Sinopse: A carta do marido dizia: "Para ler apenas após a minha morte."
Mas ele estava vivo. E escondia um segredo aterrador.
Cecilia encontrou a carta acidentalmente. Na penumbra do sótão, soube de imediato que não devia lê-la. Que devia devolvê-la ao seu esconderijo, fingir nunca a ter encontrado e respeitar a vontade do marido. Afinal amava John-Paul. Juntos, tinham três filhos e uma vida sem sobressaltos. Argumentos que de pouco serviram perante a sua curiosidade crescente. E quando começou a ler, o tempo parou. A confissão de John-Paul fulminou-a como um raio, dividindo a sua vida em dois: o antes e o depois da carta. Cecilia vai ficar agora perante uma escolha impossível.
Se o segredo do seu marido for revelado, tudo o que construíram será destruído. Mas o silêncio terá um efeito igualmente devastador. Porque há segredos com os quais não se pode viver…
Opinião: Em vésperas do lançamento do novo livro de Liane Moriarty, Pequenas Grandes Mentiras, finalmente (e ressalvo que não tenho explicação para o facto de ter demorado tanto tempo a ler este livro já que o mesmo constava na minha estante há quase um ano) li O Segredo do Meu Marido. Fiquei simplesmente abismada com a história.
O Segredo do Meu Marido é uma obra que, à partida, não me despertaria interesse. No entanto, não fiquei indiferente às inúmeras críticas favoráveis que foram surgindo na blogosfera.
A sinopse é, a meu ver, muito redutora. A história vai muito além de Cecilia que encontrou a carta do seu marido. É também a história de Tess e Rachel, duas mulheres que, à semelhança de Cecilia, também se deparam com os seus dilemas.
A subtrama em torno de Cecilia acabou, na minha opinião, por ser a mais interessante uma vez que tece um subtil mistério em torno da carta que John-Paul escrevera à sua mulher. Confesso que engendrei algumas hipóteses mais comuns dentro da interacção matrimonial, tendo sido algo surpreendida a meio da narrativa com o teor da carta.
Por outro lado, não senti tanta empatia com Rachel, justificado talvez pelo facto de ser uma personagem mais velha. Contudo, segui atentamente todas as suas inquietações decorrentes do homicídio da filha e os pequenos avanços na investigação deste caso.
Em relação a Tess, deduzo que o seu dilema seja algo recorrente e foi-me impossível não sentir compaixão pela provação a que ela é sujeita. O seu problema é talvez o mais credível e comum das três.
Num universo claramente feminino, a trama aborda temas delicados como a fragilidade do casamento, o processo de luto e acima de tudo, a culpa e o perdão. Desenvolvendo ora num ritmo rápido, ora em momentos mais morosos, proporciona uma leitura ávida, tendo-o lido em apenas dois dias. Estava extremamente curiosa com o rumo dos acontecimentos e embora a trama seja isenta de momentos mais gráficos, esta é indiscutivelmente pautada pelo dramatismo dos episódios que conseguem ser tão perturbadores quanto os livros que mais aprecio.
Este é claramente um livro convidativo à introspecção uma vez que as subtramas das três mulheres exploram os valores morais das atitudes que adoptamos no quotidiano.
Nota positiva para um epílogo verdadeiramente emocionante e que remata brilhantemente uma narrativa consistente e cativante. É rara a literatura que escolho e que tem este impacto de deixar-me a matutar nas repercussões não só das escolhas das personagens como também e principalmente, das nossas. Gostei muito!