quinta-feira, 20 de abril de 2017

Paula Hawkins - Escrito na Água [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Escrito na Água é publicado, a nível mundial, dia 2 de Maio mas por aqui já foi lido. Confesso que estava empolgadíssima desde a altura em que o livro foi anunciado, afinal de contas, gostei de A Rapariga no Comboio e tinha a autora debaixo de mira.
Devo também agradecer e congratular a editora TopSeller na aposta destes Exemplares de Avanço, uma iniciativa que, à semelhança do livro anterior, permitiu-me ler atempadamente a segunda obra de Paula Hawkins.

Posto isto, passemos então ao meu parecer. Não vou desvendar nada sobre a história, a sinopse até está bastante esclarecedora, afim de evitar qualquer spoiler. Em cima incluo, como já é hábito, a hiperligação para que vós a possais ler.

Vou ter que, como é evidente, mencionar alguns factos e percepções aquando da minha leitura de A Rapariga no Comboio, em jeito de uma comparação entre esta obra e a anteriormente publicada.
Apesar de A Rapariga no Comboio ter sido um estrondoso sucesso, denoto que existe uma maturação, a nível de história, em Escrito na Água. A trama é, a meu ver, mais complexa, não obstante haver uma característica em comum: as personagens em camadas. No género de thriller psicológico essa é a forma mais óbvia de levantar suspeitas e desconfianças relativamente à identidade dos antagonistas.

De um circulo restrito de personagens em A Rapariga do Comboio, passamos para um elenco bem mais abrangente e é precisamente nesse ponto que reside a minha única crítica negativa ao livro: a forma como este se apresenta, sob múltiplos POV (os chamados point of view) que, numa primeira análise, comprometem a agilidade da trama. Durante as primeiras páginas denotei alguma confusão no que concerne à atribuição de uma igual importância aos protagonistas da história, ainda que esse mesmo papel pudesse ser meramente circunstancial. Entendo que a autora queira incutir no leitor um sentimento de dúvida, extensível a todos os participantes na história, contudo, devo confessar que não apreciei particularmente esse aspecto.

Daí que tenha achado algo moroso os primeiros momentos da narrativa, embora sem que tal tenha comprometido o interesse na história. Desde o primeiro instante que considerei a morte da Nel bastante suspeita ao ponto de ficar bastante curiosa em conhecer a história da personagem feminina, tendo considerado assaz estimulante a introdução de acções temporais mais antigas. Agora é a parte que vocês dizem: "Mas oh Verovsky, isso também acontecia n´A Rapariga do Comboio". Eu sei, leitores, mas haver um elemento tão trágico como O Poço das Afogadas que remete, primeiro para o ano de 1679 e posteriormente para 1983, já me pareceu bem mais intrincado e achei interessante a forma como uma situação, que decorre na actualidade, se entrelaçou com um acontecimento passado no século XVII. Teria gostado, pessoalmente, de ver mais desenvolvido o relato de Libby, a menina que se afogara nesta altura. Creio que a menção desta personagem serve meramente para reforçar os suicídios que ocorreram naquele local.

E claro, a autora refere alguns episódios decorridos num passado mais recente, em 1993 para ser precisa, episódios esses que relatam situações incómodas das irmãs Jules e Nel, ainda estas eram adolescentes. Aqui pego num outro ponto que considero sempre bastante interessante em tramas deste género: o desvendar de segredos. Os intervenientes da história têm algo a esconder e o timing das revelações foi bastante inteligente. A partir da terceira parte do livro, fiquei mesmo agarrada à história. Um efeito tardio mas que valeu a pena.

Não posso deixar de referir que esta minha experiência de leitura foi oposta à da Rapariga do Comboio, em que li a obra avidamente, não obstante reconhecer, agora que li os dois trabalhos da autora, que a trama é mais simplista relativamente à da presente obra. Tal como na obra antecessora, a autora quis levantar alguns temas controversos, sendo o mais pertinente o do suicídio. O papel da mulher continua, como já denotara em A Rapariga do Comboio, a ter um principal destaque. Escrito na Água é, sem dúvida, um livro muito intenso.

