terça-feira, 15 de agosto de 2017

Dick Haskins - O Sono da Morte [Opinião]


Sinopse: Todos os indícios encontrados incriminavam Hilda Morgan, acusando-a da morte do tio, o milionário Gustav Eric Morgan: um pedaço de tecido de um vestido de noite preso no degrau de uma escada secreta, o facto de ter sido ela a última pessoa que estivera com Morgan nos seus derradeiros minutos de vida, a justificação de uma herança antecipada… e a própria confissão de culpa manuscrita e assinada por ela!
Mas seria realmente Hilda Morgan a autora da morte do tio?

Opinião: Finalmente estreio-me nas obras de Dick Haskins! 
Hoje em dia são um pouco difíceis de reunir esta colecção (a revista Sábado há uns tempos editou umas obras da sua autoria mas só eram quatro).

O Sono da Morte foi precisamente a primeira que ele escreveu, em 1955, tendo como particularidade a de ser também participante na história. Não sendo inspector, desenvolve um papel fulcral na trama como repórter criminologista que ajuda a Scotland Yard a descortinar o caso. Pelo que pude constatar, na altura só vingavam os policiais estrangeiros pelo que o pseudónimo do autor, trama e personagens (que nos remetem para um cenário britânico) dever-se-á, muito provavelmente, para a maior aceitação do público português.

É um livro que me fez revisitar obras do Ellery Queen ou Agatha Christie por ser um policial da escola clássica. O whodunnit assume um particular destaque uma vez que a acção se move em torno da identidade do homicídio de um milionário e todas as pistas apontam para a sobrinha. 
Um dos ingredientes da literatura policial que mais aprecio é que, por norma, o mais óbvio nunca é o caminho seguido. Assim, foi com interesse que acompanhei a investigação, maioritariamente por inquérito, por parte de Haskins e a Scotland Yard, em busca do verdadeiro culpado desta morte.

O autor (e participante na trama) inclui uma breve lista das personagens antes de iniciar a história, de forma a que o leitor saiba quem é cada um. Uma nota que, pessoalmente, considero importante. O carácter das personagens não e profundamente esmiuçado (creio que a história foca-se na investigação do crime), pelo que achei interessante a inclusão desta lista, permitindo o leitor associar e reter melhor a identidade dos participantes na trama.

É um livro que se lê rapidamente devido ao seu reduzido número de páginas. Além disso, a história não se torna maçuda, há sempre desenvolvimentos na acção, outras mortes e até um leve romance do protagonista com uma personagem minha homónima (confesso que até achei piada, não costumo ver muitas Veras na literatura), não obstante considerar que logo no epílogo ele desvenda demasiado sobre este caso amoroso. Este foi o ponto que considerei previsível. Já o desfecho, mais concretamente a identidade do homicida, creio que provou ser uma surpresa e gostei da forma como foi revelado, numa reunião das personagens, relembrando-me o mítico Poirot que desvendava o crime em moldes bastante similares.

Na estante constam mais algumas obras do autor. Quero torná-lo mais constante nas minhas leituras, de forma a conhecer melhor este autor que foi um marco na literatura policial portuguesa. 

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