Mysteries
               Preço com IVA: 13,90€
               Páginas: 272
               ISBN: 9789892340821

Sinopse: Em 1930, o jovem Archie Goodwin chega a Nova Iorque ansioso por viver em primeira mão o frenesim da cidade. Esse excesso de entusiasmo começa por lhe trazer dissabores mas acaba por lhe dar notoriedade suficiente para iniciar uma carreira de investigador. Mas será o rapto de Tommie Williamson, filho de um magnata, a pôr Archie frente ao homem que alterará o rumo da sua vida para sempre.
O desaparecimento do pequeno Tommie, de oito anos, está a deixar Nova Iorque em alvoroço. Apenas uma pessoa parece ter a capacidade de deslindar este caso: o genial e excêntrico Nero Wolfe. Mas o detetive vive em luxuosa reclusão e vai precisar de ajuda no terreno. Archie quer desesperadamente encontrar o rapazinho e mostrar que tem a aptidão necessária para formar uma parceria com Wolfe… mas conseguirá ele aquilo que nunca ninguém conseguiu antes?
O Caso de Nero Wolfe fala-nos das origens do duo detetivesco criado por Rex Stout. Robert Goldsborough capta gloriosamente o espírito da Nova Iorque dos anos 30 e revela como Nero Wolfe e Archie Goodwin uniram forças e se transformaram em lendas da literatura policial.

Sobre o autor: Robert Goldsborough nasceu em 1937 em Chicago, Estados Unidos da América. Trabalhou 45 anos para o jornal Chicago Tribune e no Advertising Age. Com o consentimento dos familiares de Rex Stout, Goldsborough escreveu a primeira obra nos 1980s protagonizada por Nero Wolfe, personagem criada por Stout. Escreveu posteriormente mais seis romances policiais protagonizados por esta personagem.
Recentemente o autor escreve com recurso a personagens criadas por si. O primeiro foi Three Strikes You're Dead, trama com lugar em Chicago e protagonizado por um jornalista do Tribune, Steve Malek.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Jane Robins - Corpos Perfeitos [Divulgação ASA]


Data de publicação: 14 Novembro 2017

               Titulo Original: White Bodies
               Preço com IVA: 15,90€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789892340654

Sinopse: Tilda e Felix aparentam ser o casal perfeito. São jovens e belos. Ela é uma atriz em ascensão. Ele é rico e especialista em finanças. Mas, por detrás da fachada de harmonia, nem tudo é o que parece...
Pois Callie, a tímida irmã gémea de Tilda, tem observado o casal de perto. Algo não bate certo. Desde a perda de apetite à decisão de deixar de trabalhar, tem de haver um motivo para os estranhos comportamentos da irmã. Tilda parece definhar, adquiriu hábitos invulgares, esconde seringas na casa de banho, tenta disfarçar nódoas negras... A Callie também não passaram despercebidas as fúrias incontroláveis de Felix.
Intrigada, Callie recorre à Internet, onde conhece um grupo de apoio a vítimas de maus-tratos. Mas a situação não tarda a descarrilar. Quando uma das suas novas amizades é assassinada, a jovem começa a duvidar de si própria. E, de repente, também Felix aparece morto. Não há indícios de crime, mas esta morte parece demasiado perfeita...
Suspense psicológico no seu melhor, Corpos Perfeitos dá-nos uma nova perspetiva sobre a obsessão, a violência que infligimos aos outros – e a nós próprios – ao mesmo tempo que revela o lado obscuro do amor e a força tremenda dos laços de fraternidade.

Sobre a autora: Jane Robins começou a sua carreira como jornalista no The Economist, The Independent e na BBC. Especializou-se na escrita do crime e tem um particular interesse na história da ciência forense. Robins publicou três livros de não ficção no Reino Unido, Rebel Queen (Simon & Schuster, 2006), The Magnificent Spilsbury (John Murray, 2010), e The Curious Habits of Doctor Adams (John Murray, 2013).
Ultimamente ela tornou-se membro do Royal Literary Fund.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Michelle Richmond - O Pacto [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Um dos livros que lidos em 2013 (e apreciados, diga-se) foi O Ano do Nevoeiro de Michelle Richmond, razão pela qual quis ler O Pacto. Alicerçado sobre uma premissa bem diferente (afinal de contas, O Ano do Nevoeiro debruçava-se sobre o desaparecimento de uma criança), O Pacto conta a história de Jake e Alice, um casal que recebe, como presente de casamento, um convite para entrar numa associação denominada O Pacto.