Posto isto, prevejo que Escrito na Água possa também agradar aos leitores que ficaram descontentes com A Rapariga no Comboio. É uma história interessante e, acima de tudo, maturada.
Paula Hawkins estará este ano na Feira do Livro de Lisboa nos dias 10 e 11 de Junho. Até lá podeis ler Escrito na Água. Estará nas livrarias a partir de 2 de Maio.

Kate Summerscale - O Rapaz Perverso [Divulgação Bertrand]


Data de publicação: 21 Abril 2017

               Titulo Original: The Wicked Boy: The Mystery of a Victorian Child Murderer
               Tradução: Vasco Teles de Menezes
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 336
               ISBN: 9789722533591

Kate  Summerscale é  uma  autora  com  diversos  êxitos  internacionais  e obras premiadas, sendo o mais notório dos seus livros As Suspeitas do Sr. Whicher. A  autora  regressa  agora  com O  Rapaz  Perverso, um  misto  de thriller,  investigação  criminal,  relato  de  uma  época  e  história  formativa.
Kate   Summerscale   faz   uma   pesquisa   minuciosa   e   levanta   temas apaixonantes, que explora com inteligência e paixão.
Com uma narrativa elegante  e  ricamente  detalhada, esta  obra agarra  de  imediato  o  leitor, transportando-o à Londres da época Vitoriana para desvendar o mistério de uma criança assassina.
Este livro tem como ponto de partida uma história verídica.
Foi durante uma  pesquisa  pelos jornais  de Londres  da  era  vitoriana,  enquanto procurava inspiração para   escrever   o   seu   novo   livro,   que   Kate Summerscale   se   deparou   com   a arrepiante história de   um   crime envolvendo Robert Coombes, de 13 anos.

Sinopse: Na manhã de segunda-feira, 8 de julho de 1895, Robert Coombes, de 13 anos, e o irmão Nattie, de 12, saem da sua casa térrea  em  Londres  para  irem  ver  um  jogo  de  cricket.  O  pai tinha  ido  para  o  mar  na  sexta-feira  anterior,  disseram os rapazes aos vizinhos, e a mãe estava de visita a familiares em Liverpool. Ao longo dos dez dias seguintes, Robert e Nattie gastam dinheiro de maneira extravagante, empenhando os valores dos pais para irem ao teatro e à praia. Mas quando o sol incide em toda a sua força sobre a casa dos Coombes, um estranho cheiro começa a emanar dela.
Quando  a  polícia  é  finalmente  chamada  a  investigar,  a  descoberta  que  faz  lança  a  imprensa num  frenesim  de  horror e alarmismo, e Robert e Nattie são arrastados para um julgamento que ficará célebre por lembrar a intriga das histórias «de faca e alguidar» que Robert adorava ler.
Um  crime  fascinante –não  apenas  um  exame  meticuloso  de um  caso  chocante e  como  também um  hino à  capacidade extraordinária de um homem de ultrapassar o seu passado.

Sobre a autora: Kate Summerscale é autora do best-seller internacional As Suspeitas do Sr. Whicher, vencedor de vários  prémios  e  adaptado  ao  pequeno  ecrã  numa  produção  da  BBC.  Também  foi membro do júri em diversos concursos literários, incluindo o Booker Prize. Vive em Londres.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Lee Child - Nem Morto! [Divulgação Bertrand]

Data de publicação: 13 Abril 2017

               Titulo Original:
               Tradução: Vasco Teles de Menezes
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 424
               ISBN: 9789722532426

Jack Reacher está de volta com o livro Nem Morto, de Lee Child. Um thriller emocionante, que chega às livrarias esta quinta-feira, dia 13 de abril.
Uma  vez  mais, Lee  Child  apresenta o  protagonista desta série ao melhor nível, com Jack Reacher a revelar as suas fantásticas qualidades de detetive perante o complexo mistério com que se depara na pequena localidade de Mother’s  Rest.
Nem  Morto apresenta  personagens  mais  ricas,  caminhos ainda mais tortuosos e suspense a cada página. É, provavelmente, o melhor livro da série.
Lee Child é autor nº 1 do The New York Times, com mais de 90 milhões de exemplares vendidos. Encontra-se publicado em 97 países e traduzido para 42 línguas. É um autor de thrillers extremamente popular.
A série Jack Reacher já resultou em dois filmes no cinema, com Tom Cruise no  papel  principal.
Nunca  Voltes  Atrás foi  o  último  livro  a  ser  adaptado  à sétima arte, tendo estreado nas salas portuguesas em outubro de 2016.

