segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Eric Giacometti & Jacques Ravenne - O Ritual da Sombra [Opinião]

Eric Giacometti e Jacques Ravenne são um verdadeiro sucesso em literatura na França. Um afamado thriller que assim suscitou o meu interesse desde que tive conhecimento que a editora Publicações Europa América iria publicá-lo.

Sophie Dawes, uma arquivista do Grande Oriente, é assassinada numa festa na embaixada francesa, cumprindo um ritual que evoca a morte do fundador da Maçonaria, Hiram. Nessa noite, em Jerusalém, no Instituto de Estudos Arqueologicos, Marek, um arqueólogo que possui uma enigmática pedra gravada, morre de forma semelhante.

A trama desenvolve-se a partir da investigação destes homicídios que têm um fio condutor denotado pela semelhança dos crimes bem como a existência de uma organização, a Sociedade Thule, que opõe-se à Maçonaria. 
E por falar nesta... Quem melhor do que um mação para descrever ritos relacionados com a Maçonaria. Pois os rituais estão de facto extremamente bem caracterizados, satisfazendo quem, como eu, acha estimulante a leitura sobre a temática de organizações secretas. Explicação para tal? O próprio do Jacques Ravenne, por intermédio de um pseudónimo, é mação, tendo chegado ao grau de Mestre no Rito Francês. Por outro lado, Giacometti, um jornalista que terá investigado a Maçonaria nos anos 90. Dois entendedores da supra referida organização secreta que mantêm assim, uma base real na trama fictícia.

Algumas ilustrações alusivas ao tema bem como breves instruções para o terceiro grau simbólico de Mestre no rito maçónico intensificam a seriedade da temática a ser debatida, ainda que por meio ficcional.
A Maçonaria tem um impacto tão forte que os autores propõem como protagonista o comissário Antoine Marcas, ele próprio mação, desvendando uma panóplia de costumes maçónicos, outrora considerados como ocultos e respondendo discretamente às perguntas que possamos achar intrusivas no âmbito do tema.
Um glossário maçónico consta do anexo, por exemplo, afim de desmistificar termos que poderão ser confusos para o leitor no decorrer das páginas d´O Ritual da Sombra.

Achei as personagens pouco estereotipadas. Nunca encontrei na literatura um personagem que fosse assumidamente mação, com um carácter importante na resolução dos vários crimes como é o cargo de comissário. Sem explicações sobre se tal cargo terá sido uma influência de favores dentro da Maçonaria, claro está.
Restringindo as características ao indispensável, este tem uma relação extremamente interessante com Jade Zewinski, responsável pela segurança da embaixada, cenário da morte de Dawes.

Este foi para mim um critério que aliado às sucessivas mortes, tornaram o enredo aliciante. Certo é que tantos momentos de acção também os há, mais parados. Numa outra perspectiva, o autor cria um fundo histórico, nomeadamente a Segunda Guerra Mundial, encadeando com a acção na corrente actualidade.

Uma parelha improvável de autores que resultou num livro extremamente interessante expresso numa escrita inteligente e simbólica. Embora seja um livro aclamado como semelhante ao Código Da Vinci, achei-o diferente dos thrillers que tenho lido ultimamente.
Congratulo a editora Publicações Europa América pela publicação deste livro! Gostei e recomendo! 



1 comentário:

  1. Tenho-o aqui por ler :)
    Se gostaste, vou subi-lo na pilha!

    Beijinhos

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