terça-feira, 28 de julho de 2020

Joël Dicker - O Enigma do Quarto 622 [Opinião]




Sinopse: AQUI

Opinião: Consta que esta é a obra mais pessoal do autor por tecer algumas considerações sobre a sua vida que incidem, sobretudo, sobre o editor Bernard que faleceu pois este foi o seu grande mentor. Dicker não esquece, portanto, as suas influências mais positivas e recorre com alguma frequência a episódios protagonizados por si e pelo editor, de forma a que o mesmo esteja bastante presente na trama. Este livro traduz, então, uma homenagem poderosíssima ao editor.

Creio que será consensual afirmar que uma das percepções mais imediatas que a obra desperta prende-se com a dúvida: teria ou não Dicker estado neste hotel e feito a investigação que nos relata? O escritor terá, de facto, contribuído para a resolução deste insólito caso que acaba, inevitavelmente, por nos envolver?
A juntar a esta questão há uma outra, apenas desvendada na página 417: quem terá sido morto naquele quarto? Apesar de termos conhecimento do crime cometido no quarto 622, desconhecemos a identidade do cadáver, permanecendo como um dos grandes mistérios que a trama encerra.

Estamos, por isso, perante uma obra que nos coloca várias questões logo nas páginas iniciais, contribuindo para um inevitável e imediato interesse pela trama. Pessoalmente, nos primeiros instantes de leitura senti-me bastante intrigada com a narrativa. Contudo, e à semelhança de A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert, esta dose de mistério é diluída por uma sobrecaracterização das personagens. O intuito do autor é claro - este pretende que sintamos empatia pelas protagonistas - e devo sublinhar que Dicker cumpre este objectivo de forma exímia. É impreterível não nos enredarmos nestas personagens e nas suas histórias de vida que ele nos conta com um nível de detalhe incomum, especialmente se tivermos em conta que o presente título se encaixa no género policial.

Desta forma, devo dizer que considerei o ritmo bastante moroso ainda que nos afeiçoemos às personagens e se torne um prazer ler sobre as mesmas. Contudo, tenho um ponto de vista muito peculiar, de quem apenas lê este género - e, por conseguinte, torno-me um pouco ansiosa com a componente criminal propriamente dita - pelo que me senti algo impaciente para que começasse a verdadeira investigação do caso. Como referi, esta sucede numa fase tardia da obra pelo que a partir da página 417, a trama assume uma vertente de cariz mais policial, o que me agradou sobremaneira.

Gostei dos inúmeros episódios e memórias que o autor partilha sobre a sua vida pessoal, fazendo com que, de certa forma, o leitor se sinta mais familiarizado com Dicker. O cenário apaixonante dos Alpes suiços parecem-me ser um destino a manter debaixo de olho.

Em suma, O Enigma do Quarto 622 parece ser uma obra muito bem pensada. A subtrama relativa à investigação é instigante e apresenta contornos bastante surpreendentes. Os personagens descritos pelo autor possuem uma invulgar sensação de entranhar no leitor e as peripécias protagonizadas por Dicker tornam a obra ainda mais especial, culminando num singelo e honroso tributo ao seu editor.
Uma obra que, por estes motivos, se torna mágica e notável. 


segunda-feira, 20 de julho de 2020

Jørn Lier Horst & Thomas Enger - Ponto Zero [Divulgação Dom Quixote]



Data de publicação: 21 Julho 2020

               Titulo Original: Nullpunkt
               Tradução:
               Preço com IVA: 19,90€
               Páginas: 480
               ISBN: 9789722070515

Sinopse: Oslo, 2018. A célebre ex-corredora de longa distância Sonja Nordstrøm não chega a aparecer para o lançamento da sua polémica autobiografia, Para sempre Número Um. Quando, nesse mesmo dia, a obstinada jornalista de celebridades Emma Ramm procura Nordstrøm em sua casa, encontra a porta aberta e sinais de luta no interior. E, estranhamente, um dorsal com o número «um» colado no meio do ecrã da televisão da sala.
O detetive Alexander Blix é nomeado para liderar a investigação do desaparecimento da atleta, porém ele carrega ainda as cicatrizes emocionais de uma situação de refém ocorrida há muito tempo, quando abateu o pai de uma menina de cinco anos.
Vestígios de Nordstrøm começam a aparecer em diversos locais inesperados, mas o momento e a maneira como as pistas são descobertas parece ter sido cuidadosamente calculado.
Farão parte de um plano maior que ele ainda não está a conseguir ver? Blix e Ramm rapidamente unem forças, determinados a encontrar e a travar um assassino impiedoso, que tem um especial gosto em encenar os seus crimes e que está sedento de atenção mediática... O problema é que ele acabou de a provar pela primeira vez...

