domingo, 13 de março de 2011

Henning Mankell - Assassino sem Rosto [Opinião]


Foi a minha estreia com o autor e devo dizer que fiquei fã. Mais uma vez, os suecos provam a sua mestria neste género literário.

Então este livro, o 1º da saga com o inspector Kurt Wallender conta a história de um brutal assassinato a um idoso numa terreola no sul da Suécia. A esposa deste idoso fica às portas da morte, quase asfixiada com um garrote. A sua última palavra é "estrangeiro", contudo, descobrem-se pistas que indicam que o crime pode ter uma fonte bem mais perto deste idoso do que se pensava...

Aquando a investigação da morte de Johannes e Maria Lovgren, ocorre um violento ataque a uma instalação de refugiados. Terá sido obra dos ditos "estrangeiros"? Mais tarde nesse mesmo campo, um homem oriundo da Somália é executado por dois homens? O que terá em comum os homicídios?

Neste livro o tema fulcral é a xenofobia, uma situação real e comum nos dias de hoje que eventualmente pode gerar em crimes de natureza racista e infelizmente quase que se tornaram banais. Daí talvez a minha admiração pela história, que sendo uma narrativa bastante simples, está contada de uma forma fluída, com uma carga de emoções fortes, acção e muito mistério. Na verdade, não acho que o livro tenha momentos mortos!

Gostei da personagem Kurt Wallander, da sua ligação com o pai quase senil e da relação com a filha adolescente Linda, que faz o que bem entende. É na personagem que cativa o leitor, devido a estas preocupações com a família, o facto de se querer aproximar da sua ex mulher Mona, pelos sentimentos por Annette e pela mulher secreta dos seus sonhos, gerindo todos estes dilemas com a carreira de polícia.

Gostei daquele pequeno twist final, quando prenderam o verdadeiro assassino. Só não gostei de um pormenor: o informalismo dos diálogos das personagens mal elas se conheciam: não é normal um suspeito de um crime tratar um policia por tu e vice versa.

Um livro que promete uma agradável momento de leitura, gostei!


5 comentários:

  1. Como é que descobres livros policiais tão fantásticos?! lolol Não sabia que era sueco! Então, já que sou um fã de policiais nórdicos, este é mais um a acrescentar à lista! ;o)
    Bom fim de semana!
    Beijinhos

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  2. Guerreiro, tenho uma espécie de madrinha de policiais no facebook que me indica algumas referências...e experimentei este. Gostei :D

    Nem por acaso, amanhã começa um novo passatempo e a sortear está um livro tb sueco :)

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  3. Li recentemente este livro e também não gostei que os personagens se tratassem por tu. Acho que não faz sentido.
    Não sei se na Suécia o tratamento será assim, mas penso que o tradutor devia ter adaptado a forma de tratamento para a nossa realidade.

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  4. é verdade Vespa.
    Desconheço se há este tipo de tratamento, em inglês por exemplo you é tu ou você. O facto é que achei isso muito estranho...A tradução portuguesa deveria ter tido isso em conta. Mas ainda assim, gostaste do livro? Eu estava numa de ler um por mês do Mankell mas não consigo... a ver se pego num livro dele em breve.

    Beijinho e boas leituras

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    Respostas
    1. Gostei bastante do enredo.
      Achei que a solução do crime foi muito bem conseguida. Nunca me passou pela cabeça que fossem aqueles os culpados, e no entanto, é um tipo de situação que deve acontecer com mais frequência do que imaginamos.
      Já do Kurt não sei bem se gostei ou não. Acho que perde a calma com demasiada facilidade e isso num investigador não é uma característica muito boa...
      Mas sem dúvida, vou continuar a ler este autor

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