quinta-feira, 7 de junho de 2018

Greer Hendricks & Sarah Pekkanen - A Mulher Entre Nós [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Mais um thriller doméstico, um subgénero em voga que me agrada bastante.
No entanto, tive duas situações com este livro que fizeram com que não tivesse desfrutado plenamente do mesmo. Um deles foi a leitura recente de A Conspiração da Senhora Parrish, pois achei os contornos da história extremamente similares. Ressalvo, no entanto, que ambos os livros abordam um tema que, pessoalmente, gosto de ver explanado na literatura.

O outro aspecto, este muito curioso e pessoal, relaciona-se com uma tentativa de ouvir o audiobook desta obra, contudo o facto de não me ter identificado com a narradora, levou-me a desistir. Coloquei-o então de lado com um palpite estranho sobre as duas mulheres que protagonizam a trama, Nellie e Vanessa. Achei que estava equivocada e atribuí essa percepção ao próprio audiobook. Quando comecei a ler em português, a leitura fluiu melhor e qual não é o meu espanto quando, sensivelmente a meio da trama, somos surpreendidos com uma reviravolta que muda o rumo desta narrativa. Era precisamente a minha sensação estranha! Fiquei estupefacta pois considero que era altamente improvável adivinhar este twist.
Por isso, estes dois pontos, inseridos numa perspectiva muito pessoal, claro, fizeram com que não apreciasse este livro como teria desejado.

Relevando esta percepção, vou então tecer alguns comentários relativamente à obra. Começo por dizer que é um suspense muito bem construído e alicerçado sobre a obsessão. A escrita flui de tal forma que não parece ser escrita por duas pessoas.

Somos introduzidos à protagonista Vanessa, destroçada devido à nova condição social, tenta, a todo o custo, impedir o casamento do ex-marido, Richard, com a nova noiva. Por outro lado, Nellie está entusiasmada com o facto de casar com o homem perfeito. Richard é tudo aquilo que ela sonhou.
Ora estamos a braços com uma trama pautada por uma forte presença feminina, o que me agrada. Numa fase inicial senti que estas mulheres tinham personalidades algo artificiais, um aspecto que valorizo na caracterização das personagens, pois confesso ter uma queda para protagonistas com carácteres que suscitem suspeita no leitor.

Posteriormente, após a tal reviravolta que mencionei, há uma mudança na história e esta converge para um rumo muito diferente, inviabilizando os nossos juízos sobre a trama até então. Gostei dos twists que as autoras nos iam presenteando, embora, como referi anteriormente, não conseguisse dissociar da história de um livro que li recentemente. 
O ritmo é um pouco moroso mas creio que atiça o suspense. Nunca perdi o interesse nem nos momentos dos flashbacks alusivos a Vanessa. Creio que trouxeram uma maior profundidade à personagem.

Sobre o final, considero que foi algo agridoce. O clímax da trama deixou-me satisfeita não obstante julgar que a intenção das autoras, com esta obra, era surpreender ao longo da trama e não nos instantes finais, como na grande parte dos thrillers.
Portanto, o desfecho foi em consonância com a história. E foi aqui que Hendricks e Pekkanen me trocaram as voltas: acrescentando um epílogo, com uma nova situação. A meu ver, este poderia ter sido mais desenvolvido e, acima de tudo, mais explícito. Confesso que, após a leitura desta parte, fiquei tão confusa que fui investigar sobre este episódio final, tendo sido obrigada a concordar com os leitores que, no Goodreads, elaboraram as suas teorias que faziam todo o sentido no contexto da trama.
Após alguma reflexão, tenho que dar a mão à palmatória: aquela última cartada foi, de facto, inteligente. Com aquele epílogo é-nos impossível pousar o livro sem que fiquemos a pensar naquele acontecimento final.

Em suma, uma obra que aconselho aos apreciadores destes thrillers que dissecam relações matrimoniais, ressalvando, no entanto, algumas semelhanças com o título já referido.


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