Sinopse: Jack  Reacher  não  tem  para  onde  ir  e, quando  chega  a  uma  passagem  de  nível  numa  pradaria  com  o  curioso  nome  de Mother's Rest, parece-lhe o sítio ideal para fazer uma paragem de um dia.
Está à espera de encontrar uma campa abandonada num mar de trigo maduro... mas, em vez disso, encontra uma mulher à  espera  do  colega  desaparecido,  uma  mensagem  crítica  acerca  da  morte  de  duzentas  pessoas  e  uma  cidade  de  gente silenciosa e vigilante.
A paragem de Reacher transforma-se numa missão sem fim... no coração das trevas!

Sobre o autor: Lee Child nasceu em Inglaterra em 1954. Estudou Direito e trabalhou no teatro e como diretor de programação televisiva. Foi despedido aos 40 anos, devido a um processo de restruturação. Sempre  tinha  sido  um  leitor  voraz  e  decidiu  ver  nessa  reviravolta  da  sua vida uma oportunidade para fazer  algo interessante. Foi assim que escreveu  o primeiro livro da série Jack Reacher, que conheceu um êxito estrondoso. Lee divide o seu tempo entre Manhattan e as suas casas de campo em Inglaterra e no sul de França. É casado e tem uma filha.
http://www.leechild.com/

terça-feira, 11 de abril de 2017

Ransom Riggs - O Lar da Senhora Peregrine Para Crianças Peculiares [Opinião]


Sinopse: Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine. Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar viva as... Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense.

Opinião: Aproveitando o lançamento do último livro da trilogia, optei por uma leitura diferente. Já conheço a história, é certo, afinal de contas fui ver o filme baseado na obra (Tim Burton é, para mim, obrigatório) mas o livro, na minha opinião, acrescenta sempre algo mais à trama.

É inevitável, por isso, que ilustre a minha recensão do livro com as diferenças do filme. Devo dizer que, quando comprei este livro, achava que era de terror, percepção que tive devido à capa, sombria e ao conteúdo com algumas fotografias bizarras, dignas de freakshows.
Dúvidas desfeitas quando vi o filme: esta trama insere-se no género de fantasia e o público alvo seria o juvenil.

Enquanto isso, deambulamos pela história que, à medida que avança, vai divergindo do filme. Apesar das diferencias substanciais, o início, fiel, apresenta um jovem, Jacob e rapidamente apercebemo-nos da relação que este tem com o seu excêntrico avô, Abe. Este alega que, durante a sua vida, contactou com um orfanato que acolhia crianças com características únicas, como o título assim o sugere.

Uma história com este cariz só podia ser realizada pelo extravagante Tim Burton, claro. Não obstante ter ficado com a ideia de que o realizador não realizará os três filmes alusivos à trilogia, por fechar o filme com um acontecimento bem diferente e que, obviamente, é omitido na obra.
Assim, finda a leitura de O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares ficou, naturalmente, a sensação de que a história ainda poderá dar mais frutos.
Estou curiosa para ler os outros dois volumes da trilogia que aguardam a sua vez na estante.

Não é, como afirmei em cima, um livro que esteja na minha zona de conforto. Não leio com frequência obras de fantasia e nem sequer tenho sensibilidade para avaliar quais as melhores dentro do género.
Posso apenas dizer que o livro me proporcionou uma leitura ligeira, bem diferente das que costumo fazer uma vez que, regra geral, quando pauso o livro, fico a matutar nas possíveis resoluções do crime o tempo todo. No entanto, o livro não me fascinou na íntegra, explicação que devo unicamente às minhas expectativas. Como mencionei, eu julgava que me iria deparar com uma história de terror e, ao invés, esta é a história de uns meninos que têm características sobrenaturais dentro de um cenário também este irreal, recorrendo com frequência às viagens no tempo por intermédio de vórtices temporais.
Não deixo de valorizar a mensagem subjacente, a do sentimento tão intenso de amizade.