Antes de mais, e sendo esta uma perspectiva pessoal, o matrimónio requer empenho e compromisso. Creio que nunca precisará de um culto (e uso esta palavra pois é o que realmente aqui se passa) para fortalecer a relação entre os conjugues. Havendo vontade e perseverança, acredito que um casamento poderá resultar ao longo de vários anos e felizes.
Com isto quero dizer que achei a premissa do livro um pouco descabida. Tenho conhecimento que, de facto, existem vários cultos e sociedades secretas por aí mas não me parece que passem pela instituição que é o casamento. Tenho que para mim que se prendem com outro tipo de convicções mais fortes, nomeadamente políticas. Não me parece que uma relação matrimonial, numa escala tão reduzida, possa ser tão interessante ao ponto de haver um culto que interfira na relação alheia e que a estereotipe, como acredito que seria a pretensão deste Pacto. 

Portanto, para mim, a trama foi um pouco inverosímil. O estranho é que me viciou. Estava sempre expectante sobre qual seria a próxima provação do casal. Pois a trama é, como será de esperar, sobre um casal que está num clube, inicialmente cor de rosa, e depois descobrem-se os vários podres. Daí achar que a trama aborda o drama de quem quer libertar-se de uma associação secreta ou culto (afinal de contas, a informação é uma arma assaz poderosa). Avaliei esta componente como cliché.
Francamente considerei que a maior parte dos acontecimentos eram expectáveis muito embora desconhecesse quais eram os limites deste dito Pacto. Creio que o interesse da trama assenta precisamente sobre este ponto.

A história é narrada por Jake e é interessante ver como é que um homem percepciona a situação. Curiosas são as várias considerações do protagonista sobre o casamento, decorrentes da experiência dele como terapeuta matrimonial (mais uma razão para repelir a entrada do Pacto nas suas vidas).

Como tento explicar, há algumas incongruências na história. Tenho para mim que seria altamente improvável que um casal tão feliz como Jake e Alice adoptasse os pressupostos do Pacto para fortalecer a sua relação. E a isto, junta-se o facto de Jake trabalhar no meio de casais disfuncionais, tendo um know how para tapar algumas brechas que, eventualmente, a relação pudesse criar. Sem interferência de terceiros.

Li a obra em versão ebook mas estive com o livro físico na mão e apercebi-me que ultrapassa as 500 páginas. Creio que peca pelo excesso de páginas. Apesar do meu estranho constante interesse em saber mais sobre a história, confesso que por vezes sentia-me um pouco cansada. Na minha opinião, de certa forma, havia alturas em que a história se arrastava demasiado.

O último ponto que considero ter falhado foi o final. Para mim, este foi completamente anticlimático. Apesar de ser coerente com a história, pessoalmente teria gostado de ser surpreendida no final com uma revelação intensa. Fiquei desiludida com o facto da autora ter fechado a longa história de forma muito linear.

Resumindo, pelas razões que mencionei, e comparando esta obra com a antecessora da autora, considero que O Pacto ficou muito aquém.

domingo, 3 de setembro de 2017

Jane Harper - A Seca [Opinião]

 

Sinopse: AQUI

Opinião: Livro de estreia da australiana Jane Harper, A Seca é uma obra muitíssimo bem escrita com cenário na árida região de Kiewarra, de onde é natural o protagonista, Aaron Falk. Este regressa à cidade após saber que o melhor amigo, Luke, se suicidara após ter morto a mulher e o filho em circunstâncias duvidosas. 

O ponto de interesse da trama vai muito além deste mistério que envolve a morte da família. Logo nas primeiras páginas, surge um estranho pressentimento de que a tragédia teria uma outra explicação que não a que aparentava. Além disso, a outra componente intrigante é a razão pela qual Aaron se afastou da sua cidade natal quando era adolescente. Há um segredo que o protagonista leva consigo e que associa Luke.
Assim, na minha opinião, esta obra apresenta duas subtramas, igualmente estimulantes, que captam o interesse do leitor. Além disso, a comunidade é fechada e conservadora: os habitantes parecem recordar o que aconteceu há tantos anos atrás e que envolveu Aaron. 
Poder-se-á dizer que o ritmo da trama por vezes se arrasta, conduzindo o leitor a falsas pistas. 

