terça-feira, 30 de agosto de 2016

David Soares - Batalha [Opinião]


Sinopse: Em Batalha, David Soares apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor.

Opinião: Encontrei o autor David Soares várias vezes numa iniciativa perto de casa chamada Sustos às Sextas na localidade onde vivo. Desde então que a curiosidade em ler uma obra da sua autoria aumentou exponencialmente e fui conseguindo alguns dos seus livros. Ouvi falar tão bem do "livro da ratazana" que optei por me estrear nas obras do autor justamente com Batalha.

Inicialmente pensei que Batalha seria uma fábula. A história sobre a ratazana abandonada, acolhida por uma família de ratos fez-me pensar que provavelmente esta obra não se ajustava aos meus (mórbidos) gostos. Não obstante saber de antemão que David Soares prima precisamente pelo Romance Gótico/ Terror/ Fantasia. 
E de facto, à medida que me embrenhava nas páginas, me ia sentindo cada vez mais curiosa pela peculiaridade da obra. Vai muito além de uma fábula. Há que valorizar a riquíssima perspectiva histórica, grande parte aquando a construção de um dos monumentos mais emblemáticos da nossa História. E a trama propriamente dita? Tantos ensinamentos sobre a morte e os valores mais preciosos da vida. O livro está repleto de passagens enternecedoras, grande parte devido aos diálogos. Apesar destes tomarem forma a partir de animais, há uma grande seriedade na forma como os temas são introduzidos.

Embora seja uma obra de cariz claramente fantasioso, consigo reconhecer alguns elementos que identifiquei assistindo às palestras e breves comunicações do autor nos Sustos Às Sextas: um ambiente obscuro que equilibra de feição tantas lições de natureza mais comovente. A ratazana Batalha ficará, por essa razão, na minha memória durante muito, muito tempo. 

É uma obra que se distancia do thriller, tratando-se de uma trama cativante e madura que visa a reflexão de temáticas que mencionei anteriormente. É, portanto, uma obra a que não estou nada habituada mas que ainda assim gostei da experiência. Achei enriquecedor ser em jeito de fábula, um género que associei até então (e de forma errada) às crianças. Gostei e irei, certamente, ler as demais obras do autor.


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