segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Araminta Hall - A Nossa Forma de Crueldade [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Este é um thriller que poderia passar ao lado até porque, numa primeira análise, pelo que pude apurar, o mesmo tem uma elevada componente sexual e, consequentemente, poder-se-ia pensar que não seria do agrado dos fãs do género. Dividido em três partes, posso assegurar que as duas primeiras estão num registo de thriller psicológico, com algumas descrições eróticas amiúde, para passar, na terceira parte, a thriller jurídico, uma vez que a trama se desenrola durante uma audiência de julgamento.

A Nossa Forma de Crueldade é uma história intensa e arrebatadora embora, confesso, não seja completamente inovadora (de repente, lembro-me de dois ou três títulos com a temática de stalking e obsessão). Porém, por mais tramas que assentem neste tema que eu conheça, e muito embora o fio condutor seja sempre o mesmo, levando invariavelmente a finais trágicos, devo dizer que são histórias que me impressionam imenso. Considero os comportamentos de perseguição e assédio uma realidade muito assustadora e, como tal, acabei por me sentir desconfortável em inúmeras passagens da obra.

No presente caso, os protagonistas são Mike e Verity. Após 9 anos de namoro aparentemente felizes - pontuados por várias práticas sexuais audazes (e sim, estas são bastante explícitas), rompem a relação, facto ao qual Mike reage com relutância pois ama (demasiado) Verity e quer continuar a relação.

A personagem de Mike é, desta forma, extremamente complexa e a autora constrói um perfil psicológico muito conturbado. Um aspecto interessante foi a forma como Araminta Hall atribuiu esta personalidade à sua infância turbulenta, recorrendo a flashbacks para relatar alguns episódios do passado deste protagonista.
Se me foi fácil fazer esta leitura do protagonista masculino, não posso dizer o mesmo relativamente a Verity. Considerei-a com um carácter muito duvidoso e no decorrer da leitura, senti-me pouco segura nos juízos de valor que ia fazendo sobre ela, daí ter sido incapaz de perceber se esta estava conivente com o comportamento de Mike ou se era mesmo uma vítima das situações provocadas pelo ex-companheiro.

Para ser sincera, achei todo o desenvolvimento da trama bastante previsível. No limite, este tipo de comportamentos desencadeiam situações dramáticas e pessoalmente senti-me tensa, angustiada e até perplexa com os pensamentos e atitudes de Mike.
Até o desfecho achei muito coerente com o desenvolvimento da história e como tal, isento daquela última cartada ou twist que os thrillers muitas vezes apresentam. Não considero que este factor, bem como a previsibilidade da trama, tenham prejudicado o meu interesse na leitura da obra. O elemento Mike faz com que o leitor se envolva demasiado na história, sem pôr em causa estes parâmetros que acabei de avaliar.

Em suma, recomendo este títulos aos leitores apaixonados por personagens mentalmente instáveis e que apreciem situações de stalking. Será um livro que vos fará pensar nas várias tramas que proliferam com esta temática, mas recomendo que se foquem, sobretudo, nas sensações aterradoras que este tipo de situação provoca. Decerto que terão maior proveito desta leitura. 


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