Os personagens são mágicos e completamente inverossímeis. Aliam a inocência das crianças às habilidades tão peculiares. Jacob é o único personagem que é convincente, por motivos óbvios.

Em suma, apesar de não ser o meu género de livro, li O Lar da Senhora Peregrine com grande curiosidade que não esmoreceu. Pretendo conhecer o final desta história, caracterizada por ter crianças tão especiais. E claro, confrontar o desenvolvimento da trama com a que Tim Burton idealizou na sua adaptação cinematográfica.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Israel Zangwill - O Grande Mistério de Bow [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Ler um clássico policial associa, para mim, algo de reconfortante. Pode estar relacionado com as minhas mais antigas memórias de infância onde está presente a minha avó. Ela lia imensos livros da colecção Vampiro Gigante madrugada adentro. Pergunto-me o que ela acharia do Raymond Chandler, Agatha Christie ou outros vultos da literatura policial. Era demasiado criança para ter essa percepção. Como gostaria de trocar algumas impressões com ela sobre estes livros...
Por isso, gostaria seriamente de enraizar este hábito: o de ler um clássico com mais frequência.

Este nome em particular, Israel Zangwill, era desconhecido para mim. Contudo o tema, o crime num quarto fechado, desperta um grande interesse. Esta temática é tão pertinente que alguns entendidos têm como ramificação da literatura policial a chamada 'Crime num quarto fechado'. O pioneiro terá sido a afamada obra 'Os Crimes da Rua Morgue' que, curiosamente, é mencionada e spoilada no presente livro. Portanto, se pretendem ler a história de Edgar Allan Poe, sugiro que o façam antes da leitura de O Grande Mistério de Bow.

O que mais me fascinou nesta história foi o ter sido transportada para o final do século XIX, e defrontar-me com os seus hábitos e costumes, caídos em desuso na sociedade actual. Por exemplo, o facto dos jovens solteiros viverem numa pensão lembrou-me até o filme português O Pai Tirano. Rapidamente se criava um ambiente familiar entre a responsável da pensão e os hóspedes, algo que vejo inviável nos dias de hoje na medida em que se estabeleceu a ideia de que o expectável é que o homem tenha a sua casa própria.

Outro facto de que gostei foi do livro conter poucas páginas e não se alongar mais do que esmiuçar as relações entre os moradores da pensão e o crime propriamente dito. Mais uma vez encontrei uma descrição contida e ao mesmo tempo pormenorizada de um homicídio, uma forma muito característica da escola clássica policial, em que a descrição não ousa chocar o leitor.
Portanto é um livro que se lê num ápice e que contém um mistério muito interessante e que valerá a pena ser descoberto. Até porque um crime num quarto fechado representa, a meu ver, uma configuração algo estimulante. No decorrer da leitura pensava nas várias soluções para se conseguir entrar na divisão sem que seja detectado e levar o crime avante.

Estamos, portanto, perante de um livro curioso e convidativo à sua apreciação. Consigo entender o fascínio por estes clássicos policiais que terão, certamente, sido revolucionários aquando a primeira publicação. Reforço que o crime num quarto fechado é desafiante. Deu-me um certo prazer viajar para a sociedade londrina na época vitoriana e desvendar este crime sem no entanto sair do sofá. Gostei.

Os Olhos de Minha Mãe [Opinião Cinematográfica]


Não resisti a fazer uma review deste filme. Ultimamente tenho visto uns quantos que não saem da linha da medianidade e como tal, nem penso sequer em escrever sobre os mesmos. Contudo The Eyes of My Mother arrebatou-me e sinto que devo dedicar um post a este (magnífico) filme!

Apesar de ter visto este cartaz em estações de metro aquando a sua estreia, devo dizer que foi uma estratégia de marketing que faz sentido quando os filmes são comerciais. No meu entender, Os Olhos de Minha Mãe destina-se a um público alvo muito restrito, pelo que não faria muito sentido a proliferação de publicidade alusiva a este filme. Seria, certamente, um bom candidato a abertura de festivais de terror, como o MOTELx ou o Fantasporto.