Sobre os autores: Jørn Lier Horst ganhou fama literária com a série William Wisting, que atingiu todos os tops de vendas e que foi adaptada a televisão. Ex-investigador da polícia norueguesa, Horst imbui todos os seus trabalhos de um realismo e suspense incomparáveis. Até ao momento, Horst criou duas séries policiais para adultos e outras duas para jovens leitores. Na Dom Quixote, estão publicados os seus livros Fechada para o Inverno (Prémio dos Livreiros da Noruega 2011), Cães de Caça (Prémio Riverton/ Revólver Dourado 2012, Prémio Chave de Vidro 2013 e Prémio Martin Beck 2014), O Homem das Cavernas (Prémio Petrona 2016) e A Porta Oculta.

Thomas Enger é o jornalista que se tornou autor da série Henning Juul, internacionalmente aclamada. A combinação de uma voz sombria e realista com mensagens de cariz social e enredos intrincados passou a ser a sua marca registada. Além de escrever ficção para adultos e jovens, Enger também trabalha como compositor musical. Em Portugal, estão publicados os seus livros Em Chamas e Dor Fantasma.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Stephen King - Escrever [Opinião]




Sinopse: AQUI

Opinião: Antes de mais, Escrever é uma reedição muito desejada pelo que devo congratular a Bertrand por ter ido ao encontro do apelo dos fãs de Stephen King.

Escrever - Memórias de um Ofício, é uma obra que, como se depreende pelo título, se dedica ao processo de escrita, um tema que considero interessante uma vez que sou uma ávida leitora ao mesmo tempo que equaciono, com alguma frequência, enveredar pela escrita do meu próprio thriller. Considero que este título é deveras inspirador: a minha percepção é que o autor incentiva o leitor a aventurar-se na escrita do seu próprio livro, seja ele que género for. A cada página que lia, mais reflectia naquelas ideias que fui tendo, ao longo dos anos, para escrever a minha história.

Contudo, não vejo este título como um livro exclusivamente de auto ajuda, se é assim que podemos categorizá-lo, por conter inúmeros dados biográficos do autor. Assim, tenho para mim que esta obra não é apenas para aqueles que pretendem escrever, esta destina-se, sobretudo, aos fãs de Stephen King.
Por me assumir grande seguidora do trabalho do autor, já conhecia vários dos factos que são descritos na obra, não obstante ter-me sentido deslumbrada por redescobri-los contados na primeira pessoa como as suas considerações sobre as primeiras obras, factos que considerei bastante interessantes, como fã de Carrie ou Misery que sou.

A vida de King não foi fácil, tendo passado por uma infância pautada pela escassez de dinheiro. Nas páginas iniciais, o autor revela algumas partidas de crianças, protagonizadas por si e pelo irmão, que me fizeram sorrir embora tenha sido sol de pouca dura. Os testemunhos do autor vão sendo progressivamente mais duros e acabei por ficar estarrecida com as revelações relacionadas com o consumo de álcool e, posteriomente, de drogas. A sua relação com substâncias ilícitas já era de conhecimento público embora conhecer estes factos, vindos do próprio testemunho do autor e sem qualquer tipo de floreado, de certa forma, fez com que passasse a admirar, ainda mais, o mestre do terror. Os seus relatos estão pejados de grande sinceridade.

Confesso não ser especialista a avaliar livros que não sejam de ficção, porém reconheço que esta obra tem uma magia muito própria. Tenho consciência que este sentimento será transversal àqueles que, tal como eu, admiram esta personalidade. Ter lido este livro fez-me sentir, de certa forma, mais próxima de Stephen King.

