quinta-feira, 28 de março de 2019

C.J. Tudor - Levaram Annie Thorne [Opinião]


Dia 2 de Abril será publicada a segunda obra da autora britânica C.J. Tudor, que se estreou nas lides literárias com O Homem de Giz, para mim, um dos melhores thrillers de 2018.
Antes de tecer as minhas considerações sobre o livro, gostaria de ressalvar o magnífico trabalho de marketing da editora Planeta, que me fez chegar um exemplar de avanço acompanhado de uma boneca, um elemento assaz importante no livro.


Devo dizer que detectei um denominador comum entre as duas obras da autora: a construção de um ambiente sinistro, alicerçado num ambiente que decorre numa cidade pejada de moradores com esqueletos no armário. O protagonista, Joe Thorne, é pois um homem atormentado pelos fantasmas do passado e que se vê agora de regresso à sua terra natal a fim de descobrir o que aconteceu à sua irmã, Annie, há 25 anos atrás. Nessa época a menina desaparecera por dois dias e, uma vez regressada a casa, o seu comportamento mostrara-se completamente diferente como se de outra pessoa se tratasse.

Confesso que a partir da premissa fiquei bastante expectante com o desenrolar da trama, a qual, a meu ver, se desenvolve morosamente. Diria que este é um livro escrito em estilo slow burn uma vez que o início da trama tem um ritmo arrastado, debruçando-se essencialmente na caracterização das personagens já adultas. Confesso que, devido a este facto, senti-me impaciente algumas vezes até ao ponto em que a autora nos transporta para os eventos ocorridos nos anos 90, altura em que nos apercebemos da profundidade da relação fraternal e o quão a mesma fica abalada após o desaparecimento da criança.

Voltei a sentir um certo paralelismo com a escrita de Stephen King. No livro antecessor, O Homem de Giz, atribuí essa percepção aos contornos da história, mais concretamente às interacções do grupo de crianças. Nesta história em particular, apesar da autora se debruçar novamente sobre as dinâmicas estabelecidas em grupos de crianças, senti que toda a trama foi escrita num tom mais sombrio. Creio que atribuo esta minha percepção ao estilo da própria autora. Considerei certas passagens ainda mais gráficas do que as do livro precedente e, pessoalmente, agrada-me que a autora não se tenha coibido de descrever os pormenores macabros para detalhar algumas cenas. Esta mesma percepção intensificou-se nas últimas páginas, altura em que me senti assoberbada, pois devo dizer que não esperava que a resolução do puzzle fosse a que a autora nos apresentou, resolução essa que, dentro das tramas do género, que se alicerçam sobre desaparecimentos de crianças, sem dúvida que acaba por se destacar entre as demais.

Assim, se não fiquei imediatamente rendida logo nas primeiras páginas, a minha impaciência inicial acabou por se reverter, numa fase posterior do livro, num misto de sentimentos que foram desde a ansiedade até ao entusiasmo, passando pela estupefacção com especial ênfase no final. Psicologicamente devastador, Levaram Annie Thorne afigura-se como um thriller que poderá ser confundido com um livro de terror. Este segundo livro de C.J. Tudor traz uma constatação óbvia: esta é uma autora a seguir e irei aguardar, com grande ansiedade, por mais trabalhos seus. 


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