São apenas 76 minutos de uma história que tem de perturbadora como de dilacerante. Não achei a trama completamente original, confesso, mas algo no filme que me absorveu ao ponto de, após dois dias, ainda pensar na Francisca, a protagonista da história.

Nem me interesso particularmente por filmes a preto e branco (como é o caso deste) mas reconheço que deu um outro ânimo à história, tornando-a mais sombria. Além disso, denotei que a fotografia está fantástica. Os planos do cenário estão bem conseguidos assim como uma outra particularidade técnica que, a meu ver, foi diferenciador dos demais filmes de terror. Falo da omissão dos afamados jump scares ou de uma banda sonora que apele ao medo. 
Por falar na banda sonora, tenho que mencionar o efeito poderoso dos fados da Amália. Embora não sendo uma fã do género musical, devo reconhecer que intensificou a história.
E porquê fados? Porque há uma ancestralidade de origem portuguesa naquela família. Apesar de se instalar a dúvida sobre a verdadeira ocupação da mãe de Francisca, é dito ao telespectador que esta terá sido cirurgiã oftalmologista em Portugal. Além disso, inúmeros diálogos são feitos na nossa língua, ainda que não tenha conseguido reconhecer o sotaque. Ou será apenas a actriz Kika Magalhães que está enferrujada a falar o nosso dialecto?

Uma breve pesquisa sobre o realizador Nicola Pesce permitiu-me saber dois factos: a) ele é mais novo do que eu; b) este é o seu primeiro filme. A avaliar por esta experiência, será, certamente, um realizador a ter sob mira. 

Sobre a história, nada mais posso adiantar que esta se alicerça sobre um acontecimento traumático a que Francisca assiste em miúda e as repercussões deste ao longo da sua vida. Fala do desespero em ter uma família ou amigos, explora uma mente claramente sociopata. Assim como Francisca não consegue discernir a fronteira entre o certo e o errado também nós não conseguimos desagregar o dramatismo da história do terror psicológico.

O climax é completamente lancinante e senti-me aturdida nos instantes após ter terminado o filme. Isto quererá dizer alguma coisa, certo? 
Para quem é fã do género e, tal como eu, se tem sentido defraudado com os últimos filmes de terror no mercado, este é uma aposta segura. Vale mesmo muito a pena! Recomendo!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Edgar Wallace - A Pista do Alfinete Novo [Divulgação Colecção Vampiro]


Data de publicação: 6 Abril 2017

               Titulo Original: The Clue of the New Pin
               Tradução: E.V. / Lima de Freitas
               Preço com IVA: 7,70€
               Páginas: 248
               ISBN: 9789723829877

Sinopse: Edgar Wallace, um dos mais prolíficos autores de histórias policiais do século XX, estreia-se na renovada coleção Vampiro a 6 de abril com A Pista do Alfinete Novo. Uma trama de mistério de quarto fechado com sabor oriental, publicada originalmente em 1923, altura em que Wallace era o autor mais lido em Inglaterra.
Nesta história, o protagonista é Jesse Trasmere, um homem de negócios obscuros, com fortuna feita na China e guardada a sete chaves na cave de casa. O apego que tem ao dinheiro contrasta com o do seu sobrinho, Rex Lander, que esbanja a generosa mesada que recebe num sem-fim de extravagâncias. Certo dia, Trasmere informa o mordomo, Walters, de que vai ausentar-se por um curto período, de forma a evitar o encontro com alguém do seu passado. Como se explica então que apareça fechado dentro da sala-forte da sua própria casa, morto a tiro pelas costas? E que a única chave para aquela sala esteja no seu interior, pousada sobre a mesa? E, ainda, o que farão aí as joias roubadas a Ursula Ardfern, atriz por quem Rex Lander está loucamente apaixonado?
A única pista no local do crime é um alfinete.