No final somos brindados com duas listas, uma delas mais actualizadas, com as preferências literárias do autor. Dei por mim a pesquisar pelos livros que não conhecia e a adicionar mais títulos à minha lista de aquisições.

Honestamente sinto que os livros a que estou habituada, de ficção, estão associados a uma componente de entretenimento, o que não correspondeu inteiramente à minha percepção com esta leitura. Além de me ter cativado com a sua história de vida, King também me ensinou, de certa forma, a escrever e a estruturar uma trama e incentivou-me para que um dia vá para a frente com o meu próprio manuscrito.

Estamos, por isso, perante uma obra do autor que sendo diferente das demais, é imperdível, sobretudo para os fãs do autor.


quarta-feira, 15 de julho de 2020

Harlan Coben - Não Fales Com Estranhos [Divulgação Presença]




Data de publicação: 15 Julho 2020
              
               Título Original: The Stranger
               Colecção: Minutos Contados #44
               Tradução:
               Preço com IVA: 16,90€
               Páginas: 312
               ISBN: 9789722366137

Sinopse: Um segredo destrói a vida perfeita de um homem e coloca-o em rota de colisão com uma conspiração impiedosa neste novo e empolgante thriller de Harlan Coben.
Um desconhecido aparece subitamente - talvez num bar, num parque de estacionamento, numa loja. Ninguém o conhece. Os seus motivos são pouco claros. O que diz é convincente. Murmura algumas palavras ao seu ouvido e desaparece, deixando-o a tentar reconstituir os pedaços de um mundo desfeito.
Adam Price tem muito a perder: um casamento feliz, uma mulher bela, dois filhos encantadores, e todos os ardis do Sonho Americano: uma casa espaçosa, um bom emprego, uma vida aparentemente perfeita.
De repente, surge aquele estranho que lhe revela um segredo devastador sobre Corinne, a sua mulher. Adam decide confrontá-la e a miragem da perfeição desaparece como se esta nunca tivesse existido. De um momento para o outro, ele vê-se enredado numa trama bem mais sinistra que a dolorosa desilusão causada por Corinne e apercebe-se então de que, se não agir habilmente, a conspiração de que é alvo não só arruinará vidas - acabará com elas.

Sobre o autor: Harlan Coben nasceu em 1962 na Nova Jérsia, onde vive com a mulher e os filhos. Foi o primeiro autor a vencer os três mais prestigiados prémios da literatura policial nos Estados Unidos da América, o Edgar Award, o Shamus Award e o Anthony Award. A sua obra encontra-se traduzida em cerca de 43 línguas e conta com mais de 60 milhões de exemplares vendidos. A crítica tem-lhe dispensado as mais elogiosas referências. A Presença publicou muitos dos seus bestsellers nesta coleção, entre os quais Falta de Provas, A Verdade nos Olhos, Seis Anos Depois e Apenas Um Olhar.


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Stephen King - Escrever [Divulgação Bertrand]


Data de publicação: 10 Julho 2020

               Título Original: On Writing
               Tradução: E. Santos
               Preço com IVA: 16,60€
               Páginas: 288
               ISBN: 9789722540018

Chamo-me Stephen King. Estou  a  escrever  a primeira  versão  desta  parte na minha  mesa  (aquela  sob  o  telhado  inclinado), numa manhã de neve de dezembro de 1997.

Tenho algumas coisas na cabeça. Escrever, a autobiografiada arte de Stephen King, será publicado a 10 de julho. Considerado pela Time um dos melhores 100 livros de não ficção  de todos os tempos, este registo de memórias do mestre  do suspense revela  a  sua  história familiar e, sobretudo, o relacionamento com a escrita.

Iniciada em 1997, esta obra permitiria a Stephen King falar sobre o seu trabalho e sobre  si.  Contudo,  em  1999,  um  grande  acidente quase  lhe  tirou  a  vida  e, nos meses de recuperação, o nexo entre a escrita e a existência tornou-se mais crucial do que nunca para o escritor. O resultado? Uma obra clara, útil e reveladora.

