quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Susan Hill - A Mulher de Negro [Opinião]


Sinopse: Arthur Kipps, um jovem solicitador a fazer carreira em Londres, é chamado a uma vila remota para assistir ao funeral de uma cliente da firma para que trabalha. Mrs. Alice Drablow vivia sozinha numa mansão isolada, quase sempre envolta num denso nevoeiro e apenas acessível por um estreito caminho.
O solicitador decide instalar-se na mansão enquanto trata dos assuntos da falecida Mrs. Drablow. E o que parecia ser uma tranquila viagem de negócios transforma-se numa experiência aterradora quando Arthur começa a ser assombrado por sons e imagens arrepiantes - uma cadeira de baloiço a ranger num quarto vazio, o grito de uma criança perdido no meio das brumas e a visão de uma mulher de aspecto fantasmagórico. Ainda mais denso do que o nevoeiro e a escuridão que todas as noites caem sobre a velha mansão são os trágicos segredos que Arthur vem a desvendar, sempre perseguido pela temível mulher de negro.

Com mais de um milhão de exemplares vendidos, A mulher de negro faz jus à melhor tradição das clássicas histórias de fantasmas. Agora adaptada ao cinema, com Daniel Radcliffe no papel de Arthur Kipps.

Opinião: A Mulher de Negro é um livro de terror que encaixa no subgénero sobrenatural. Uma obra que se adequa à época de Halloween que se avizinha, portanto.
Creio que no ano de 1983, data da sua primeira edição, esta obra terá causado sensações mais intensas. Actualmente e na minha opinião, o tema do sobrenatural, em particular, entidades fantasmagóricas e casas assombradas, encontra-se já bastante explanado, sobretudo no cinema.
Tendo apenas 175 páginas, é um livro que se lê rapidamente.

A história é narrada por Arthur Kipps, já idoso, relembrando os terríveis eventos que vivera.
O começo do livro retrata o entusiasmo de Arthur Kipps numa viagem a trabalho em Crythin Gifford, em Inglaterra, para separar os documentos da falecida Sra. Drablow, uma mulher solitária e triste que deixou uma casa isolada. Como principal crítica, aponto alguma morosidade no arranque da história, pois não nos esqueçamos que esta tem apenas 175 páginas e as iniciais debruçam-se sobre o entusiasmo de Arthur na viagem e as burocracias do trabalho que ia executar.
Existem poucas personagens e a que sobressai é, naturalmente, a do o jovem solicitador, não existindo qualquer análise profunda sobre o mesmo, transmitindo apenas a informação essencial ao leitor.

Sobre o reduzido número de páginas, senti que a história, apesar de bem arquitectada, poderia estar mais desenvolvida, sobretudo ao nível do espaço e de toda a atmosfera envolvente.
Um outro aspecto a sublinhar reside no facto de a obra conter poucos diálogos. De facto, são muitas as passagens de puro terror e em que Arthur se encontra sozinho, ora sendo ele o narrador, é natural que a narrativa se componha por descrições que o protagonista experiencia, ainda assim confesso que senti alguma falta de diálogos para variar um pouco da narrativa descritiva.

Uma vez que vi o filme, já conhecia a história, pelo que a narrativa não me trouxe grandes surpresas, não obstante, o desfecho ter uma ligeira cambiante relativamente ao filme.
No livro, constatei que os acontecimentos foram simplificados existindo uma explicação dos fenómenos sobrenaturais que considero que está mais bem explicada no filme.
O ambiente descrito é fascinante, conduzindo o leitor à cidade de Londres vitoriana e posteriormente a um vilarejo rural de seu nome Crythin Gifford, fazendo-se sentir um ambiente gótico, muito ao estilo de Tim Burton. Por outro lado, as descrições dos fenómenos paranormais presenciados por Arthur são muito bem conseguidos, sentindo-se um efeito de suspense.

Louvo a autora que conseguiu transpor para o leitor o ambiente de terror e solidão que o protagonista sentiu na casa da viúva Mrs. Drablow. Como referi, não costumo ler com frequência obras do género de terror, no entanto, face ao desafio da maratona alusiva ao Halloween no Goodreads, achei que este livro seria o ideal. Apesar de não me encher as medidas por completo, confesso, revelou ser uma leitura interessante (e também algo aterradora).
Apesar de apontar algumas críticas à obra, gostei.

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