Sobre o autor: Edgar Wallace nasceu em Londres a 1 de abril de 1875 e foi um prolífico jornalista, dramaturgo e romancista. Abandonando a escola aos doze anos, Wallace alista-se no exército aos dezoito e passa sete anos na África do Sul, onde se estreia no jornalismo como correspondente da agência Reuters. Regressa ao Reino Unido em 1901 e publica em 1905 o romance Os Quatro Homens Justos, o primeiro de mais de cento e setenta títulos que publicaria ao longo de vinte e sete anos. Mais do que a construção de problemas complexos que desafiassem o leitor, Wallace privilegiou a elaboração de histórias policiais de ação e aventura, de ritmo acelerado, num estilo cinematográfico que resultou com efeito na adaptação ao cinema de vários dos seus livros, tendo sido inclusive coargumentista do filme King Kong de 1933. Morreu em Hollywood a 10 de fevereiro de 1932.

Já na coleção Vampiro:
No. 1: Os Crimes do Bispo, de S.S. Van Dine
No. 2: Vivenda Calamidade, de Ellery Queen
No. 3: O Falcão de Malta, de Dashiell Hammett
No. 4: O Imenso Adeus, de Raymond Chandler
No. 5: Picada Mortal, de Rex Stout 
No. 6: O Mistério dos Fósforos Queimados, de Ellery Queen
No. 7: A Liga dos Homens Assustados, de Rex Stout
No. 8: A Morte da Canária, de S. S. Van Dine 
No. 9: O Grande Mistério de Bow, de Israel Zangwill 
No. 10: A Dama do Lago, de Raymond Chandler
  

Chris Carter - O Predador da Noite [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Após a leitura de O Assassino do Crucifixo e O Carrasco do Medo, tornou-se imprescindível acompanhar o autor Chris Carter. Este, a par de M.J. Arlidge, é, muito provavelmente, dos meus preferidos do catálogo da editora TopSeller. Por falar nisso, creio que teria tirado maior partido desta obra se tivesse distanciado o intervalo de tempo entre esta leitura e a de O Anjo da Morte. Achei que havia algumas coincidências entre ambos os modus operandi.

Logo pelo temeroso assassino e a tortura sádica que inflige às suas vítimas foi motivo para ficar chocada com o modo de actuação do antagonista e, por conseguinte, ter venerado, uma vez mais, o realismo de que os crimes são dotados. Portanto, o leitor fã de retoques macabros ficará, certamente, rendido a esta história. 

Não obstante este grau de violência tão pouco contido nas tramas de Carter, devo afiançar que a história em torno do crime é intrincada. A resposta para os homicídios não reside numa escolha aleatória, antes pelo contrário, cada vítima é escrupulosamente escolhida. Assim, a curiosidade em conhecer os desenvolvimentos da acção torna-se tão pertinente quanto desvendar a identidade do homicida. Ambas as componentes são alucinantes. Atento também a forma como está escrito, sob minúsculos capítulos que terminam em cliffhanger, apelando a uma leitura ávida.

Gostei do facto do autor não desvendar tudo sobre Robert Hunter logo no início da série. Apesar de, na minha opinião, ser consensual que o leitor sinta empatia com o protagonista desde os primórdios, explicação que relaciono, provavelmente, com os vastos conhecimentos de psicologia do detective e a metódica aplicação destes nas resoluções dos casos. 
Ainda assim, sinto que o personagem principal continua a surpreender devido às informações, estrategicamente disponibilizadas ao longo dos três livros. A minha percepção é que, a cada livro lido, a personagem ganha cada vez mais contornos verossímeis. Em O Predador da Noite, o autor atenta em mais algumas informações sobre o passado do protagonista, facto que também foi ao encontro do meu agrado.

Sinto-me algo repetitiva ao enaltecer as inúmeras qualidades desta série que, saliento novamente, tornou-se numa das minhas preferidas. Ao terceiro livro da série não denoto perda de fulgor ou qualidade, antes pelo contrário, anseio sempre por um novo caso de Robert Hunter e as expectativas são sempre excedidas. Quer pelos pensados homicídios e o teor de violência destes quer pelo fascínio pelas tramas e pelo próprio protagonista.

Em suma, O Predador da Noite, na linha dos dois antecessores da série, é livro de excelência, tenso e aterrador. Para mim, sem qualquer tipo de dúvidas, merecedor da pontuação máxima no Goodreads: cinco estrelas. E instalou-se uma vontade desesperada em ler mais obras deste autor. Apelo à editora que não se demorem na publicação das restantes obras da série!