domingo, 11 de março de 2012

Robin Cook - Anjo da Morte [Opinião]

Há pouco tempo li Cura e fiquei com uma sensação equiparável a uma vontade descontrolada de ler mais e mais do autor. Não sendo propriamente um livro que me enchesse as medidas, várias sugestões apontavam para os primeiros livros de Robin Cook, descrevendo-os como arrepiantes e sensacionais thrillers médicos e claro, optei pelo primeiro livro editado pela Europa América, o Anjo da Morte.

Embora esta história tenha a mesma idade do que eu, fala de temas, possivelmente plausíveis ainda nos dias de hoje: homicídios de pessoas num estado de saúde mais debilitado dentro de uma unidade hospitalar.

O livro inicia-se com uma cena deveras perturbante e claustrofóbica, da morte de Bruce Wilkinson e aí fiquei imediatamente presa ao livro. Afinal de contas, há ali um homicídio, cuja identidade do assassino desconhece-se e tendo como cenário, um local aparentemente seguro, um hospital. Mas rapidamente subentende-se que, quem terá praticado o crime será certamente da comunidade hospitalar, quem acima de tudo, deveria zelar pela nossa saúde.

O livro é composto por personagens fascinantes. A começar por uma protagonista, que foge aos standards de um herói. Cassandra Kingsley é psiquiatra e casada com o cirurgião bem sucedido Dr Thomas Kingsley. O notório na personagem principal é a sua vulnerabilidade. Ao contrário do que é usual na literatura, temos uma protagonista com uma fraca personalidade, dependente do marido que constantemente a negligencia. Mas Cassi é também frágil, devido à sua condição de saúde. O facto de Cassi ser diabética crónica e ser insulino-dependente acarreta várias complicações laterais, que serão desenvolvidas no decorrer do livro.

Já o seu marido é uma personagem sinistra. Penso que esta personagem é deveras polémica, desafiando quaisquer limites estabelecidos para a ética hospitalar no que concerne a automedicação e dosagens permitidas para os diversos medicamentos. Ainda assim, a forma como lida com Cassi é quase inadmissível, sendo uma figura com quem antipatizamos logo desde imediato.

Mas claro, desconhecendo nós a identidade do Anjo da Morte, o justiceiro que, um a um, vai eliminando os demais internados (e todos eles têm em comum o facto de terem sido sujeitos a uma intervenção cirúrgica), desconfiaremos de todos os médicos ou enfermeiras, por muito que o autor descreva as suas boas intenções. Tirando Cassi e a sua amiga Joan, todos à partida são suspeitos!

Achei o enredo brilhante! Embora um pouco previsível, a história é aliciante pois de facto Robin Cook sabe contar uma história e prender o leitor. Foi com grande ansiedade que fui virando páginas após páginas para deslindar o final e se este seria como eu tinha equacionado. E sim, mas muito mais emocionante!

Com alguns pormenores referentes a uma terminologia hospital específica, que poderá maçar o leitor, a meu ver, até os mais leigos serão agradavelmente surpreendidos com estes pormenores tão realistas. Afinal Robin Cook e também médico e se há temática em que ele e entendido é precisamente esta. Usando estes pormenores tão singulares entrelaçados com a narrativa romanceada, um detalhe sobre a vida pessoal das personagens e o mistério deixado pelo Anjo da Morte, acreditem, o resultado é brutal: desde ao entretenimento, à aprendizagem das várias técnicas médicas e o íntimo contacto com comunidade hospitalar, todas as minhas expectativas foram correspondidas. Ler este livro foi ingressar no mundo dos hospitais e sentir todo aquele ambiente inquietante, tão típico destes locais. Ler este livro foi também entrar no mundo dos casamentos por aparência e perceber o número infinito de cedências para que resulte. E por fim, ler este livro deixou-me um íntimo terror: caso algum dia necessite de internamento hospitalar, vou ter medo... muito medo! Altamente recomendado!

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