segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Stephen King - O Retrato de Rose Madder [Opinião]


Sinopse: Ao fim de 14 anos de um casamento terrível Rose Daniels resolve fugir de casa. Refugia-se numa pequena cidade mas continua a viver aterrorizada com a possibilidade do marido a encontrar, pois é um investigador persistente além de ter uma louca obsessão por Rose, tornando-o um monstro de crueldade quase mítico. Para escapar a esse poder quase mítico Rose terá de compactuar e transformar-se numa mulher que nunca desejou ser: Rose Madder.

Opinião: Nos dias que antecederam a estreia de It em Portugal, sentia-me empolgada, quase sedenta por Stephen King. Impossibilitada de ler o livro que deu origem ao filme (está em processo de tradução. Verovsky, por favor, aguarda) optei por este, O Retrato de Rose Madder, um livro que tinha na estante a aguardar leitura já há 5 anos.
Para ser sincera, nem sei se gostei desta obra. Ora vejamos:

Numa primeira análise, encontrei algumas semelhanças com a história do filme Dormindo com o Inimigo. A cena inicial é bastante intensa e fez-me compreender que Norman Daniels, o marido de Rosie, era ainda mais violento do que o marido de Julia Roberts no filme. Ele é polícia/detective, o que pode ser eventualmente intimidante na medida em que exerce funções de autoridade.
Norman submeteu a mulher às maiores atrocidades, agredindo-a com grande violência e violando-a. As páginas iniciais são aterradoras e chocaram-me muito pois retratam um episódio em particular, bastante angustiante.
Curiosamente, numa situação de dimensão inferior a esta, Rosie decide fugir do marido e instala-se numa nova cidade. Aí, compra um quadro e sente uma estranha ligação com ele.

Antes de mais, gostei de ver mencionado o Paul Sheldon e os seus romances protagonizados por Misery, livros apreciados por Rosie. Norman considera que estes livros são fúteis. 
Percebo que os livros de King sejam bastante complexos e introduzam personagens ou elementos de obras passadas, como foi o caso.

Estava a gostar bastante desta trama e, inicialmente, pensei que este enredo de King diferia dos demais por ser isento de elementos sobrenaturais. A meio da trama apercebi-me que me enganara redondamente. A componente sobrenatural de O Retrato de Rose Madder tem contornos bastante semelhantes com a trama de 22/11/63. Apesar dos eventuais clichés, talvez tivesse apreciado mais a obra se a mesma se passasse inteiramente no mundo real. Afinal de contas, eu sou péssima para ler entrelinhas e interpretar metáforas e alegorias. Gosto da escrita o mais objectiva quanto possível.

O excerto dito sobrenatural terminou e a trama focou-se novamente em Norman, cada vez mais perto de Rosie e eu aguardava com grande ansiedade o confronto entre o malévolo detective e a destemida esposa quando, uma vez mais, Stephen King tirou-me o chão e projectou este episódio, novamente, no outro mundo que não o real. Talvez eu esteja a desvendar demasiado mas é a única forma de expressar o quão me desagradou a componente sobrenatural deste livro.

Compreendo que, caso não houvesse este ingrediente, a trama poderia facilmente cair nas frequentes histórias de violência doméstica mas há que ter em atenção que estamos perante um livro de Stephen King, exímio no género de terror. Ele teria que trazer algo de diferente à história.
Além disso, creio que o vilão é verdadeiramente arrepiante. Atrevo-me a dizer que deste livro retenho o vilão. O Norman tornar-se-á memorável por ser dos psicopatas mais astutos e sádicos que vi dentro deste género de trama de violência doméstica.

Avaliando o livro como um todo, para mim, será uma tarefa árdua. Adorei a caracterização do antagonista, as várias cenas descritas na sua perspectiva e o aparente rumo da trama. 
Contém uma importante moral sobre coragem e superação. Um verdadeiro exemplo para as mulheres vítimas deste flagelo.
Contudo, devo confessar que me desagradou a componente sobrenatural. Dada a fama do autor, pessoalmente considerei O Retrato de Rose Madder como um dos menos assustadores que li de King. Com excepção da caracterização de Norman, o elemento da história que me pareceu mais tenebroso.

Não destrona as minhas obras favoritas do autor que, até ao momento, são Carrie, Misery e alguns contos. Continuarei a ler mais umas obras do autor a fim de mergulhar neste universo tão fascinante de Stephen King.


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