Escrever é um relato fascinante que, partindo da experiência concretado autor, proporcionará aos leitores uma nova perspetiva sobre a formação de um escritor, com conselhos práticos e inspiradores sobre todas as fases, desde o desenvolvimento da intriga e a criação das personagens até aos hábitos profissionais e à fuga ao trabalho. Publicada originalmente em folhetim na New Yorker e vivamente aclamada, esta obra culmina com um testemunho comovente do modo como a  necessidade irresistível de escrever estimulou a recuperação de Stephen King e o trouxe de  volta à vida.

Brilhantemente  estruturado e cativante, este livro ensinará – e divertirá – todos os que o lerem. Começa assim: coloque a mesa num canto e, sempre que se sentar para escrever, lembre-se da razão de ela não estar no meio da sala. A vida não é um suporte à arte. É exatamente o contrário.

Sinopse: Em 1997, Stephen King começou a escrever sobre o seu ofício e a sua vida. A meio de 1999, um acidente muito noticiado quase lhe tirou a vida e, nos meses de recuperação, o nexo entre a escrita e a existência tornou-se mais crucial do que nunca para o escritor. O resultado é uma obra clara, útil e reveladora. Escrever é, assim, um relato fascinante que, partindo da experiência concretado autor, proporcionará aos leitores uma nova perspetiva sobre a formação de um escritor, com conselhos práticos e inspiradores sobre todas as fases, desde o desenvolvimento da intriga e a criação das personagens até aos hábitos profissionais e à fuga ao trabalho. Publicada originalmente em folhetim na New Yorker e vivamente aclamada, esta obra culmina com um testemunho comovente do modo como a necessidade irresistível de escrever estimulou a recuperação de Stephen King e o trouxe de volta à vida. Brilhantemente estruturado e cativante, este livro ensinará – e divertirá – todos os que o lerem.

Sobre o autor: Romancista norte-americano, Stephen King nasceu em 1947 em Portland, no  Maine. Filho de um marinheiro, que abandonou a família em 1950, foi criado pela mãe, em Durham, juntamente com o seu irmão David. A mãe viu-se forçada a trabalhar precariamente para poder sustentar os filhos. Aos seis anos de idade, o jovem Stephen teve de se submeter à punção do tímpano por diversas vezes, experiência dolorosa que nunca conseguiria esquecer. Deu início aos seus estudos secundários na Lisbon Falls High School, onde começou a escrever contos ao mesmo tempo que fazia parte de um grupo amador de rock.
No ano de 1960, Stephen King submeteu o seu primeiro manuscrito para publicação, o qual seria rejeitado. Em 1974, estreou-se como autor com Carrie, a história de uma rapariga com poderes telecinéticos, um trabalho resgatado do lixo pela sua esposa, que sempre o encorajou a escrever. De início, a obra teve um sucesso modesto, mas, com a adaptação para cinema e com a publicação do romance A Hora do Vampiro (1976), conseguiu estabelecer-se no panorama literário internacional. 
Em junho de 1999, o escritor ficou gravemente ferido na sequência de um atropelamento por uma carrinha. Não obstante, no mês seguinte começou a publicar uma série de folhetins virtuais no seu website, sendo o primeiro escritor de renome a recorrer ao suporte virtual. Em convalescença do acidente, decidiu finalizar Escrever (2000), obra principalmente destinada a aconselhar potenciais escritores. 
Enumerar a sucessão de êxitos, que, desde então, marcam a sua carreira seria fastidioso e  por isso não o faremos, limitando-nos a sublinhar que Stephen King ocupa hoje um lugar apenas reservado aos mais destacados escritores.www.stephenking.com



terça-feira, 7 de julho de 2020

Stephanie Wrobel - A Minha Querida Rose Gold [Divulgação Planeta]


Data de publicação: 7 Julho 2020

               Título Original: 
               Tradução: Mário Correia
               Preço com IVA: 17,50€
               Páginas: 336
               ISBN: 9789897773808

A Minha Querida Rose Gold, de Stephanie Wrobel, promete ser um dos thrillers de 2020. A revista Newsweek, a Marie Claire, o jornal Washington Post e o site Pop Sugar são apenas alguns dos meios que destacam este livro como um dos títulos mais aguardados para este ano. Esta é a obra de estreia de Stephanie Wrobel e os seus direitos já se encontram vendidos para 25 países.