É consensual afirmar que a temática dos segredos num meio como este, acaba por ser bastante intrigante. Influi também na caracterização das personagens, algumas das quais revelam um carácter dúbio.

Foi, para mim, um prazer descobrir as pequenas pistas que Aaron ia recolhendo, embora naquele ambiente de quase bullying. No meu íntimo, estava cada vez mais curiosa em saber a razão pela qual esta personagem era tão detestada pelos populares. Fazia-me alguma como é que a população adulta tinha um comportamento daquela natureza para com Aaron. E acima de tudo, questionava-me se o protagonista tinha, de facto, feito algo tão grave para ser recebido daquela forma quando era precisamente a personagem com quem mais me liguei.

O desfecho foi muito intenso. Além de desvendar a verdade sobre a morte da família, segue-se um feedback que revela o que acontecera então na adolescência de Aaron. No final, senti-me assoberbada com tantas emoções.

Não aponto nenhum ponto negativo. A escrita é irrepreensível. A autora transportou-me até à árida Austrália e para mim foi um prazer acompanhar a investigação do caso, bem como deslindar o passado de Aaron, uma personagem que deixará saudades (numa breve pesquisa no Goodreads, verifiquei que já foi publicado lá fora um segundo livro protagonizado por Falk, pelo que me perguntarei a mim mesma se tardará a chegar até cá. Espero que não).

Recomendo sem reservas.


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Anna Ekberg - A Mulher Secreta [Divulgação ASA]


Data de publicação: 29 Agosto 2017

               Título Original: Den hemmelige kvinde
               Preço com IVA: 17,00€ 
               Páginas: 480
               ISBN: 9789892339610

Sinopse: O que faria se descobrisse que a sua vida não é sua?
Louise tem tudo para ser feliz. Gere um café que adora numa ilha dinamarquesa, onde mora com o namorado, Joachim. E Louise é, de facto, feliz. Até ao dia em que um homem entra no café e vira a sua vida do avesso. Trata-se de Edmund, que jura que Louise se chama, na verdade, Helene, e é a sua mulher, desaparecida há três anos. E tem provas...
Depressa se torna evidente que Louise não é quem julga ser. É, sim, Helene Söderberg, herdeira de uma vasta fortuna, proprietária de uma grande empresa, mãe de dois filhos pequenos e casada com um marido dedicado. Mas há perguntas que permanecem sem resposta. Porque é que ela não se lembra de nada? Quais são os seus planos para o futuro quando desconhece por completo o passado? Conseguirá recuperar o amor dos seus filhos? E os sonhos que partilhou com Joachim?
Obrigada a retomar a sua vida misteriosamente interrompida, Helene é posta à prova de uma maneira tão brutal quanto comovente. Mas no seu coração continua a existir um lugar especial para Louise, a mulher que, por momentos, viveu a vida dos seus sonhos.
Um thriller romântico intenso e visceral sobre traição, ganância, laços de família... e um amor avassalador.


Sobre a autora: Anna Ekberg é o pseudónimo da dupla Anders Rønnow Klarlund e Jacob Weinreich, que resolveu enveredar por um novo género literário: o thriller romântico.
Os autores já colaboraram igualmente sob o pseudónimo A. J. Kazinski, com grande sucesso.

Anders Rønnow Klarlund trabalhou como realizador e argumentista.
Jacob Weinreich é autor de livros infantis, juvenis, argumentos, radionovelas, podcasts e romances.


