terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Janne Teller - Nada [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Nada de Janne Teller começou por ser um livro proibido na Dinamarca passando, posteriormente, a constar de uma lista de leituras obrigatórias. 
Foi considerado, portanto, um livro polémico, o que me levou a querer descobrir a razão pela qual a obra foi assim avaliada.
De facto, estamos perante uma trama controversa e chocante protagonizada por crianças e, como tal, poder-se-ia pensar que estaríamos perante uma história infantil. Se acharam que O Deus das Moscas é impressionante, garanto-vos que terão sensação semelhante com a leitura de Nada. 

É um livro parco em páginas mas muito intenso. Embora tenha lido Nada no último dia do ano, ainda hoje penso nas personagens e na mensagem fortíssima da trama que apela para a questão do sentido da vida. É essa a dúvida que se instala em Pierre Anthon, de 13 anos que começa a questionar o significado da existência. Os colegas, preocupados, começam a juntar uma série de objectos para comprovar que a vida é valiosa nos mais variados aspectos.

Como afiancei anteriormente, e creio que deva reforçar esta ideia, estamos perante uma obra que é polémica. Chocou-me muito, confesso. À medida que a pilha de objectos, ou de significados, aumenta, vão surgindo doações algo controversas que tomam particular relevância se tivermos em conta que os protagonistas são crianças/ pré adolescentes.
Para intensificar o impacto da pilha dos significados, vou abster-me de falar concretamente sobre os objectos lá colocados, embora acredite que é impossível ficar-se indiferente aos itens que as personagens vão acumulando.

Se me senti assoberbada à medida que os miúdos iam depositando as suas dádivas, esse sentimento acentuou-se no final. Não esperava de todo aquele desfecho, um clímax arrebatador e, de certa forma, inesperado. Não respondeu, no entanto, às múltiplas questões levantadas, até porque, tenho para mim, que o sentido da vida terá um significado muito particular para cada um de nós. Nada poderia ser um livro de cariz existencialista, até porque nos obriga, inevitavelmente, a reflectir sobre a ética e valores morais, embora a linguagem e os contornos macabros da história o elevem para um patamar mais perturbador.

Em suma, é um livro bastante cru e violento. Não creio que seja, por isso, um livro adequado para todos os leitores. Os intrincados objectos na pilha dos significados, bem como o desfecho intenso e, de certa forma, imprevisível, acabam por tornar este livro macabro, principal característica que retiro desta poderosa leitura.


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