A Minha Querida Rose Gold tem recebido as melhores críticas, como, por exemplo, do autor best-seller Lee Child: «Sensacionalmente bom – duas personagens complexas que alimentam a história como uma reação nuclear e não as deixará esquecê-las. Wrobel é uma das escritoras a ter debaixo de olho»

Sinopse: As mães nunca esquecem. As filhas nunca perdoam. Durante os primeiros dezoito anos da sua vida, Rose Gold acreditou que estava muito doente. Era alérgica a tudo, usava uma cadeira de rodas e vivia praticamente no hospital. Os vizinhos faziam o que podiam para ajudar. Organizavam angariações de fundos, ofereciam consolo, mas, por mais médicos que consultasse, exames e cirurgias que fizesse, ninguém conseguia perceber o que se passava com ela. Acontece que afinal Patty, a mãe de Rose, é uma exímia mentirosa. Depois de cumprir cinco anos de prisão, Patty não tem para onde ir e pede à filha que a receba em sua casa. A comunidade fica chocada quando Rose Gold aceita. Patty insiste que a única coisa que quer é a reconciliação. Garante que perdoou Rose por a ter denunciado e testemunhado contra ela em tribunal. Mas Rose Gold conhece a mãe, Patty Watts acerta sempre as suas contas. Infelizmente para Patty, Rose Gold já não é a sua débil e querida menina... E esperou muito tempo pelo regresso da mãe a casa. Uma fascinante história de obsessão, reconciliação e vingança de um incrível novo talento literário.

Sobre o autor: Stephanie Wrobel cresceu em Chicago e vive em Inglaterra há quatro anos com o marido e o seu cão Moose Barkwinkle. Tem um MFA pelo Emerson College e escreveu um pequeno conto que foi publicado na Bellevue Literary Review. Antes de se dedicar à escrita trabalhou como criativa em várias agências de publicidade. A Minha Querida Rose Gold é o seu primeiro romance. https://www.stephaniewrobel.com

Imprensa
«Uma história criativa… um turbilhão de suspense.»
The Washington Post

«Um fascinante e obsceno duelo psicológico.»
Sunday Times


segunda-feira, 6 de julho de 2020

Mons Kallentoft & Markus Lutteman - Leão [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Confesso que a obra em apreço residia na minha estante desde o ano passado, altura em que, por motivos vários, dei por mim a dar menos importância aos livros. Shame on me!
Acabei de me aperceber que já foi há mais de dois anos que li Zack, a obra que inicia esta nova série da autoria de Mons Kallentoft e Markus Lutteman e a verdade é nunca olvidei aquele protagonista tão atípico, com os seus problemas ligados à toxicodependência mas que, ainda assim, tenta não comprometer o seu profissionalismo.

Recordo-me de ter gostado bastante da primeira obra porém considero este título superior. Talvez esta minha percepção se prenda no facto de a narrativa se centrar em crimes cujas vítimas são crianças, o que, pessoalmente, me impressiona, assim como me impressionou também a invulgar caracterização do antagonista.
A história começa com uma breve contextualização: Zack continua a ter alguns problemas com drogas e, apesar de pertencer às forças policiais, ele conhece, por experiência própria, o submundo ligado ao tráfico e consumo de substâncias ilícitas.

Estranhamente e à semelhança do que me sucedeu com o primeiro livro, não senti uma afinidade imediata com a trama. Só a partir do momento em que surge um cadáver mutilado de uma criança, como se tivesse sido submetido a um ataque de um felino, é que a trama me prendeu. Esta adensa-se quando a polícia recebe um vídeo, de um menino, numa jaula juntamente com o seu raptor, caracterizado como um leão e ainda um relógio em contagem decrescente.

