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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Olivier Truc - Quarenta Dias Sem Sombra [Opinião]



Sinopse: AQUI

Opinião: Recordam-se da autora Asa Larsson cujos romances policiais tinham lugar em Kiruna? Pois devo dizer que Quarenta Dias Sem Sombra, por se passar na Lapónia, fez-me lembrar algumas das obras desta autora sueca. Há neste caso, no entanto, uma particularidade: o autor, Olivier Truc, não é de origem escandinava, embora a obra deixe transparecer um excepcional conhecimento daquela região.
Numa iniciativa da editora, tive oportunidade de privar com o autor e este relatou algumas das experiências que vivenciou no local, despertando em mim ainda maior curiosidade sobre esta história.

Decididamente creio que o fascínio deste livro reside no ambiente. Deliciei-me com o clima ártico, com o fenómeno das auroras boreais, bem como com os elementos da cultura da Lapónia. Atrevo-me igualmente a afiançar que a sensação de estar naquele local é palpável devido ao poder das descrições.
Tenho conhecimento que, junto ao Ártico, os Invernos são tão rigorosos que os habitantes não vêem o Sol. No que concerne à trama foi precisamente durante um destes períodos de escuridão polar, ao final de quarenta dias, em Kautokeino, que um tambor ancestral foi roubado do museu onde, em breve, seria exposto. Os polícias Klemet Nango e Nina Nansen são convocados a investigar este invulgar caso, em conjunto com as autoridades locais. 

Antes de mais, achei curioso que Klemet e Nina sejam agentes de uma polícia característica da zona, a polícia das renas. Esta visa, sobretudo, mediar os conflitos no seio da comunidade Sami, que é muito ciosa com as suas renas. Interessante não? Conseguem perceber porque é que eu fiquei fascinada com o cenário desta obra?
Embora o protagonismo seja atribuído a ambas as personagens, confesso que senti uma maior proximidade com o personagem masculino. No meeting com o autor, ele revelou que a sua segunda obra se debruça sobre Nina, o que me deixou bastante satisfeita pois irei, certamente, gostar de ver esmiuçado um pouco mais sobre o passado da protagonista feminina.

No que concerne à componente policial, confesso que considerei o ritmo um pouco moroso. Numa primeira análise, nem avaliei o roubo de um tambor como um elemento preponderante de um thriller, no entanto, sentia-me tão cativada com o ambiente e a cultura local que a leitura fluiu com grande interesse, percepção que se intensificou aquando a ocorrência de um homicídio. Este acontecimento aproximou esta obra da literatura policial convencional.

Considero que Quarenta Dias Sem Sombra vai muito além de um simples giallo com lugar na Escandinávia. Eu, que tantas vezes enveredo pelos policiais escandinavos ao ponto de crer que já conheço minimamente a cultura destes povos, fiquei rendida ao descobrir os costumes dos lapões. Não é, portanto, um livro que se adeque aos ávidos aficionados dos policiais gráficos, não obstante sentir que este é um livro rico em detalhes culturais que nos transportam para os ambientes gélidos da Lapónia.  

Em suma, pelas razões acima referidas, este policial de contornos peculiares e num cenário mais bucólico do que o habitual, agradou-me de sobremaneira, pelo que aconselho vivamente a leitura do presente título a todos aqueles que procuram uma obra que mescle os detalhes de uma investigação policial, com aspectos etnográficos e culturais de um povo pouco conhecido entre nós.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Olivier Truc - Quarenta Dias Sem Sombra [Divulgação Planeta]



Data de publicação: 18 Setembro 2018

               Título Original: Le Dernier Lapon
               Preço com IVA: 19,95€ 
               Páginas: 440
               ISBN: 9789897770180

Numa paisagem incrível, personagens cativantes e fortes levam-nos aos limites da hiper-modernidade e da tradição de um povo que luta pela sua sobrevivência cultural.
Um policial magnífico e intenso, escrito por um autor de estilo directo e vigoroso que conhece bem a região de que fala.

Olivier Truc é jornalista e correspondente do Le Monde e do Le Point, em Estocolmo.
Especialista nos países nórdicos e bálticos, o autor conhece bem a região que tem como pano fundo este policial magnífico e intenso, escrito num estilo directo e vigoroso

A crítica internacional aclamou este policial e chega a referir-se a ele como um fascinante estudo antropológico com um procedimento policial convincente, que leva o leitor a mergulhar no estilo de vida dos pastores de renas sami no Norte da Lapónia, uma cultura antiga sob a pressão do mundo moderno. 

Este lugar aparentemente tranquilo perto do Ártico irá revelar-se uma terra de conflitos, mistérios e ódios ancestrais.
Um mistério intenso que o autor vai revelando, lentamente, ao longo das mais de 400 páginas, ao mesmo tempo que revela o papel que países como a Noruega e a Suécia tiveram durante o nazismo, com numerosos colaboradores infiltrados.

Sinopse: Kautokeino, Lapónia Central, 10 de Janeiro. Noite polar, frio glacial.
Amanhã o Sol, desaparecido há quarenta dias, vai renascer.
Amanhã, entre as 11 h 14 m e 11 h 41 m, Klemet voltará a ser um homem, com uma sombra. Amanhã, o Centro Cultural vai expor um tambor de xamã oferecido por um companheiro de Paul-Émile Victor. Mas o tambor é roubado durante a noite. As suspeitas irão desde os fundamentalistas protestantes aos independentistas samis. A morte de um criador de renas não contribui para melhorar a situação.
A Lapónia vai revelar-se uma terra de conflitos, de cóleras e de mistérios. Klemet, o lapão, e Nina, a jovem colega de equipa, agentes da polícia das renas, lançam-se numa investigação frustrante.
Mas, em Kautokeino, ninguém gosta de quem faz ondas. Ordenam-lhes que voltem às patrulhas de motoneve pela tundra e à pacificação das eternas querelas entre criadores de renas.
Os mistérios do 72.o tambor vão alcançá-los. Porque confiou, em 1939, um dos guias samis à expedição francesa aquele tambor? De que mensagem era portador? Que contam os joïks tradicionais que o velho tio de Klemet canta? Que vem fazer à aldeia aquele francês que gosta demasiado de raparigas muito novas e que parece conhecer tão bem a geologia da região? A quem se dirigem as orações da piedosa Berit? Que esconde a beleza selvagem de Aslak, que vive à margem do mundo moderno com a sua mulher meio louca?

Sobre o autor: Olivier Truc é jornalista desde 1986, vive desde 1994 em Estocolmo, onde é correspondente do Le Monde e do Le Point. Especialista nos países nórdicos e bálticos, é também documentarista. Autor da biografia L'Imposteur (Calmann- Lévy), este é o seu primeiro romance.