sexta-feira, 10 de julho de 2015

The Detection Club - Quem Matou o Almirante [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião do Ricardo: O desafio consistiu em ler um policial clássico, contudo, deparamo-nos com um clássico, de certa forma, atípico, na medida em que o mesmo foi escrito por vários autores, autores esses que constituíam The Detection Club. 

Segundo pude apurar, no prefácio da presente obra, da autoria de Simon Brett, o actual presidente deste clube, The Detection Club foi fundado em 1930 por vários escritores britânicos que, de um modo geral, se dedicavam à escrita do género policial, incluindo alguns nomes mais sonantes como Agatha Christie, Dorothy Sayers ou G. K. Chesterton, tendo este último sido o presidente fundador.
As actividades do clube iam desde as meras tertúlias, até à elaboração conjunta de contos policiais, tendo a obra, Quem Matou o Almirante, publicada em Dezembro de 1931, sido uma das primeiras obras resultantes dessa colaboração entre membros do clube.

No aludido prefácio tomamos, desde logo, conhecimento dos estatutos do clube conforme foram decididos em 1930, os quais indicam que, todo o crime deverá ser resolvido sem recurso a qualquer artifício, recorrendo-se unicamente à lógica, o que, convenhamos, é um claro estereótipo presente na denominada literatura policial clássica. Apercebemo-nos que este clube não se coibia de sublinhar esse estereótipo, como o tornava obrigatório em todas as obras que fossem publicadas sob a sua chancela.

Feita esta primeira análise, partimos então para a leitura da obra com um prólogo, da autoria do primeiro presidente do clube, G.K. Chesterton, seguido de doze capítulos escritos por treze membros do clube, isto porque, o segundo capítulo foi escrito a meias do G.D.H. Cole e Margaret Cole, um casal de escritores.
Cremos que um dos desafios desta leitura prende-se com o facto de termos, em cada capítulo, uma forma diferente de escrever e isso pode-se reflectir na própria leitura. Desse ponto de vista, podemos afirmar que os capítulos escritos por Agatha Christie e Dorothy Sayers, bem como o capítulo final da autoria de Anthony Berkeley foram lidos muito mais rapidamente do que, por exemplo, o capítulo escrito por Ronald Knox, mas, tal facto será uma necessária consequência de uma obra colectiva.

Ao longo da obra travamos então conhecimento com o caso, a morte do almirante Penistone na pacata vila costeira de Whynmouth, cujo corpo é descoberto dentro de um barco à deriva no rio Whyn. O inspector Rudge, da polícia local, é então encarregue do caso e à boa maneira clássica, este inspector, vai seguir o modelo tradicional de investigação através de interrogatórios às pessoas que, de uma forma ou de outra, privaram com a vítima, seguindo algumas pistas falsas, outras verdadeiras, até chegar à conclusão final e ao necessário desfecho que consubstancia o climax da obra.

Sem quaisquer laivos de contemporaneidade (por tal entenda-se tudo o que implique uma investigação do foro laboratorial), Quem matou o almirante é, sem dúvida, um polícial clássico na verdadeira acepção da palavra. Por aqui ainda predomina a tradicional formulação do problema centrada no who done it? ou seja, na descoberta do autor do homicídio, assistindo-se a uma secundarização do why done it?
 
Recuperando um pouco da árvore genealógica da ficção policial, considera-se o período entre as décadas de 1920 e 1950, como a idade de ouro do who done it? antes da complexificação do género policial e da passagem para a ribalta do why done it? que se mantém como peça fulcral na literatura policial contemporânea.

Chamamos ainda a atenção para o final da obra onde cada um dos autores envolvidos, apresenta o seu próprio final alternativo ao que foi decidido por Anthony Berkeley , sendo de destacar o final alternativo de Agatha Christie, bastante inovador e ousado para a época, bem como o final alternativo de Dorothy Sayers, muito pormenorizado e surpreendente.

De um modo geral, é uma leitura fácil para quem gosta de literatura clássica ou, para quem está habituado à literatura policial, embora a obra em questão seja parca em terminologia criminal ou forense. Pelo motivo já explanado, da diversidade de autores, é possível que alguns capítulos sejam de leitura mais rápida do que outros.


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