Michelle Richmond - O Pacto [Divulgação ASA]


Data de publicação: Setembro 2017

               Título Original: The Marriage Pact
               Preço com IVA: 17,90€ 
               Páginas: 512
               ISBN: 9789892339986

Sinopse: Alice e Jake, apaixonados e recém-casados, recebem um insólito presente de casamento: uma chave que lhes permite a entrada num clube secreto chamado O Pacto. Ambos têm fortes motivos para acreditar que não terão nada a perder. Muito pelo contrário. Todos os seus membros são bem-sucedidos e aparentemente felizes. E, à primeira vista, as regras parecem fazer todo o sentido.
O objetivo do clube? Um casamento feliz e duradouro. E também festas glamorosas, amizades fortes, uma sensação de comunhão com os outros participantes, que apenas querem o melhor uns para os outros.
E tudo corre bem... até ao dia em que alguém quebra uma das regras...
Pois, à semelhança do matrimónio, O Pacto deve ser um compromisso para toda a vida. Alice e Jake depressa descobrem que, para que assim seja, vale absolutamente tudo. O seu casamento de sonho está prestes a tornar-se um tremendo pesadelo. Será o amor deles realmente para a eternidade? Ou terão ambos cometido um erro fatal?
Suspense psicológico num ritmo alucinante, esta obra de Michelle Richmond é intensa, aterradora e... irresistível. 


Sobre a autora: Michelle Richmond é uma escritora e ensaísta americana. Nasceu em Demopolis, Alabama, nos Estados Unidos da América. Já anteriormente premiada, como autora de ficção, O Ano do Nevoeiro é o seu segundo romance e foi, em 2007, um bestseller dos mais importantes jornais americanos.

Anteriormente publicado


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Dick Haskins - O Sono da Morte [Opinião]


Sinopse: Todos os indícios encontrados incriminavam Hilda Morgan, acusando-a da morte do tio, o milionário Gustav Eric Morgan: um pedaço de tecido de um vestido de noite preso no degrau de uma escada secreta, o facto de ter sido ela a última pessoa que estivera com Morgan nos seus derradeiros minutos de vida, a justificação de uma herança antecipada… e a própria confissão de culpa manuscrita e assinada por ela!
Mas seria realmente Hilda Morgan a autora da morte do tio?

Opinião: Finalmente estreio-me nas obras de Dick Haskins! 
Hoje em dia são um pouco difíceis de reunir esta colecção (a revista Sábado há uns tempos editou umas obras da sua autoria mas só eram quatro).

O Sono da Morte foi precisamente a primeira que ele escreveu, em 1955, tendo como particularidade a de ser também participante na história. Não sendo inspector, desenvolve um papel fulcral na trama como repórter criminologista que ajuda a Scotland Yard a descortinar o caso. Pelo que pude constatar, na altura só vingavam os policiais estrangeiros pelo que o pseudónimo do autor, trama e personagens (que nos remetem para um cenário britânico) dever-se-á, muito provavelmente, para a maior aceitação do público português.

É um livro que me fez revisitar obras do Ellery Queen ou Agatha Christie por ser um policial da escola clássica. O whodunnit assume um particular destaque uma vez que a acção se move em torno da identidade do homicídio de um milionário e todas as pistas apontam para a sobrinha. 
Um dos ingredientes da literatura policial que mais aprecio é que, por norma, o mais óbvio nunca é o caminho seguido. Assim, foi com interesse que acompanhei a investigação, maioritariamente por inquérito, por parte de Haskins e a Scotland Yard, em busca do verdadeiro culpado desta morte.

O autor (e participante na trama) inclui uma breve lista das personagens antes de iniciar a história, de forma a que o leitor saiba quem é cada um. Uma nota que, pessoalmente, considero importante. O carácter das personagens não e profundamente esmiuçado (creio que a história foca-se na investigação do crime), pelo que achei interessante a inclusão desta lista, permitindo o leitor associar e reter melhor a identidade dos participantes na trama.

É um livro que se lê rapidamente devido ao seu reduzido número de páginas. Além disso, a história não se torna maçuda, há sempre desenvolvimentos na acção, outras mortes e até um leve romance do protagonista com uma personagem minha homónima (confesso que até achei piada, não costumo ver muitas Veras na literatura), não obstante considerar que logo no epílogo ele desvenda demasiado sobre este caso amoroso. Este foi o ponto que considerei previsível. Já o desfecho, mais concretamente a identidade do homicida, creio que provou ser uma surpresa e gostei da forma como foi revelado, numa reunião das personagens, relembrando-me o mítico Poirot que desvendava o crime em moldes bastante similares.

Na estante constam mais algumas obras do autor. Quero torná-lo mais constante nas minhas leituras, de forma a conhecer melhor este autor que foi um marco na literatura policial portuguesa.