sexta-feira, 21 de junho de 2013

Fernando Sobral - Ela Cantava Fados [Opinião]



Sinopse: Lisboa não é apenas luz para encantar turistas. Por detrás das suas fachadas românticas e dos muros altos dos novos condomínios, esconde segredos que ninguém quer revelar. Alguns são negros e podem trazer a morte a quem nunca a imaginou tão cedo.
Quando uma jovem e promissora fadista é assassinada, o detetive Manuel da Rosa penetra num universo desconhecido, até para ele, homem de outras guerras e de muitos casos resolvidos. O fado, afinal, não é só melancolia.
É também vingança. E é também finança, num mundo onde tudo tem um preço, porque tudo está à venda. Até o amor. De suspeito em suspeito, o detetive atravessa uma cidade que vive já no futuro, sem, no entanto, conseguir largar o passado. Uma cidade que é como ele. Um homem apanhado entre dois mundos. E ainda sem saber qual a sua verdadeira relação com Ana Moreno… 

Opinião:  Depois de ter lido L.Ville do autor, estava curiosa em ler este Ela Cantava Fados. Afinal de contas, estamos perante um policial português e cujo cenário é a lindíssima cidade de Lisboa. Ao contrário da obra anterior, o autor não pinta a cidade de forma tão negra; fala de corrupção embora de uma forma implícita, relevando os sítios mais popularuchos como a Graça, Príncipe Real, Bairro Alto ou as esplanadas do Terreiro do Paço. Para mim, houve uma verdadeira familiaridade, ainda para mais, estando nós na época dos Santos Populares trazendo consigo a tradição de percorrer as ruas estreitas dos bairros de Alfama e Mouraria onde abundam as tradicionais casas de fados. Talvez tenha sido esta a altura ideal para ler este livro!

Acaba por ser este o tema fulcral da história, relevando o misterioso homicídio de uma promissora fadista, o leitor circula pelo ambiente do fado, pela nostalgia da música tão própria deste estilo musical bem como os cenários que lhe fazem jus e que referi anteriormente. A cultura (na vertente musical e tão tradicional como o fado, que como se sabe, é já considerado Património da Humanidade) acaba assim por ter impacto na trama e as implicações no contexto económico e político, relevando as relações de abuso de poder auferem grande credibilidade à história.

Ela Cantava Fados é uma trama que se desenvolve a um moroso ritmo e descentralizando-se do crime em questão. Aborda, à semelhança de L. Ville, a vida de Manuel da Rosa e o relacionamento do inspector com as demais personagens, não menosprezando a sua relação com Ana Moreno. Apesar do protagonista intervir nas duas tramas, não acho fulcral a leitura prévia de L. Ville.
À semelhança do que aconteceu no livro antecessor, acaba por ser este novamente o aspecto que intensifica a empatia do leitor com o protagonista, a forma como Manuel da Rosa se revela perante os outros e mantendo simultaneamente o seu quê de misterioso.
Ainda que tenha achado rápido e até pouco desenvolvido, o desenlace que culminou na revelação sobre o homicida e suas motivações, confesso que foi bastante surpreendente.

Confesso que comparando Ela Cantava Fados ao L.Ville, gostei muito mais da presente obra por diversos motivos. Penso que esta história está impregnada de "magia", talvez por ter o fado como tema fulcral, algo tão incomum, que nunca li na literatura até hoje; inebriaram-me por completo as descrições da cidade linda de Lisboa que tão bem Fernando Sobral descreve bem como a dura realidade político/económica que de forma ficcional, acaba por ser bastante representativa da actualidade. E sobretudo cativou-me a fadista, Maria de Lurdes Moniz, que viu terminada a sua vida, um talento tão promissor, de forma tão abrupta e injusta.
Aguardo com curiosidade pela seguinte obra do autor!


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