segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Kate Pearce - Escravos do Amor [Opinião]

A minha incursão pelo romance dito sensual continua, e prossegue com este Escravos do Amor, o primeiro volume da saga Casa do Prazer, pela mão de Kate Pearce.

Num registo algo semelhante dos livros que li até hoje, este sobressai pelo conteúdo altamente sexual. Afinal de contas, esta é uma história com um cenário partilhado pela autora, Cheryl Holt, uma Inglaterra do século XIX. 
No entanto, na minha sincera opinião, neste livro não se consegue sentir na íntegra este cenário fantástico pois a narrativa é abafada pela história de Valentin e Sara e a paixão que emerge entre os dois. Ou seja, há uma grande incidência sobre os actos físicos, o que também não me desagradou de todo! Já esperava um romance erótico, e quanto mais forte, para mim, melhor!

Lorde Valentin Sokorvsky foi escravo sexual na Turquia. Ele e Peter são resgatados pelo pai de Sara Harrison e logo vão viver para Inglaterra, numa vida de luxos e satisfações sexuais dentro da Casa do Prazer de Madame Helene. Aí são satisfeitas todas as fantasias sexuais que se possam imaginar... Mas Valentin ainda sente a dor da escravidão de que foi sujeito. Ele terá que casar com uma das filhas de Harrison, e escolhe a menos óbvia, Sara. Uma jovem que vai aprender o quão presente pode estar a luxúria no casamento.

A autora apresenta, ainda que dentro do explícito dos inúmeros actos sexuais, uma linguagem cuidada, sobretudo quando alusiva à designação de órgãos sexuais e outras práticas que poderiam passar por obscenas.
Embora, assumidamente pouco experiente em matéria de romances sensuais, este é, até à data, aquele que considerei mais erótico. É preciso ser open minded para enveredar por esta leitura. Não só que as passagens sobre sexo sejam abundantes, mas há numa variedade sem limites, desde o vouyerismo,  promiscuidade de parceiros ou o recorrer aos brinquedos sexuais, neste livro há de tudo. Portanto Escravos do Amor poderá ferir as susceptibilidades dos mais convencionais.

Dentro das personagens, achei que estas poderiam estar um pouco mais desenvolvidas. Não que tenha desgostado das mesmas: as características da arrogância masculina (como tem vindo a ser um dejá vu nestes romances) estão patentes em Valentin, ainda que este tenha sido um escravo com funções restringidas à satisfação sexual de terceiros. O que me parece um pouco contraditório até. Como é que um ex-escravo tem um apetite sexual tão voraz? 
Aliado a claro, uma personagem feminina de forte personalidade, Sara. Apesar de se mostrar emancipada para as mulheres da época, no que concerne por exemplo ao dom que tem para a música, ela parece bastante ingénua, e algo submissa. Também estes um aspecto cliché do romance sensual. Mas não é que resulta mesmo?
Devido à forte atracção que se gera entre ambos, torna-se esta esposa de Lorde Sokorvsky ao invés de uma das suas irmãs. E por falar nestas... o que terá sido feito de Charlotte e Emily? A autora optou por restringir a história às personagens principais, podendo ter desenvolvido tramas secundárias para as irmãs Harrison.
Achei particularmente interessante a personagem de Peter, que apesar de estar encaixado numa sociedade de século XIX, não deixa de ser um estereótipo de quem está confuso sobre a sua sexualidade.
Deixado um pouco em aberto, nomeadamente a personagem Peter, foi com alguma ansiedade que fechei o livro, pretendendo começar a leitura da sequela em breve, Escravos da Paixão.

E sendo este um romance de época, não poderiam faltar as já típicas intrigas que acentuam os sentimentos que unem Valentin e Sara, que aparentemente sexuais, vão mais além da paixão.

Embora um livro de forte cariz sexual, Escravos do Amor apresenta-se como uma leitura ávida e acima de tudo, sem qualquer tabu, para os fãs do erótico. Extremamente gráfico, explanando práticas sexuais deveras ousadas, é um livro que recomendo às fãs do género, embora menos preconceituosas.
Eu, pessoalmente, gostei muito e fiquei extremamente ansiosa em ler Escravos da Paixão.


3 comentários:

  1. hihih

    Obrigado Sandrinha ;)
    E Martinha, lia já o segundo se o tivesse por cá. Ando em contenção de compra de livros, por isso vou-me dedicando a outros eróticos que já cá tenho ;)

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