sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sophie Jaff - O Amor é Vermelho [Opinião]

Sinopse: AQUI


Opinião: Uma capa apelativa com ênfase numa lombada cheia de sangue (condiz mesmo com o cabeçalho da Menina dos Policiais) aliado a uma sinopse bastante aliciante, fez com que eu suspirasse por este O Amor É Vermelho ainda a obra não estava publicada. A verdade é que agora que findei a leitura, não percebo como me deixei ludibriar por este livro.

Ainda que seja exigente nos livros que leio, na realidade eu fico satisfeita com pouco. Os meus caros leitores terão reparado que gosto de todos os livros que leio, regra geral. Bastam uns crimes (e se estes forem munidos de sangue, melhor ainda), umas reviravoltas que me deixam a roer as unhas e uma acção célere e entusiasmante.

O que acontece é que O Amor É Vermelho não cumpriu estes requisitos. Tirando um acontecimento que mexeu comigo, não houve nada com que me identificasse.
Há efectivamente um serial killer que tem como alvo mulheres e que é conhecido como o Homem Foice. Mas esta actuação do Homem Foice dilui-se na acção propriamente dita. Grande parte do livro foca-se nos constantes encontros da protagonista, Katherine, com Sael e David, e com algum sexo pelo meio. Note-se que eu até gosto de ler eróticos mas estava convencida que O Amor É Vermelho seria apenas um excelente thriller. Estava enganada. É em parte thriller, em parte erótico e no final denota-se uma componente sobrenatural. Também gosto do género fantástico mas não era isso que esperava desta obra. Eu sou old fashion school e achei que houvesse uma investigação policial e por conseguinte, um desfecho lógico sobre o homicida. Não foi bem isso que aconteceu.

Lamentavelmente não senti afinidade com nenhuma das personagens. Katherine comporta-se como uma adolescente que não consegue definir os seus sentimentos e creio que este é um estado de espírito muito pouco usual na idade adulta. Ou talvez seja problema meu que sou avessa a situações de promiscuidade. Nem as personagens secundárias me conquistaram, tão pouco.

Além da história houve um aspecto que me desiludiu e que tem a ver com a escrita da autora e publicação portuguesa. Acredito que Sophie Jaff tenha querido dotar o texto de emoções mas o recurso exagerado à repetição de palavras ou expressões, leva a uma leitura enfadonha/exaustiva. Eu, leitora, percebo a ideia logo à primeira. Dou-vos um exemplo em concreto: "Ela questiona-se se lhe irás pedir o número de telefone. Ela quer que lhe peças o número de telefone. Tu não lhe pedes o número de telefone." Eu nestes casos insisto com os meus alunos a recorrerem aos pronomes. O que nos leva à questão seguinte: a tradução e revisão do livro.
Tenho imenso respeito à tradutora deste livro, Liliana Lavado (ela própria é autora de livros do género Fantástico), contudo denotei algumas gaffes, omissão de artigos definidos ou letras, dois verbos mal conjugados (não há utilização de um S final na segunda pessoa do singular) pelo que creio que o livro foi alvo de uma revisão de texto pouco minuciosa. 

Este livro foi-me cedido pela Marcador (a quem endereço os meus maiores agradecimentos) em troca de uma opinião honesta e terei que sê-lo. Infelizmente, este livro não me encheu as medidas. É o primeiro de uma trilogia (lá fora ainda não foram publicados) mas sei que não sinto grande vontade de ler os seguintes. Até porque a história teve um desfecho, ou seja, não consigo perceber no que possa ser continuado nesta história em livros posteriores.


1 comentário:

  1. Realmente não é costume ficares desiludida com um livro... Boas Leituras!

    ResponderEliminar