quinta-feira, 21 de junho de 2018

Mons Kallentoft & Markus Lutteman - Zack [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Fiquei extremamente entusiasmada quando tive conhecimento que iria ser publicada mais uma obra de Mons Kallentoft. Desta vez, em parceria com um outro autor sueco que desconhecia, Markus Lutteman. 
Kallentoft já é, para mim, uma referência no que concerne à literatura policial nórdica pois uma das séries escandinavas que mais apreciei, até à data, foi a protagonizada por Malin Fors.

Zack é o título da presente obra, que inaugura uma série cujo protagonista tem precisamente este nome. Devo confidenciar que as páginas iniciais não me aliciaram. Zack é, à semelhança de Malin Fors (simplesmente não consigo deixar de estabelecer uma comparação entre as duas personagens criadas por Kallentoft), uma figura complexa, com os seus esqueletos no armário.
As primeiras páginas condicionaram-me a caracterizar Zack como uma espécie de anti-herói, percepção que se foi alterando no decorrer da leitura. Numa fase inicial parecia-me inconcebível que um membro da força policial tivesse um comportamento tão borguista e que não comprometesse o seu profissionalismo mas, posteriormente, comecei a ter mais empatia com este.

Pelo que pude apurar, na concepção de Mons Kallentoft, Zack é uma espécie de Hércules contemporâneo e parece-me que a série será inspirada nos 12 trabalhos da personagem grega.
Portanto, a avaliar por este primeiro volume, será uma série promissora.

Como tem vindo a ser hábito, a literatura policial nórdica tem vindo a dissecar alguns problemas sociais no contexto da realidade escandinava. Foi precisamente este ponto que mais me cativou na trama. Sem querer deslindar muito sobre a narrativa, afinal de contas senti que a maior surpresa residiu precisamente na omissão de factos concretos sobre a história, posso afiançar que esta levanta questões convidativas à reflexão. Tendo como ponto de partida o brutal homicídio de quatro prostitutas tailandesas numa cidade sueca, a trama debruça-se sobre a investigação do caso focando alguns pontos bastantes interessantes, como as consequências do fenómeno crescente da emigração. 

Considerei algumas das passagens de cariz atroz. Contudo, estes pormenores gráficos entusiasmaram-me bem como a acção, de ritmo alucinante. Uma cena em particular, no capítulo 16, ficar-me-á na retina por muito tempo devido ao explícito teor violento.
Esta obra, Zack, seria, a meu ver, passível de ser adaptada para o grande écran, com a certeza de que resultaria muitíssimo bem. 

A conclusão foi extremamente excitante. Confesso que fiquei sem fôlego na última página pois o final fica em suspenso. Muito bom sinal, portanto, para esta série não obstante sentir-me um pouco frustrada por não ter acesso imediato ao segundo livro.

Em suma, um livro cujos pormenores gráficos e acção trepidante fazem com que espere atentamente pela publicação do próximo da série. Quero manter esta dupla, Kallentoft e Lutteman, debaixo de mira. Uma obra imperdível para quem, como eu, é fascinado pelas tramas policiais nórdicas.

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