terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Veronica Roth - Divergente [Opinião]


Sinopse: Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la

Opinião: Devido à minha recente curiosidade pelo género do Fantástico, mais concretamente as distopias, aquele que é o blogue que sigo para me inteirar mais sobre o género, fez-me uma surpresa. A Sofia Teixeira do blogue Morrighan ofereceu-me este livro, já há uns meses, e deixei-o para agora que estava mais cansada dos meus policiais. Foi uma excelente leitura! Ainda sou muito verdinha neste tipo de literatura mas tenho vindo a fascinar-me a cada dia que passa e já tenho mais alguns na estante para ler mais tarde.

Divergente é um livro mais juvenil, de rápida leitura. Assim, não tive reservas em recomendar este livro aos meus alunos na escola.
Mesmo não tendo lido a célebre trilogia de Suzanne Collins, tendo apenas visto as adaptações cinematográficas, atrevo-me a dizer que Divergente é algo semelhante aos Jogos de Fome, que tenciono ler em breve.
Aparentemente as distopias (não que tenha grande experiência, apenas li Destinos Interrompidos), apresentam na sua essência graves regras de subsistência numa sociedade futurista, focando-se essencialmente na sobrevivência. Divergente não foge à regra.
Em particular no presente livro, existe um conceito interessante: desde cedo que os jovens têm que definir a sua principal característica, e assim inserirem-se numa das cinco facções. Percebe-se o porquê do nome Divergente, uma ideia que acaba por ser coerente com a própria adolescência. O que a mim me pareceu ser uma medida arrojada foi a forma algo tão simples como a decisão de facção pode significar um afastamento da família, praticamente total.

A heroína da história é Beatrice Prior, posteriormente chamada de Tris. O livro está narrado na primeira pessoa, sob o seu ponto de vista. A jovem submete-se aos testes pois não tem uma inclinação sobre a facção a que irá pertencer. Gostei do conceito dos testes de iniciação, em que os jovens são desafiados física, emocional e mentalmente, alguns dos desafios com terríveis consequências. Estes rituais públicos e extremamente competitivos de ordenação, por se regerem principalmente em batalhas entre facções, afunilaram as coincidências com os já referidos Jogos de Fome já que os confrontos físicos se davam também em praça pública e com o intuito da sobrevivência. Um pouco violento, portanto, mas nada a que o meu leitor não esteja habituado (na literatura policial há bem mais chocante).
Ainda sobre Tris, penso que o aspecto mais notório é a forma como a personagem evolui face às provações, representando na sua maioria, grandes situações de perigo e incerteza.

As personagens, apesar de na sua grande maioria serem ainda adolescentes, são profundas, maduras e resistentes. Afinal de contas, na sociedade de hoje tal como a conhecemos, acharíamos muito improvável um adolescente ser submetido a tantas provas tão desgastantes como as que são contempladas em Divergente. Apesar da tenra idade, são também mais fortes a nível emocional, divergindo dos demais adolescentes que se centram em si próprios. Uma sociedade diferente...
Contudo, são estes mesmos testes que determinam os verdadeiros amigos da protagonista. A traição está tão perto de si. Ainda que futurista, as intrigas e os conflitos estão lá bem como uma doce e subtil história de amor.

A acção desenvolve-se num ritmo bastante célere, pelo que Divergente constitui um livro de rápida leitura. Acompanhado de alguns acontecimentos improváveis, reviravoltas e muitas emoções fortes, manteve-me na expectativa até ao final. O conceito das facções é, sem dúvida, é interessante e relativamente inovador. Congratulo a autora Veronica Roth por tamanha imaginação nos vários pormenores, um deles o ambiente além da cidade de Chicago dividida em facções. Quem não consegue optar por nenhuma delas, também tem um destino marcado.
Diferente do que costumo ler, fiquei muito curiosa com o desenvolvimento da história, tanto que já tenho o segundo volume na estante, Insurgente, para ler em breve.


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