Achei verdadeiramente original a premissa da narrativa: devo dizer que já li inúmeros thrillers mas não me recordo de nenhum com um raptor que apresentásse um comportamento tão invulgar, como se de um animal selvagem se tratasse. Saliento ainda que esta série se intitula "Hercules" e pelo que me apercebi a principal fonte de inspiração para a caracterização deste antagonista, bem como a sua metodologia, terá sido a mitologia grega, designadamente o primeiro trabalho de Hércules, no qual o herói semi-divino foi encarregue pelo rei Euristeu de matar o Leão de Nemeia.
Considero que as passagens da obra dedicadas ao vilão se revelaram assaz intimidantes ao ponto de me ter questionado várias vezes sobre a natureza das suas motivações. Será o Leão um homem cujo modus operandi é baseado nalgum motivo em particular ou será ele alguém que age instintivamente, assemelhando-se assim a um animal selvagem?

É, portanto, uma obra que, à semelhança do primeiro título da série, não se coíbe nos pormenores de cariz mais gráfico. A trama que, numa primeira análise, parecia linear, toma um rumo mais complexo e intrincado, tendo como pano de fundo a realidade da sociedade escandinava actual.

Devo salientar ainda que achei interessante que fosse levantado um pouco do véu sobre a infância de Zack. Creio que o seu passado se afigura como um ponto interessante para ser esmiuçado no decorrer da série.

Em suma, a série protagonizada por Zack está a revelar-se uma verdadeira surpresa. Com o terceiro volume já na lista de espera para ler em breve, considero que as várias lendas da mitologia clássica adaptadas à literatura policial escandinava e protagonizadas por um polícia tão alternativo, poderão muito bem fazer desta série uma lufada de ar fresco ao género.


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Charlie Donlea - A Rapariga do Lago [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: A capa apelativa - lembrando-me a imagem da afamada série Twin Peaks - bem como as críticas lá fora, elogiando a obra de estreia de Charlie Donlea, foram determinantes para que me sentisse curiosa sobre A Rapariga do Lago.

Nas primeiras páginas surgiu-me uma ideia: o leitor assiste ao ataque a Becky, ficando em suspenso o seu desenlace. Bem sei que a sinopse do livro alude à sua morte, assim como as páginas que retrocedem ao momento em que se fala abertamente sobre o homicídio dessa personagem, por volta na página 100, contudo considero que teria sido mais impactante caso o autor tivesse optado pela omissão deste acontecimento. Teria ficado mais intrigada caso tivesse ficado na ignorância até à confirmação da sua morte.

A trama estrutura-se alternadamente entre o passado de Becky, organizados em episódios da jovem no seu grupo de amigos e na faculdade de direito, e a acção actual que incide na investigação da reporter criminal Kelsey Castle.
Muito sinceramente, não apreciei muito a subtrama relativa à rapariga que é morta contudo, é precisamente nessas passagens que reside a chave para a resolução do caso. Já tive oportunidade de me expressar, noutras ocasiões, que já não me identifico com tramas de cariz mais juvenil que estão, na grande maioria dos casos, centradas nos relacionamentos imberbes entre amigos ou namorados e outros episódios da vida académica. Esta é uma percepção muito pessoal.

Confesso que, relativamente à subtrama protagonizada por Kelsey, considerei alguns factos algo inverosímeis como o fornecimento gratuito de informação sobre a morte da jovem. De facto, desconheço os meandros do jornalismo de investigação, contudo, não me parece plausível que os dados sejam facultados assim de uma forma tão simples e directa. 

Todo aquele desenrolar da história me pareceu familiar e fico com a sensação que já li tramas com contornos semelhantes a esta. Lembrei-me inúmeras vezes da série Twin Peaks e estabeleci um paralelismo entre ambas as personagens que são vítimas de homicídio.
Ainda assim, foi um livro que me entreteve e, na minha opinião, a trama é bastante viciante e é desafiante tentar antecipar os motivos do homicídio da rapariga. Proporcionou-me uma leitura rápida. 

Gostaria de mencionar um facto curioso sobre a forma como é desvendada desvendada a identidade do homicida pois numa primeira análise parece algo óbvia mas fui obrigada a descartar essa hipótese. Portanto, achei o clímax bastante peculiar por estar na linha de uma suspeita que, entretanto, já tinha menosprezado. 

Em suma, apesar de algumas fragilidades que acabo de mencionar, no seu todo, creio que a obra de estreia é auspiciosa e sinto que o autor augura melhores trabalhos futuramente. Cá estarei para apreciá-los e confirmar o seu progresso.